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“Repórter do futuro” tem inscrições abertas para curso de cobertura de conflitos armados

 

Oboré

Insira uma legenda

 

*Patrícia Paixão

Foto: Oboré/Repórter do Futuro

Este é um curso que eu RECOMENDO MUITO E SEMPRE a todos estudantes de Jornalismo. Trata-se  do 17º Curso de Informação sobre Jornalismo em Situações de Conflitos Armados e Outras situações de Violência, que faz parte do projeto “Repórter do Futuro”,  realizado pela OBORÉ em parceria com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha – (CICV) e Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais – IPFD. O curso conta com o  apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji.

Tenho diversos alunos que fizeram este curso e hoje estão bem colocados, em grandes redações, brilhando na área.

O curso é excelente, pois faz o estudante viver o ritmo de uma redação, tendo que entregar e emplacar reportagens em veículos reais toda semana.

Os alunos recebem críticas valiosas sobre seus textos e participam de coletivas com fontes renomadas. Imperdível!

As inscrições (clique aqui para se inscrever) estão abertas até o dia 16 de julho de 2018.  Os estudantes selecionados participarão das palestras / entrevistas coletivas entre os dias 29 de julho e 26 de agosto, sempre aos sábados, com coordenação do jornalista Aldo Quiroga.

“A atividade reúne, desde 2001, juristas, militares, policiais e jornalistas para tratar sobre normas internacionais aplicáveis em situações de conflito armado e outras situações de violência e sobre o trabalho da imprensa nestes contextos, além de apresentar o perfil da ação humanitária do CICV em mais de 80 países”, destaca a nota sobre o curso, divulgada pela Oboré.

Neste ano, os conferencistas serão o assessor jurídico do CICV, Gabriel Valladares, e o responsável do Programa com as Forças Policiais e de Segurança do CICV, Paulo Roberto B. Oliveira. Também haverá um encontro sobre a cobertura da imprensa brasileira de conflitos armados com os repórteres Patrícia Campos Mello e Lalo de Almeida, ambos da Folha de S. Paulo.

Ao todo, serão selecionados 20 participantes, estudantes universitários de graduação na área de Comunicação Social que tenham interesse nesse tema.

A seleção será realizada no sábado, 21 de julho, às 10h, durante encontro de confraternização com a presença do chefe adjunto da delegação regional do CICV, Filipe Carvalho. Os candidatos realizarão um teste de seleção que visa avaliar o perfil dos interessados e identificar quais poderão ter melhor aproveitamento do módulo.

MAIS INFORMAÇÕES FORNECIDAS PELA OBORÉ:

Metodologia

A estrutura do curso mantém o modelo adotado no Projeto Repórter do Futuro desde a sua criação em 1994: a cada encontro, realizado aos sábados, os 20 estudantes selecionados assistem a uma palestra de cerca de 40 minutos com um convidado e participam de conferência de imprensa. Ao final de cada encontro, produzem uma pequena reportagem e são orientados individualmente nesta produção.

A Reembolsa

No ato da matrícula, os estudantes selecionados deverão entregar um cheque no valor de um salário mínimo (hoje em R$ 937,00) e assinar um pacto de reembolsa. De acordo com as regras do curso, o cheque não será descontado se o estudante: 1. Participar de todos os encontros; 2. Redigir um texto jornalístico ao final de cada encontro; 3. Agendar e comparecer a um atendimento individual com a coordenação pedagógica do curso; 4. Publicar um texto sobre o tema em veículo com editor responsável. O aluno que cumprir todos esses critérios receberá o cheque de volta (Reembolsa) ao final do módulo, após o encerramento e a entrega dos certificados.

Sobre o CICV

No mundo todo, o CICV promove cursos, seminários e palestras como forma de aumentar o conhecimento e o respeito às internacionais que regem a condução de hostilidades, e também de apresentar o perfil neutro, imparcial e independente de sua ação humanitária em favor das vítimas dos conflitos armados e de outras situações de violência. No Brasil, onde a organização mantém presença permanente deste 1991, este trabalho é feito com membros das Forças Armadas, policiais, autoridades, acadêmicos e jornalistas, entre outros.

Programação

Encontro de Confraternização e Seleção
21 de julho, 10h00
Local: Auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Rua Rego Freitas, 530 – sobreloja – Vila Buarque, São Paulo – SP
Apresentação de Filipe Carvalho, chefe adjunto da delegação regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)

04 de agosto | 9h às 12h e das 13h às 16h
Introdução ao direito aplicável nos conflitos armados
Gabriel Valladares, assessor jurídico do CICV

11 de agosto | 9h às 13h
Normas internacionais aplicáveis à função policial no uso da força e de armas de fogo
Paulo Roberto B. Oliveira, responsável técnico do Programa com as Forças Policiais e de Segurança do CICV

18 de agosto | 9h às 13h
Cobertura da imprensa brasileira de conflitos armados e outras situações de violência
Patrícia Campos Mello e Lalo de Almeida, repórteres do jornal Folha de S. Paulo

15  de setembro | 10h30 às 14h
Encontro de avaliação e entrega de certificado

Inscrições online: Até 16 de julho de 2018
Encontro de Confraternização e Seleção: 21 de julho
Curso: 4 de agosto a 15 de setembro de 2018 (aos sábados)

Promoção: Comitê Internacional da Cruz Vermelha – CICV | OBORÉ Projetos Especiais | Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais – IPFD

Apoio: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji

OBORÉ Projetos Especiais
Tel: (11) 2847.4567
reporterdofuturo@obore.com
www.obore.com

Facebook: https://www.facebook.com/oboreprojetos/

Instagran: @_obore

Twitter: @reporterfuturo

Entenda a diferença entre nota, notícia e reportagem

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*Patrícia Paixão

“Que notícia interessante, meu filho!”, diz sua mãe, apontando para um editorial ou uma crônica.

