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Em necessário livro-reportagem, Daniela Arbex devolve a vida às vítimas da boate Kiss

Livro emociona por revelar últimos momentos das vítimas com seus familiares e todo sofrimento sentido na tragédia, que deixou 242 mortos. Culpados respondem em liberdade.

Por Patrícia Paixão

Comprei esse livro há mais de seis meses e, na correria de vida que eu levo, com dezenas de obras do doutorado pra terminar, resolvi guardá-lo para fazer a leitura num momento de total dedicação a ele. Depois de Holocausto Brasileiro, sabia que Daniela Arbex voltaria a me emocionar. Devorei o livro em poucas horas, e é emblemático que tenha sido hoje, 25 de janeiro, dia tragédia na barragem em Brumadinho (MG).

Os quatro diretamente responsáveis pela tragédia na boate Kiss respondem em liberdade. Duzentas e quarenta e duas pessoas (muitos jovens de 18, 19 anos) tiveram sua vida dolorosamente interrompida por conta do incêndio na boate.

Os familiares das vítimas? Muitos estão até hoje com problemas psicológicos; muitos mantêm as luzes dos quartos dos filhos mortos acesas, para sentir de alguma forma a presença deles; alguns morreram pouco tempo depois; alguns se ausentaram da vida.

Os culpados pela tragédia na Kiss, tal como os responsáveis pela tragédia em Mariana, podem tocar suas vidas normalmente. Os mortos e seus familiares não. Fico pensando nos mortos da tragédia em Brumadinho… Mais um capítulo de lágrimas no país em que o crime compensa…

Mas esse livro não fala só da impunidade. Ele consegue um feito muito maior. Com o livro, as vítimas da Kiss voltam à vida. É possível saber quais eram seus hobbies, seu jeito de ser, sonhos… É um livro sobre amor, empatia e solidariedade acima de tudo.

Daniela nos revela como era o relacionamento das vítimas com seus pais e nos faz valorizar muito as pessoas que amamos. Inevitável não se colocar no lugar das mães, irmãos, avós e amigos que perderam os seus entes repentinamente e ficaram com o coração latejando por não terem conseguido dar o último abraço.

O livro descreve casa instante de aflição dos familiares. Quando a equipe de resgate entrou na Kiss, diversos celulares sobre a pilha de mortos contabilizavam dezenas de chamadas perdidas. Eram os familiares aflitos esperando inutilmente um “Oi, mãe, estou bem. Não fui vítima do incêndio”.

Daniela, obrigada por essa obra que me faz amar ainda mais a nossa profissão. O jornalismo é muito importante, quando feito com respeito, sensibilidade e genuína compaixão pelo próximo. Não dá pra ser um bom repórter sem empatia. Em seus três livros você mostra que é uma grande repórter, querida Daniela Arbex.

Livro obrigatório, queridos focas! LEIAM!!! ❤

A todos que temem não vencer no jornalismo

*Patrícia Paixão


Boas histórias são para serem compartilhadas. Elas inspiram, elas ajudam a convencer quem pensa em desistir, elas enchem nossos corações de esperança.

Essa é uma história muito bonita sobre uma aluna de jornalismo.
Me lembro do primeiro dia em que dei aula para a Deise Dantas. Pedi que cada aluno se apresentasse para mim e, quando chegou a vez da Deise, ela me encurralou:

“Professora, quero que você seja extremamente sincera. Sou mais velha e estou há muito tempo sem estudar. Eu vou ter chance no mercado jornalístico? Vou conseguir um estágio? Pergunto isso, pois, caso eu não tenha chances, eu vou desistir do curso”.

Eu não costumo vender um “mundo Poliana” aos meus alunos. Com um aperto no peito, encarei Deise e disse a verdade. Expliquei que o mercado dá preferência sim a pessoas mais jovens, que é competitivo e cruel. Mas destaquei que, apesar desse cenário desfavorável, já tive alunos e alunas mais velhxs que, por terem um amor imenso pelo jornalismo, dedicaram-se e perseveraram muito, muito mesmo, conseguindo uma vaga na área.

Deise, então, prosseguiu no curso, mas insegura, sempre duvidando da sua capacidade, do seu texto. Eu permanecia estimulando-a, tentando convencê-la sobre seu potencial.


Em 2015 a faculdade em que eu e Deise estávamos (lá eu era professora e coordenadora do curso de jornalismo) fechou repentinamente. Eu, ela e outros centenas de alunos e professores ficamos desamparados. Consegui me recolocar em um mês, mas muitos dos meus pupilos permaneciam no desespero. A mensalidade na Faculdade do Povo era bem acessível, e eu só conseguia pensar na situação de alunos queridos como a Deise, que dificilmente poderiam arcar com uma mensalidade puxada em outra instituição com a qualidade da FAP. Sim, a Faculdade do Povo era maravilhosa. Tinha quatro estrelas no Guia do Estudante e nota 4 no MEC. Que orgulho daquela faculdade!!


Graças à generosidade e à ajuda da amiga Patrícia Rangel, coordenadora nas Faculdades Integradas Rio Branco, eu, Deise e muitos alunos da FAP fomos acolhidos. Tive que deixar a instituição poucos meses depois (havia conseguido aulas em outras duas universidades e estava muito puxado), mas Deise encontrou na Rio Branco professores maravilhosos. Dentre eles Patrícia Ceolin, Carina Macedo Martini, Renata Carraro e André Rosa de Oliveira, que acabou se tornando seu orientador de TCC.


