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Em necessário livro-reportagem, Daniela Arbex devolve a vida às vítimas da boate Kiss

Livro emociona por revelar últimos momentos das vítimas com seus familiares e todo sofrimento sentido na tragédia, que deixou 242 mortos. Culpados respondem em liberdade.

Por Patrícia Paixão

Comprei esse livro há mais de seis meses e, na correria de vida que eu levo, com dezenas de obras do doutorado pra terminar, resolvi guardá-lo para fazer a leitura num momento de total dedicação a ele. Depois de Holocausto Brasileiro, sabia que Daniela Arbex voltaria a me emocionar. Devorei o livro em poucas horas, e é emblemático que tenha sido hoje, 25 de janeiro, dia tragédia na barragem em Brumadinho (MG).

Os quatro diretamente responsáveis pela tragédia na boate Kiss respondem em liberdade. Duzentas e quarenta e duas pessoas (muitos jovens de 18, 19 anos) tiveram sua vida dolorosamente interrompida por conta do incêndio na boate.

Os familiares das vítimas? Muitos estão até hoje com problemas psicológicos; muitos mantêm as luzes dos quartos dos filhos mortos acesas, para sentir de alguma forma a presença deles; alguns morreram pouco tempo depois; alguns se ausentaram da vida.

Os culpados pela tragédia na Kiss, tal como os responsáveis pela tragédia em Mariana, podem tocar suas vidas normalmente. Os mortos e seus familiares não. Fico pensando nos mortos da tragédia em Brumadinho… Mais um capítulo de lágrimas no país em que o crime compensa…

Mas esse livro não fala só da impunidade. Ele consegue um feito muito maior. Com o livro, as vítimas da Kiss voltam à vida. É possível saber quais eram seus hobbies, seu jeito de ser, sonhos… É um livro sobre amor, empatia e solidariedade acima de tudo.

Daniela nos revela como era o relacionamento das vítimas com seus pais e nos faz valorizar muito as pessoas que amamos. Inevitável não se colocar no lugar das mães, irmãos, avós e amigos que perderam os seus entes repentinamente e ficaram com o coração latejando por não terem conseguido dar o último abraço.

O livro descreve casa instante de aflição dos familiares. Quando a equipe de resgate entrou na Kiss, diversos celulares sobre a pilha de mortos contabilizavam dezenas de chamadas perdidas. Eram os familiares aflitos esperando inutilmente um “Oi, mãe, estou bem. Não fui vítima do incêndio”.

Daniela, obrigada por essa obra que me faz amar ainda mais a nossa profissão. O jornalismo é muito importante, quando feito com respeito, sensibilidade e genuína compaixão pelo próximo. Não dá pra ser um bom repórter sem empatia. Em seus três livros você mostra que é uma grande repórter, querida Daniela Arbex.

Livro obrigatório, queridos focas! LEIAM!!! ❤

2º Aniversário do Formando Focas terá bate-papo sobre reportagem, sorteio de livros e dicas sobre estágio e formação profissional

FF

*Por Patrícia Paixão

Geeeeeeente!! O Formando Focas está comemorando o seu 2º aninho de vida e vai ter comemoração de novo SIM!!!

Espero todos vocês no próximo dia 16 de setembro, das 15h às 19h, no histórico auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, no centro. O evento tem o apoio do sindicato.

As comemorações serão abertas com a mesa “Seu professor é o seu primeiro empregador”, composta por mim (que além de ser responsável pelo Formando Focas sou professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi Morumbi) e pelos professores Eduardo da Rocha Marcos e Tânia Trajano, do curso de Jornalismo da Universidade Paulista Unip.  Ofereceremos conselhos valiosos sobre como se projetar no mercado jornalístico, e lançaremos o Centro de Formação Profissional do Formando Focas, que oferecerá cursos especialíssimos para vocês, focas.

Posteriormente, os estudantes Vinicius Vieira de Oliveira, estagiário do SESC Jundiaí, Wallace Leray, estagiário do Sebrae-SP, e Daniele Amorim, estagiária da revista Época, contarão como conseguiram ingressar na área, destacando dicas e estratégias.

Haverá, então, um coffee break e, em seguida, o evento será encerrado com um bate-papo sobre “As dores e as delícias da arte da reportagem”, com os repórteres Aiana Freitas (BandNews FM), Vitor Guedes (Agora São Paulo e Seleção SporTV), Bruno Ribeiro (Estadão) e Andreia Meneguete (repórter da  Vogue – por mais de dez anos – e de revistas como Manequim e Nova; hoje responsável por um site de curadoria na área de Moda).

Na ocasião sortearemos exemplares do livro “Gérson de Souza – Um repórter em extinção”, do jornalista André Guimarães. A obra, que conta a trajetória do repórter especial da Rede Record, foi fruto de um Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo.

As inscrições serão feitas pelo Sindicato, neste link. Garanta sua vaga hoje mesmo!!

Nos vemos lá para a nossa famosa selfie coletiva 🙂 Eu tô ansiosa demais ❤

Serviço:

2º Aniversário do Formando Focas

Quando: 16 de setembro de 2017 (sábado)

Onde: Auditório Vladimir Herzog, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo – Rua Rêgo Freitas, 530 – Sobreloja – República

Horário: das 15h às 19h

Entrada gratuita

Estudantes de diferentes universidades comemoram 1º aniversário do Formando Focas

Por Wallace Leray

Aconteceu no último sábado (03/09) a comemoração do aniversário de um ano do “Formando Focas”, blog voltado a oferecer dicas e reportagens para estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados. O evento teve início às 14h00, e contou com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, que cedeu o Auditório Vladimir Herzog, na sede da entidade, para a jornalista e professora Patrícia Paixão reunir os seguidores da página (Patrícia é responsável pelo blog).