Para o leigo, todos os textos que aparecem em um jornal são “notícias”, mesmo aqueles que pertencem ao gênero opinativo, no qual claramente prevalece a visão de mundo do jornalista.

Quem conhece os gêneros jornalísticos sabe que isso é um grande equívoco. Existem diversos tipos de textos em um veículo e é preciso saber diferenciá-los.

Fico espantada quando às vezes pego alunos no último ano do curso de Jornalismo que ainda não sabem diferenciar notícia de reportagem, artigo  de editorial, crônica de resenha e assim por diante. Seria o mesmo caso do médico que está se formando confundindo o rim com o fígado, o coração com o pulmão!

No post de hoje vamos falar das diferenças entre três tipos textuais bastante trabalhados no gênero informativo (gênero no qual não devemos colocar a nossa opinião sobre o fato, atendo-se apenas a informar o que aconteceu): a nota, a notícia e a reportagem (embora vários autores considerem este último texto como pertencente ao gênero interpretativo, como explicaremos a seguir).

Vamos lá?

*NOTÍCIA

É um texto que faz o relato de um fato que acabou de eclodir na sociedade. É essencialmente factual, ficando velha em poucas horas. Então, para saber se é notícia, basta pensar: Esse texto poderia ser publicado amanhã ou ficaria obsoleto? Se ficar velho, com certeza é notícia.

É o puro registro do fato, sem comentário ou interpretação. Não tem o objetivo de abordar as causas e consequências do acontecimento, apenas informá-lo da forma mais simples possível.

Deve trazer as aspas (declarações) dos envolvidos na história.

É a matéria-prima do jornalismo, pois, geralmente, somente depois que os assuntos são divulgados é que eles são comentados e interpretados. Ou seja, na maioria das vezes para a reportagem, o artigo ou um editorial existir, é preciso que haja uma notícia que os instigue.

No idioma inglês notícia é news”. Esse termo foi formado a partir das iniciais dos pontos cardeais (North, East, West e South). Assim a notícia é encarada como um fato novo, “quente”, que tem o potencial de ser difundido para todas as direções, atingindo o maior número de pessoas.

É o tipo textual predominante nos veículos jornalísticos. Boa parte do conteúdo dos jornais impressos, radiojornais, telejornais e, em especial webjornais, é formada por notícias, em especial no atual cenário em que os leitores privilegiam a informação rápida e objetiva, e em que muitas redações têm reprimido o gênero reportagem (ainda que inconscientemente), que envolve tempo e dinheiro, afinal, para se fazer reportagem de verdade é preciso ir pra rua, ouvir muita gente, pesquisar muito. Em tempos de passaralhos e cortes de custo isso é complicado.

 

  • Texto

Quanto à estrutura do texto, como trabalha com o factual, o texto da notícia segue a estrutura da pirâmide invertida, com as informações mais importantes sobre o fato aparecendo no primeiro parágrafo (lide – que responde às perguntas o quê, quem, quando, onde, como e por quê)). As informações são apresentadas em ordem decrescente (do mais importante para o menos importante). Posteriormente, constrói-se o sublide (outras informações relevantes relacionadas ao lide). Passa-se, nos demais parágrafos, a detalhar pontos da história até terminar o texto com os aspectos menos relevantes.

Lide

As declarações dos entrevistados podem entrar no texto na forma:

  • Direta:  “O  corte no Orçamento de 2011 irá ajudar o governo a manter as contas em dia”, afirma o  ministro  da Fazenda, Joaquim Levy.
  • Indireta: Segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o corte  no Orçamento de 2011  ajudará na manutenção das contas do governo.
  • Mista: Para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o corte no Orçamento de 2011 “irá ajudar o governo a manter as contas em dia”.

Outras regrinhas: O texto deve ser impessoal (a primeira pessoa é proibida, tanto no singular como no plural. Ou seja, nada de: “Em entrevista concedida a mim…”); objetivo e imparcial (evitar a subjetividade e os adjetivos. Adjetivos só são aceitos se trouxerem informação. Os que trazem juízo de valor devem ser evitados); conciso (não ter mais vocábulos que o necessário. Muitas vezes em texto menos é mais); preciso (trazer dados exatos, sem generalizações); escrito com frases curtas e na ordem direta (sujeito – verbo – predicado), para facilitar o entendimento do leitor;  além de coeso e coerente (ter uma relação lógica e “bem costurada” entre seus parágrafos).

Clique aqui para ler um exemplo de notícia.

*REPORTAGEM

A reportagem é um texto mais aprofundado que a notícia, ou pelo menos deveria ser. É o gênero mais nobre do Jornalismo. Vai além de informar, pois oferece uma interpretação do fato ao leitor, mostrando suas possíveis origens, razões e efeitos.

Na reportagem, o jornalista, com base na consulta a diversas fontes e numa ampla pesquisa (inclusive de campo), traça um DIAGNÓSTICO do fato. Portanto, quanto maior for o número e qualidade dos entrevistados e a pesquisa feita, melhor será a reportagem.

Como oferece um aprofundamento do fato, alguns estudiosos a classificam como um texto do gênero interpretativo, que se diferencia do meramente informativo e da simples opinião.

Exemplo: Noticiar as manifestações de 13 de dezembro de 2015 contra a presidente Dilma Rousseff é informativo. Criticar ou elogiar essas manifestações é opinativo. Já analisar as causas e o impacto desses protestos na aceleração ou não do processo de impeachment seria interpretativo, ou seja, papel da reportagem.