Ontem eu tive a oportunidade, nesses reencontros maravilhosos que Deus nos proporciona por intermédio dos nossos amigos, de ser avaliadora da banca da Deise. Eu analisei seu livro-reportagem chorando de emoção. Deise, que desconfiava tanto do seu texto, escreveu uma obra linda, com perfis de integrantes de um movimento de luta por moradia em Taboão da Serra. E eu que falei tanto sobre Eliane Brum com Deise, vi vários parágrafos em seu livro que parecem ter sido escritos pela diva do nosso jornalismo. Deise hoje é uma JORNALISTA madura e muito boa. UMA JORNALISTONA dessas que farão a diferença na nossa área, que honrarão a natureza social da profissão.


Ela conseguiu entrar na área. Está fazendo estágio, feliz e orgulhosa das suas conquistas. Deise venceu. Como diz o título do seu livro-reportagem, ela foi do “Chão ao céu”.


E hoje eu sou uma professora boba, rindo sozinha pelos cantos, lembrando da jornalista maravilhosa em que Deise se transformou.

ONG oferece curso gratuito com jornalista da TV Globo

O jornalista Henrique Dias da TV Globo

*Por Patrícia Paixão

Que tal aprender técnicas jornalísticas com um profissional experiente, atuante na maior emissora do país? Imperdível, hein?

A ONG Gerando Falcões – Vila Prudente, em parceria com o Coletivo de Comunicação Vozes, está promovendo o curso “Comunicação e Jornalismo”, lecionado pelo jornalista Henrique Silva, produtor de jornalismo da TV Globo.

Gratuito, o curso tem duração de quatro meses. Seu objetivo é fazer com que os participantes tenham um pensamento crítico sobre as questões sociais e conhecimento sobre as ferramentas básicas de comunicação para trabalhar em suas respectivas áreas.

De acordo com os organizadores, os alunos terão contato com técnicas de coletas e análise de informações, elaboração de pautas, criação de textos jornalísticos e debates sobre temas que estão em alta.

“Espero impactar as pessoas que farão o curso na forma como elas enxergam o mundo. Nós queremos fazer com que elas tenham um pensamento crítico e que enxerguem que dentro da realidade delas é possível comunicar, impactar e mostrar o que tem de bom. Mostrar que independentemente de onde você é ou a condição financeira é possível agregar valor à sociedade por meio do jornalismo”, destaca o jornalista Henrique Silva.

O curso é aberto para estudante a partir dos 15 anos. Os interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp (11) 94554-5871, encaminhando as seguintes informações: nome completo, idade, telefone para contato e região onde mora.

As aulas serão ministradas na ONG Gerando Falcões, na Vila Prudente, na Rua Paraibuna, nº 568. Corra para garantir a sua inscrição!!

 

 

“Repórter do futuro” tem inscrições abertas para curso de cobertura de conflitos armados

 

Oboré

Insira uma legenda

 

*Patrícia Paixão

Foto: Oboré/Repórter do Futuro

Este é um curso que eu RECOMENDO MUITO E SEMPRE a todos estudantes de Jornalismo. Trata-se  do 17º Curso de Informação sobre Jornalismo em Situações de Conflitos Armados e Outras situações de Violência, que faz parte do projeto “Repórter do Futuro”,  realizado pela OBORÉ em parceria com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha – (CICV) e Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais – IPFD. O curso conta com o  apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji.

Tenho diversos alunos que fizeram este curso e hoje estão bem colocados, em grandes redações, brilhando na área.

O curso é excelente, pois faz o estudante viver o ritmo de uma redação, tendo que entregar e emplacar reportagens em veículos reais toda semana.

Os alunos recebem críticas valiosas sobre seus textos e participam de coletivas com fontes renomadas. Imperdível!

As inscrições (clique aqui para se inscrever) estão abertas até o dia 16 de julho de 2018.  Os estudantes selecionados participarão das palestras / entrevistas coletivas entre os dias 29 de julho e 26 de agosto, sempre aos sábados, com coordenação do jornalista Aldo Quiroga.

“A atividade reúne, desde 2001, juristas, militares, policiais e jornalistas para tratar sobre normas internacionais aplicáveis em situações de conflito armado e outras situações de violência e sobre o trabalho da imprensa nestes contextos, além de apresentar o perfil da ação humanitária do CICV em mais de 80 países”, destaca a nota sobre o curso, divulgada pela Oboré.

Neste ano, os conferencistas serão o assessor jurídico do CICV, Gabriel Valladares, e o responsável do Programa com as Forças Policiais e de Segurança do CICV, Paulo Roberto B. Oliveira. Também haverá um encontro sobre a cobertura da imprensa brasileira de conflitos armados com os repórteres Patrícia Campos Mello e Lalo de Almeida, ambos da Folha de S. Paulo.

Ao todo, serão selecionados 20 participantes, estudantes universitários de graduação na área de Comunicação Social que tenham interesse nesse tema.

A seleção será realizada no sábado, 21 de julho, às 10h, durante encontro de confraternização com a presença do chefe adjunto da delegação regional do CICV, Filipe Carvalho. Os candidatos realizarão um teste de seleção que visa avaliar o perfil dos interessados e identificar quais poderão ter melhor aproveitamento do módulo.

MAIS INFORMAÇÕES FORNECIDAS PELA OBORÉ:

Metodologia

A estrutura do curso mantém o modelo adotado no Projeto Repórter do Futuro desde a sua criação em 1994: a cada encontro, realizado aos sábados, os 20 estudantes selecionados assistem a uma palestra de cerca de 40 minutos com um convidado e participam de conferência de imprensa. Ao final de cada encontro, produzem uma pequena reportagem e são orientados individualmente nesta produção.

