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Parabéns, MULHERES JORNALISTAS!

Por Patrícia Paixão

Hoje eu não quero falar deles. Não quero trazer para esse texto os nomes que sempre foram exaltados pelos meus professores ao longo dos quatro anos de graduação na Universidade Metodista de São Paulo e que continuam sendo recordados nas aulas que ministro no curso de Jornalismo (Joel Silveira, José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho, Audálio Dantas, dentre tantos outros).

Sim, eles são mestres da nossa reportagem e merecem ser admirados. Mas há muito tempo é hora também de falar DELAS. Elas que no futuro serão tão ou mais lembradas que eles, pois têm feito história, com sua coragem, idealismo e amor pela profissão, e fazem parte de um cenário que, embora ainda permeado pelo machismo, reconhece mais o talento feminino (se comparado ao século passado).  

Quero falar de Paulina Chamorro, que é uma das principais guerreiras da reportagem ambiental não só no Brasil como no mundo. Neste momento, essa mulher maravilhosa está produzindo um especial para a revista National Geographic que mostra o trabalho de cientistas mulheres que lutam em diferentes países para salvar o meio ambiente. Uma grande reportagem que envolve, além da revista, uma websérie e podcasts. Que mulherão essa Paulina!

Quero falar de Daniela Arbex que, além de todas reportagens emblemáticas que fez no período em que foi repórter especial da Tribuna de Minas, produziu três livros-reportagens importantíssimos, abordando diferentes problemáticas do nosso país de forma bastante humanizada: “Cova 312” (que mostra como as Forças Armadas torturaram e mataram um jovem militante político e sumiram com seu corpo, forjando um suicídio), “Todo dia a mesma noite” (que retrata a vida dos familiares de vítimas da Boate Kiss, reconstituindo o dia do incêndio e mostrando como essas pessoas estão hoje) e “Holocausto Brasileiro” (que revela os horrores ocorridos no Hospital Psiquiátrico Colônia de Barbacena, em Minas, onde os internos eram tratados como num campo de concentração).

Quero falar da grande Kátia Brasil que, no canal Amazônia Real, produz reportagens que elevam a voz dos povos da Amazônia e que denunciam injustiças cometidas contra eles, além de retratarem suas problemáticas. Uma mulher que decidiu ao lado de outras jornalistas maravilhosas, como minha amiga Liege Albuquerque (hoje não mais no canal, mas foi uma das fundadoras dele), lançar um projeto jornalístico corajoso numa das regiões que mais enfrentam interesses de grupos poderosos e criminosos.

Quero falar de Paloma Vasconcelos e Maria Teresa Cruz, da Ponte Jornalismo. Duas repórteres porretas que produzem matérias que visam garantir os direitos humanos, tão ameaçados em nosso país. Juntas já ajudaram a inocentar pessoas que eram acusadas injustamente pela nossa polícia e a denunciar assassinatos e violências cometidas pelo Estado.

Quero falar da querida Thaís Nunes, que também engrossa a luta do jornalismo de direitos humanos no SBT, com reportagens impactantes e sensíveis, que saem do caminho comum de criminalizar a priori os mais fracos, sem a devida investigação.

Quero falar da poderosa Patrícia Campos Mello, um dos maiores nomes do jornalismo internacional no Brasil e no mundo, atuando também em emblemáticas matérias investigativas que envolvem nossa política. Justamente pelo seu competente trabalho, enfrenta neste momento fake news e ataques misóginos vindos de um governo machista e covarde, que faz uso de instrumentos baixos para tirar o foco de questões graves em que está envolvido.

Quero falar da engajada Laura Capriglione que abandonou uma carreira de sucesso no jornalismo tradicional (chegou a estar à frente de renomadas revistas e foi repórter especial da Folha de S.Paulo) para lançar, ao lado de outros colegas idealistas, o Jornalistas Livres, um projeto jornalístico que envolve a população, de forma bastante democratizada, para mostrar aspectos da nossa realidade não retratados pela grande imprensa.

Quero falar de Elvira Lobato e seu destaque no jornalismo investigativo brasileiro. Algumas de suas reportagens sensacionais podem ser conferidas no livro Instinto de Repórter (escrito por ela). Outra jornalista investigativa incrível, destaque das novas gerações, é Andrea Dip, da Agência Pública. Suas reportagens mostram os impactos do machismo, da homofobia e do racismo em nossa sociedade. Uma jornalista que é ativista na luta pelo feminismo, mãe e integrante de uma banda punk.

Quero falar de tantas, tantas jornalistas… Com certeza vou me esquecer dos nomes de várias e peço desculpas por isso. Daniela Pinheiro, Natália Viana, Silvia Bessa, Juliana Kunc Dantas, Aiana Freitas, Maria Cristina Fernandes, Tatiana Merlino, Amanda Rahra, Basília Rodrigues, Sonia Bridi, Glória Maria, Michele Trombelli, Maju Coutinho: todas muito inspiradoras!

Quero lembrar também de jornalistas que até ontem estavam na minha sala de aula e hoje me dão muito orgulho, como a querida Beatriz Sanz, repórter do UOL, autora de reportagens sensacionais, militante na luta contra o racismo e em diversas outras lutas, e que acaba de ganhar uma bolsa de estudos de jornalismo em outro país, justamente por atuar defendendo os direitos humanos.  

E o que dizer da deusa Eliane Brum, dona de reportagens que são verdadeiras obras de arte? Sem dúvida, um dos melhores textos do nosso jornalismo. Como eu queria ser ao menos 1% essa mulher…

Um abraço apertado e carinhoso em todas essas jornalistas que honram a reportagem brasileira e enfrentam o machismo dentro e fora das redações. Apenas continuem! E que seus nomes sejam tão lembrados em nossas salas de aula como os nomes daqueles que realmente fizeram a diferença na arte da reportagem, mas que não eram os únicos. Tivemos muitas guerreiras jornalistas no passado, mas elas nem sempre viram seus talentos reconhecidos. Que a cada dia esse quadro seja revertido.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER A TODAS AS MULHERES JORNALISTAS!