Como diz Eugênio Bucci,  no texto de apresentação que escreveu para o livro “A arte da reportagem”, de Igor Fuser, “a reportagem, como a arte, tem a necessária pretensão de iluminar o significado, de apontar uma direção acima do caos dos eventos cotidianos.”

Ou seja, informar os eventos cotidianos é função da notícia, mas a reportagem precisa ir além. Ela deve mostrar o que está por trás da grande avalanche de notícias que vemos no dia a dia, o que vem acontecendo na sociedade, em qual direção estamos rumando. Não adianta, por exemplo, ficar apenas noticiando dia a dia as diversas chacinas que acontecem nas periferias de São Paulo. É preciso fazer uma reportagem para sabermos por que essas chacinas vêm ocorrendo e o que pode ser feito para evitá-las.

A reportagem geralmente tem como ponto de partida uma notícia.

  • Texto

O texto da reportagem precisa ser atrativo, bem trabalhado. Não pode ser um relato frio do fato, como faz a notícia.

Deve ser aberto com um bom lide, que consiga fisgar o leitor, mantendo-o no texto. O lide da reportagem tende mais ao não factual, ou seja, não tem a necessidade de logo de cara responder às seis questões essenciais sobre o fato. O repórter pode abrir o texto, por exemplo, descrevendo, com riqueza de detalhes e caracterização dos personagens, uma das cenas que presenciou do fato.

Muitas vezes a reportagem trabalha a humanização, por meio da sensibilidade e observação do repórter, para contar a história de maneira instigante.

É importante que a reportagem também conte com uma boa programação visual (bom uso dos elementos gráficos, infografia e fotografia). Em reportagem costuma-se usar, além do título, subtítulo, intertítulos e olhos. Como é um texto mais longo, esses elementos gráficos são muito importantes para manter o leitor no texto, pois funcionam como “iscas”.

ELEMENTOS

A forma como as declarações dos entrevistados entram no texto é a mesma que explicamos acima, para a notícia.

Em jornais diários a reportagem não é tão explorada como em veículos com periodicidade maior, como a revista.

Clique aqui (da página 16 a 23) para ver um exemplo de reportagem.

*NOTA

É um texto curto (média de 15 linhas) que traz as informações básicas sobre o fato, sem aprofundamento. Produzir uma nota é ir um pouco além do lide. Normalmente não traz aspas (declarações dos envolvidos no fato).

Seu estilo de redação é muito parecido com o da notícia. Ou seja, tem-se um relato mais objetivo e frio do fato.

O que pode gerar uma nota?

Um fato que já ocorreu, mas que não teve tanta relevância perto de outros que viraram notícia, por isso só merece um registro.

 

ou

Um fato que está em processo de configuração (que ainda vai acontecer ou que já está acontecendo). Nesse caso o relato é curto, pois ainda não há muitas informações a respeito

Exemplo de nota.

Bem, espero tê-lo ajudado a identificar esses três tipos textuais do jornalismo e a decidir quando optar por um ou por outro. Em postagens futuras, falaremos sobre outros gêneros jornalísticos. Continue nos acompanhando 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

Os 20 livros que todo jornalista precisa ler

*Patrícia Paixão

Resolvi fazer esse post, respondendo a uma pergunta que recebo com muita frequência dos meus alunos:

Quais são os livros que todo jornalista deve ler?

Segue, então, uma lista das obras que, NA MINHA VISÃO, você não pode sair da faculdade sem ter lido. O “na minha visão” vai em caixa alta, pois essa é uma lista muito particular, da qual outros colegas podem discordar.

Embora possa gerar discordâncias, garanto que não há nenhum livro indicado aqui que seja dispensável. Talvez estejam faltando obras que outros consideram mais importantes, mas não há livros medianos, que não vão acrescentar na sua formação.

E não, não indiquei os dez mais, como boa parte dos críticos costuma fazer. Minha lista dos melhores livros sobre Jornalismo ultrapassa e muuuito o número 10. Selecionar 20 já foi um trabalho árduo rs

Faça um check list e corra atrás dos que você ainda não leu.

*ILUSÕES PERDIDAS

Ilusões Perdidas

Foi o primeiro livro que eu li na faculdade de Jornalismo. Eu estava no primeiro ano e me lembro que bebi uma garrafa de vinho “Chapinha” (sim, meu fígado sobreviveu rs) para comemorar a finalização da leitura, de tão empolgada que fiquei com a obra. Simplesmente MARAVILHOSO, um dos grandes clássicos da literatura universal. Honoré de Balzac publicou o livro em 1843 e ele continua atualíssimo. Mostra toda podridão do jornalismo na área cultural no século XIX, onde resenhistas derrubavam obras gratuitamente, apenas por serem inimigos de quem as escreveu. O romance conta a história do jovem poeta interiorano Lucien Chardon de Rubempré, que decide ir para Paris para tentar se realizar profissionalmente, tornando-se escritor. Lucien leva, como mostra do seu trabalho, um livro de poemas e um romance histórico. Consegue entrar no jornalismo diário e, a partir daí, é que começam a ser derrubadas cada uma de suas ilusões sobre a profissão.  A ética é sistematicamente ignorada por atos de suborno, trapaças, fofocas, entre outras coisas.  LIVRO ESSENCIAL!!!