A Reembolsa

No ato da matrícula, os estudantes selecionados deverão entregar um cheque no valor de um salário mínimo (hoje em R$ 937,00) e assinar um pacto de reembolsa. De acordo com as regras do curso, o cheque não será descontado se o estudante: 1. Participar de todos os encontros; 2. Redigir um texto jornalístico ao final de cada encontro; 3. Agendar e comparecer a um atendimento individual com a coordenação pedagógica do curso; 4. Publicar um texto sobre o tema em veículo com editor responsável. O aluno que cumprir todos esses critérios receberá o cheque de volta (Reembolsa) ao final do módulo, após o encerramento e a entrega dos certificados.

Sobre o CICV

No mundo todo, o CICV promove cursos, seminários e palestras como forma de aumentar o conhecimento e o respeito às internacionais que regem a condução de hostilidades, e também de apresentar o perfil neutro, imparcial e independente de sua ação humanitária em favor das vítimas dos conflitos armados e de outras situações de violência. No Brasil, onde a organização mantém presença permanente deste 1991, este trabalho é feito com membros das Forças Armadas, policiais, autoridades, acadêmicos e jornalistas, entre outros.

Programação

Encontro de Confraternização e Seleção
21 de julho, 10h00
Local: Auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Rua Rego Freitas, 530 – sobreloja – Vila Buarque, São Paulo – SP
Apresentação de Filipe Carvalho, chefe adjunto da delegação regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)

04 de agosto | 9h às 12h e das 13h às 16h
Introdução ao direito aplicável nos conflitos armados
Gabriel Valladares, assessor jurídico do CICV

11 de agosto | 9h às 13h
Normas internacionais aplicáveis à função policial no uso da força e de armas de fogo
Paulo Roberto B. Oliveira, responsável técnico do Programa com as Forças Policiais e de Segurança do CICV

18 de agosto | 9h às 13h
Cobertura da imprensa brasileira de conflitos armados e outras situações de violência
Patrícia Campos Mello e Lalo de Almeida, repórteres do jornal Folha de S. Paulo

15  de setembro | 10h30 às 14h
Encontro de avaliação e entrega de certificado

Inscrições online: Até 16 de julho de 2018
Encontro de Confraternização e Seleção: 21 de julho
Curso: 4 de agosto a 15 de setembro de 2018 (aos sábados)

Promoção: Comitê Internacional da Cruz Vermelha – CICV | OBORÉ Projetos Especiais | Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais – IPFD

Apoio: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji

OBORÉ Projetos Especiais
Tel: (11) 2847.4567
reporterdofuturo@obore.com
www.obore.com

Facebook: https://www.facebook.com/oboreprojetos/

Instagran: @_obore

Twitter: @reporterfuturo

Curso prepara aluno para o TCC em Jornalismo

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Alunos receberão dicas sobre cada etapa do TCC e as exigências feitas pelas bancas de avaliação. Crédito da imagem: Pixabay

O momento de elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso é um dos mais complexos e desgastantes para o estudante universitário. É importante conhecer todos os pré-requisitos para o desenvolvimento de um bom TCC, especialmente considerando as exigências feitas pelas bancas que avaliam as diferentes modalidades de TCC em Jornalismo.

Pensando nisso, o Centro de Formação Profissional do Formando Focas oferece o curso “Chegou a hora do TCC: como fazer um trabalho nota 10”, voltado especialmente aos alunos que defenderão o TCC em 2018 e 2019.

“Temos experiência de mais de dez anos como orientadoras e avaliadoras de Trabalhos de Conclusão de Curso. Sabemos que quanto antes o aluno recebe orientações sobre o TCC, melhor consegue se planejar e desenvolver um bom trabalho. Neste curso o foco é totalmente voltado a preparar os estudantes para esta que é a fase mais importante da graduação”, explica Patrícia Paixão, uma das professoras do CFP Formando Focas.

O curso, que tem duração de três horas e oferece certificado, será ministrado na manhã do dia 03/03 (sábado), no Lobo Centro Criativo, localizado na Vila Mariana, próximo ao metrô.

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Lobo Centro Criativo

“Optamos por trabalhar com turmas pequenas para assegurar um clima intimista. Podemos focar nas dúvidas e necessidades de cada aluno, o que melhora o nível de aprendizado”, explica a professora Tânia Trajano, que também faz parte do CFP Formando Focas.

Ela lembra que fazer um TCC de qualidade não é importante apenas para a conclusão do curso, como ajuda os recém-formados a se posicionarem melhor na profissão. “Quem consegue realizar um bom trabalho sai da universidade muito mais confiante no seu potencial, até porque conseguiu colocar em prática diversas habilidades desenvolvidas durante o curso”, diz.

A professora Patrícia Paixão avaliza a opinião de Tânia e complementa: “Já tivemos alunos que, após a banca, lançaram no mercado seus livros-reportagens ou documentários, conseguindo a primeira oportunidade de emprego como jornalista, em função dessa projeção”.

O investimento é de R$ 70,00 para quem garantir a vaga no primeiro lote. Para o segundo lote, o custo é de R$ 100,00. As vagas são limitadas.

Para se inscrever, basta entrar neste link.

Confira a seguir o conteúdo programático e os currículos dos professores.

Conteúdo programático:

*Os critérios de noticiabilidade como norte na escolha do tema (ineditismo, interesse público, empatia etc.);

*A escolha da mídia ou modalidade mais adequada (livro-reportagem, livro fotográfico, reportagem para TV, reportagem para rádio, reportagem para revista, reportagem para jornal, reportagem multimídia, documentário para TV, documentário para rádio, site, plano de assessoria de imprensa etc.);

*A fase da pauta e do planejamento: levantamento das fontes de referência, fontes documentais, fontes bibliográficas e personagens a serem entrevistados/consultados;

*Criação de um cronograma de execução de cada fase do TCC;

*A apuração e a importância da pesquisa de campo;

*A implementação do trabalho (redação, edição e diagramação, no caso de mídia impressa; roteiro e edição no caso de TV e rádio etc.);

*Os segredos de um bom relatório: como montar um adequado e consistente quadro teórico e como atender às normas da ABNT.