Patrícia Paixão deu início às atividades oferecendo dicas sobre como fazer um bom currículo e como se deve agir para conseguir ser chamado para uma entrevista de estágio em jornalismo. Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, o aluno que procura por uma vaga de estágio precisa prestar muita atenção a cada passado dado, principalmente demonstrar domínio da Língua Portuguesa e entusiasmo com a profissão. “Qualquer erro de gramática pode fazer seu currículo ser deletado. Além disso, você tem que demonstrar ser uma pessoa que tem tesão pela sua área, esse é o segredo de tudo”, reforçou Patrícia, que também é organizadora dos livros “Jornalismo Policial: histórias de quem faz” e “Mestres da Reportagem”, e docente do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade Anhembi Morumbi e das Faculdades Integradas Rio Branco.

Os estagiários de jornalismo Beatriz Sanz (El País), Larissa Darc (revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (Sebrae e Ponte Jornalismo) prosseguiram nas dicas sobre como conseguir um estágio na área, a partir do relato de suas experiências pessoais. No bate-papo com o público, eles contaram como conseguiram alcançar os espaços em que estão hoje. Para Kaique Dalapola, “o mais importante de tudo é o amor pela profissão, você tem que amar, você tem que fazer as coisas não somente para ganhar dinheiro. Às vezes, o seu nome vai estar lá embaixo, pequenininho, mas a sua matéria vai estar lá e você tem que ficar feliz porque você que escreveu. Quem não tem esse amor, não serve para ser jornalista”.

 

Mesa com repórteres

Depois de uma pausa para o coffee-break, foi realizado uma mesa sobre o tema “O que é preciso para ser um bom repórter?”, com a participação dos jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo e Revista Apartes), Thais Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV). Os convidados responderam a vários questionamentos dos estudantes, sanando suas dúvidas e dando conselhos sobre a área.

“A sensação que eu tenho é que os jornalistas de redação precisam cada vez mais do nosso trabalho, assim como a gente precisa do deles”, afirmou a assessora de imprensa Camila Russi. O repórter esportivo Vitor Guedes alertou que “tem decisões na sua vida que não têm volta. Dependendo do passo que você dá, você tem que saber que é um passo sem volta” (referindo-se a jornalistas que optam por fazer assessoria no campo político e depois voltam a trabalhar em redação, podendo ter sua credibilidade afetada). Para a repórter do SBT Thaís Nunes, “o repórter não muda o mundo inteiro, mas consegue mudar pequenos mundos e essa é a beleza da profissão”.

Já Fausto Salvadori Filho ressaltou a humildade como destaque do bom repórter. “Quando eu volto a ser um bom jornalista, é quando eu lembro que no fundo eu sou um foca. Eu fui foca, continuo sendo foca e, para continuar um bom jornalista, eu vou ter que continuar sendo eternamente um foca”, disse.

Encerramento

O evento acabou por volta das 18h00, com um final emocionante. Os colegas da bancada parabenizaram Patrícia Paixão pelo trabalho que vem realizando como jornalista e professora durante seus mais de 15 anos de carreira. Emocionada, Patrícia agradeceu aos colegas e aos alunos que compareceram ao evento. Mais de 100 estudantes, de diferentes universidades, prestigiaram o primeiro ano do blog.

 

Fruto de um TCC, livro resgata a trajetória do repórter Gérson de Souza

livro

*Patrícia Paixão

Ele fez matérias invejáveis pelos cinco continentes do mundo. Esteve em lugares fascinantes, desconhecidos da mídia nacional e internacional, como Papua do Oeste, na parte ocidental da Ilha de Nova Guiné, onde comandou uma grande reportagem com os “korowai batu” – um povo que, comprovadamente, praticou o canibalismo durante décadas e que vive em grandes árvores.

Sem a maquiagem e figurino típicos de um repórter de TV, e com um jeito simples, simpático e caloroso, Gérson parece causar uma espécie de “encantamento” nas fontes. Em poucos minutos de conversa, seus entrevistados já estão abrindo as portas de casa, contando “causos” de seu cotidiano e convidando o jornalista para provar pratos e bebidas típicas e exóticas.

Repórter especial da Rede Record, o jornalista teve seus quase 40 anos de profissão retratados em um “livro-reportagem biografia” escrito pelo jornalista André Guimarães. A obra, fruto do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo de André, aborda toda a trajetória do jornalista,  dos seus primeiros passos, em uma emissora pequena de Pederneiras (interior de São Paulo), às viagens pelos cinco continentes do mundo, pela Rede Record.

O livro foi lançado em 2014, com grande repercussão na mídia. A obra,  permeada por documentos e registros fotográficos da carreira do repórter, conta com o prefácio de Neusa Rocha, uma das principais diretoras da TV brasileira.

Trata-se de uma excelente dica de leitura e um belíssimo exemplo de TCC, do qual tenho imenso orgulho de ter sido orientadora.

Saiba mais sobre os bastidores de produção da obra, nesta entrevista com André Guimarães.

André

André Guimarães

Como surgiu a ideia de biografar Gérson de Souza? Por que ele e não outro repórter?