*FAMA E ANONIMATO

Fama e Anonimato

Trata-se de uma antologia com reportagens sensacionais do grande Gay Talese, um dos pais do chamado “Jornalismo literário”. Os textos, escritos nos anos 60, falam sobre pessoas anônimas e famosas de Nova York, e foram publicados em revistas como Esquire e The New Yorker. Publicado no Brasil em 1973 com o título de ‘Aos olhos da multidão’, o livro se tornou referência entre jornalistas e escritores. Traz o perfil mais famoso da história do jornalismo “Frank Sinatra has a cold” (Frank Sinatra está resfriado), construído com primor, mesmo sem que Talese tenha conseguido entrevistar Sinatra. Entre os longos perfis de anônimos traçados  estão os dos trabalhadores que, entre os anos de 1961 e 1964, ajudaram a construir a ponte Verrazano-Narrows, que liga os distritos de Brooklyn e State Island, em Nova York.  Textos extremamente bem escritos e envolventes. Vale muito a pena!

*HIROSHIMA

Hiroshima

Considerado uma das obras-primas da reportagem mundial, o livro traz o artigo que John Hersey publicou em 31 de agosto de 1946 na revista americana The New Yorkerdescrevendo como os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki afetaram a vida de seis personagens: um pastor Metodista; uma viúva, mãe de três crianças; um médico proprietário de um hospital privado; um padre; um pastor jesuíta, um médico da Cruz Vermelha e uma funcionária administrativa da East Asia Tin Works. A narrativa é construída de forma primorosa, contando onde cada personagem estava e o que fazia no momento dos bombardeios. OBRIGATÓRIO!

*A SANGUE FRIO

A Sangue Frio

Mais um livro clássico, com um texto que é uma verdadeira obra de arte. Escrito por Truman Capote, a obra revela, em detalhes, como se deu o brutal assassinato de uma família na cidade de Holcomb, no interior do estado do Kansas, nos EUA. É um belo exemplo de que uma grande reportagem pode nascer de uma notícia, que estaria fadada a ser esquecida em alguns dias. Basta o faro, o talento, o esforço e a persistência do repórter. Capote decidiu escrever sobre o assassinato em Holcomb após ler uma notícia a respeito, em 1959, no jornal. Em 1965, quase seis anos depois, conseguiu publicar a história em quatro partes na revista The New Yorker e a transformou no livro. Além de reconstituir o crime, a obra resgata a trajetória da dupla de assassinos da família Clutter.

*TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE

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Em linguagem envolvente e dinâmica, os repórteres Carl Berstein e Bob Woodward contam, nesta obra, o passo a passo da série de reportagens que eles fizeram para o The Washington Post, que culminou na renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974. A apuração, iniciada em 1972 e que ficou conhecida como “Caso Watergate”, é considerada uma das precursoras do jornalismo investigativo no mundo. Todo jornalista tem que conhecer muito bem esse caso.  O livro foi lançado pouco antes de Nixon renunciar. Dois anos depois foi adaptado para o cinema.

*OS SERTÕES

SERTÕES

Em 1897, o escritor e jornalista Euclides da Cunha foi enviado ao norte da Bahia, pelo jornal O Estado de S. Paulo, para fazer a cobertura de um conflito no arraial de Canudos. Em poucos dias no local, percebeu que aquele que era tido pela classe política e pela imprensa como um movimento antirrepublicano, estrategicamente planejado, não passava de uma manifestação religiosa, liderada por Antônio Conselheiro, uma espécie de profeta do local. A comunidade de Canudos foi brutalmente dizimada pelas forças republicanas.  O resultado do trabalho de apuração de Euclides da Cunha foi transformado no livro “Os Sertões”, publicado em 1902, considerado um dos grandes clássicos da nossa literatura. Esse foi o segundo livro que li na faculdade. Também comemorei o término de sua leitura, toda orgulhosa, com uma taça de vinho “Chapinha”. O livro é interessante não só por mostrar a importância de o repórter ir a campo, derrubando pressupostos que estão na pauta, como para entender a natureza do sertão e a essência e os sofrimentos do sertanejo. Me lembro que quando finalizei o livro senti um orgulho imenso: PQP! EU LI OS SERTÕES! Todo brasileiro deve ler esse livro, ainda mais quem faz Jornalismo.

*RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA 

Recordações

Em  “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, o escritor Lima Barreto faz um crítica à sociedade e à imprensa carioca, algo parecido com o que fez Honoré de Balzac em “Ilusões Perdidas”, com as devidas diferenças de tempo e espaço. A obra foi lançada em 1909 e traz a história do jovem mulato Isaías Caminha, que sai do interior em direção ao Rio de Janeiro, decidido a cursar medicina e a combater o preconceito contra pessoas de sua raça. Ao chegar ao Rio, percebe o prestígio que cronistas e repórteres têm junto à população e deseja trabalhar como jornalista. Depois de certa dificuldade para conseguir se inserir na imprensa (o que ele atribui à sua cor), consegue um convite para trabalhar no jornal “O Globo”. A partir daí, começa a observar uma série de podridões no jornalismo, como textos feitos para bajular pessoas da alta sociedade. Aos poucos, Isaías deixa-se contaminar por aquele ambiente e torna-se tão arrogante e manipulador como os outros jornalistas. Dizem que a obra é autobiográfica, já que Lima Barreto também trabalhou na imprensa carioca. Tal como no romance de Balzac, muitas das críticas feitas no livro continuam atuais.

*O GOSTO DA GUERRA

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Neste livro,  José Hamilton Ribeiro conta tudo o que viveu e sentiu na cobertura que fez da Guerra do Vietnã para a revista Realidade, em 1968. O jornalista perdeu a perna esquerda durante a explosão de uma mina. Ele relata o drama do acidente e o dia a dia da guerra. Ainda oferece ao leitor, com um texto muito bem construído, com traços psicológicos, um relato emocionado sobre a sua volta ao Vietnã 30 anos depois. Sensacional!