Currículos das professoras:

Patrícia Paixão

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Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP), no Programa de Integração em América Latina (PROLAM). É professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi Morumbi. Também lecionou na Uniban Brasil, FIAM-FAAM e FAPSP. É fundadora do blog Formando Focas, colunista dos portais IMPRENSA e Comunique-se, além de organizadora dos livros “Mestres da Reportagem” e “Jornalismo Policial: Histórias de quem faz”. Possui quase 20 anos de experiência na área jornalística. Foi repórter do portal IG e da Folha de S.Paulo e editora das revistas segmentadas Professional Publish (indústria gráfica) e Anave (indústria de papel e celulose). Também atuou como gerente de comunicação do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (em São Paulo) e assessora de imprensa de diversas organizações.

Tânia Trajano

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Jornalista, com mais de 20 anos de experiência na área. Atuou como repórter, chefe de redação e editora de publicações voltadas aos segmentos de negócios, economia, comunicação e marketing. É Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero (2002) e Especialista em Teoria da Comunicação, pela Faculdade Cásper Líbero (1999). É professora contratada da Universidade Paulista desde 2006. É sócia diretora da TT Projetos Editoriais, especializada na produção de conteúdo para as áreas de marketing e comunicação, e atua como colaboradora para veículos desses segmentos. É co-autora do livro “Marketing e Comunicação para Pequenas Empresas”, editado pela Novatec.

 

Formando Focas lança cursos para estudantes de jornalismo

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Crédito: Pixabay

Técnicas de produção do texto jornalístico e estratégias para realizar um bom TCC são os temas dos dois primeiros cursos oferecidos pelo Centro de Formação Profissional do blog

*Patrícia Paixão

Cada vez mais competitivo e exigente, o mercado jornalístico demanda de estudantes e profissionais recém-formados conhecimentos comprováveis da prática da profissão. Ainda que seja um contrassenso fazer esse tipo de exigência de quem está numa fase de aprendizado, essa é uma realidade que não pode ser ignorada.

As matrizes curriculares das faculdades de Jornalismo progrediram muito, nos últimos anos, no oferecimento de experiências de mercado aos alunos, mas, ainda assim, não conseguem dar conta, com profundidade, de todas as habilidades exigidas por quem busca profissionais na área.

Muitas vezes os estudantes sentem a necessidade de fazer cursos extracurriculares para suprir carências sentidas na sua graduação, e para estarem mais aptos ao que o mercado vem exigindo. O problema é que, na maioria das vezes, esses cursos possuem valores que estão bem além da capacidade financeira do aluno, que já luta a duras penas para arcar com a mensalidade da faculdade.

Pensando nesse cenário, o Formando Focas, que há dois anos vem se dedicando a oferecer dicas e conteúdo especialmente direcionado aos estudantes de jornalismo, lançou, em setembro, durante o evento do seu 2º Aniversário (realizado em 16/09/17, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo), o seu Centro de Formação Profissional.

O objetivo é promover cursos em formatos especialmente voltados a alunos de Jornalismo e com valores acessíveis.

Durante esses dois anos à frente do blog tenho recebido diversas mensagens de estudantes pedindo dicas de cursos, que possam complementar sua formação profissional. A questão do valor alto das propostas disponíveis no mercado é uma reclamação constante.

Os estudantes também se queixam do jeito muitas vezes formal e conservador com que aprendem determinado conteúdo. Foi aí que, conversando com a professora Tânia Trajano e o professor Eduardo Rocha, ambos da Universidade Paulista (Unip), nasceu a ideia de criarmos o Centro de Formação Profissional.

A proposta do Centro do Formando Focas é oferecer cursos no formato de aulas de imersão, com 3 horas de duração, sobre temáticas interessantes, com turmas de, no máximo, 20 alunos.

As aulas serão oferecidas no Lobo Centro Criativo, espaço agradável e inovador. Localizado próximo ao metrô Vila Mariana, as salas são equipadas com cadeiras e puffs, para que o estudante possa ter uma experiência de aprendizado mais informal, rica e atrativa.

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Lobo Centro Criativo

Inicialmente os cursos serão oferecidos na modalidade presencial, para estudantes da cidade de São Paulo, mas a ideia, com o tempo, é estendermos as propostas, na modalidade de ensino a distância, para todo o país.

Os primeiros cursos ofertados, previstos para 28 de outubro e 18 de novembro, serão:

*Técnicas e estratégias para redação e edição do texto jornalístico

*Chegou a hora do TCC: como fazer um trabalho nota 10.

PARA SE INSCREVER NOS DOIS PRIMEIROS CURSOS OFERTADOS E SABER MAIS SOBRE O CONTEÚDO, CLIQUE AQUI.

O Centro de Formação ainda pretende oferecer outros cursos, com base no interesse dos estudantes de Jornalismo. E você pode nos ajudar a selecionar os melhores cursos, respondendo a uma breve pesquisa neste link.

Participe! Aprenda com quem tem conhecimento, experiência e paixão pela arte de ensinar o Jornalismo.

Confira abaixo os currículos dos professores:

*Patrícia Paixão

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Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP), no Programa de Integração em América Latina (PROLAM). É professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi Morumbi. Também lecionou na Uniban Brasil, FIAM-FAAM e FAPSP. É fundadora do blog Formando Focas, colunista dos portais IMPRENSA e Comunique-se, além de organizadora dos livros “Mestres da Reportagem” e “Jornalismo Policial: Histórias de quem faz”. Possui quase 20 anos de experiência na área jornalística. Foi repórter do portal IG e da Folha de S.Paulo e editora das revistas segmentadas Professional Publish (indústria gráfica) e Anave (indústria de papel e celulose). Também atuou como gerente de comunicação do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (em São Paulo) e assessora de imprensa de diversas organizações.

