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José Hamilton Ribeiro é homenageado no encerramento da série “Repórter”

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Por Jayane Condulo e Rosângela Tomas de Carvalho, alunas de jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo)

“Como se homenageia um grande repórter?”, perguntou ao público a jornalista Eliane Brum, na série “Repórter”, realizada em 02/09, no Itaú Cultural, em São Paulo. Eliane mesmo respondeu à questão: “Escutando-o!” E foi exatamente assim que o jornalista José Hamilton Ribeiro, que possui 60 dos seus 80 anos de vida dedicados à reportagem, foi homenageado no encerramento da série, promovida por Eliane. Teve suas histórias de vida e de sua carreira atentamente escutadas pelo público e por quatro outros mestres do jornalismo brasileiro, que o entrevistaram: Ricardo Kotscho, Clóvis Rossi, Lúcio Flávio Pinto e Carlos Moraes. Audálio Dantas também estava entre os convidados para a roda de homenagem a Zé Hamilton, mas não pôde comparecer devido a uma cirurgia realizada recentemente. Mesmo assim, não deixou de ser lembrado em nenhum momento, abrindo as perguntas através de um torpedo enviado para Eliane.

Apontado como o “repórter do século” e “o príncipe dos repórteres”, José Hamilton Ribeiro é inspiração para muitos jornalistas. Podia ter encerrado sua carreira ao perder a perna esquerda durante a explosão de uma mina, na cobertura que fez da Guerra do Vietnã, em 1968, para a revista Realidade, mas, tão logo se recuperou do acidente, prosseguiu fazendo reportagens premiadas sobre assuntos variados da realidade brasileira, com um jeito de escrever simples e envolvente. Hoje é repórter especial do Globo Rural (Rede Globo), contando histórias marcantes do homem do campo.

Zé Hamilton respondeu a diferentes perguntas dos jornalistas que o entrevistavam, inclusive sobre a cobertura da Guerra do Vietnã. Contou que sua esposa, falecida há quatro anos, costumava dizer que a casa deles era a única em que havia acontecido a mesma história duas vezes. “Um dia eu cheguei pra ela [para a esposa dele] e disse que havia sido convidado para cobrir a Guerra do Vietnã. Perguntei o que ela achava e ela me disse que era uma loucura e que eu não fosse. E eu fui. Vinte anos depois, minha filha chegou e disse que o marido dela havia sido convidado para cobrir a Guerra do Iraque. Minha esposa mandou dizer a ele que era uma loucura e que não fosse, mas disse que sabia que ele iria mesmo assim”, contou Zé Hamilton, que é sogro do repórter Sérgio Dávila, que foi correspondente internacional da Folha de S.Paulo (hoje é editor-executivo do jornal).

Ainda sobre o assunto, Zé Hamilton revelou que quando retornou ao Vietnã, em 1995, sentiu uma dor psicológica muito mais forte que a dor física que teve ao perder a perna no conflito.  “Percebi que aquele povo que tinha sido vencedor no combate estava altamente controlado, sob forte vigilância policial”, lamentou.

A conversa seguiu ao sabor do bom humor de José Hamilton, que envolveu a plateia, arrancando aplausos e gargalhadas.

Quando questionado sobre qual cobertura gostaria de fazer hoje, o jornalista respondeu que seria a da Operação Lava Jato [que investiga um esquema bilionário de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras], pois a considera como “uma revolução silenciosa”.

Zé Hamilton também falou sobre o momento atual do jornalismo, ao ser questionado por Ricardo Kotscho sobre o futuro da reportagem. Disse que, apesar de os jornais estarem restringindo o espaço para esse gênero jornalístico, não acredita na morte da reportagem, e citou com bons exemplos as revistas Piauí e Brasileiros. “Só que a grande reportagem hoje tem mais espaço na TV que no impresso”, opinou.