*A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS

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Este livro traz 37 textos memoráveis de João do Rio, considerado um dos pais do jornalismo investigativo e do jornalismo literário no Brasil, primeiro jornalista brasileiro a fazer reportagem de campo, subindo os morros e rastreando as ruas cariocas.  São crônicas e reportagens publicadas na imprensa do Rio entre 1904 e 1907, que mostram, a partir de um trabalho de observação e apuração nas ruas, um retrato de uma cidade em um processo de transformação acelerado, a hipocrisia de certos setores da sociedade e o perfil de diversos personagens, como mendigos, trabalhadores braçais, meninos de rua. Clássico!!!

*CHATÔ, O REI DO BRASIL

Chatô

Biografia de um dos pais da comunicação no Brasil, o paraibano Assis Chateaubriand. Apesar de polêmico, muitas vezes antiético e implacável com seus inimigos, Chatô, inegavelmente, foi um visionário. Trouxe a televisão para o Brasil e criou o império “Diários Associados”, formado por quase 100 jornais, revistas, estações de rádio e televisão. Foi o fundador do Masp (Museu de Arte de São Paulo), atuando ainda no campo político. Excelente biógrafo, Fernando Morais conta a história de Chateaubriand de maneira bastante envolvente.

*O ANJO PORNOGRÁFICO

ANJO

Escrito pelo mestre Ruy Castro, o livro conta a vida de outro jornalista bastante polêmico, mas, sem dúvida, genial: o pernambucano Nelson Rodrigues, autor de belíssimas peças, crônicas e frases sensacionais, que ainda hoje são reverenciadas, como: “toda unanimidade é burra”. Tenho uma relação de amor e ódio pelo Nelson Rodrigues. Ao mesmo tempo em que admiro sua inteligência e inovação, por exemplo em suas peças teatrais (muitas revolucionárias, como “Vestido de Noiva”), tenho ojeriza ao seu lado reacionário. É uma figura controvertida, mas que certamente contribuiu muito com nosso jornalismo e nosso Teatro e, por isso, merece ser respeitada. O pai de Nelson e seus irmãos também eram jornalistas e passaram por veículos consagrados da nossa imprensa no século XX.  Seu pai foi fundador do jornal “A Manhã”, onde Nelson começou sua carreira jornalística, aos 13 anos. Em 1929, depois de perder “A Manhã” para seu sócio, o pai de Nelson lançou o jornal “Crítica”, que acabou sendo palco da primeira das várias tragédias da vida do jornalista,  o assassinato de seu irmão Roberto pela personagem de uma das matérias que foi manchete do veículo. Ler o livro de Ruy Castro é também conhecer os bastidores da nossa imprensa nas primeiras décadas do século XX, que era descaradamente parcial, muitas vezes sensacionalista e alinhada sem pudor a grupos políticos. Sem dúvida, um livro fundamental.

* COMUNICAÇÃO – DO GRITO AO SATÉLITE

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Todo jornalista que se preza precisa conhecer a história da sua profissão e da área de comunicação como um todo. Por isso, recomendo muito este livro do Antonio Costella. Com linguagem atrativa e interessante material iconográfico, a obra mostra desde as primeiras formas de comunicação surgidas no mundo, passando pela invenção da linguagem, da escrita, do papel, dos primeiros jornais, rádios, tevês até chegar à Internet. Muito bom!

*TEMPO DE CONTAR

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Uma verdadeira joia, escrita por um dos pais do jornalismo literário brasileiro, o repórter Joel Silveira, chamado por Assis Chateaubriand de “a víbora”, depois que escreveu a reportagem “Grã-finos em São Paulo”, onde fez uma descrição ácida dos costumes do high society paulistano. O livro reúne grandes reportagens de Joel, além de suas memórias. O leitor se encanta com um texto magnífico, que literalmente o “sequestra”. Dentre os textos oferecidos na obra estão a tentativa de entrevista com o ex-presidente Getúlio Vargas para a “Revista da Semana” (sensacional!) e as coberturas que Joel fez da Segunda Grande Guerra e do “Bogotazo”,  série de protestos e desordens que surgiram após o assassinato do líder liberal e candidato a presidente Jorge Eliécer Gaitán em 9 de abril de 1948 no centro de Bogotá (Colômbia), durante o governo do presidente Mariano Ospina Pérez. Não tem como não chorar lendo esse texto sobre o Bogotazo. Muito lindo!

*O OLHO DA RUA

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Uma verdadeira obra-prima do jornalismo literário brasileiro. Escrito pela diva-musa-suprema Eliane Brum (sim, eu amo essa mulher), o livro traz histórias lindas de brasileiros de diversos cantos do país, como dona Ailce, que teve seus últimos 115 dias de vida retratados por Eliane Brum (ela tinha um câncer terminal). A obra também aborda realidades duras, como a das mães do tráfico (há uma história de uma mãe que perdeu dois filhos na guerra do tráfico e, por isso, já pagava o caixão do terceiro que estava vivo, sabendo que ele era o próximo a morrer), o conflito entre arrozeiros, ONGs, políticos e índios em Raposa Terra do Sol, em Roraima, ou o cotidiano dos que vivem em um asilo.  Não bastasse tudo isso, após cada reportagem, Eliane oferece um making of, contando os bastidores de produção da matéria, com seus erros e acertos. Um dos livros mais lindos e interessantes que já li. Sempre obrigo meus queridos aluninhos a lerem, cobrando o conteúdo dele em prova. FUNDAMENTAL!