*Tânia Trajano

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Jornalista, com mais de 20 anos de experiência na área. Atuou como repórter, chefe de redação e editora de publicações voltadas aos segmentos de negócios, economia, comunicação e marketing. É Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero (2002) e Especialista em Teoria da Comunicação, pela Faculdade Cásper Líbero (1999). É professora contratada da Universidade Paulista desde 2006. É sócia diretora da TT Projetos Editoriais, especializada na produção de conteúdo para as áreas de marketing e comunicação, e atua como colaboradora para veículos desses segmentos. É co-autora do livro “Marketing e Comunicação para Pequenas Empresas”, editado pela Novatec.

*Eduardo da Rocha Marcos

 

 

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Jornalista com 25 anos de experiência, trabalhou como repórter em publicações segmentadas e foi redator e editor-assistente na Agência Folha (Grupo Folha). Atua como docente no Ensino Superior há 13 anos. É graduado em Jornalismo e mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Possui cursos de extensão pela Universidade de Andalucía (Espanha) e pela Universidade de Paris-V (França). É ainda especialista em Literatura pela PUC-SP e, atualmente, doutorando em Letras pelo programa de Pós-Graduação da Universidade Mackenzie. Leciona disciplinas técnicas de jornalismo na Universidade Paulista (UNIP) desde agosto de 2004.

Jornalista, a melhor profissão do mundo

*Patrícia Paixão

Há cerca de três semanas, participei como avaliadora de uma banca de Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) de Jornalismo, que me emocionou bastante. A aluna apresentou um belíssimo livro-reportagem com perfis de mulheres que abortaram em circunstâncias de total desespero e abandono e, ao relatar o sofrimento das fontes entrevistadas, não conteve as lágrimas, quebrando o protocolo da apresentação, que comumente exige uma certa dose de formalidade. Foi lindo!

Há uma semana, participei da Expocom Sudeste 2017, premiação pertencente à Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que promove o mais reconhecido congresso da área de comunicação. O livro-reportagem dos meus ex-orientandos de TCC, das Faculdades Integradas Rio Branco, foi selecionado entre os cinco melhores da região Sudeste. Fui com a minha aluna para o Centro Universitário de Volta Redonda (Unifoa), onde ocorreu a premiação, acompanhar a apresentação dela (representando seu colega, parceiro de reportagem) sobre o processo de produção da obra. Eles apresentam, no livro, o perfil de uma senhora nordestina que tem uma história de vida riquíssima, marcada por toda sorte de empecilhos e injustiças,  além de ter sentido na pele, em diferentes situações, o preconceito e o machismo. A trajetória dessa mulher espelha os dramas de milhares de brasileiras. Lá na premiação, nos deparamos com outros livros maravilhosos dos alunos que também concorriam ao prêmio. Obras que versam sobre a comunidade gay, moradores de rua, direito ao uso da maconha com fins medicinais, entre outros assuntos muito importantes. Não consigo me esquecer do orgulho de cada um dos estudantes, inclusive da minha querida ex-orientanda, apresentando o trabalho. Seus olhares traziam a certeza de terem se formado contribuindo com um mundo melhor.

Recentemente, finalizamos, eu e meus colegas de pós-graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) a disciplina “A Ciência do Jornalismo”, uma matéria voltada a debater textos clássicos, que abordam questões cruciais da nossa profissão: da seleção do que é notícia à função social do jornalismo. Foram seis meses de discussões acaloradas sobre como praticar um jornalismo capaz de atender à sociedade, e não a interesses de grupos que já possuem tudo a seu favor. Cada um de nós encerrou a disciplina com uma breve apresentação sobre o artigo científico que está produzindo como trabalho final. A empolgação de cada colega, nas apresentações, era notável.

Perdoe-me pelo personalismo deste texto, mas ainda me emociono muito quando vejo demonstrações de amor pela profissão, como essas. Hoje em dia elas parecem cada vez mais raras.

Escolhi a faculdade de jornalismo verdadeiramente pensando em contribuir com a minha sociedade, e defendo que aqueles que optam por esse curso devem pensar desta forma. É desolador escutar um bocejo ou observar um aluno abandonando a sala de aula, no meio de um debate importante sobre o jornalismo.

O idealismo é muito necessário na área. Se não podemos mudar o mundo, podemos ao menos “mudar pequenos mundos”, como disse a querida amiga Thaís Nunes, repórter da área de direitos humanos, em palestra proferida no aniversário do blog Formando Focas (página voltada aos estudantes de jornalismo, por mim editada. Podemos, sim, fazer a diferença na vida de brasileiros que nunca tiveram seus anseios e queixas ouvidos.

Enquanto alunos marejarem os olhos ao apresentarem seus trabalhos, enquanto pesquisadores e professores de jornalismo discursarem empolgados sobre suas pesquisas, enquanto um repórter ficar com a voz embargada ao se deparar, durante uma matéria, com uma situação de injustiça ou opressão, vou defender que essa é a melhor profissão do mundo, como disse o mestre Gabriel García Márquez.

OBS: Texto de minha autoria, publicado originalmente no portal Comunique-se.

Cinco livros que são verdadeiras aulas de grande reportagem

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*Por Patrícia Paixão

Ler ficção é ótimo, mas você, que é amante do jornalismo, já experimentou se entregar a livros que trazem os bastidores de grandes reportagens?

Vale muito a pena! Além de ser inspirador, é maravilhoso para aprender como dar novos olhares a assuntos tidos como desgastados, descobrir e valorizar personagens, conhecer diferentes técnicas de entrevista, pesquisa de campo e observação.