Ele lembrou da fórmula que criou, despretensiosamente, para a garantia de uma boa grande reportagem: GR = [(BC + BF)] x [(T x T’)n]. “Primeiramente, a grande reportagem precisa ter um bom começo [BC]. Se não começar bem, o leitor desiste de acompanhar, acha aquilo ruim, ou seja, você perde o leitor. No meio, você põe o T x T’. O primeiro T é trabalho e o segundo, T’, é talento. Mas, qual é a medida de trabalho e talento necessários para cada reportagem? A medida é a potência “n”. Ou seja, aquilo que for necessário de trabalho e talento deve ser colocado na hora de fazer a grande reportagem. O final não pode ser maçante e sem graça, tem que ser bom [BF]. O texto não pode morrer subitamente. Tem que terminar deixando a sensação de quero mais”, comentou, explicando a fórmula.

O repórter ainda falou sobre o impacto das novas tecnologias e da internet no “fazer jornalístico”: “Vocês, jovens, tem essa ferramenta que é o computador. Não contávamos com isso na nossa época”.

Sob a condução de Eliane, os mestres da reportagem que entrevistaram o jornalista continuaram relembrando acontecimentos marcantes da carreira de Zé Hamilton, ressaltando a relevância dos 60 anos de trabalho do repórter.

Zé Hamilton terminou o evento dando uma lição de ética aos novos profissionais, referindo-se à defesa feita pelo jornalista Cláudio Abramo, no texto “O jornalismo e a ética do marceneiro”. Destacou aos focas presentes: “Não existe ética do jornalista, existe ética do cidadão. O que você não faz como cidadão, também não deve fazer como jornalista”.

Foto: Cedida por José Hamilton Ribeiro, para o livro “Mestres da Reportagem”

OBS: O texto acima (produzido pelos meus alunos de jornalismo) também foi publicado (com algumas variações) no portal Comunique-se. Confira! Muito orgulho dos meus alunos 🙂

Repórteres apostam no jornalismo independente como modelo para superar crise

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Por André Luís, Damaris Almeida, Emily Santos, Guilherme Silva, Jemima Barbosa, Nicolly Soares  e Tatiane Cordeiro, alunos de jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo)

A série “Repórter”, realizada em 02/09, no Itaú Cultural, em São Paulo, com a curadoria da jornalista Eliane Brum, contou com um painel de entrevistas com diferentes repórteres que se dedicam a dar voz a setores da sociedade normalmente ignorados e/ou excluídos. São jornalistas que cumprem o verdadeiro papel da profissão de maneira independente, estando fora da grande mídia.

Nomeado de “Narrativas de Transição”, o painel foi comandado por Eliane Brum. Inqueridos pela jornalista, Bruno Paes Manso (Ponte), Laura Capriglione (Jornalistas Livres), Bruno Torturra (Fluxo), Katia Brasil (Amazônia Real) e Rene Silva (Voz da Comunidade) debateram alternativas para a atual fase do jornalismo, em que passaralhos e fechamento de jornais e revistas estão sendo comuns.

As entrevistas com cada repórter tiveram, em média, 15 minutos, com mais 10 para responderem a perguntas do público.

O ponto principal ressaltado pelos jornalistas, para a reinvenção da profissão diante do momento de crise, foi o de que é preciso seguir a vertente do jornalismo independente e convencer o público de que este é o caminho para uma informação sem amarras, voltada realmente às necessidades dos diversos setores da população.

“Nós podemos sim fazer outro jornalismo”, defendeu Laura Capriglione, do Jornalistas Livres. A repórter tem a expectativa de que a sociedade acabará tendo um novo olhar sobre o jornalismo. Para isso, destacou que é preciso ter credibilidade e conquistar o público, mostrando que os leitores podem confiar no que está escrito.

O repórter Bruno Paes Manso, do coletivo Ponte, que foca na cobertura de Direitos Humanos, Justiça e Segurança Pública, reforçou que “o momento do jornalismo é de se recriar”, e contou um pouco de sua trajetória e a do coletivo, que consegue dar voz a personagens das periferias, normalmente criminalizados de forma injusta, sem possibilidade de darem sua versão na grande mídia.