*MESTRES DA REPORTAGEM

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Não é porque foi feito por mim e pelos meus alunos, mas este livro é IMPRESCINDÍVEL a todos que desejam ser bons repórteres. Como disse o “repórter do século” José Hamilton Ribeiro, que fez o prefácio da obra (em um e-mail que enviou para mim logo após o lançamento, em 2012), trata-se de “uma das coisas mais importantes já feitas sobre jornalismo/reportagem entre nós”. A obra traz 30 entrevistas pingue-pongue com renomados repórteres brasileiros. Além de José Hamilton Ribeiro: Ricardo Kotscho, Elvira Lobato, Carlos Wagner, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Percival de Souza, Sônia Bridi, Luiz Carlos Azenha, Agostinho Teixeira, Adriana Carranca, Bruno Garcez, Mauri König, Valmir Salaro, Tatiana Merlino, Paula Scarpin, Roberto Cabrini, Leandro Fortes, Cid Martins, Eliane Brum, Goulart de Andrade, Giovani Grisotti, César Tralli, Geneton Moraes Neto, Regiani Ritter, Marcelo Canellas, José Arbex Jr., Ernesto Paglia, Sílvia Bessa e Gérson de Souza. Afora discutir a importância da reportagem e as principais técnicas para a produção desse gênero jornalístico, o livro resgata a trajetória profissional dos jornalistas entrevistados e revela os bastidores de produção das principais matérias que eles fizeram.

 *ROTA 66 – A HISTÓRIA DA POLÍCIA QUE MATA

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Um excelente trabalho de jornalismo investigativo de Caco Barcellos. Após cinco anos de apuração, com dados inquestionáveis, Caco comprovou a existência de um “esquadrão da morte oficial” na polícia de São Paulo. Denunciou milhares de assassinatos de jovens negros e pobres inocentes, cometidos pela polícia, detalhando como essas mortes foram maquiadas, como se tivessem ocorrido após tiroteiros provocados pelos “supostos bandidos”.   A obra ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem em 1993.

*ABUSADO – O DONO DO MORRO DONA MARTA

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Outra obra obrigatória do Mestre Caco Barcellos, fruto de um trabalho de anos de reportagem, que mostra como funciona o tráfico de drogas nos morros do Rio, a partir da história de vida do traficante Marcinho VP, na época “dono” do morro Dona Marta, no Botafogo. No livro, Marcinho, que se diferencia dos demais traficantes por seus gostos literários e por ter contato com intelectuais cariocas, é chamado de “Juliano”. A obra mostra como “Juliano” e seus amigos ingressaram no tráfico e como funcionam as principais organizações criminosas, especialmente o Comando Vermelho. Mostra que a entrada no tráfico geralmente acontece pela mais absoluta falta de opção. O livro conta tudo isso numa linguagem cinematográfica, daquelas que faz o leitor não desgrudar da obra, enquanto não chega na última página. Esse livro é tão bom que, mesmo passando das 500 páginas, finalizei a leitura em três dias. Não conseguia largá-lo!

*REALIDADE REVISTA

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Obra dos mestres José Hamilton Ribeiro e José Carlos Marão que traz as principais reportagens publicadas pela emblemática revista Realidade, considerada o veículo que melhor trabalhou a grande reportagem no Brasil, e que inovou por seu ousado projeto gráfico e suas impactantes e polêmicas reportagens. A obra é interessante, pois, além das matérias históricas, há os comentários de Zé Hamilton e Marão sobre os bastidores de produção dos textos. Muito bom!

* PADRÕES DE MANIPULAÇÃO DA GRANDE IMPRENSA

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Livro MA-RA-VI-LHO-SO que desmascara totalmente o discurso de imparcialidade e pluralismo dos nossos veículos jornalísticos. Todo estudante de jornalismo precisa ler essa obra para aprender a enxergar a verdadeira face da nossa imprensa. O mestre Perseu Abramo mostra como a mídia usa o gênero informativo, no qual supostamente prevalece a objetividade, para manipular os fatos, por meio de padrões que se repetem. Um exemplo é o padrão da fragmentação, no qual o fato é fragmentado em aspectos particulares, sendo, fatalmente, distorcido.  Abramo mostra que os jornais no Brasil agem como verdadeiros partidos políticos, manipulando as informações para atender os interesses dos grupos que eles apoiam. Adoro esse livro! Tapa na cara da nossa mídia hipócrita.

*JORNALISMO CANALHA

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Outro livro que questiona muito bem a dita imparcialidade da nossa imprensa. Nesta obra, o Mestre José Arbex Jr. denuncia diversos casos de relações promíscuas entre a mídia e o poder, por exemplo nas coberturas jornalísticas da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, e nas dos atentados terroristas ao World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Arbex também mostra como a cobertura dos movimentos sociais no Brasil é sempre feita de forma manipulada, para atender os interesses do mercado. Excelente obra!

Entrevista com o colunista Vitor Guedes marca estreia da TV Formando Focas

*Patrícia Paixão

Já está na web a “TV Formando Focas”, nosso canal no Youtube com entrevistas, dicas e miniaulas sobre Jornalismo.

A programação da TV conta com a minha apresentação e com a produção e edição da aluna de Jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo), Josi Rodrigues, que é fotógrafa e videomaker.

Esse é mais um espaço para falarmos sobre a melhor profissão do mundo, com alto astral e informação de qualidade.

Estreando muito bem a TV, entrevistamos o jornalista e professor da FAPSP (Faculdade do Povo), Vitor Guedes.