Recomendo cinco obras em especial. A seguir, você conhecerá um pouco cada uma delas:

O Olho da Rua – Uma Repórter em Busca da Literatura da Vida Real

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Uma verdadeira obra-prima do jornalismo literário brasileiro. Escrito pela diva-musa-suprema Eliane Brum (sim, eu amo essa mulher), o livro traz histórias incríveis de brasileiros de diversos cantos do país, como dona Ailce, que teve seus últimos 115 dias de vida retratados por Eliane (ela tinha um câncer terminal. Prepare-se para chorar rios com esse texto lindo).

As narrativas são construídas de maneira extremamente atrativa, com uso de metáforas, rimas e vários outros recursos da literatura, que Eliane sabe tão bem usar. Você percebe que cada termo do texto foi estrategicamente escolhido para encantar o leitor. Eliane age tal como um escultor que trabalhou com ardor e paixão cada pedacinho da sua obra.

O livro aborda realidades duras do nosso país, como a das mães do tráfico (há uma história de uma mãe que perdeu dois filhos na guerra do tráfico e, por isso, já pagava o caixão do terceiro que estava vivo, sabendo que ele era o próximo a morrer), o conflito entre arrozeiros, ONGs, políticos e índios em Raposa Terra do Sol, em Roraima, ou o cotidiano dos que vivem em um asilo.

Não bastasse tudo isso, após cada reportagem, Eliane oferece um making of, contando os bastidores de produção da matéria, com seus erros e acertos.

Um dos livros mais tocantes e importantes que já li. Sempre obrigo meus queridos aluninhos a lerem, cobrando o conteúdo dele em prova. FUNDAMENTAL!

Editora: Arquipélago Editorial

http://www.arquipelago.com.br/

Tempo de Reportagem – Histórias que Marcaram Época no Jornalismo Brasileiro

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Se Eliane Brum é uma diva-musa-deusa-suprema, imagine só o gabarito de quem foi um de seus grandes inspiradores?

Refiro-me ao Mestre Audálio Dantas, o homem que descobriu Carolina Maria de Jesus, lhe dando voz e valor. O homem que foi um dos primeiros a dar o lugar de protagonista, em suas matérias, para brasileiros anônimos, esquecidos pelo próprio país. O homem que ajudou a revolucionar a linguagem do nosso jornalismo, com um estilo criativo, autoral.

No livro “Tempo de Reportagem – Histórias que Marcaram Época no Jornalismo Brasileiro”, Audálio oferece ao leitor verdadeiras joias: suas históricas matérias feitas para a Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo) e para a Cruzeiro e a Realidade, as duas revistas que inauguraram o gênero grande reportagem no Brasil.

Antes de cada texto, o leitor é agraciado por um comentário de Audálio, com curiosidades e bastidores do processo de produção da matéria.

Além da célebre reportagem com os diários de Carolina Maria de Jesus (“O Drama da Favela escrito por uma Favelada”, publicada na Folha da Manhã, em 1958), que teve tanta repercussão que acabou proporcionando à Carolina o lançamento do livro “Quarto de Despejo”, traduzido para 13 idiomas, “Tempo de Reportagem” traz a matéria “Povo Caranguejo”. Publicado na Realidade em 1970, o texto é até hoje um case estudado nas salas de aula de jornalismo, pela maneira criativa como foi construído.  Audálio escreveu a matéria sob duas óticas: a dos caçadores de caranguejo do povoado Nossa Senhora do Livramento (PB) e a da caça (os caranguejos fugindo dos caçadores, no mangue).

Vale ainda destacar a reportagem “Circo do Desespero”, que reflete  a grande sensibilidade de Audálio ao mostrar o lado trágico de um conhecido concurso carnavalesco de dança dos anos 60, onde pobres brasileiros, esquecidos por diversas instâncias do Estado e pela sociedade, dançavam literalmente quase até morrer, para conseguirem ganhar um prêmio, que tornaria possível a realização de sonhos bastante importantes, como o de fazer a cirurgia de um filho.

Livro sensacional! Obrigatório, porque simplesmente é uma vergonha ser jornalista sem conhecer bem o trabalho de Audálio Dantas.

Editora: LeYa Brasil

http://www.leya.com.br/

Instinto de Repórter

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Nesta obra a super repórter investigativa Elvira Lobato, homenageada na edição de 2016 do Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), também traz suas principais reportagens, contando ao leitor os bastidores de produção dos textos.

Elvira que foi repórter especial da Folha de S.Paulo por muitos anos, especializada no nicho das Telecomunicações, revela algumas técnicas interessantes utilizadas para obter informações para algumas de suas matérias, por exemplo quando se tornou acionista da Petrobras e da Oi para investigar mais a fundo essas empresas.

O ramo do jornalismo investigativo é um dos mais instigantes e difíceis para quem atua na profissão, e demanda estratégias e tecnologias especiais, como a técnica da infiltragem ou a câmera escondida.

É muito interessante conhecer as estratégias que Elvira utilizou para fazer suas reportagens, e observar como a curiosidade e a coragem são elementos essenciais para quem deseja atuar nessa área.

Editora: Publifolha

http://publifolha.folha.uol.com.br/

Narrativas de um correspondente de rua

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Mauri König é um dos mais premiados jornalistas brasileiros e um dos meus repórteres investigativos prediletos. Nada escapa ao seu faro. Suas reportagens são voltadas a apontar chagas sociais brasileiras. Em um de seus primeiros trabalhos de destaque, como repórter do jornal O Estado do Paraná, sofreu graves agressões ao denunciar o caso de adolescentes brasileiros recrutados para o serviço militar paraguaio. Teve que fingir que já estava morto, ficando imóvel no chão, para parar de ser agredido e evitar a morte real.