Kátia Brasil também contou sua trajetória e explicou por que acabou saindo das grandes redações (foi enviada especial de diversos veículos, dentre eles O Globo e Folha de S.Paulo) para fazer uma cobertura honesta da Amazônia, no seu site Amazônia Real. Ela explicou que chegou um momento em que as pautas que ela costumava trabalhar, dando voz aos setores prejudicados e explorados na região, como os índios, começaram a incomodar. Por isso, e somando ao momento de crise na grande imprensa, optou pelo jornalismo independente.

O repórter Bruno Torturra, um dos idealizadores da Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) e que hoje está à frente do Fluxo – Estúdio de Jornalismo, falou a respeito do impacto dos avanços tecnológicos nas redações e afirmou que está acontecendo uma globalização de informações não oficiais. “Na medida em que as redações começaram a falir, foi ficando mais fácil reportar”, complementou. Ele lembrou da primeira transmissão feita por streaming das manifestações de junho de 2013, em que a mídia NINJA foi bastante atuante, colaborando para uma nova visão dos acontecimentos em tempo real.

Bruno também apontou como futuro para o jornalismo independente o convencimento do público. “A viabilidade do jornalismo está no público. Se ele perceber que o poder da comunicação está nas mãos dele, ele vai valorizar o conteúdo e vai querer pagar. Na hora em que for tão fácil dar um real quanto um ‘like’, o jornalismo está salvo”, disse.

Rene Silva, do jornal Voz da Comunidade, do Complexo do Alemão (no Rio), falou sobre sua trajetória no jornalismo, que começou aos 11 anos de idade (hoje ele tem 21),  no jornal da escola. “Eu percebia que no colégio as coisas que estavam erradas só eram corrigidas quando saíam no jornal e vi que isso também podia acontecer na minha comunidade. Foi aí que nasceu a ideia de criar o Voz da Comunidade”, relatou.

O jovem repórter ganhou notoriedade nacional e internacional após cobrir pelo Twitter, de dentro do Complexo do Alemão, a invasão da polícia, em 2013. Ele foi o único jornalista a presenciar os fatos cara a cara, desmentindo alguns erros cometidos pela cobertura feita pela grande imprensa. Rene falou da importância de ter tido acesso à rede social para mostrar uma visão interna do fato.

O painel foi encerrado em tom otimista, com expectativa de crescimento do jornalismo independente, sem censura e livre da influência de anunciantes.

Foto: Divulgação/Portal Comunique-se

OBS: O texto acima (produzido pelos meus alunos de jornalismo) também foi publicado (com algumas variações) no portal Comunique-se. Confira! Muito orgulho dos meus alunos 🙂

“A cobertura que se faz da Amazônia é exótica e não contribui com a população local ”, diz Lúcio Flávio Pinto

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Por Kaique Dalapola, Katia Barreto, Gigi Pavanello e Vinícius Vieira, alunos de Jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo)

Grandes nomes do jornalismo brasileiro participaram, na quarta-feira (02/09), da segunda edição da série “Repórter”, realizada no Itaú Cultural, na Av. Paulista. Organizada pela jornalista e escritora Eliane Brum, a série tem como objetivo homenagear e registrar a memória de grandes repórteres do nosso país, no formato de entrevistas abertas, que contam com a interação do público.

O homenageado nessa edição foi José Hamilton Almeida, considerado o “Repórter do Século”, por ter vivido coberturas históricas, como a da Guerra do Vietnã (quando perdeu uma perna, depois que pisou acidentalmente em uma mina), e ter mais de 60 anos de reportagem. Mas o evento foi aberto com uma entrevista com outro grande mestre, o jornalista Lúcio Flávio Pinto.

Nascido em Santarém (Pará), há 65 anos, Lúcio Flávio Pinto passou pelos jornais Correio da Manhã (Rio de Janeiro), O Estado de São Paulo, O Liberal (Pará) e a Província do Pará. Formado em Sociologia, abriu o evento revelando que optou por estudar essa graduação, “pois já trabalhava há muito tempo com jornalismo”.