Irmão dos também jornalistas esportivos Marília Ruiz e Marcos Guedes, Vitor tem vasta experiência no jornalismo esportivo. Trabalhou no site oficial do Corinthians, no jornal Lance!, na rádio Bandnews FM e, desde 2006, assina a coluna  Caneladas do Vitão, no jornal Agora São Paulo, que trata com humor as notícias do mundo esportivo, em especial o futebol (Vitor está no jornal desde 2001, antes atuava como repórter). Também participa toda semana do programa “Seleção SPORTV”, na SPORTV.

Vitão cobriu duas Copas do Mundo (2010 e 2014), o Mundial de Clubes vencido pelo Corinthians no Japão (2012) e dezenas de decisões de Campeonatos Paulistas, Brasileiros e Libertadores da América. Na Copa de 2014 no Brasil, foi o único jornalista a acompanhar todos os dias, desde o primeiro tijolo, a construção do Itaquerão (o estádio Arena Corinthians), onde foi realizada a abertura do Mundial. A cobertura foi feita pela Bandnews FM.

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Vitor Guedes durante a cobertura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014

Vitor ainda é autor do livro Paixão Corinthiana (2012), que conta com o prefácio do ex-jogador Basílio (nome de seu filho, em homenagem ao ídolo corintiano) e traz 100 histórias do Sport Club Corinthians Paulista.

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O jornalista também é apresentador do programa “Timão Universitário”, na Web Rádio Coringão, ao lado de Ricardo Dias. O programa conta com a produção dos alunos de Jornalismo e Rádio, TV e Internet da FAPSP.

Nesta entrevista, Vitor conta por que escolheu o Jornalismo como profissão, revela os bastidores de algumas de suas coberturas e fala sobre o curso de Jornalismo Esportivo que ele sua irmã, Marília Ruiz, ministrarão na FAPSP, no dias 07, 14, 21 e 28/11 e 05/12.

CURSO

Confira a entrevista que fizemos com Vitor e aguarde as próximas novidades da TV Formando Focas:

Livro reúne grandes repórteres brasileiros

 

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*Patrícia Paixão

Hoje estou aqui para falar de um projeto do qual tenho o maior orgulho: o livro que produzi em parceria com meus alunos de Jornalismo da FAPSP: “Mestres da Reportagem”.

Esse livro entrou na bibliografia básica de diversas faculdades de jornalismo do país (várias instituições de ensino superior nos procuraram para comprar a obra) e foi considerado pelo “repórter do século” José Hamilton Ribeiro (que fez o prefácio)  como “uma das coisas mais importantes já feitas sobre jornalismo/reportagem entre nós” (foi exatamente isso que o querido Zé Hamilton escreveu  no e-mail que me enviou, comentando a importância da obra).

O livro traz 30 entrevistas exclusivas com os repórteres Adriana Carranca, Agostinho Teixeira, Bruno Garcez, Carlos Wagner, César Tralli, Cid Martins, Eliane Brum, Elvira Lobato, Ernesto Paglia, Geneton Moraes Neto, Gérson de Souza, Giovani Grisotti, Goulart de Andrade, José Arbex Jr., Leandro Fortes, Luiz Carlos Azenha, Marcelo Canellas, Marcelo Rezende, Mauri König, Paula Scarpin, Percival de Souza, RegianiRitter, Renato Lombardi, Ricardo Kotscho, Roberto Cabrini, Silvia Bessa, Sônia Bridi, Tatiana Merlino e Valmir Salaro, além do próprio José Hamilton.

São profissionais renomados do nosso jornalismo falando sobre sua trajetória profissional, a importância do gênero reportagem e destacando os bastidores de matérias emblemáticas que fizeram.

Editado pela In House, foi lançado em 2012, no auditório da Livraria da Vila do Shopping Higienópolis, com grande repercussão na mídia (veja os links, após este texto).

Como organizadora da obra, orientei os alunos a entrevistarem repórteres que atuam em diferentes mídias (impressa, eletrônica e digital) e editorias (Política, Esportes, Polícia etc.). Não nos interessou entrevistar editores, chefes de reportagem, âncoras de telejornais ou apresentadores de programas jornalísticos. Não por menosprezo a esses cargos, mas simplesmente pelo fato de estarmos focando a obra na arte da reportagem. Nosso objetivo foi selecionar jornalistas que têm reconhecida experiência na função de repórter.

Também não tivemos a pretensão de fazer uma classificação dos 30 melhores repórteres brasileiros. Nosso objetivo não foi fazer um ranking, e sim trazer um pouco do que a reportagem brasileira tem de melhor. Temos consciência de que muita gente boa ficou de fora e, por isso, já estou (juntamente com meus novos alunos de jornalismo da FAPSP) em processo de produção da sequência da obra, o Mestres da Reportagem II.

Quem quiser conhecer melhor o projeto, pode ler esta entrevista que concedi ao blog do livro, à época do lançamento.

Para comprar o Mestres da Reportagem pela Livraria Cultura, basta clicar aqui. É possível também adquirir o livro pelo site da editora In House. Aproveite e curta a página do Mestres no Facebook.

Se você é estudante de jornalismo, tem que ter o “Mestres da Reportagem” na sua prateleira.

Abaixo, seguem os veículos/programas que recomendaram o nosso livro:

Domingão do Faustão, de 23/12/2012

Domingão do Faustão, de 04/02/2013

Folha de S.Paulo

Portal imprensa

Observatório da Imprensa

Rádio Gazeta AM

Portal dos Jornalistas

Portal Comunique-se

Portal Jornalirismo

Aberje

Casa dos Focas

RIT

Portal Unicos

 Botequim Cultural

Gazeta de Rondônia

 

 

 

 

Precisa entrevistar???

*Patrícia Paixão

Dentre as várias categorias de estudantes de jornalismo, uma das mais bizarras é a dos que não gostam de fazer entrevista.