No livro “Narrativas de um correspondente de rua”, König traz esta e outras 14 reportagens premiadas que fez para a Gazeta do Povo (quando era repórter especial do jornal), também oferecendo comentários sobre os bastidores de produção dos textos.

Como muito bem descreve o texto da editora Pós Escrito, o livro, finalista do Prêmio Jabuti de 2009, denuncia “a dura realidade de pessoas que pertencem ao Brasil que não deu certo. São crianças, adultos e idosos que sobrevivem e trabalham em condições desumanas, explorados de maneira inescrupulosa por aqueles que detêm o poder econômico. Em cada reportagem, é possível vislumbrar o compromisso de Mauri com um jornalismo que luta por uma sociedade melhor, para que não sejam desperdiçadas mais vidas.”

Não dá pra não ler!

Editora: Pós-Escrito

http://www.editoraposescrito.com.br/

Mestres da Reportagem

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Não é porque foi feito por mim e pelos meus alunos de Jornalismo da extinta FAPSP (Faculdade do Povo), mas este livro é IMPRESCINDÍVEL a todos que desejam ser bons repórteres. Como disse o “repórter do século” José Hamilton Ribeiro, que fez o prefácio da obra (em um e-mail que enviou para mim logo após o lançamento, em 2012), trata-se de “uma das coisas mais importantes já feitas sobre jornalismo/reportagem entre nós”.

O livro traz 30 entrevistas pingue-pongue com renomados repórteres brasileiros. Além de José Hamilton Ribeiro: Ricardo Kotscho, Elvira Lobato, Carlos Wagner, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Percival de Souza, Sônia Bridi, Luiz Carlos Azenha, Agostinho Teixeira, Adriana Carranca, Bruno Garcez, Mauri König, Valmir Salaro, Tatiana Merlino, Paula Scarpin, Roberto Cabrini, Leandro Fortes, Cid Martins, Eliane Brum, Goulart de Andrade, Giovani Grisotti, César Tralli, Geneton Moraes Neto, Regiani Ritter, Marcelo Canellas, José Arbex Jr., Ernesto Paglia, Sílvia Bessa e Gérson de Souza.

Afora discutir a importância da reportagem e as principais técnicas para a produção desse gênero jornalístico, a obra resgata a trajetória profissional dos jornalistas entrevistados e revela os bastidores de produção das principais matérias que eles fizeram. Lendo o livro, por exemplo, você conhecerá as técnicas que Roberto Cabrini usou para encontrar PC Farias (que estava foragido) em Londres em 1993, ou curiosidades sobre os bastidores de grandes entrevistas que foram feitas pelo mestre Geneton Moraes Neto, que infelizmente nos deixou em 2016. Imperdível!

E a sequência do livro, o Mestres da Reportagem II, está quase saindo do forno. Mais uma vez organizados por mim, alunos de diferentes faculdades de jornalismo do país entrevistaram dezenas de grandes nomes da nossa reportagem, dentre eles Audálio Dantas, Clóvis Rossi, Mário Magalhães, Rubens Valente e Sérgio Dávila. Aguarde!

Editora: In House

http://inhousestore.com.br/

OBS1: Procure as principais livrarias ou diretamente as editoras, para adquirir as obras. Caso algum dos livros esteja esgotado, procure em sebos ou em sites como o Estante Virtual. Vale todo esforço para não ficar sem ler essas joias.

OBS2: Esse artigo foi publicado originalmente no portal Comunique-se, onde sou colunista.

 

Mandamentos importantes no uso do gravador de voz ou “não dê chance para o capeta”(rs)

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Gravar apenas com o celular pode ser arriscado/Crédito: Pixabay

*Por Patrícia Paixão

São recorrentes em sala de aula os casos de alunos que me procuram para lamentar uma entrevista perdida pelo mau uso ou por uma pane no gravador de voz.

E se há uma situação constrangedora, MUUUITO CONSTRANGEDORA, é ter que ligar para aquele entrevistado super ocupado e renomado, com o qual você usou todos os argumentos possíveis para conseguir um horário, e dizer: “Perdi a entrevista que fiz contigo. Você pode me conceder outra?”

Não!!!!!!!! Que vergonha alheia esse tipo de situação!! E é chato com todos os tipos de entrevistado, e não só com os famosos.

Das duas uma: ou o entrevistado se negará a conceder outra entrevista ou, se for muito bonzinho e quiser te ajudar, concederá a entrevista, mas não com a mesma empolgação e com os detalhes ditos na primeira vez em que conversou contigo.

Com base nos erros mais frequentes cometidos por aqueles que perdem a entrevista, preparei CINCO MANDAMENTOS IMPORTANTES NO USO DO GRAVADOR DE VOZ.

São básicos, são óbvios, mas ainda assim (pasme!) muitas vezes não são seguidos.

Vamos a eles:

1 –   Não gravarás apenas com o celular. Use preferencialmente o gravador de voz digital e, se conseguir, mantenha os dois gravando ao mesmo tempo (o gravador e o celular). Muitos alunos procuram-me lamentando-se de que estavam gravando apenas com o celular e, de repente, a bateria do aparelho acabou e não conseguiram terminar a entrevista. No caso da gravação pelo celular, lembre-se de manter o aparelho no modo “Não perturbe”, para evitar que pessoas te liguem ou mandem mensagem no momento da entrevista, interrompendo a gravação. Algumas baterias de celulares ficam fracas muito rapidamente com o uso de recursos multimídia. Esteja atento a isso. Gravar apenas com o celular é sempre um risco;

2 –   Verificarás se as pilhas do gravador estão em bom estado. Isso para que o aparelho não pare de funcionar durante a entrevista, por conta de pilha fraca. Não confie nas pilhas que já estavam dentro do gravador, troque-as por novas sempre antes de cada entrevista;

3 – Olharás para o gravador a cada cinco minutos (durante a entrevista), para ver se ele permanece gravando. Sim, coisas “sobrenaturais” acontecem como capetas que desligam o gravador do nada, sem que você perceba (rs). Já aconteceu comigo. Acredite!

