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Homenagens e bate-papo com o público marcam lançamento do livro sobre a carreira de Marcelo Canellas

 

Por Junior Celestino e Wallace Leray

Foi lançado em São Paulo, em 19/11, na Biblioteca Mário de Andrade, o livro que retrata a carreira de Marcelo Canellas, repórter especial do programa “Fantástico”, da Rede Globo. Com o prefácio da também repórter especial da emissora, Sônia Bridi, a obra, intitulada “Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista”, foi escrita pelo jornalista Sidney Barbalho de Souza, e editada pela In House.

Sidney produziu o livro em 2014 como resultado do seu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo na FAPSP (Faculdade do Povo). A biografia aborda desde os primeiros traços jornalísticos de Marcelo Canellas, na sua infância e juventude (vividas na cidade de Santa Maria da Boca do Monte, Rio Grande do Sul), até suas primeiras experiências na área, sua projeção no meio televisivo e a conquista do cargo de repórter especial na maior emissora do país. Aborda também os bastidores das principais reportagens do jornalista.

O lançamento da obra começou com a apresentação de um vídeo feito em homenagem a Canelas. Nele, familiares, amigos e profissionais da área de comunicação elogiam o trabalho do jornalista, falando sobre a importância de suas reportagens de direitos humanos. Dentre os depoimentos marcantes, destacou-se o da colega Sônia Bridi. “Toda vez que eu vejo uma matéria sua, sinto vontade de ser uma repórter melhor”, confidenciou a jornalista.

Após a apresentação do vídeo, a palavra foi dirigida ao biografado, que disse estar lisonjeado com o interesse de um estudante de jornalismo, que agora é um colega de profissão, por sua carreira. Apesar de ter apoiado a iniciativa, Canellas revelou que sempre se preocupou em ser biografado, ressaltando o quanto pode ser ridículo um repórter posar de importante. “Eu acredito que isso é um pouco da negação da postura de um repórter”, explicou.

Canellas contou alguns casos, para mostrar como a questão da fama na TV é frágil. “Um dia eu estava em um avião e uma senhora se sentou ao meu lado. Ela olhou pra mim e perguntou: você trabalha na televisão, né? Eu respondi: trabalho. Na TV Globo, certo?, ela perguntou. E eu disse: é. E ela respondeu: Eu sabia, Caco Dornelles [confundindo Canellas com os repórteres Caco Barcellos e Carlos Dornelles].”, disse o jornalista, arrancando gargalhadas do auditório, que contava com cerca de 200 pessoas.

O repórter demonstrou sua satisfação com o fato de Sidney ter resolvido doar o valor relativo aos direitos autorais do livro para uma organização não-governamental que luta pelo registro da memória de Santa Maria da Boca do Monte, a TV OVO. “O Sidney me perguntou qual ONG eu gostaria de beneficiar, então indiquei a TV OVO, que é uma parceira de Santa Maria. O pessoal de lá tem um trabalho de recuperação da memória da cidade que eu acho muito interessante.”

Com os olhos marejados, o autor do livro agradeceu à jornalista e professora Patrícia Paixão, sua orientadora de TCC e coordenadora do curso de Jornalismo na FAPSP, pela disposição da mesma em ajudar seus alunos. “Ela nos vê grandes, quando somos pequenos. Obrigado por entrar na minha vida”. Ao escutar os elogios, a jornalista não conseguiu segurar as lágrimas e, aplaudida pelos que estavam presentes, recebeu flores do seu orientando. Extremamente feliz com o momento, o recém-formado em jornalismo, declarou: “Eu entrei como estudante e sai como um repórter”.

A coordenadora do curso de jornalismo da FAPSP, disse que ficou receosa, quando recebeu a proposta de orientar o livro de Sidney Barbalho: “Meu Deus, será que ele vai dar conta? É um repórter da Globo e, ainda por cima, é um repórter especial”, disse a jornalista. Patrícia explicou que é normal o professor fazer uma série de questionamentos, quando o aluno vem com a proposta de um livro-reportagem, mas que já conhecia o Sidney de outros semestres da faculdade e sabia da capacidade que ele tinha como repórter. “Tenho um super orgulho de você! Obrigada por ter me escolhido como sua orientadora, e obrigada ao Canellas por ter aceitado o projeto”, afirmou.

Sidney e Canellas participaram de um breve bate-papo com o público. O final do evento contou com uma sessão de fotos e autógrafos. A fila que chegava próxima à entrada da biblioteca foi completamente atendida, tanto pelo autor da biografia, Sidney Barbalho, quanto pelo retratado nela, Marcelo Canelas.

 

Formando Focas participa do programa “Timão Universitário”

*Patrícia Paixão

Em 20/11, Dia da Consciência Negra e, para os corintianos, data para também se comemorar a conquista do hexacampeonato brasileiro, participei do programa “Timão Universitário”, na Web Rádio Coringão, a convite do jornalista Vitor Guedes, colunista do jornal Agora São Paulo e participante do programa Seleção SPORTV, além de blogueiro do portal Terceiro Tempo (Blog do Vitão).

O “Timão Universitário” é um programa apresentado por Vitor e pelo jornalista Ricardo Dias, da Web Rádio Coringão. A produção é feita pelos alunos de Jornalismo e Rádio, TV e Internet da FAPSP (Faculdade do Povo). O slogan do programa é “O Time do Povo na Faculdade do Povo”.

Foi muito legal comemorar essa data tão especial ao lado do Vitão, amigo desde a época  da faculdade e hoje professor da FAPSP (Faculdade do Povo), onde também leciono e coordeno o curso de Jornalismo.

Parabéns, Vitor, Ricardo Dias e todos os alunos que participam da produção do “Timão Universitário”, em especial Fábio Minei, Marcelo Barbosa e Clarissa Zuza, que colaboraram no programa de 20/11. Orgulho!!

Confira um trecho do programa:

Fruto de um TCC de Jornalismo, livro resgata trajetória do repórter Marcelo Canellas

 

 

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*Patrícia Paixão

Um dos repórteres mais respeitados do telejornalismo brasileiro, com mais de 40 prêmios nacionais e internacionais por suas matérias focadas nos Direitos Humanos, teve sua carreira registrada em um livro-reportagem, que será lançado no próximo dia 19/11, pela editora In House, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo.

Trata-se de Marcelo Canellas, repórter especial do programa “Fantástico”, da Rede Globo, autor da famosa série “Fome no Brasil”, exibida no Jornal Nacional de 18 a 22 de junho de 2001, considerada uma das reportagens mais premiadas do jornalismo latino-americano. Na série (vejo o vídeo abaixo), Canellas mostra os rostos e as histórias das pessoas que engrossavam, naquele período, as estatísticas sobre a fome no Brasil, fazendo um verdadeiro mapeamento dos municípios do país que mais sofriam com o problema.

O autor da obra?

MEU EX-ORIENTANDO DE TCC (desculpa, sociedade, mas eu tenho que me orgulhar e muito dos meus alunos rs), Sidney Barbalho de Souza.

Intitulado “Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista”, o livro, que tem o prefácio da também repórter especial da Globo, Sônia Bridi, foi resultado do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo que Sidney apresentou à FAPSP (Faculdade do Povo) em 2014, com a minha orientação.

Nesta entrevista, meu ex-pupilo e atual colega de profissão revela os bastidores de produção da obra e fala sobre o seu lançamento, que contará com a presença de Marcelo Canellas, para um bate-papo com o público e com o autor.

Confira!

O livro foi fruto do seu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo. Por que escolheu fazer uma biografia como TCC e por que a escolha de Marcelo Canellas como biografado?