Hoje, o repórter segue com seu “Jornal Pessoal”, publicação criada e dirigida por ele há 28 anos, na qual faz análises profundas do contexto político e social da Amazônia. É um trabalho independente e de muita coragem e perseverança, já que o repórter não conta com anunciantes e se dedica a apontar as mazelas da região.

Além de Eliane Brum como mediadora, a roda de conversa contou com as presenças de Leonencio Nossa (correspondente do “Estado de São Paulo” em Brasília), Paulina Chamorro (Rádio Estadão e Eldorado) e Claudiney Ferreira (jornalista e gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural).

Para se ter ideia do espírito combativo de Lúcio Flávio, os jornalistas participantes da entrevista lembraram que o repórter, no início de sua carreira, fazia oposição ao seu próprio pai (Elias Ribeiro Pinto, prefeito de Santarém/PA), no jornal “Província do Pará”. Lúcio respondeu que “apesar de ter sido um bom prefeito”, as críticas que ele fazia ao pai eram “merecidas”.

Por conta de suas matérias ácidas e engajadas, denunciando nomes fortes da elite amazônica, Lúcio coleciona uma porção de desafetos. Ele já respondeu a 33 processos na justiça, o mais conhecido foi o caso envolvendo Ronaldo Maiorana, diretor da Comissão de Defesa à Liberdade de Imprensa pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Após ser citado no texto de Lúcio (intitulado “O rei da Quitanda”), publicado no “Jornal Pessoal”, Maiorana agrediu o jornalista. “Acredita que ainda fui processado por ter dito que fui espancado?”, indagou Lúcio, em tom irônico.

O repórter guarda mágoa pela forma como o fato foi noticiado na mídia: “A agressão foi horrível, mas o pior foi o dia seguinte. O jornal no qual trabalhei há mais de 18 anos [Estadão], sabendo do ocorrido, escreveu um notinha dizendo que eu havia me envolvido em uma briga. Eu não tinha brigado com ninguém, eu fui agredido”, desabafou. “Não sou herói, mas também não sou covarde”, completou.

Ainda sobre os desafetos, Eliane Brum fez questão de lembrá-lo de uma suposta “vaquinha” feita por ele para arrecadar dinheiro para um processo que ele recebeu. “Uma empreiteira me processou no valor de R$ 28.000,00. Não me restou escolha. Tive que fazer uma vaquinha pela internet e arrecadar essa quantia para colaborar ainda mais com o enriquecimento da família da empreiteira”, salientou.

Mesmo tendo convivido com os horrores da ditadura militar, Lúcio questiona o período democrático atual e vê a mesma dificuldade de atuar como jornalista: “de todos os processos que tive, apenas um foi na época da ditadura militar. Os demais foram todos na época da democracia”.

Eliane também recordou o choro compulsivo de Lúcio ao se deparar com uma barragem construída no Rio Tocantins, no estado do Pará, que se tornou a Usina Hidroelétrica de Tucuruí, e comparou a situação às agressões ambientais que estão sendo feitas para a implementação da Usina de Belo Monte. Emocionado, o jornalista disse: “chorei e ainda choro, pois estou vendo o homem interrompendo a natureza”.

Sobre o “Jornal Pessoal”, Lúcio Flávio afirmou que já pensou em “matar o jornal” diversas vezes, mas “sempre que vinha com essa ideia, acontecia algo para noticiar, e a edição vendia muito bem, então, por ora, desistia”.

Ele ressaltou que a cobertura que a imprensa paulista faz da Amazônia é muito deficiente. “A imprensa paulista ainda faz uma cobertura exótica da região, que em nada colabora com a população local. Isso porque para cobrir a Amazônia não dá para ser a distância e nem ir lá uma ou duas vezes. É preciso realmente conhecer a região”. Ele complementou dizendo que o problema do jornalismo hoje está no fato de existirem poucos repórteres que vão a campo, para ver pessoalmente como é a realidade: “Esta faltando vivência no jornalismo, estar próximo de onde os acontecimentos emergem. O repórter de retarguarda, de computador, não faz tanta falta como o que fica na linha de frente”.