Não, você não leu errado. Eles querem ser repórteres, mas não gostam de entrevistar. Poderiam ter escolhido medicina, arquitetura, administração, direito, agronomia, mas escolheram jornalismo e reclamam quando são pautados para ir pra rua.

Há alguns anos tenho me deparado em sala de aula com esta figurinha e confesso que continuo com a mesma estupefação.

Quando cobrados nos exercícios de reportagem, saem logo com uma dessas:“tem mesmo que entrevistar, professora? Eu tenho um material ótimo que dá conta do assunto.”

Outra saída típica é: “a amiga da minha mãe vive exatamente essa situação da pauta, professora. Posso ouvi-la?”. Ou: “tem um médico no posto de saúde lá da minha rua que é excelente pra essa matéria”. Isso sem contar os casos de aspas inventadas… (abafa!)

A resposta é sempre taxativa: SIM, VAI TER MESMO QUE ENTREVISTAR! E PRESENCIALMENTE!

E NÃO! SEU PAI, A AMIGA DA SUA MÃE, O MÉDICO DA SUA RUA, O OBREIRO DA SUA IGREJA E O SEU VIZINHO NÃO SÃO FONTES! CHEGA DE “FONTE-AMIGA”, essa praga das salas de aula de jornalismo. Aff!

A entrevista é uma das etapas essenciais do processo de apuração, ao lado da pesquisa. É a matéria-prima do Jornalismo. É ouvindo os diferentes lados de uma história que conseguimos retratá-la com fidelidade. Na maioria das vezes o conhecimento que nós, jornalistas, temos do fato não vem de nós mesmos, mas das fontes.Se você está escrevendo um texto sem entrevista, sorry, mas você está fazendo qualquer coisa menos reportagem. E não adianta entrevistar conhecidos para se livrar rapidamente de uma tarefa que deveria ser um prazer na sua vida e não um estorvo. Você precisa de fontes de credibilidade para que seu texto seja lido. O que gera mais leitura? Uma matéria sobre doenças coronárias que traz aspas do cardiologista do posto de saúde da sua rua (por melhor que ele seja, e ele realmente pode ser ótimo, mas não é conhecido do grande público) ou do cardiologista-chefe de um hospital de renome como o Albert Einstein, Hospital das Clínicas ou Sírio Libanês?

A lei do mínimo esforço infelizmente prevalece. E é por isso que hoje vemos aos montes blogs de estudantes de Jornalismo que são meros achismos. Como é chato e desnecessário esse tipo de blog. Será mesmo que essas pessoas acham que já no primeiro, segundo ou terceiro ano de faculdade têm credibilidade suficiente para arrebatar leitores apenas com opinião (muitas vezes palpite de boteco)? E aí você tem que botar na cabeça dos caixas d´águas (alcunha “carinhosa” que costumo dar aos estudantes sem noção, que agem como se seus cérebros fossem uma gigante caixa da Brasilit): escuta, você ainda não é um Clóvis Rossi, um Jânio de Freitas, um Paulo Vinícius Coelho. Existe um caminho natural no jornalismo ou que pelo menos deveria existir: primeiro o cara rala muito fazendo reportagem pra depois ter respaldo para ser um articulista, um colunista. Tudo bem que o blog dá liberdade para textos opinativos e é importante sim que o aluno de jornalismo seja crítico, que tenha opinião. Mas não dá para se limitar a esse tipo de texto. Um estudante ainda tem uma imagem a ser construída, muita leitura pra fazer, muito conhecimento pra adquirir, antes de sair ditando como as coisas devem ser. Com certeza conseguiria muito mais visitantes para o blog,se investisse em entrevistas e pesquisa, produzindo reportagens capazes de furar a mídia tradicional. É dessa forma, aliás, que o jornalismo de blog tem se destacado.

E não adianta reclamar também do tempo para entrevistar. Você dá um mês para o cara fazer três, quatro entrevistas, e ele acha um absurdo. Meu, querido, na redação de um veículo hard news você vai fazer bem mais que três entrevistas numa manhã ou tarde! Mesmo em veículos que contam com deadlines mais amenos essa cobrança acontece. Quando era editora e repórter de duas revistas segmentadas, cheguei a entregar em uma semana uma reportagem que envolveu 14 entrevistados e muito pé na rua.

Tá mais do que na hora de quem não gosta de entrevista repensar a escolha do curso. O segredo do sucesso no jornalismo passa por: trabalho, trabalho, trabalho, tesão, tesão, tesão, humildade, humildade, humildade. Se você não sente prazer em entrevistar e não quer se esforçar, pois acha que já tem respaldo suficiente para escrever um texto sem apuração, não vai conseguir crescer na área. A não ser que seja pelo famoso QI (se algum doido resolver te indicar – eu nunca, pois tenho um nome a zelar) e, mesmo assim, se estiver em uma empresa jornalística séria, corre o risco de não durar muito tempo no cargo. O esforço de reportagem -número de entrevistas feitas, grau de dificuldade de contato com os entrevistados, credibilidade das fontes ouvidas, distância percorrida para fazer as entrevistas, pesquisa de campo, entre outras coisas – é cuidadosamente avaliado na banca de um Trabalho de Conclusão de Curso de jornalismo, momento-chave para dizer se o aluno está pronto ou não para ir para o mercado. Os professores-avaliadores levam em conta esses fatores exatamente porque sabem que, sem entrevista, não dá samba, não dá reportagem. E reportagem é a alma do jornalismo.

Então, #ficaadica. Pense bem se é mesmo jornalismo que você quer. Você é foca e não bicho-preguiça!

Imagem: Pixabay