Sidney Barbalho de Souza: Apesar de ser um dos principais representantes da cobertura de Direitos Humanos no Brasil e possuir dezenas de prêmios, Canellas ainda não tinha sido alvo de nenhuma pesquisa mais aprofundada. Percebi que havia pouquíssimo material sobre a carreira do jornalista e que nem todos estudantes de Jornalismo conhecem o trabalho dele. Desde que uma colega minha da FAPSP, a Jennifer Souza [hoje também já formada], entrevistou o Canellas para o livro “Mestres da Reportagem” [2012], botei na cabeça que queria fazer o meu TCC sobre ele.  O Brasil é um país que traz números alarmantes de desrespeito aos Direitos Humanos e a profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, que deve se pautar em denunciar esse desrespeito. O Canellas faz isso muito bem em suas reportagens. Gosto muito da mídia “livro”, então, fazer a biografia do Canellas foi uma maneira de contemplar tudo isso.

Qual foi o maior desafio para fazer a obra?

Sidney: Foram vários medos. Medo de não conseguir fazer uma boa pesquisa de campo, quando visitei as cidades nas quais o Canellas trabalhou; medo de achar que eu já estava dominando profundamente o assunto e, assim, deixar de pesquisar o suficiente; receio de fazer um livro parcial, já que sou fã do trabalho do Canellas e precisava manter a imparcialidade;  e, principalmente, escrever um livro que estivesse à altura da grandiosidade deste repórter, que correspondesse às suas expectativas.

Como Marcelo Canellas recebeu a ideia de biografá-lo?

Sidney: Ele ficou lisonjeado e, ao mesmo tempo, um pouco receoso. Me questionou se ele realmente mereceria uma biografia. Ele é muito humilde e modesto. Dizia que havia jornalistas com mais histórias que ele, para serem biografados. Mas aos poucos ele foi pegando confiança e foi vendo que o trabalho poderia ser interessante para ajudar a formar novos jornalistas.  Tudo transcorreu de forma tranquila e respeitosa. Ele sempre me apoiou.

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Canellas com Sidney, no primeiro encontro para planejar a criação do livro-reportagem

O projeto passou pela aprovação da Globo?

Sidney: Sim, o trabalho foi aprovado pela Direção de Jornalismo da Rede Globo de Televisão em abril de 2014, por intermédio do Globo Universidade, o que possibilitou sua viabilidade e realização. Fiquei impressionado com os cuidados que a Rede Globo tem com as informações que dizem respeito a seus funcionários. Tudo é muito organizado. Fui muito bem assistido pela equipe do Globo Universidade em tudo que eu precisei.

Que curiosidades/histórias mais te chamaram a atenção no processo de apuração das informações sobre a vida profissional do Canellas?

Sidney: Saber da luta dele para a colocar no ar uma de suas matérias mais famosas, a série “Fome no Brasil”, exibida no Jornal Nacional em junho de 2001. Ele levou quase quatro anos para conseguir a aprovação da pauta para essa reportagem. Descobrir que, além de repórter, Canellas é um excelente cronista, e talvez por isso os textos de suas reportagens para TV sejam tão bem construídos, com toques poéticos. Outra curiosidade é o extremo cuidado que ele tem no processo de produção de suas matérias. Ele tem um método único de construção da reportagem. Quem ler o livro vai conhecer. [risos]

Ao todo, quantas entrevistas você teve que fazer para produzir a obra?

Sidney: Foram mais de 50 entrevistas com familiares, amigos e ex e atuais colegas de trabalho do Canellas. Estive em Santa Maria, Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Ribeiro Preto (SP), Brasília (DF) e Recife (PE). Fui em busca de documentos da infância e da juventude do Marcelo e de sua vida profissional. Depois parti para a fase de cruzamento das informações passadas pelas fontes e, finalmente, para a redação do texto, respeitando a linguagem de um livro-reportagem.

O livro oferece uma discussão sobre o Jornalismo de Direitos Humanos ou se limita à vida de Canellas?

Sidney: Sim, essa discussão existe no Capítulo V. Há um debate sobre o que seria o  “Jornalismo de direitos humanos” e como o “fazer jornalístico” do Canellas se encaixa nesse tipo de cobertura. O Canellas, por exemplo, não gosta da expressão “Jornalismo de direitos humanos”. Veet Vivarta, da Andi [ONG que luta pelos direitos da infância e da juventude] também é contra essa expressão e explica o porquê no livro. Para eles, o jornalismo, quando bem feito, já cobra naturalmente o respeito aos direitos humanos. Essa discussão, aliás, é uma das partes mais interessantes da obra.

Depois de fazer esse livro, como você avalia o jornalismo que cobre Direitos Humanos no Brasil?

Sidney: Embora tenhamos avançado em relação ao passado – e muito em parte graças à internet, que oferece oportunidade maior para os profissionais de Jornalismo denunciarem mazelas sociais, ainda há muito a ser feito. Na pesquisa que fiz percebi que muita gente na área jornalística desconhece que a garantia de educação, por exemplo, faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Normalmente se associa a direitos humanos só pautas envolvendo tortura, trabalho escravo, exploração sexual. Poucos profissionais da área conhecem toda dimensão dos Direitos Humanos. E esse é um tipo de jornalismo essencial, ainda mais em um país como o nosso, onde as instituições são tão falhas.  O jornalismo que se pauta em denunciar o desrespeito aos direitos humanos acaba pressionando os governos, faz eles tomarem atitudes que deveriam ser tomadas naturalmente, mas que não são. A meu ver, a função do jornalismo é lutar pelos mais fracos e pude aprender com a construção do livro que isso é possível.

Da esq. para a dir.: Sidney e Canellas comigo (Patrícia Paixão), no primeiro encontro com o jornalista, para planejar a criação da obra

Sidney e Canellas comigo (Patrícia Paixão), no primeiro encontro com o jornalista

Marcelo gostou da obra?

Sidney: Sim, ele me confidenciou que ficou muito surpreso e feliz com o resultado. Não esperava que eu fosse conseguir tantas informações sobre sua carreira, incluindo documentos antigos do seu início no Jornalismo.

Que conselhos você oferece ao estudante de Jornalismo que deseja fazer um livro-reportagem como TCC?

Sidney: Precisa estudar muito o personagem que você pretende biografar. Planejar muito, ler muito e negociar com o biografado quais serão os métodos e caminhos a serem traçados: se um livro-reportagem que aborde mais aspectos da vida pessoal, da vida profissional ou de ambas. É importante ir a campo, passar pelos locais onde o biografado viveu seus principais momentos e fazer muitas entrevistas, cruzando o que uma fonte disse com a informação de outras fontes, para se chegar o mais próximo possível dos fatos sobre o personagem. Também é preciso evitar achar que se tornou um “amigo” do entrevistado, pois é preciso manter o distanciamento e a objetividade. Se você deixar o subjetivo interferir, ainda mais quando você é fã do biografado, corre o risco de não fazer jornalismo.

Convite

Convite do lançamento do livro, que acontecerá em 19/11, na Biblioteca Mário de Andrade

Há algo especial programado para o lançamento do livro em 19/11? O que o público pode esperar?

Sidney: Sim, haverá um bate-papo com o biografado e comigo sobre a cobertura na área de Direitos Humanos e sobre o processo de construção do livro.

Por que o leitor deve comprar o seu livro?