Lúcio Flávio Pinto apontou outros grandes pecados cometidos pelos novos jornalistas, dentre eles, a falta de objetividade. “Sem objetividade não tem jornalismo. Tenho obsessão em jamais contrariar os fatos”. Ele também lamentou a covardia de boa parte dos repórteres: “Nada me deixa mais triste do que jornalista que não publica uma matéria para não se comprometer”.

No final da entrevista, foi categórico ao responder à pergunta do jornalista Leonecio Nossa sobre o porquê dele continuar trabalhando como repórter, ao contrário de muitos colegas da mesma época, que hoje atuam em áreas administrativas e políticas: “Sou da linha de frente, porque o jornalista é o único que pode dizer que viu, então quero continuar sendo testemunha ocular dos acontecimentos”.

Foto: Divulgação/Portal Comunique-se

OBS: O texto acima (produzido pelos meus alunos de jornalismo) também foi publicado (com algumas variações) no portal Comunique-se. Confira! Muito orgulho dos meus alunos 🙂

Um dia memorável ao lado de mestres do nosso jornalismo

*Patrícia Paixão

Ontem (02/09) foi um daqueles dias lindos e memoráveis em que você tem certeza absoluta de que O JORNALISMO É A MELHOR PROFISSÃO DO MUNDO, como disse o mestre Gabriel García Márquez,

Eu e meus alunos da FAPSP fizemos uma aula externa na série “Repórter”, organizada pela diva-musa-deusa suprema Eliane Brum, no Itaú Cultural, em São Paulo. Saímos do evento flutuando, como se pisássemos nas nuvens.

Das 15h às 22h, tivemos uma série de aulas de reportagem, por meio de entrevistas com grandes mestres: José Hamilton Ribeiro (considerado o “repórter do século”, homenageado nesta 2ª edição da série), Clóvis Rossi, Ricardo Kotscho, Lúcio Flávio Pinto, Carlos Moraes, Leonencio Nossa, Kátia Brasil, Bruno Paes Manso, Laura Capriglione, Rene Silva e Bruno Torturra.

Conhecer melhor a trajetória desses heroicos repórteres, que fazem um jornalismo voltado a pessoas comuns, normalmente ignoradas e/ou excluídas,  nos deu  energia para trabalhar mais de 100 anos no jornalismo, se a saúde ajudar rs

Muitos deles levam o ofício de repórter de maneira independente, sem anunciantes, sem grandes estruturas.

Meus alunos fizeram a cobertura completa do evento e em breve postarei os textos deles aqui, para que você, leitor do Formando Focas, possa acompanhar um pouquinho da maravilha que vivemos ontem.

Enquanto isso, seguem algumas frases lindas, que registrei no evento, desses jornalistas que são pura inspiração:

“Como se homenageia um repórter? Escutando ele.”

Eliane Brum

“Está faltando vivência no jornalismo, estar próximo de onde os acontecimentos emergem. O repórter de retarguarda, de computador, não faz tanta falta como o que fica na linha de frente.”

Lúcio Flávio Pinto

“A viabilidade do jornalismo no futuro está no público. Se o público perceber que o poder da comunicação está em suas mãos, ele vai valorizar o conteúdo e vai querer pagar por ele.”

Bruno Torturra

“Não existe ética do jornalista. Existe ética do cidadão. Você não vai fazer, como jornalista, algo que não faria como cidadão.”

José Hamilton Ribeiro (referindo-se à defesa feita pelo jornalista Cláudio Abramo, em texto presente no livro “A Regra do Jogo”)

 

 

 

2ª edição da série “Repórter” em 02/09: oportunidade de aprender com mestres da arte de registrar nossa história

*Patrícia Paixão

Tão importante quanto o registro da nossa história contemporânea é a preservação da memória daqueles que são mestres no ofício de documentar essa história.

Foi pensando nisso que em 2012 eu e meus alunos de jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo) publicamos o livro “Mestres da Reportagem“, com a trajetória profissional de grandes nomes do nosso jornalismo.