André Guimarães: A ideia surgiu após o lançamento do livro “Mestres da Reportagem” [em 2012], do qual sou coautor.  Gérson de Souza foi um dos repórteres que compareceram na noite de autógrafos, na Livraria da Vila do Shopping Higienópolis [São Paulo]. Conversamos por alguns minutos e trocamos o contato. Percebi que ele era bastante simpático e acessível. Comecei a pesquisar sobre ele e vi que não existia quase nada publicado sobre sua carreira. Constatei que Gérson tinha um extenso currículo, passando por diferentes mídias (rádio, jornal, assessoria de imprensa e TV), porém com muito pouco material divulgado, apenas um blog e sua página pessoal no Facebook.  Após conversar com a minha orientadora [Patrícia Paixão, responsável por este blog, o Formando Focas], propus ao Gérson a ideia de fazer um livro resgatando sua carreira. Ele concordou e disse: “é um grande desafio que envolverá muito trabalho, você tem certeza?” Eu disse que sim e o acordo para fazer o livro foi selado.

O livro é fruto de um TCC de Jornalismo. Quais são os desafios de escolher o “livro-reportagem” como mídia para um TCC? 

AG: Os desafios são o tempo, o planejamento e encontrar as pessoas que participaram da trajetória do biografado.  É uma corrida contra o tempo, mas o essencial é planejar cada detalhe, contando com contratempos. Não podemos esquecer ainda de que algumas pessoas podem não aceitar falar e teremos que entender e saber lidar com o ocorrido.

Que conselhos você dá para o estudante de jornalismo que pretende fazer como TCC um livro-reportagem?

AG: Primeiro fazer uma vasta pesquisa sobre o assunto ou pessoa a ser retratada e, segundo, um bom planejamento. Terceiro, se dedicar ao máximo, o tempo todo  Em alguns momentos precisará escolher entre ir a alguma festa ou ficar pesquisando, transcrevendo entrevistas, ou seja, fazer o que os outros não estarão fazendo nas horas vagas.

Ao todo, quantas entrevistas e quantos lugares você conheceu para escrever o livro?

AG: Foram 65 entrevistados, entre São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Jaú, Pederneiras, São Bernardo do Campo e Caieiras.

Qual foi o lado mais complicado de fazer essa obra?

AG: Conseguir a entrevista de alguns jornalistas que se julgam melhores que outros, a compilação de dados e a transcrição das entrevistas, já que foram vários entrevistados.

E o mais gratificante?

AG: A emoção, a experiência que obtive durante as entrevistas de ser recebido por grandes nomes do jornalismo brasileiro em suas casas, seus departamentos de trabalho, e os comentários de alguns entrevistados de que Gérson de Souza é um repórter em extinção. E foi exatamente por isso que dei esse nome ao livro.

NÓS

André Guimarães, Patricia Paixão e Gérson de Souza, no lançamento do livro

Como o Gérson recebeu a proposta de ser biografado?

AG: A princípio eu não consegui falar com ele, falei com a esposa, Elaine dos Santos. Ela disse que uma das filhas dele, que era jornalista, tinha um projeto de fazer um livro do pai, mas que falaria com o Gérson e qualquer coisa ele entraria em contato. Passados 15 dias [era sexta-feira – 15 de fevereiro de 2013], recebi uma ligação em meu celular.

Eu: Alô, quem fala?

Gérson de Souza: André Guimarães, aqui é o Gersinho do livro Mestres da Reportagem, tudo bem?

Eu: Gersinho?

Gérson de Souza: Sim, o Gérson de Souza!

Eu (ansioso, surpreso, coração acelerado): Ah! Oi, Gérson, o senhor está bem?

Gérson de Souza: Senhor não, por favor!

Eu: Tudo bem, desculpa. Em que posso ajudar?

Gérson de Souza: Minha esposa disse que você quer escrever um livro, uma biografia sobre mim.

Eu: Sim, verdade!

Gérson de Souza: Então é o seguinte, anote meu endereço, venha almoçar comigo domingo [17/02/2013], às 13h. Traga quem você quiser que conversaremos sobre o livro. Eu aceito.

Eu (lágrimas escorriam em minha face): Obrigado, muito obrigado. Vou falar com a professora Patrícia Paixão, e estarei em sua casa no horário combinado.

Eu fiquei muito emocionado e muito feliz com o aceite dele. Fomos eu, Patrícia Paixão e outro professor, o Carlos Monteiro, na casa dele no domingo. Gérson nos recebeu e disse: “Eu vou cozinhar pra vocês hoje, amo receber pessoas em minha casa e cozinhar pra elas”. Gérson falou 6 horas ininterruptamente. Começou dizendo que não tinha o contato de ninguém e que eu teria muito trabalho. Eu gravei a conversa e comecei as entrevistas. Foram sete meses de produção, todos os dias meu foco era o livro. Eu estudava pela manhã, fazia as entrevistas nos finais de semana, algumas durante a semana no período da tarde ou à noite, já que eu fazia estágio das 16h às 22h45.  Escrevia durante as madrugadas, aos sábados e domingos. Nos sábados, nas bibliotecas, aos domingos no Starbucks do centro de São Paulo, pois na faculdade ou onde eu morava não tinha como.

Ele interferiu no conteúdo do livro?

AG: Em momento algum, deu total liberdade para a produção. No início, decidimos que seria uma biografia profissional, focado na vida profissional dele. Este foi o combinado e assim foi feito.

Por que o leitor deve comprar o livro “Gérson de Souza: Um repórter em extinção”? O que ele vai descobrir sobre o Gérson que ele não sabe?

AG: Porque se trata de um repórter com vasta experiência em diversos veículos de comunicação, que possui uma linguagem simples e conquista as pessoas durante as reportagens. É um belo exemplo a ser seguido no jornalismo.