Sidney:  Porque além de trazer a vida e os bastidores das reportagens de um dos principais nomes do nosso telejornalismo, o que acaba sendo um grande exemplo a ser seguido, a obra discute a cobertura de Direitos Humanos que, como já dissemos no início da entrevista, representa a essência da nossa profissão. O Jornalismo existe para atender a sociedade, para denunciar quando essa sociedade não tem seus direitos garantidos. Sou suspeito pra falar, mas considero o livro essencial para todos que desejam conhecer as qualidades essenciais de um repórter. Espero todos no lançamento da obra.

SERVIÇO

Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista

Data do lançamento: 19/11/2015

Onde: Biblioteca Mário de Andrade (Rua da Consolação 94)

Horário: das 19h às 21h30 (das 19h às 20h: bate-papo com Marcelo Canellas e Sidney Barbalho de Souza/das 20h às 21h30: sessão de autógrafos. OBS: É necessário retirar senha no local, a partir das 18h, para participar do bate-papo com o autor e Canellas)

Página do livro no Facebook.

 

Alunos de Jornalismo da FAPSP iniciam produção do livro “Mestres da Reportagem II”

*Patrícia Paixão

Começou a ser desenvolvida nesta semana (no dia 21/10) a sequência do livro “Mestres da Reportagem”, a obra “Mestres da Reportagem II”, com previsão de lançamento para o final de 2016.

A primeira entrevistada foi Maristela Crispim, que é a repórter mais premiada da região Nordeste do país, especialista na cobertura ambiental. A entrevista foi feita pelas alunas de Jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo)  Hallayne Lacerda, Elielta Nascimento e Deise Dantas. As imagens foram produzidas pelo aluno Lucas Fernandes, do curso de Rádio, TV e Internet da instituição.

A série “Mestres da Reportagem” foi idealizada por mim em 2011. Sou organizadora dos livros e o trabalho de reportagem é dos meus alunos do curso de Jornalismo da FAPSP.

A primeira obra da série – “Mestres da Reportagem” – foi lançada em 2012.  O livro, que tem o prefácio de José Hamilton Ribeiro (considerado “repórter do século”), traz 30 entrevistas pingue-pongue com grandes nomes da nossa reportagem. Afora o próprio José Hamilton, foram entrevistados Ricardo Kotscho, Elvira Lobato, Carlos Wagner, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Percival de Souza, Sônia Bridi, Luiz Carlos Azenha, Agostinho Teixeira, Adriana Carranca, Bruno Garcez, Mauri König, Valmir Salaro, Tatiana Merlino, Paula Scarpin, Roberto Cabrini, Leandro Fortes, Cid Martins, Eliane Brum, Goulart de Andrade, Giovani Grisotti, César Tralli, Geneton Moraes Neto, Regiani Ritter, Marcelo Canellas, José Arbex Jr., Ernesto Paglia, Sílvia Bessa e Gérson de Souza.

Além de discutir a importância da reportagem, considerada “a alma do jornalismo”, e as principais técnicas para a produção desse gênero, o livro resgata a trajetória profissional dos repórteres entrevistados e revela os bastidores de produção das principais matérias que eles fizeram.

É um projeto que me enche de orgulho, pois foi considerado pelo José Hamilton (em e-mail que me enviou sobre o livro) como “uma das coisas mais importantes já feitas sobre jornalismo/reportagem entre nós”.

O quê??? Ainda não leu o “Mestres da Reportagem”?????

Então, confira os links abaixo para ver o que está perdendo!! 🙂

Clique aqui para conhecer o blog do livro.

Clique aqui para conhecer a página do livro no Facebook.

Clique aqui para comprar o livro.

“Mestres da Reportagem” na mídia:

Domingão do Faustão, de 23/12/2012:

Domingão do Faustão, de 04/02/2013:

RIT:

Folha de S.Paulo

Portal imprensa

Observatório da Imprensa

Rádio Gazeta AM

Portal dos Jornalistas

Portal Comunique-se

Portal Jornalirismo

Aberje

Casa dos Focas

Portal Unicos

 Botequim Cultural

Gazeta de Rondônia

Para jornalista, repressão na periferia é ignorada pela grande mídia

Fausto Salvadori Filho

Fausto Salvadori Filho

*Emily Santos e Kaique Dalapola

A Semana de Comunicação da FAPSP (Faculdade do Povo), realizada de 5 a 9/10, recebeu o jornalista Fausto Salvadori Filho, um dos fundadores da Ponte Jornalismo, site de Segurança Pública e Direitos Humanos, focado na realidade das populações das periferias.

O jornalista falou sobre o desenvolvimento, as dificuldades e os bastidores das coberturas feitas pela Ponte, que muitas vezes aprofundam problemáticas ignoradas pela grande imprensa. “O foco dos grandes veículos é a violência que atinge a classe média. Para eles, mais vale um morto em um bairro nobre que dezenas de mortos em uma região da periferia”, destacou.

Salvadori Filho falou sobre os profissionais que compõe a equipe da Ponte e as repercussões de algumas matérias publicadas no site. Ele relembrou o caso do jovem José (nome fictício), um garoto negro que foi preso injustamente acusado por roubo de carro, em março do ano passado. Após a matéria feita pela Ponte, provando sua inocência, o jovem foi libertado.

“É raro termos uma resposta tão rápida e fácil com o trabalho, como tivemos naquele caso”, disse. Na ocasião, um vídeo produzido por outros dois fundadores da Ponte foi apresentado à Justiça como prova da inocência do garoto.

Ao conversar com estudantes da FAPSP, o palestrante revelou que os integrantes da Ponte definem as atividades do site não mais como as de um coletivo, mas como de “uma facção de jornalistas que quer contar histórias que não são contadas normalmente”.

O repórter afirmou que não sofre a repressão que aflige a população das periferias, por ter nascido no interior, ser branco e “ter cara de ‘nerd’”. A respeito disso, ele questionou os alunos da faculdade, moradores da periferia, sobre a visão que eles têm sobre o jornalismo policial.

Jornalista há 16 anos, Salvadori Filho trabalhou como repórter e editor em diversos sites, revistas e jornais, com passagens pelas redações de veículos como Folha de S. Paulo, Vice, Galileu, Trip, TPM, Metro e Jornal da Tarde. Desde 2008, é jornalista concursado da Câmara dos vereadores de São Paulo. Em 2013, recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, pela reportagem “Em busca da verdade”, publicada pela revista Apartes.

*Emily e Kaique são meus alunos de Jornalismo na FAPSP. O texto deles também foi publicado pelo portal Comunique-se.

Para Adriana Carranca, é possível descobrir belas histórias em meio à dor e à destruição

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*Emily Santos e Kaique Dalapola

A Semana de Comunicação da Faculdade do Povo de São Paulo (FAPSP) recebeu, em 05/10, a jornalista Adriana Carranca, repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo e colunista do caderno ‘Internacional’ de O Globo. A profissional, que é reconhecida por suas coberturas humanitárias em zonas de conflito, em países como Irã, Iraque, Paquistão, Egito e Afeganistão, presenciou uma explosão na Síria, há cerca de duas semanas. O prédio em que ela estava foi alvejado. Diversas pessoas morreram.

Antes de palestrar sobre esta e outras experiências de sua carreira, Adriana recebeu uma homenagem organizada pelos alunos da Agência Experimental de Comunicação Integrada da FAPSP, a “Ligados”. Todos os anos, a Semana de Comunicação da faculdade homenageia um profissional de destaque na área e, desta vez, Adriana foi a escolhida. “O grande objetivo do jornalista é emocionar, e vocês conseguiram isso com essa linda homenagem”, disse a repórter, visivelmente sensibilizada, após assistir ao vídeo produzido pelos alunos.