Foi com o mesmo objetivo que, em 2011, a diva-musa-deusa-suprema Eliane Brum (perdoe o exagero, mas queria conseguir fazer ao menos 1% do trabalho de reportagem maravilhoso que esta mulher faz Brasil afora) lançou a série “Repórter”, pelo Itaú Cultural. Eliane leva bastante a sério o papel da reportagem como documento histórico. Na entrevista que fiz com ela para o Mestres da Reportagem, ressaltou que “o jornalista é o historiador do cotidiano”.

“O que a gente faz é documento, querendo ou não, com consciência ou não, mesmo que seja um documento da nossa incompetência. A gente influencia o mundo agora e vai influenciar a compreensão do nosso mundo depois, então é uma responsabilidade muito grande”, complementou a jornalista.

Acredito veementemente na tese de Eliane. Assim como acredito que, ao registramos e oferecermos (seja em livro ou em um evento) as histórias de grandes repórteres, estamos ajudando a formar novas gerações de jornalistas conscientes de seu papel.

Por tudo isso é que eu recomendo MUITO a presença de todo estudante de jornalismo na 2ª edição da série “Repórter”, que acontecerá no próximo dia 02/09, no próprio Itaú Cultural, em São Paulo.

Um time de feras na arte da reportagem (além da própria Eliane que, por si só, já justificaria muito o comparecimento na série) estará presente no evento, que tem início às 15h, com a última atração começando às 20h: uma homenagem ao “repórter do século” José Hamilton Ribeiro, que fez o prefácio do nosso livro.

Considero a série “Repórter” tão importante que farei uma aula externa com meus alunos da FAPSP no local.

Confira, abaixo, a programação completa ou clique aqui para ter acesso a todas as informações sobre o evento. Nos vemos lá!

*1º Painel, das 15h: “Lúcio Flávio Pinto: o repórter que inventou um Jornal Pessoal”

Referência na cobertura da Amazônia, o jornalista paranaense Lúcio Flavio Pinto será entrevistado nesta mesa pelos colegas Leonêncio Nossa, do Estadão, e Paulina Chamorro, das rádios Eldorado e Estadão, que também possuem intimidade com essa temática.

Depois de trabalhar em grandes veículos da nossa imprensa, incluindo 18 anos no Estadão, Lúcio Flávio criou o “Jornal Pessoal”, que em setembro completará 28 anos, marcados por muita perseverança e resistência.  O impresso, que tem tiragem de 2 mil exemplares, sobrevive sem anunciantes publicitários e é vendido a R$ 5 em bancas e livrarias de Belém do Pará e região.

*2º Painel, das 17h: “Narrativas da transição”

Na segunda roda de debates os jornalistas Bruno Paes Manso (Ponte), Laura Capriglione (Jornalistas Livres), Bruno Torturra (Fluxo), Kátia Brasil (Amazônia Real) e Rene Silva (Voz da Comunidade) discutirão um tema pertinente ao frágil momento em que vivemos: como sobreviver no jornalismo nesta fase de sucessivos passaralhos e pouco investimento em reportagem? Quais são as alternativas diante desse quadro, sem que tenhamos que comprometer nossa independência editorial?

*Entrevista de encerramento, às 20h: “José Hamilton Ribeiro: 60 anos de reportagem”

Encerrando a 2ª edição da série, haverá a grande e merecida homenagem a José Hamilton Ribeiro, conhecido como o “príncipe dos repórteres” (clique aqui para conhecer o perfil do jornalista) . Os mestres Audálio Dantas, Clóvis Rossi, Lúcio Flávio Pinto e Ricardo Kotscho entrevistarão Zé Hamilton, com a mediação da repórter e curadora da série, Eliane Brum.

Agora diz: dá pra perder???

Nos vemos lá! #ansiosa

2ª EDIÇÃO DA SÉRIE “REPÓRTER”

Quando: 2 de setembro

Horário: das 15h às 20h

Onde: Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Estação Brigadeiro do metrô), São Paulo.

O evento é aberto ao público. Basta retirar a senha com 30 minutos de antecedência.

Imagens: Do arquivo pessoal dos jornalistas, oferecidas para o livro Mestres da Reportagem