O leitor descobrirá que Gérson é a mesma pessoa, seja em casa, no trabalho ou com amigos, simples, o homem do calcanhar rachado, como ele mesmo se define.

SERVIÇO

O livro pode ser adquirido pelo site da Livraria Cultura (entregas em todo o Brasil), ao valor de R$ 44,90.

FELIZ DIA DO JORNALISTA!

*Patrícia Paixão

Se eu tivesse que recomeçar a minha vida 100 vezes, nas 100 vezes eu optaria pelo Jornalismo.

Orgulho de ter escolhido “a melhor profissão do mundo”, como bem destacou o mestre Gabriel García Márquez.

Uma atividade belíssima, com a qual é possível dar voz  a quem costuma ser silenciado e denunciar as feridas e mazelas da nossa sociedade.

Quer riqueza maior que esta?

Eu aaaaaaaamo ser jornalista!

Parabéns, queridos focas!!!!!! ❤

DIA 2

Ame o Jornalismo e seus sonhos se concretizarão

*Patrícia Paixão

O ano era 1995.  Uma jovem estudante de Jornalismo avistou um anúncio em um dos murais de sua faculdade (a Unesp/Campus Bauru), que a deixou extremamente entusiasmada.

O comunicado convidada os alunos da instituição a participarem de um evento que reuniria, no auditório do jornal O Estado de S.Paulo, universitários de diversas partes do Brasil. Esse evento, chamado de “Semana Estado de Jornalismo”, permitiria aos participantes produzirem uma reportagem para concorrerem a um prêmio.

A jovem foi prontamente procurar a coordenação do curso para se inscrever no congresso. Como perder um evento que lhe daria a chance de interagir com palestrantes renomados e alunos de todo o país, conhecer um dos jornais mais conceituados e tradicionais da nossa imprensa (no qual trabalharam nomes como Euclides da Cunha), além de concorrer a um prêmio, que incluía a publicação do seu texto no veículo???

Aprontou as malas para São Paulo,  sua cidade natal (estava morando em Bauru apenas para estudar), e ficou sonhando com aquela semana, que seria tão especial.

Essa jovem participou de todos os dias do evento, produziu a reportagem para concorrer à premiação, mas não foi selecionada. Ficou triste, claro, mas extremamente grata pelos conhecimentos adquiridos e amizades feitas naqueles quatro dias da Semana Estado. Decidiu que no ano seguinte participaria do congresso novamente. E assim o fez. Repetiu a dose em mais um ano do curso, quando já estava na Universidade Metodista de São Paulo (transferiu-se no segundo ano da graduação para a UMESP), mas não conseguiu concorrer ao prêmio, pois estava estagiando e não teve tempo para entregar a reportagem do jeito que gostaria. Ficou sonhando com a premiação, mas não aconteceu. Se conformou com o fato, considerando que “não era pra ser”.

Passada uma década, aquela jovem cheia de sonhos, depois de ter trabalhado em diferentes redações, inclusive no grupo do jornal concorrente (atuou na Agência Folha), se transformou em uma apaixonada professora de Jornalismo. Continuava com o mesmo idealismo e amor intenso pela profissão e esse foi um dos motivos que a fez ter vontade de lecionar.

Como docente, permaneceu sonhando com o prêmio da Semana Estado de Jornalismo, que logo passou a ser patrocinada pelo Banco Santander (Semana Estado de Jornalismo/Prêmio Santander Jovem Jornalista).

Mas, agora, era diferente. Desejava muito que um de seus alunos fosse o vencedor ou, pelo menos, finalista. A premiação incluía uma visita à Universidade de Navarra (na Espanha), uma das principais instituições de ensino de Jornalismo do mundo. “Que lindo seria ver um dos meus pupilos ganhando uma bolsa de estudos como esta!”, pensava.

Todo ano a professora destacava aos alunos a importância de participar da Semana Estado e os acompanhava nas tardes do evento, por ter a certeza de que ainda continuaria aprendendo muito com aquela experiência, e para relembrar os tempos de universitária.

Esse ritual se estendeu por mais dez anos até 2015, quando, além de professora, ela já atuava como coordenadora do curso de Jornalismo.

No dia 04/12/2015, a docente recebeu uma ligação e um e-mail do Estadão, que a deixou com o coração saltando pela boca. “Finalmente! Um dos meus alunos deve ter ficado como finalista do prêmio!”, pensou, ao receber a mensagem. Mas não. Nenhum de seus pupilos estavam entre os universitários finalistas. Na verdade, a ligação era para dizer que ELA HAVIA SIDO PREMIADA. Sim! Ela ganhou aquela viagem para conhecer a Universidade de Navarra na Espanha, por todo seu empenho em estimular os alunos a participarem da Semana Estado de Jornalismo. Além da viagem, que acontecerá em março de 2016, durante o maior encontro de infografia do mundo (o prêmio Malofiej, que será sediado na universidade), a professora foi presenteada com 1000 euros, para não ter despesa alguma durante a semana em que estiver na Espanha.

ESSA PROFESSORA SOU EU!  A PROFESSORA MAIS FELIZ DO MUNDO!!!

Como se não bastasse ter sido homenageada em outubro no Prêmio “Professor IMPRENSA”, promovido pela revista e pelo portal IMPRENSA (fui classificada entre as docentes consideradas mais inspiradoras na região Sudeste do país), agora essa conquista! Como não ser a professora mais realizada do mundo? Como não encerrar 2015 dando saltos de alegria??

Moral da história, queridos focas: AMEM INTENSAMENTE O JORNALISMO E ACREDITEM NOS SEUS SONHOS. MAIS CEDO OU MAIS TARDE, ELES IRÃO SE REALIZAR.