Confira abaixo a homenagem que os alunos da FAPSP fizeram à Adriana, para conhecer melhor a trajetória da jornalista:

 

Adriana falou sobre os bastidores de suas principais reportagens. Destacou que, desde o início de sua carreira – mesmo quando escrevia para revistas como Cláudia, Nova, Capricho e Marie Claire -, busca tratar as pautas com um olhar humanitário e que, mesmo inconscientemente, acaba abordando os assuntos mais sob o ponto de vista feminino. Ela citou como exemplos as reportagens sobre divórcio e gravidez prematura, que fez no início de sua trajetória na imprensa, e trabalhos mais encorpados, como seus livros O Irã Sob o Chador: duas brasileiras no país dos aiatolás, que escreveu em parceria com a colega Márcia Camargos, e Malala, que conta a história da menina paquistanesa que quase foi morta pelo Talibã por defender seu direito de ir à escola.

A jornalista lamentou o fato de a cobertura sobre os países do Oriente Médio, da África e da Ásia, feita pelas grandes agências de notícias internacionais, ser muitas vezes estereotipada. Ela ressaltou que as populações presentes em zonas de conflito só começam a receber atenção da mídia quando atingem os objetivos ocidentais. “Veja a questão dos refugiados sírios, por exemplo. Isso só vem sendo bastante noticiado, porque essas pessoas estão indo para os países europeus. Por isso a Europa está preocupada”, explicou.

A jornalista disse que procura mostrar em suas matérias e em seus livros os fatos do ponto de vista dos personagens que os presenciaram. Para ela, é possível descobrir belas histórias, mesmo em meio à dor e à destruição.

A repórter, porém, fez um alerta sobre os riscos da cobertura nessas regiões, ao falar sobre a sua última visita à Síria: “Não recomendo a ninguém ir à Síria. O território é volátil, não conseguimos controlar nada em relação à segurança. Eu fui, mas fui com extremo cuidado. Cada passo foi estrategicamente pensado e planejado e, mesmo assim, presenciamos a explosão no prédio em que estávamos”, contou.

Depois de palestrar e responder às questões do público, Adriana realizou uma sessão de autógrafos do livro Malala. A Semana de Comunicação da FAPSP foi encerrada na última sexta-feira, 9.

*Emily e Kaique são meus alunos do curso de Jornalismo da FAPSP. O texto deles também foi publicado pelo portal Comunique-se.

Fausto Salvadori Filho palestra hoje na Semana de Comunicação da FAPSP

Fausto Salvadori Filho

Fausto Salvadori Filho

*Patrícia Paixão

E hoje (06/10) é dia de aprender muito com o jornalista Fausto Salvadori Filho, na Semana de Comunicação da FAPSP (Faculdade do Povo).

Com 16 anos de experiência na área, Fausto atuou como repórter e editor em sites, revistas e jornais, com passagens pelas redações de veículos como Folha de S.Paulo, Vice, Galileu, Trip, TPM, Metro e Jornal da Tarde, entre outros.

É um dos fundadores do projeto de jornalismo e direitos humanos Ponte.

Desde 2008, é jornalista concursado da Câmara Municipal de São Paulo.

Em 2013, recebeu Menção Honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, pela reportagem “Em busca da verdade”, publicada na Revista Apartes.

É dono de um texto maravilhoso e de reportagens pertinentes e aprofundadas sobre algumas de nossas mazelas sociais.

Fausto foi um dos entrevistados no livro que produzi com meus alunos da antiga UNIBAN Brasil sobre Jornalismo Policial (Jornalismo Policial: Histórias de quem faz).

Muito orgulho de ser amiga dessa fera!

Sua palestra na FAPSP acontecerá a partir das 19h30.

IMPERDÍVEL!!!

A FAPSP está localizada à rua Barão de Itapetininga, nº 163, primeiro andar, na galeria Lousã, República.

A entrada é franca!

Te espero lá ❤

Semana de Comunicação da FAPSP prestará homenagem à jornalista Adriana Carranca

*Patrícia Paixão

Atenção, queridos focas!!!!!!!!!

Reservem as manhãs e noites da próxima semana (de 05 a 09/10) para participar de palestras incríveis, com feras do nosso jornalismo, na FAPSP, faculdade de comunicação (onde sou professora e coordenadora), localizada no centro de São Paulo.

A edição 2015 da nossa Semana de Comunicação está com uma programação imperdível, que te oferecerá valiosas horas de atividade complementar e muita coisa legal pra colocar no currículo.

Uma delas será a homenagem que faremos à jornalista Adriana Carranca, na noite do dia 05/10 (segunda-feira), a partir das 19h. Repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo e colunista do jornal O Globo, Adriana é reconhecida pela cobertura humanista que faz de zonas de conflito.

Além de Adriana, participarão da semana da FAPSP os jornalistas Gabriel Toueg (que foi editor de Internacional do portal do Estadão, editor de Mundo no Metro Jornal e correspondente internacional freelancer no Oriente Médio); Fausto Salvadori Filho (jornalista do coletivo Ponte, que recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de 2013, pela reportagem “Em busca da verdade”, feita para a revista Apartes); Marília Ruiz (jornalista e comentarista esportiva, com passagem por diferentes veículos, como Folha de S.Paulo, Rede TV, CNT, Record, Band e Bandnews FM); Guilherme Prado (ex-assessor de imprensa do São Caetano, do Palmeiras e do Corinthians); Anderson Scardoelli (editor do portal Comunique-se) e César Camasão (secretário de redação do jornal Agora São Paulo).

Palestrarão ainda profissionais de destaque na área de comunicação, em geral, como Magali Cunha, professora do programa de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Paulo; José Eduardo Balian e Letícia Menegon, representantes da Incubadora de Negócios da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing); e o publicitário Adriano Batista Rodrigues (diretor da Doka Comunicação e professor da Faculdade Cásper Líbero).

Também haverá mesas-redondas sobre temas de interesse de todos os estudantes. Por exemplo, o painel sobre o curta-metragem “Vista minha pele” (a respeito do preconceito racial), com os debatedores Juninho (Joselício Jr., líder do Movimento Negro e membro do “Círculo Palmarino”) e a jornalista Cíntia Gomes, da rádio CBN.

No encerramento, na noite de 09/10 (sexta-feira), realizaremos nossa premiação interna, homenageando os melhores Trabalhos de Conclusão de Curso e Projetos Integrados realizados pelos estudantes das nossas três graduações: Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Rádio, TV e Internet.

Para participar do evento e conhecer os detalhes da programação de cada dia, basta ligar para o número (11) 3355-4040, das 9h às 18h.

SERVIÇO

Semana de Comunicação da FAPSP Edição 2015

Quando: de 05 a 09/10

Horário: pela manhã (das 8h às 12h) e à noite (das 19h às 22h)

Onde: Rua Barão de Itapetininga, nº 163, 1º andar, centro de São Paulo (próximo ao metrô República).

Número para inscrição e detalhes da programação: (11) 3355-4040

ENTREVISTA COM ELMO FRANCFORT: Especialista na história da nossa TV, Elmo revela informações exclusivas do livro que lançará no próximo sábado (19/09), com a presença de diversas personalidades

*Patrícia Paixão

Conhecer a trajetória e as histórias daqueles que deram os primeiros passos na nossa mídia – seja ela impressa, radiofônica, televisiva ou digital – é um pré-requisito importante para todos que atuam no universo da comunicação, inclusive para jornalistas e estudantes de jornalismo, que têm muitas vezes a tarefa de resgatar o passado ao registrar o presente.