4 – Não comprarás o gravador no dia da entrevista, tampouco o testarás minutos antes de se encontrar com o entrevistado. A chance de não saber mexer adequadamente no aparelho a tempo de fazer a entrevista é grande. Não dê chance para o azar. Seja prevenido comprando o aparelho bem antes e fazendo diferentes testes nele;

5 –   Assim que terminar a entrevista, salvarás o arquivo no seu computador e em um pen drive (por segurança), e retirarás as pilhas do gravador, para evitar que ele seja acionado sem querer na bolsa, e apague o conteúdo gravado. De novo: coisas “sobrenaturais” acontecem naquele dia em que você está com a sorte a seu favor…

Siga as dicas e, assim, terá sua estimada entrevista em total segurança 🙂

“Jornalista tem que ter olho no olho, entrevistar e ir às ruas”, defende a repórter especial da revista Época Cristiane Segatto

*Por Beatriz Bauer

O brilho no olhar e o entusiasmo demonstram o quanto um profissional ama o seu ofício. A forma apaixonada como fala de sua carreira ajuda a explicar o seu sucesso na profissão. No decorrer do bate-papo que a jornalista Cristiane Segatto teve com os alunos de jornalismo da Anhembi Morumbi, no dia 26 de abril, no campus Vila Olímpia, tudo isso ficou claro.

Vencedora de dois prêmios Esso de Jornalismo e várias outras premiações, a repórter especial da Revista Época, que atua na área do jornalismo da saúde há quase 20 anos,  mostrou, ao longo de uma hora de conversa com os estudantes, toda sua devoção pela arte de contar histórias, em especial no jornalismo de revista. A palestra aconteceu na aula da disciplina Produção de Revista, ministrada pela professora e jornalista Patrícia Paixão, responsável por esse blog (Formando Focas).

Cristiane ressaltou o quanto esse jornalismo é importante por poder ir mais a fundo em um assunto, por abordar aquilo que os jornais diários não conseguiram tratar. “As matérias que eu faço na revista surgem em cima de brechas deixadas pelo jornalismo diário, aspectos que as reportagens do hard news não conseguiram aprofundar”, contou a jornalista.

Para atingir esse aprofundamento, Cristiane sugere que o repórter viva o mesmo que o personagem retratado, que entre no mundo dele. Com essa atitude, a chance de o que estiver sendo falado ser mais próximo da realidade é maior. “Jornalista tem de ter olho no olho, entrevistar, ir às ruas”, completou.

Esse processo só será bem feito se o repórter for curioso e apurar a sua sensibilidade. Este aprendizado, aliás, Cristiane absorveu de uma professora da faculdade, que dizia que era preciso “ver com olhos de enxergar, ouvir com ouvidos de escutar”. Ao aguçar a sensibilidade e perceber os detalhes, é possível obter informações muitas vezes não ditas que enriquecem a narrativa.

Uma vez coletados e estruturados os dados, o jornalista precisa visualizar a reportagem e, então, em conjunto com o editor de arte, elencar quais os elementos que imagina para a finalização. Isso é importante, porque o leitor, primeiramente, é atraído pelas imagens, arte, título e subtítulos. O texto vem na sequência. Por isso, o trabalho em uma redação precisa ser sempre em parceria: “O leitor muitas vezes entra na sua reportagem pelo título, por um olho ou pela foto, então tudo precisa ser muito bem feito”.

Outro ponto abordado foi o fato de as pessoas, muitas vezes, acharem que o jornalista tem de escrever de forma rebuscada e difícil. Ela refuta essa ideia, principalmente por trabalhar na área da saúde que é repleta de termos técnicos e desconhecidos do grande público. Ao contrário do que se pensa, ela afirma que o papel do jornalista é transformar confusão em clareza, sem perder a profundidade. Ou seja, tem de tornar acessível para leigos assuntos tratados por profissionais.

Cristiane destacou que trabalhar no jornalismo de saúde não é fácil: “Muita gente escolhe essa área achando que se trata de algo mais fácil que cobrir Política ou Economia, só que a área de Saúde também envolve Política, Economia e muitos outros assuntos, muitos pontos polêmicos”. Segundo ela, para atuar nesse setor é preciso estudar bastante para não ser contestado: “Você vai entrevistar pessoas com um conhecimento muito grande, como médicos, pesquisadores.  Se você não estudar, se não for criterioso, corre o risco de uma dessas fontes te questionar ou de ser manipulado, por falta de conhecimento”.

Para a repórter, um bom jornalista tem de ter referências e seguir exemplos de quem admire, além de ler muito e conhecer ao máximo o meio em que atua. Cristiane citou alguns autores que a influenciaram a escrever de forma literária, como José Saramago, Machado de Assis, Jorge Amado e Ian McEwan. Tudo serve como repertório e amplia o universo do jornalista que, em algum momento, usará o conhecimento obtido.

A jornalista encerrou seu bate-papo falando sobre o que deveria ser o básico para todo profissional: dedicação. Para uma reportagem sair boa, é preciso usar bastante tempo, ser criterioso, ter rigor na apuração, ler muito e ser curioso, fazendo tudo isso com prazer.

De forma simples e cordial, ela deu o recado a todos que queiram obter êxito na área jornalística.

*Beatriz Bauer é aluna do sexto semestre de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi, campus Vila Olímpia. Ela escreve para o Formando Focas em caráter colaborativo.