Como sempre disse meu pai, meu grande herói nesta vida, se você amar o que você faz, você vai ser bem-sucedido.

SCA SÃO PAULO 07/12/2015 - METRÓPOLE - PREMIO SANTANDER JOVEM JORNALISTA - Cerimônia de entrega do 10º Prêmio Santander Jovem Jornalista, Ricardo Gandour ( Diretor de Conteúdo de O Estado de S.Paulo, Roverto Gazzi, Diretor de Desenvolvimento Editorial de O Estado de S.Paulo, Clau Duarte ( Superintendente Executiva de Comunicação Externa do Banco Santander) entregam premio para Vinícius Coimbra, vencedor do prêmio.Finalistas esq/dir - Luis Guilherme Julião, Matheus Nobre, Felipe Magalhães, Luíza Caricati, Sara Abdo e Vinícius Coimbra.FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Da esq. para a dir.: Ricardo Gandour (diretor de Conteúdo de O Estado de S.Paulo), Clau Duarte (superintendente executiva de Comunicação Externa do Banco Santander), Roberto Gazzi (diretor de Desenvolvimento Editorial de O Estado de S.Paulo) e esta que vos escreve. Registro do momento em que recebi o prêmio: a viagem para a Espanha.

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Alunos de Jornalismo finalistas da premiação, da esq. para a dir.: Luis Guilherme Julião, Matheus Nobre, Felipe Magalhães, Luíza Caricati, Sara Abdo e Vinícius Coimbra (o vencedor).

Crédito das imagens: Sérgio Castro/Estadão 

Muuuuuuuuito obrigada Marilena Bernicchi de Oliveira, Carla Miranda e todos que organizam a Semana Estado de Jornalismo. Muito obrigada Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo de O Estado de S.Paulo, e Roberto Gazzi, diretor de Desenvolvimento Editorial do jornal.

Obrigada, Santander, na figura de Clau Duarte, superintendente executiva de Comunicação Externa da instituição.

Vocês realizaram um antigo sonho!

Aproveito para agradecer ao Chico Ornellas, que comandava o evento nos meus tempos de estudante. Ele sempre nos incentivou muito.

Agradeço especialmente, de coração, a todos os alunos de Jornalismo que participaram comigo durante esses anos da Semana Estado. Pra mim, vocês são igualmente vencedores e tenho muito orgulho de cada um de vocês. Raros discentes têm proatividade, empenho, idealismo e amor pela profissão suficientes para participar de um evento como este. Podem estar certos de que um dia vocês terão a merecida recompensa.

Parabéns ainda ao Vinicius Coimbra, da Universidade de Passo Fundo (RS), que foi o grande vencedor de 2015 da Semana Estado. Curta muito o merecido prêmio!!! Nos vemos na Espanha 🙂

E parabéns aos cinco alunos de jornalismo que foram finalistas neste ano:

Felipe Magalhães – Universidade Federal Fluminense
Luís Guilherme Julião – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Luíza Caricati– Universidade Mackenzie
Matheus Nobre Canto Cordeiro – Ibmec/RJ
Sara Abdo – PUC-SP
Vinicius Coimbra – Universidade de Passo Fundo-RS

Podem estar certos de que essa indicação, somada à publicação do texto no portal do Estadão, fará muuuuita diferença no currículo.

 

#PartiuEspanha #Março2016 #ChegaLogo

Confira esse vídeo lindo (<3) em que diversos premiados da Semana Estado falam sobre suas experiências na Universidade de Navarra:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Homenagens e bate-papo com o público marcam lançamento do livro sobre a carreira de Marcelo Canellas

 

Por Junior Celestino e Wallace Leray

Foi lançado em São Paulo, em 19/11, na Biblioteca Mário de Andrade, o livro que retrata a carreira de Marcelo Canellas, repórter especial do programa “Fantástico”, da Rede Globo. Com o prefácio da também repórter especial da emissora, Sônia Bridi, a obra, intitulada “Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista”, foi escrita pelo jornalista Sidney Barbalho de Souza, e editada pela In House.

Sidney produziu o livro em 2014 como resultado do seu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo na FAPSP (Faculdade do Povo). A biografia aborda desde os primeiros traços jornalísticos de Marcelo Canellas, na sua infância e juventude (vividas na cidade de Santa Maria da Boca do Monte, Rio Grande do Sul), até suas primeiras experiências na área, sua projeção no meio televisivo e a conquista do cargo de repórter especial na maior emissora do país. Aborda também os bastidores das principais reportagens do jornalista.

O lançamento da obra começou com a apresentação de um vídeo feito em homenagem a Canelas. Nele, familiares, amigos e profissionais da área de comunicação elogiam o trabalho do jornalista, falando sobre a importância de suas reportagens de direitos humanos. Dentre os depoimentos marcantes, destacou-se o da colega Sônia Bridi. “Toda vez que eu vejo uma matéria sua, sinto vontade de ser uma repórter melhor”, confidenciou a jornalista.

Após a apresentação do vídeo, a palavra foi dirigida ao biografado, que disse estar lisonjeado com o interesse de um estudante de jornalismo, que agora é um colega de profissão, por sua carreira. Apesar de ter apoiado a iniciativa, Canellas revelou que sempre se preocupou em ser biografado, ressaltando o quanto pode ser ridículo um repórter posar de importante. “Eu acredito que isso é um pouco da negação da postura de um repórter”, explicou.