É conhecendo os acertos e erros dos nossos primeiros comunicadores que podemos aperfeiçoar e inovar o conteúdo que oferecemos ao público.

Por isso, o Formando Focas traz essa entrevista exclusiva sobre um evento IMPERDÍVEL que acontecerá na tarde do próximo sábado (19/09), na Biblioteca Latino-Americana Victor Civita, do Memorial da América Latina: a festividade dos 65 anos da TV no Brasil, que será marcada pelo lançamento do livro “Gabus Mendes: Grandes Mestres do Rádio e Televisão”, de Elmo Francfort, jornalista, coordenador do Centro de Memória da Associação Pró-TV e do Museu da TV e professor da FAPSP (Faculdade do Povo – especializada em cursos de Comunicação).

A cerimônia também celebrará os 20 anos de existência da Pró-TV, que é responsável pelo resgate, registro e valorização da história do rádio e da TV brasileira.

Nesta entrevista, Elmo, que é um dos maiores especialistas na história da nossa telinha (é autor de outros três livros: “Rede Manchete: Aconteceu, Virou História”, “Av. Paulista, 900: A História da  TV Gazeta” e “Televisão  em 3  Tempos), fala sobre o processo de produção da biografia de Cassiano (primeiro diretor artístico de TV na América Latina), destaca algumas das informações exclusivas oferecidas na obra, faz uma análise da TV e do nosso telejornalismo, além de revelar alguns atrativos do evento do próximo sábado, que contará com a presença de diversas celebridades, dentre elas Cássio Gabus Mendes e Tato Gabus Mendes (filhos de Cassiano), Lima Duarte e o ex-diretor da TV Globo, Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho).

Confira a entrevista e entenda por que não perderemos este evento!

São vários os pioneiros da TV no Brasil, alguns deles, felizmente, ainda vivos, como Lima Duarte e Lolita Rodrigues. Por que a escolha de biografar justamente Cassiano Gabus Mendes?

Elmo Francfort: Eu já tinha uma admiração muito grande pelo Cassiano, porque falar dele é falar de todos os pioneiros. Ele sempre teve um espírito de equipe muito forte e foi o primeiro grande comandante da TV brasileira, além de ser o primeiro funcionário registrado da nossa TV. Foi o único que esteve nos Estados Unidos para estudar a estética televisiva, no final dos anos 1940. Tudo isso eu conto no livro. Além disso, há  uma razão muito especial e que me impressiona até hoje. Sonhei diversas vezes com o próprio Cassiano dizendo que eu devia escrever sua biografia. Se foi ele ou não, de outro plano, não posso afirmar, mas isso até hoje me impressiona. Lembro que no ano passado, no meio de uma noite, tive uma insônia forte e resolvi que era a hora de começar a botar no papel esse sonho que tanto me perturbava. As portas se abriram de tal forma que acredito numa intervenção mística. Veio na hora certa e virou uma obra, cujas revelações, entrevistas, fugiram do que eu imagina, tornando-se ainda mais rica. É como essa viagem dele aos Estados Unidos, que até então era algo inédito. Todos achavam que só técnicos tinham ido para lá estudar televisão. Não posso deixar de mencionar que a proposta do livro era sobre Cassiano apenas, mas aí aconteceu que comecei a pesquisar sua infância e mocidade, vi a riqueza e a influência da vida do pai Octávio Gabus Mendes, na dele, e aí virou uma biografia familiar. A obra vai de 1906, nascimento de Octávio, até 2015, com a novela que já deu adeus à tela da Globo [Babilônia], com Cassio Gabus Mendes [filho de Cassiano] em um dos principais papéis, o personagem Evandro.

Além de ter sido ator, roteirista, sonoplasta, contrarregra e autor de telenovelas, Cassiano foi o primeiro diretor artístico de TV na América Latina, pela TV Tupi. Que contribuições ele deu para a criação dos nossos gêneros televisivos?

EF: Foi uma contribuição total. Ele “fez” televisão até antes mesmo de o veículo existir. Explico: o pai dele, Octávio Gabus Mendes, escreveu roteiros televisivos no início dos anos 1940 e faleceu próximo ao término da II Guerra Mundial. Ele fez uma revolução no rádio e, infelizmente, não viu seu maior sonho – a televisão – acontecer. Cassiano fez isso e com o apoio de um grande colega de Octávio, Dermival Costa Lima, que o convidou para ser seu assistente direto na televisão. Dermival era o chefe, mas apenas supervisionava, uma vez que quem realmente fazia acontecer, criava os formatos e ainda operava equipamentos [Cassiano foi o primeiro “diretor de TV” ou “diretor de imagem”], escrevia, atuava, era o Cassiano. Há uma parte no livro chamada “O filho de peixe”, porque era assim que Costa Lima o considerava, levando em conta aquela famosa expressão “filho de peixe, peixinho é”. Cassiano tinha o mesmo brilhantismo, a mesma intuição e talento do pai. São figuras que não podem ser esquecidas. Foi ele que dirigiu o show inaugural da TV e criou os formatos desse veículo, lançou os principais nomes da televisão. Precisa dizer algo mais? É uma figura fascinante. Ainda assim pensava sempre na criatividade, na equipe e era muito humilde. Me disse a Susana Vieira, uma das entrevistadas do livro: “Ele foi nosso primeiro Boni”. Há um capítulo até sobre a amizade e a influência de Cassiano na carreira de Boni [José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ex-diretor da TV Globo, um dos grandes responsáveis pela fórmula de sucesso da emissora, por meio da implantação do chamado “padrão Globo de qualidade”], uma parceria de décadas, da Tupi até a Globo.

É verdade que Cassiano teria sido o “pai” de nossos primeiros modelos de telejornais?

EF: Sim. Foi ele que criou o formato do “Imagens do Dia”, o primeiro telejornal da América Latina e do hemisfério Sul. Foi também criador do primeiro vespertino: “Edição Extra”, também na TV Tupi, com Maurício Loureiro Gama e o repórter Tico-Tico. Conto felizmente com o apoio dos depoimentos de muitos pioneiros, como os dois que acabei de citar, que disseram suas histórias à Pró-TV. São mais de 140 depoimentos [exclusivos e os do acervo da associação], cujos trechos fazem parte das mais de 500 páginas da obra.

Que outras informações exclusivas o leitor encontrará no livro “Gabus Mendes: Grandes Mestres do Rádio e Televisão”?

EF: São tantas que é difícil enumerar. O livro conta coisas que pouca gente conhece, como o início do rádio em São Paulo, o cinema mudo no Brasil e várias passagens da Era do Rádio, tudo sob o olhar de Octávio Gabus Mendes. Depois vão ver a carreira de Cassiano, começando com praticamente 10 anos de idade em rádio, tornando-se um grande novelista, até seu falecimento e o que ficou dele em nossa área. A obra mostra ainda o nascimento da televisão, os bastidores, como se deu a criação de todos os gêneros, a concorrência do rádio com a TV, como também a concorrência entre as emissoras. É um livro sobre a história da comunicação, não apenas TV. Fala de cinema, de rádio, de jornalismo. Há os bastidores das novelas, coisas até então não conhecidas, que apenas a família e os amigos sabiam, mas que nunca chegaram a conhecimento público. Dá pra entender um pouco como Cassiano criava suas novelas e séries. De “A Vida Por Um Fio”, “TV de Vanguarda”, “Alô Doçura”, passando por “Beto Rockfeller”, “Anjo Mau”, “Locomotivas”, “Ti Ti Ti”, “Que Rei Sou Eu?” e muitas outras, até chegar em “O Mapa do Mina”, sua última novela. Dá para conhecer um pouco a pessoa que existia por trás do profissional Cassiano Gabus Mendes e conhecer também sua família, como o início da carreira de seus filhos, os atores Tato e Cassio Gabus Mendes. Silvio de Abreu, Maria Adelaide Amaral, Lima Duarte, Laura Cardoso, Eva Wilma, Luis Gustavo [também cunhado de Cassiano] e muitos outros deram depoimentos interessantes para o livro.