Canellas contou alguns casos, para mostrar como a questão da fama na TV é frágil. “Um dia eu estava em um avião e uma senhora se sentou ao meu lado. Ela olhou pra mim e perguntou: você trabalha na televisão, né? Eu respondi: trabalho. Na TV Globo, certo?, ela perguntou. E eu disse: é. E ela respondeu: Eu sabia, Caco Dornelles [confundindo Canellas com os repórteres Caco Barcellos e Carlos Dornelles].”, disse o jornalista, arrancando gargalhadas do auditório, que contava com cerca de 200 pessoas.

O repórter demonstrou sua satisfação com o fato de Sidney ter resolvido doar o valor relativo aos direitos autorais do livro para uma organização não-governamental que luta pelo registro da memória de Santa Maria da Boca do Monte, a TV OVO. “O Sidney me perguntou qual ONG eu gostaria de beneficiar, então indiquei a TV OVO, que é uma parceira de Santa Maria. O pessoal de lá tem um trabalho de recuperação da memória da cidade que eu acho muito interessante.”

Com os olhos marejados, o autor do livro agradeceu à jornalista e professora Patrícia Paixão, sua orientadora de TCC e coordenadora do curso de Jornalismo na FAPSP, pela disposição da mesma em ajudar seus alunos. “Ela nos vê grandes, quando somos pequenos. Obrigado por entrar na minha vida”. Ao escutar os elogios, a jornalista não conseguiu segurar as lágrimas e, aplaudida pelos que estavam presentes, recebeu flores do seu orientando. Extremamente feliz com o momento, o recém-formado em jornalismo, declarou: “Eu entrei como estudante e sai como um repórter”.

A coordenadora do curso de jornalismo da FAPSP, disse que ficou receosa, quando recebeu a proposta de orientar o livro de Sidney Barbalho: “Meu Deus, será que ele vai dar conta? É um repórter da Globo e, ainda por cima, é um repórter especial”, disse a jornalista. Patrícia explicou que é normal o professor fazer uma série de questionamentos, quando o aluno vem com a proposta de um livro-reportagem, mas que já conhecia o Sidney de outros semestres da faculdade e sabia da capacidade que ele tinha como repórter. “Tenho um super orgulho de você! Obrigada por ter me escolhido como sua orientadora, e obrigada ao Canellas por ter aceitado o projeto”, afirmou.

Sidney e Canellas participaram de um breve bate-papo com o público. O final do evento contou com uma sessão de fotos e autógrafos. A fila que chegava próxima à entrada da biblioteca foi completamente atendida, tanto pelo autor da biografia, Sidney Barbalho, quanto pelo retratado nela, Marcelo Canelas.

 

Formando Focas participa do programa “Timão Universitário”

*Patrícia Paixão

Em 20/11, Dia da Consciência Negra e, para os corintianos, data para também se comemorar a conquista do hexacampeonato brasileiro, participei do programa “Timão Universitário”, na Web Rádio Coringão, a convite do jornalista Vitor Guedes, colunista do jornal Agora São Paulo e participante do programa Seleção SPORTV, além de blogueiro do portal Terceiro Tempo (Blog do Vitão).

O “Timão Universitário” é um programa apresentado por Vitor e pelo jornalista Ricardo Dias, da Web Rádio Coringão. A produção é feita pelos alunos de Jornalismo e Rádio, TV e Internet da FAPSP (Faculdade do Povo). O slogan do programa é “O Time do Povo na Faculdade do Povo”.

Foi muito legal comemorar essa data tão especial ao lado do Vitão, amigo desde a época  da faculdade e hoje professor da FAPSP (Faculdade do Povo), onde também leciono e coordeno o curso de Jornalismo.

Parabéns, Vitor, Ricardo Dias e todos os alunos que participam da produção do “Timão Universitário”, em especial Fábio Minei, Marcelo Barbosa e Clarissa Zuza, que colaboraram no programa de 20/11. Orgulho!!

Confira um trecho do programa:

Fruto de um TCC de Jornalismo, livro resgata trajetória do repórter Marcelo Canellas

 

 

Capa_frente

 

*Patrícia Paixão

Um dos repórteres mais respeitados do telejornalismo brasileiro, com mais de 40 prêmios nacionais e internacionais por suas matérias focadas nos Direitos Humanos, teve sua carreira registrada em um livro-reportagem, que será lançado no próximo dia 19/11, pela editora In House, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo.

Trata-se de Marcelo Canellas, repórter especial do programa “Fantástico”, da Rede Globo, autor da famosa série “Fome no Brasil”, exibida no Jornal Nacional de 18 a 22 de junho de 2001, considerada uma das reportagens mais premiadas do jornalismo latino-americano. Na série (vejo o vídeo abaixo), Canellas mostra os rostos e as histórias das pessoas que engrossavam, naquele período, as estatísticas sobre a fome no Brasil, fazendo um verdadeiro mapeamento dos municípios do país que mais sofriam com o problema.

O autor da obra?

MEU EX-ORIENTANDO DE TCC (desculpa, sociedade, mas eu tenho que me orgulhar e muito dos meus alunos rs), Sidney Barbalho de Souza.

Intitulado “Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista”, o livro, que tem o prefácio da também repórter especial da Globo, Sônia Bridi, foi resultado do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo que Sidney apresentou à FAPSP (Faculdade do Povo) em 2014, com a minha orientação.

Nesta entrevista, meu ex-pupilo e atual colega de profissão revela os bastidores de produção da obra e fala sobre o seu lançamento, que contará com a presença de Marcelo Canellas, para um bate-papo com o público e com o autor.

Confira!

O livro foi fruto do seu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo. Por que escolheu fazer uma biografia como TCC e por que a escolha de Marcelo Canellas como biografado?

Sidney Barbalho de Souza: Apesar de ser um dos principais representantes da cobertura de Direitos Humanos no Brasil e possuir dezenas de prêmios, Canellas ainda não tinha sido alvo de nenhuma pesquisa mais aprofundada. Percebi que havia pouquíssimo material sobre a carreira do jornalista e que nem todos estudantes de Jornalismo conhecem o trabalho dele. Desde que uma colega minha da FAPSP, a Jennifer Souza [hoje também já formada], entrevistou o Canellas para o livro “Mestres da Reportagem” [2012], botei na cabeça que queria fazer o meu TCC sobre ele.  O Brasil é um país que traz números alarmantes de desrespeito aos Direitos Humanos e a profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, que deve se pautar em denunciar esse desrespeito. O Canellas faz isso muito bem em suas reportagens. Gosto muito da mídia “livro”, então, fazer a biografia do Canellas foi uma maneira de contemplar tudo isso.

Qual foi o maior desafio para fazer a obra?

Sidney: Foram vários medos. Medo de não conseguir fazer uma boa pesquisa de campo, quando visitei as cidades nas quais o Canellas trabalhou; medo de achar que eu já estava dominando profundamente o assunto e, assim, deixar de pesquisar o suficiente; receio de fazer um livro parcial, já que sou fã do trabalho do Canellas e precisava manter a imparcialidade;  e, principalmente, escrever um livro que estivesse à altura da grandiosidade deste repórter, que correspondesse às suas expectativas.

Como Marcelo Canellas recebeu a ideia de biografá-lo?

Sidney: Ele ficou lisonjeado e, ao mesmo tempo, um pouco receoso. Me questionou se ele realmente mereceria uma biografia. Ele é muito humilde e modesto. Dizia que havia jornalistas com mais histórias que ele, para serem biografados. Mas aos poucos ele foi pegando confiança e foi vendo que o trabalho poderia ser interessante para ajudar a formar novos jornalistas.  Tudo transcorreu de forma tranquila e respeitosa. Ele sempre me apoiou.

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Canellas com Sidney, no primeiro encontro para planejar a criação do livro-reportagem

O projeto passou pela aprovação da Globo?

Sidney: Sim, o trabalho foi aprovado pela Direção de Jornalismo da Rede Globo de Televisão em abril de 2014, por intermédio do Globo Universidade, o que possibilitou sua viabilidade e realização. Fiquei impressionado com os cuidados que a Rede Globo tem com as informações que dizem respeito a seus funcionários. Tudo é muito organizado. Fui muito bem assistido pela equipe do Globo Universidade em tudo que eu precisei.

Que curiosidades/histórias mais te chamaram a atenção no processo de apuração das informações sobre a vida profissional do Canellas?

Sidney: Saber da luta dele para a colocar no ar uma de suas matérias mais famosas, a série “Fome no Brasil”, exibida no Jornal Nacional em junho de 2001. Ele levou quase quatro anos para conseguir a aprovação da pauta para essa reportagem. Descobrir que, além de repórter, Canellas é um excelente cronista, e talvez por isso os textos de suas reportagens para TV sejam tão bem construídos, com toques poéticos. Outra curiosidade é o extremo cuidado que ele tem no processo de produção de suas matérias. Ele tem um método único de construção da reportagem. Quem ler o livro vai conhecer. [risos]

Ao todo, quantas entrevistas você teve que fazer para produzir a obra?

Sidney: Foram mais de 50 entrevistas com familiares, amigos e ex e atuais colegas de trabalho do Canellas. Estive em Santa Maria, Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Ribeiro Preto (SP), Brasília (DF) e Recife (PE). Fui em busca de documentos da infância e da juventude do Marcelo e de sua vida profissional. Depois parti para a fase de cruzamento das informações passadas pelas fontes e, finalmente, para a redação do texto, respeitando a linguagem de um livro-reportagem.

O livro oferece uma discussão sobre o Jornalismo de Direitos Humanos ou se limita à vida de Canellas?

Sidney: Sim, essa discussão existe no Capítulo V. Há um debate sobre o que seria o  “Jornalismo de direitos humanos” e como o “fazer jornalístico” do Canellas se encaixa nesse tipo de cobertura. O Canellas, por exemplo, não gosta da expressão “Jornalismo de direitos humanos”. Veet Vivarta, da Andi [ONG que luta pelos direitos da infância e da juventude] também é contra essa expressão e explica o porquê no livro. Para eles, o jornalismo, quando bem feito, já cobra naturalmente o respeito aos direitos humanos. Essa discussão, aliás, é uma das partes mais interessantes da obra.

Depois de fazer esse livro, como você avalia o jornalismo que cobre Direitos Humanos no Brasil?

Sidney: Embora tenhamos avançado em relação ao passado – e muito em parte graças à internet, que oferece oportunidade maior para os profissionais de Jornalismo denunciarem mazelas sociais, ainda há muito a ser feito. Na pesquisa que fiz percebi que muita gente na área jornalística desconhece que a garantia de educação, por exemplo, faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Normalmente se associa a direitos humanos só pautas envolvendo tortura, trabalho escravo, exploração sexual. Poucos profissionais da área conhecem toda dimensão dos Direitos Humanos. E esse é um tipo de jornalismo essencial, ainda mais em um país como o nosso, onde as instituições são tão falhas.  O jornalismo que se pauta em denunciar o desrespeito aos direitos humanos acaba pressionando os governos, faz eles tomarem atitudes que deveriam ser tomadas naturalmente, mas que não são. A meu ver, a função do jornalismo é lutar pelos mais fracos e pude aprender com a construção do livro que isso é possível.