A telenovela Beto Rockfeller, criada por Gabus Mendes e exibida pela TV Tupi, foi um marco na TV brasileira por trazer o primeiro anti-herói da história das nossas telenovelas. Dizem que Gabus Mendes não admirava os personagens que criava, pois eles costumavam ser fúteis e defectíveis, espelhando os problemas da nossa sociedade. Rockefeller teria sido um desses personagens criados para fazer críticas aos costumes da sociedade?

EF: É um equívoco dizer que ele menosprezava seus personagens, e eu elucido no livro as razões. Cassiano dizia apenas que fazia personagens comuns, porque buscava uma grande identificação com a sociedade – inclusive o Cassiano adorava assistir às suas novelas e torcer por elas [o Cassio conta bem no livro como o pai se sentia]. Era um sujeito humilde, mas inteligente. Outro equívoco é sobre ele ter dito que o rádio ia morrer dez anos após o início da TV no Brasil. Eu faço a explicação e a defesa disso na obra. Ele era muito inteligente. Mexia muito com clichês, porque, além de novelista, era um bom executivo de televisão, sabia os recursos certos para fazer sucesso na televisão. Ainda assim modestamente dizia que não sabia a fórmula. Claro, a fórmula absoluta não existe, mas ele sabia exatamente o que “não fazer” e onde tinha que “fazer mais”. Era um grande estrategista. Pela primeira vez, o próprio “Beto Rockfeller” [o ator Luis Gustavo] conta a história real nesse livro de como foi criado o personagem. Lima Duarte também, que foi o diretor de “Beto Rockfeller”. Os amantes de novela vão adorar saber.

Gabus Mendes é autor de sucessos como Anjo Mau (1976), Ti Ti Ti (1985-86), Brega & Chique (1987) e Que Rei Sou Eu? (1989). De todas as tramas criadas pelo autor, qual, na sua opinião, mais se destacou pela repercussão junto ao público e criatividade?

EF: Todas tiveram sua importância. Não foi por acaso que ele foi chamado de “Mago das 7”. Ele sabia acertar no ponto. Poucas foram as novelas que não tiveram o sucesso esperado, mas não foram um fracasso. “Anjo Mau” consolidou o horário das sete horas, “Locomotivas” foi a primeira em cores no horário, mas a mais ousada, e que ficou por definitivo na história, sem dúvida foi “Que Rei Sou Eu?”. É uma verdadeira obra prima. Ele conseguiu com humor criticar a política da época, em tempos de eleições presidenciais, e a crise no Planalto. Só que tudo isso com uma trama “capa e espada”, em 1989. Ele satirizava, fazia referências claras aos personagens da política. Digo sempre que se passasse no “Vale a Pena Ver De Novo” seria sucesso garantido e atual. Infelizmente o país, politicamente, continua com problemas. Gosto de citar o caso do Bidet Lambert [interpretado pelo ator John Herbert], o Ministro da Marinha do fictício reino de Avilan, que “curiosamente” não tinha mar!!! Uma comédia pura. Os personagens reais mudaram, mas os ficcionais de Gabus Mendes continuam atuais.

O que os autores de novela hoje têm a aprender com Gabus Mendes?

EF: O texto, a história, os ganchos e tantas outras coisas. Claro que no livro não dou receita de bolo. Tentei pensar como Cassiano. Ele também não daria. Daria princípios iniciais, mas cada um tem que pegar o “novelo da novela” – como dizia a autora Janete Clair, cujo nome artístico foi dado por Octávio Gabus Mendes – e, a partir daí, tecer seu crochê, seu tricô… Só que não dá pra fazer nada sem um bom conteúdo, que te prenda, que tenha conflitos e tantas outras coisas. Os grandes autores estão envelhecendo, isso me preocupa. Felizmente há novos e bons autores surgindo, mas são poucos que fazem a diferença. Muitos autores, de todos os tempos, estão perdendo a mão. É triste. Hoje a novela termina, passa um tempo, e você confunde a trama, não lembra qual era qual. Se você pegar as do Cassiano elas eram bem distintas, você reconhecia os personagens, eram fortes, tinham personalidade própria. E não dá pra dizer que a “sociedade está cada vez mais igual”, porque esses personagens persistem, são bem definidos. Precisamos repensar a telenovela.

Qual foi o maior desafio no processo de registro da biografia de Gabus Mendes?

EF: Foram dois. Hiatos na história da comunicação, principalmente em relação à fase do rádio, descrita de 1950 para trás. Ligar uma fase da carreira à outra, mudança de estação, épocas de crise são mais difíceis. Nas crises, por exemplo, são os momentos em que se tem a menor informação, uma vez que as emissoras – por exemplo, a TV Tupi -, evitava que a crise vazasse para a imprensa. Outra dificuldade foi a síntese. E que dificuldade! Contar uma história tão rica de pessoas que dariam uma enciclopédia, divididas em fascículos! Ainda assim sintetizei a narrativa em mais de 500 páginas incluindo fotos históricas, muitas mostrando a vida pessoal dos Gabus Mendes. Usei como fonte também entrevistas e declarações dadas por Cassiano e Octávio Gabus Mendes no passado, pra manter a visão deles no livro. Isso me ajudou muito e aprendi demais.

Teve dificuldade em falar com artistas que trabalharam com Cassiano ou em conseguir arquivos históricos?

EF: Isso foi uma das coisas interessantes. Tudo surgiu gradativamente, tanto arquivos históricos, como colaborações e entrevistados. Claro, fui atrás das fontes de pesquisa, busquei o melhor que pude. A história merecia esse cuidado. Mas tive casos de renomados pioneiros da televisão –  não citarei nomes – que me procuraram querendo participar do livro e contar suas histórias com Cassiano e os Gabus Mendes. Fiquei muito feliz. É uma família muito querida. Cassiano, por exemplo, é considerado por muitos como padrinho.

Como se sente agora que a obra está finalizada?

EF: Muito feliz. Foi um grande desafio, mas ao mesmo tempo um grande prazer escrever esse livro e ouvir as histórias. Espero realmente ter conseguido repassar adiante o que ouvi. O Tato me disse que no livro sou um “grande contador de histórias”. Respondi a ele que agradecia o elogio, mas que a história é que era de um grande “contador”. Ainda mais porque Cassiano foi o inventor de um programa de teleteatro da Tupi chamado “O Contador de Histórias”, com tramas de suspense e mistério. Agradeço o elogio, mas não mereço. Me identifiquei muito com o que conto no livro, porque acredito, assim como eles [a família Gabus Mendes], que tudo é fruto do nosso trabalho, de arregaçar as mangas, que ainda é possível fazer a “arte pela arte”. O comercial, a audiência, é resultado. Temos que pensar sempre no conteúdo em primeiro lugar. Isso é o futuro da nossa televisão e também do nosso rádio. A convergência, a interatividade, seguirão juntas no mesmo processo, mas é preciso alinhar a técnica ao artístico, como Cassiano e Octávio fizeram a vida toda.

Quando começou essa sua paixão pela televisão?

EF: Acho que eu nasci com ela! [risos] Sou de uma família de pioneiros da TV. Um deles, Luiz Francfort, meu tio, foi câmera do Cassiano na TV Tupi. Conto no livro, por exemplo, que lá ele foi câmera de “Os Dez Mandamentos” [décadas antes da Record fazer], sob supervisão de Gabus Mendes. Quando nasci peguei o “vírus”. Como sempre digo: quando você conhece o “cheiro” de estúdio, nunca mais esquece. Conheci os bastidores da TV e comecei cedo. Além disso, trabalho na Associação Pró-TV, sou telespectador também e professor, dando aulas na FAPSP [Faculdade do Povo, especializada em cursos de comunicação]. É preciso ter uma visão geral, do todo, pra entender e buscar a evolução de nossa comunicação.

E esse seu trabalho de registro e preservação da memória da nossa TV?

EF: Começou também cedo. Eu percebi muita coisa que minha família me contava nos bastidores, mas que eram vistas como folclore, que foram esquecidas com o tempo. Só que nada havia sido registrado. Desde cedo gostava de história. Quando alguém me perguntava: “Você tem algum hobby?” Eu respondia: “História”. Ninguém entendia. Sempre achei importante preservar a história. Cheguei até a fazer vestibular para História e passei em duas faculdades, mas na hora final pensei bem e algo lá dentro disse que eu tinha que ir para comunicação, por vontade própria, sem imposição nenhuma. A arte tem dessas coisas. Ela inspira. Ainda farei “História” e não abandonarei a comunicação. Sou apaixonado pelo que faço.

De que forma conheceu Vida Alves, que é idealizadora da Pró-TV e do Museu da TV no Brasil, além de ser uma das principais pioneiras ainda vivas da nossa telinha (deu o primeiro beijo das nossas telenovelas)?

EF: Um dos meus irmãos, o Arthur, havia criado um site sobre televisão chamado Telecentro. Virei colunista. Aí na época da faculdade virei colunista do site Sampa On Line e passei a escrever uma coluna também sobre televisão e sua memória. Fui trabalhar com ele na Rede Meridional, uma rede de representação comercial de emissoras fora do Eixo Rio-São Paulo. Um dia entrei no site da Pró-TV e vi ele fora do ar. Aquilo me deixou perplexo, porque não entendia como a entidade com uma causa tão importante estava com seu site fora do ar na Era da Internet. Mas preciso contar algo um pouco antes: anteriormente, próximo dos 50 anos da televisão [em 2000], eu tinha feito um site que era “irmão-caçula” do “Telecentro”: o “Canal 1: Memorial da Televisão Brasileira”. Coloquei nele muito conteúdo inédito, baseado no que havia recuperado da história da TV. Um dia entrei em outro site e tinham copiado tudo, sem nenhum crédito, sem nenhum respeito. Fiquei tão chateado. Prometi pra mim que não voltaria mais a fazer nada, porque aquilo foi de uma falta de consideração total. Prometi que só voltaria a fazer algo assim na internet – na época era ainda mais, legalmente, “terra de ninguém” em termos de direitos autorais e falta de créditos, fontes – se fosse por uma causa nobre. Então, voltando ao site da Pró-TV, percebi que o Museu da TV precisava voltar. Feeling? Não sei. Só sei que dei um jeito de criar e hospedar dentro do site da Rede Meridional. No final saí de lá e entrei na Pró-TV. Fui cuidar de um pequeno site que hoje, orgulhosamente, digo que é um portal (www.museudatv.com.br), milhares de páginas, tem redes sociais e tudo que tem direito. Eu adoro desafios. Quando percebi, reconheceram meu gosto pela história, e fui mudando de funções. Fui fazer a curadoria do acervo, depois organização de eventos e de exposições, que percorreram todo país e a Europa. Tudo por causa de um site fora do ar!

Você participou com ela da ideia de criar um Museu da TV?

EF: Mudando o tempo do verbo, digo que eu “participo”. O Museu da Televisão precisa se desenvolver. Já tem um grande acervo, mas está na casa da Vida Alves e precisa de uma sede própria, maior. Está cada vez mais cheio de doações importantes, mas precisa se desenvolver urgentemente. Acompanho há mais de uma década essa luta e vou seguir em frente.

No livro “Televisão em três tempos” você oferece um passeio pela evolução da TV no Brasil, dos primeiros televisores em preto em branco à TV digital.  De 1950 pra cá avançamos bastante em tecnologia. A qualidade da nossa TV acompanhou esse avanço?

EF: A qualidade tecnológica sim, mas a de conteúdo precisa evoluir. Há muita coisa boa no ar. Não dá pra jogar a culpa na sociedade, se a televisão não oferece opções de bom conteúdo. Há iniciativas boas, mas todos pensam no retorno comercial imediato. Só que há muitas coisas que é preciso “apostar” no retorno a longo prazo, porque aí passa a ser duradouro o sucesso. São testes. A Globo já fez e ainda faz muito disso. Às vezes, um insucesso inicial, para uma emissora [comercialmente e em audiência], torna-se, com o hábito, um sucesso futuro e duradouro, quando o conteúdo vale a pena. É preciso sempre pensar no hábito do telespectador.

O que a TV de hoje precisa aprender com a TV do passado?

EF: Muita coisa. Inclusive como lidar com o “ao vivo”. Em épocas que estamos disputando a atenção da televisão com a interatividade, com a TV digital, o Netflix, e Internet, é hora de repensarmos muita coisa e naquilo que é exclusivo do formato televisão. O que é ao vivo é exclusivo, por exemplo. Estamos agora passando pelas mudanças que o rádio passou nos anos 1950 e 1960. É uma nova postura. Uma nova televisão que está surgindo. Tento mostrar isso nas entrelinhas do livro “Gabus Mendes: Grandes Mestres do Rádio e Televisão”. Quem beber da fonte de Octávio e de Cassiano, com certeza entenderá o que estou falando e de como é preciso repensar os formatos. O passado sempre é muito importante para avaliarmos, não errarmos e aprimorarmos o futuro da nossa comunicação.

De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (divulgada em 29/04/15, pelo IBGE), até 2013 somente 31,2% dos lares tinha TV digital. Apesar da baixa adesão à TV digital, o governo pretende começar a desligar as redes de TV analógica no ano que vem. Como você avalia essa situação?

EF: Um processo gradativo e inevitável. De 2007 pra cá muito se fez, até criaram leis de financiamento de crédito para baixar os preços das TVs digitais, mas a mudança foi pouca. É fogo isso, mas as grandes mudanças muitas vezes vêm de forma forçada e com uma ruptura, no estilo “agora ou nunca”. Foi assim com a TV em cores. Foi gradativo, mas uma hora falaram: “Ó, vai acabar”. E só assim é que terminou de vez. Ainda há muito chão pela frente, mas as emissoras estão reagindo gradativamente. O que é preciso agora é o mercado de televisores reagir também e estimular a compra, porque se a mudança não surtir efeito, será um grande problema. Não se aquece mercado, não sem 100% de TV digital. Ninguém vai querer ficar no “apagão”.

Qual é a sua opinião sobre o telejornalismo brasileiro?

EF: Em tempos da chamada “Geração Y”, eu acho que o telejornalismo tem que apostar em duas vertentes: um telejornal de manchetes rápidas, sintéticas. E outro estilo mais analítico, pra entender melhor os assuntos. Isso vai garantir a informação mínima, mas necessária, pra quem não tem tempo hábil. Já no outro estilo, dá para se analisar mais, ser mais opinativo. Sinto que a ética é algo que precisa ser também repensada nos nossos telejornais. Os interesses não podem estar acima da informação.

Por que é importante para um estudante de jornalismo conhecer a história da nossa TV?

EF: Um estudante precisa saber a importância da história da TV, do rádio e do jornalismo impresso, senão não conseguirá ir para área e sobreviver. É um contexto geral. Você precisa conhecer o seu universo, de onde veio tudo que existe hoje e como chegamos aqui. Imagina para um fazendeiro não conhecer seu solo direito? Talvez não consiga nunca cultivar o que plantou. Precisamos saber um pouco de tudo. É a base, sempre, principalmente pra quem pretende seguir no telejornalismo.

Que conselhos você oferece aos estudantes de jornalismo que pretendem trabalhar na mídia TV?

EF: Se dediquem ao máximo e estudem. Isso vocês sempre precisarão. Da sala de aula às pautas do dia a dia. Observem também sempre o seu entorno. As coisas mudam, os fatos mudam e as pessoas mudam. Às vezes até de opinião! O futuro é de quem acredita nele. Crises são passageiras, mesmo que demorem a acontecer, mas sempre há uma saída. Oportunidades estão sempre aí. Basta olhar bem e percebê-las. Ah… Correr atrás! Sempre!

Pra finalizar, por que o público não pode perder o lançamento do livro sobre Cassiano no próximo dia 19/09?

EF: Será uma grande festa e com muitas surpresas. Além do lançamento do livro, com a tarde de autógrafos, haverá uma homenagem ao Cassiano Gabus Mendes, no Memorial da América Latina, e a comemoração dos 65 anos da TV no Brasil e dos 20 anos da Associação Pró-TV. Vai mexer com muita gente, tanto com quem trabalhou como com quem assistiu à televisão esse tempo todo. Será emocionante. Ninguém pode perder. Os Gabus Mendes, Vida Alves, Eva Wilma, Laura Cardoso, Boni, Lima Duarte e muitos colegas de Cassiano Gabus Mendes estarão na homenagem. Estou ansioso para o dia, mas não posso contar tudo! Vou ter que deixá-los na curiosidade porque, como disse, vai mexer com muita gente. Ah… um dos segredos de Cassiano Gabus Mendes era manter um certo suspense na conclusão de suas tramas! Garanto que não irão se arrepender dos capítulos finais. [risos]

 SERVIÇO:

*EVENTO DOS 65 ANOS DA TV NO BRASIL E LANÇAMENTO DO LIVRO “GABUS MENDES: GRANDES MESTRES DO RÁDIO E TELEVISÃO”

Quando: Sábado (19/09)

Horário: às 15h

Local: Biblioteca Latino-Americana Victor Civita, no Memorial da América Latina            (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda)

Repórteres apostam no jornalismo independente como modelo para superar crise

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Por André Luís, Damaris Almeida, Emily Santos, Guilherme Silva, Jemima Barbosa, Nicolly Soares  e Tatiane Cordeiro, alunos de jornalismo da FAPSP (Faculdade do Povo)

A série “Repórter”, realizada em 02/09, no Itaú Cultural, em São Paulo, com a curadoria da jornalista Eliane Brum, contou com um painel de entrevistas com diferentes repórteres que se dedicam a dar voz a setores da sociedade normalmente ignorados e/ou excluídos. São jornalistas que cumprem o verdadeiro papel da profissão de maneira independente, estando fora da grande mídia.

Nomeado de “Narrativas de Transição”, o painel foi comandado por Eliane Brum. Inqueridos pela jornalista, Bruno Paes Manso (Ponte), Laura Capriglione (Jornalistas Livres), Bruno Torturra (Fluxo), Katia Brasil (Amazônia Real) e Rene Silva (Voz da Comunidade) debateram alternativas para a atual fase do jornalismo, em que passaralhos e fechamento de jornais e revistas estão sendo comuns.

As entrevistas com cada repórter tiveram, em média, 15 minutos, com mais 10 para responderem a perguntas do público.

O ponto principal ressaltado pelos jornalistas, para a reinvenção da profissão diante do momento de crise, foi o de que é preciso seguir a vertente do jornalismo independente e convencer o público de que este é o caminho para uma informação sem amarras, voltada realmente às necessidades dos diversos setores da população.

“Nós podemos sim fazer outro jornalismo”, defendeu Laura Capriglione, do Jornalistas Livres. A repórter tem a expectativa de que a sociedade acabará tendo um novo olhar sobre o jornalismo. Para isso, destacou que é preciso ter credibilidade e conquistar o público, mostrando que os leitores podem confiar no que está escrito.

O repórter Bruno Paes Manso, do coletivo Ponte, que foca na cobertura de Direitos Humanos, Justiça e Segurança Pública, reforçou que “o momento do jornalismo é de se recriar”, e contou um pouco de sua trajetória e a do coletivo, que consegue dar voz a personagens das periferias, normalmente criminalizados de forma injusta, sem possibilidade de darem sua versão na grande mídia.

Kátia Brasil também contou sua trajetória e explicou por que acabou saindo das grandes redações (foi enviada especial de diversos veículos, dentre eles O Globo e Folha de S.Paulo) para fazer uma cobertura honesta da Amazônia, no seu site Amazônia Real. Ela explicou que chegou um momento em que as pautas que ela costumava trabalhar, dando voz aos setores prejudicados e explorados na região, como os índios, começaram a incomodar. Por isso, e somando ao momento de crise na grande imprensa, optou pelo jornalismo independente.

O repórter Bruno Torturra, um dos idealizadores da Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) e que hoje está à frente do Fluxo – Estúdio de Jornalismo, falou a respeito do impacto dos avanços tecnológicos nas redações e afirmou que está acontecendo uma globalização de informações não oficiais. “Na medida em que as redações começaram a falir, foi ficando mais fácil reportar”, complementou. Ele lembrou da primeira transmissão feita por streaming das manifestações de junho de 2013, em que a mídia NINJA foi bastante atuante, colaborando para uma nova visão dos acontecimentos em tempo real.

Bruno também apontou como futuro para o jornalismo independente o convencimento do público. “A viabilidade do jornalismo está no público. Se ele perceber que o poder da comunicação está nas mãos dele, ele vai valorizar o conteúdo e vai querer pagar. Na hora em que for tão fácil dar um real quanto um ‘like’, o jornalismo está salvo”, disse.

Rene Silva, do jornal Voz da Comunidade, do Complexo do Alemão (no Rio), falou sobre sua trajetória no jornalismo, que começou aos 11 anos de idade (hoje ele tem 21),  no jornal da escola. “Eu percebia que no colégio as coisas que estavam erradas só eram corrigidas quando saíam no jornal e vi que isso também podia acontecer na minha comunidade. Foi aí que nasceu a ideia de criar o Voz da Comunidade”, relatou.

O jovem repórter ganhou notoriedade nacional e internacional após cobrir pelo Twitter, de dentro do Complexo do Alemão, a invasão da polícia, em 2013. Ele foi o único jornalista a presenciar os fatos cara a cara, desmentindo alguns erros cometidos pela cobertura feita pela grande imprensa. Rene falou da importância de ter tido acesso à rede social para mostrar uma visão interna do fato.

O painel foi encerrado em tom otimista, com expectativa de crescimento do jornalismo independente, sem censura e livre da influência de anunciantes.

Foto: Divulgação/Portal Comunique-se

OBS: O texto acima (produzido pelos meus alunos de jornalismo) também foi publicado (com algumas variações) no portal Comunique-se. Confira! Muito orgulho dos meus alunos 🙂