Da esq. para a dir.: Sidney e Canellas comigo (Patrícia Paixão), no primeiro encontro com o jornalista, para planejar a criação da obra

Sidney e Canellas comigo (Patrícia Paixão), no primeiro encontro com o jornalista

Marcelo gostou da obra?

Sidney: Sim, ele me confidenciou que ficou muito surpreso e feliz com o resultado. Não esperava que eu fosse conseguir tantas informações sobre sua carreira, incluindo documentos antigos do seu início no Jornalismo.

Que conselhos você oferece ao estudante de Jornalismo que deseja fazer um livro-reportagem como TCC?

Sidney: Precisa estudar muito o personagem que você pretende biografar. Planejar muito, ler muito e negociar com o biografado quais serão os métodos e caminhos a serem traçados: se um livro-reportagem que aborde mais aspectos da vida pessoal, da vida profissional ou de ambas. É importante ir a campo, passar pelos locais onde o biografado viveu seus principais momentos e fazer muitas entrevistas, cruzando o que uma fonte disse com a informação de outras fontes, para se chegar o mais próximo possível dos fatos sobre o personagem. Também é preciso evitar achar que se tornou um “amigo” do entrevistado, pois é preciso manter o distanciamento e a objetividade. Se você deixar o subjetivo interferir, ainda mais quando você é fã do biografado, corre o risco de não fazer jornalismo.

Convite

Convite do lançamento do livro, que acontecerá em 19/11, na Biblioteca Mário de Andrade

Há algo especial programado para o lançamento do livro em 19/11? O que o público pode esperar?

Sidney: Sim, haverá um bate-papo com o biografado e comigo sobre a cobertura na área de Direitos Humanos e sobre o processo de construção do livro.

Por que o leitor deve comprar o seu livro?

Sidney:  Porque além de trazer a vida e os bastidores das reportagens de um dos principais nomes do nosso telejornalismo, o que acaba sendo um grande exemplo a ser seguido, a obra discute a cobertura de Direitos Humanos que, como já dissemos no início da entrevista, representa a essência da nossa profissão. O Jornalismo existe para atender a sociedade, para denunciar quando essa sociedade não tem seus direitos garantidos. Sou suspeito pra falar, mas considero o livro essencial para todos que desejam conhecer as qualidades essenciais de um repórter. Espero todos no lançamento da obra.

SERVIÇO

Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista

Data do lançamento: 19/11/2015

Onde: Biblioteca Mário de Andrade (Rua da Consolação 94)

Horário: das 19h às 21h30 (das 19h às 20h: bate-papo com Marcelo Canellas e Sidney Barbalho de Souza/das 20h às 21h30: sessão de autógrafos. OBS: É necessário retirar senha no local, a partir das 18h, para participar do bate-papo com o autor e Canellas)

Página do livro no Facebook.

 

Entrevista com o colunista Vitor Guedes marca estreia da TV Formando Focas

*Patrícia Paixão

Já está na web a “TV Formando Focas”, nosso canal no Youtube com entrevistas, dicas e miniaulas sobre Jornalismo.

A programação da TV conta com a minha apresentação e com a produção e edição da aluna de Jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo), Josi Rodrigues, que é fotógrafa e videomaker.

Esse é mais um espaço para falarmos sobre a melhor profissão do mundo, com alto astral e informação de qualidade.

Estreando muito bem a TV, entrevistamos o jornalista e professor da FAPSP (Faculdade do Povo), Vitor Guedes.

Irmão dos também jornalistas esportivos Marília Ruiz e Marcos Guedes, Vitor tem vasta experiência no jornalismo esportivo. Trabalhou no site oficial do Corinthians, no jornal Lance!, na rádio Bandnews FM e, desde 2006, assina a coluna  Caneladas do Vitão, no jornal Agora São Paulo, que trata com humor as notícias do mundo esportivo, em especial o futebol (Vitor está no jornal desde 2001, antes atuava como repórter). Também participa toda semana do programa “Seleção SPORTV”, na SPORTV.

Vitão cobriu duas Copas do Mundo (2010 e 2014), o Mundial de Clubes vencido pelo Corinthians no Japão (2012) e dezenas de decisões de Campeonatos Paulistas, Brasileiros e Libertadores da América. Na Copa de 2014 no Brasil, foi o único jornalista a acompanhar todos os dias, desde o primeiro tijolo, a construção do Itaquerão (o estádio Arena Corinthians), onde foi realizada a abertura do Mundial. A cobertura foi feita pela Bandnews FM.

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Vitor Guedes durante a cobertura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014

Vitor ainda é autor do livro Paixão Corinthiana (2012), que conta com o prefácio do ex-jogador Basílio (nome de seu filho, em homenagem ao ídolo corintiano) e traz 100 histórias do Sport Club Corinthians Paulista.

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O jornalista também é apresentador do programa “Timão Universitário”, na Web Rádio Coringão, ao lado de Ricardo Dias. O programa conta com a produção dos alunos de Jornalismo e Rádio, TV e Internet da FAPSP.

Nesta entrevista, Vitor conta por que escolheu o Jornalismo como profissão, revela os bastidores de algumas de suas coberturas e fala sobre o curso de Jornalismo Esportivo que ele sua irmã, Marília Ruiz, ministrarão na FAPSP, no dias 07, 14, 21 e 28/11 e 05/12.

CURSO

Confira a entrevista que fizemos com Vitor e aguarde as próximas novidades da TV Formando Focas: