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“Por mais ingênua e doce que seja a atividade do assessorado o risco de crise nunca é zero”, destaca Gilberto Lorenzon

G2

O jornalista e escritor, Gilberto Lorenzon, em palestra aos alunos de Jornalismo do Mackenzie

*Por Bianca Ninzoli Marques e Isabella Massoud

Com foto de Letícia Marques

Gestão de crise foi o tema da palestra que o jornalista Gilberto Lorenzon concedeu aos alunos de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 03/05, durante a aula da professora e jornalista, Patrícia Paixão, que ministra a disciplina Assessoria de Imprensa.

O professor trabalha na área desde 1983 e é autor, juntamente com Alberto Mawakdiy, do livro “Manual de Assessoria de Imprensa”, uma obra muito usada por aqueles que lecionam e trabalham nessa área. Gilberto também leciona diversos cursos sobre assessoria de imprensa em instituições como Mackenzie, Belas Artes e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Dentre os assuntos tratados na conversa, o jornalista falou sobre a importância de uma etapa anterior à “gestão de crise”: a “gestão de risco”, ou seja, uma preparação que a equipe de assessoria deve ter para evitar que a crise aconteça ou para saber lidar com uma crise, que venha a aparecer. “Por mais ingênua e doce que seja a atividade do assessorado o risco de crise nunca é zero”, declarou Gilberto, a fim de ressaltar a necessidade de criação de um comitê especializado no assunto.

Outros três elementos compõem o departamento de gestão de risco: a auditoria (para detectar problemas que podem gerar crise), um manual com procedimentos (sobre como agir em caso de crise) e o Media Training. Este terceiro, de acordo com ele, é extremamente importante, tanto no pré, quanto no pós-crise, pois é quando o jornalista treina seu assessorado para se portar bem com a imprensa.

Gilberto citou exemplos vividos em sua carreira, nos quais teve que lidar com crises sem um comitê ou um preparo especializado, mostrando mais uma vez a importância dessas ferramentas.  Ressaltou que a equipe voltada à gestão de crise precisa ser muitas vezes multidisciplinar, contando com profissionais de outras áreas, além do jornalismo. “Médicos, advogados e psicólogos podem fazer parte do comitê de crise”. Mas destacou que “ele [comitê] não pode ficar engessado e perder a mobilidade”.

Outro fator relevante em momentos de gestão de crise é o relacionamento com a imprensa. “Valorizar o questionamento do repórter traz empatia e interlocução. A demora em se pronunciar pode trazer consequências ruins para empresa, uma vez que a imprensa pode criar especulações”, alertou.

Também é preciso “saber o que falar para o jornalista, pois tudo que o porta-voz fala é declaração oficial”, disse Gilberto.

Por fim, o professor enfatizou o valor de se comunicar internamente na empresa: “é preciso manter os funcionários informados, para que estes não se sintam traídos, passando a divulgar informações falsas ou negativas”.

Finalmente, alertou que é preciso lidar com a crise imediatamente depois de seu fim, “para aprender com os erros e evitar novos problemas”.

*Bianca Ninzoli Marques, Isabella Massoud e Letícia Marques são alunas de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e escrevem para o Formando Focas em caráter colaborativo.

Jornalistas destacam desafios da assessoria de imprensa nas áreas política e cultural

*Por Amanda Rinaldi, Ana Claudia, Gabriela Freitas e Thayna Gomes

Busian

 

Os jornalistas Fernando Busian, assessor da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo, e Marina Santa Clara Yakabe, assessora de imprensa dos rappers Emicida e Rael, palestraram sobre o trabalho de assessoria nas áreas política e cultural, no último dia 20/04, na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Organizado pela jornalista e professora Patrícia Paixão, responsável por este blog (Formando Focas), o encontro aconteceu na forma de um bate-papo com os alunos do quinto semestre do curso de jornalismo.

Busian, que é formado em Rádio e TV, Jornalismo e Filosofia pela Universidade São Judas e possui 16 anos de experiência na área (atuou como repórter e editor na redação do jornal Agora São Paulo e foi assessor de imprensa do prefeito Fernando Haddad durante a campanha eleitoral e no primeiro ano de sua gestão),  contou sobre os desafios diários do assessor na área pública. Para o jornalista, a maior dificuldade encontrada por assessores atuantes nesse setor é o preconceito da imprensa em relação ao poder público. Segundo Busian, essa situação acaba sendo refletida na forma como a sociedade enxerga a administração pública.

O palestrante também destacou que “falta interesse público no jornalismo brasileiro”, após discorrer sobre a nossa recente e frágil democracia. Completou dizendo que “falta equilíbrio” nos julgamentos midiáticos e que esse quadro é agravado no atual cenário político que vivemos.

Fernando ressaltou para os estudantes a necessidade de adaptação às novas tecnologias e à tendência de transparência nos dados públicos . “O jornalismo está mudando, porque tem muitas coisas públicas disponíveis hoje na internet. Poucos colegas, no entanto, sabem explorar esses dados”, disse, referindo-se à Lei de Acesso à Informação.

Área cultural

Marina

Marina Santa Clara Yakabe, que trabalhou no jornal Agora S. Paulo e no Portal R7 antes de atuar como assessora, explicou um pouco do seu cotidiano e da responsabilidade de trabalhar com dois nomes importantes do rap nacional. Ela falou sobre as diferenças entre assessorar um artista que já é renomado, como o Emicida, e um ainda em ascensão, como o Rael. “Não é um trabalho mais fácil que o outro, e sim desafios diferentes”.

Questionada sobre se passou por alguma situação com os músicos em que teve de colocar em prática a gestão de crise, Marina lembrou da prisão do cantor Emicida, em 2012, por desacato à autoridade, durante um show em Belo Horizonte. No início do show o rapper fez a leitura de um texto desaprovando a desocupação de um terreno na região do Barreiro, onde famílias pobres estavam acampadas. Na ocasião, ela disse que não foi preciso um grande esforço para contornar o problema, já que setores da própria mídia, como a MTV, saíram em defesa do cantor.  

Apesar de fazer assessoria para dois artistas de um mesmo segmento, Marina enfatizou que não é interessante usar o sucesso de um para promover o outro.

Preconceito

Tanto Marina como Busian discutiram sobre o preconceito que o assessor de imprensa costuma sofrer por parte de alguns colegas atuantes em redação. Enquanto Busian disse não se importar com o fato, Marina enfatizou que é necessário quebrar a ideia de que o assessor é uma figura chata, que só se tornou o que é por não ter dado certo na redação. Ela disse que se sente muito mais realizada hoje, como assessora, inclusive na questão do respeito às suas convicções. Afirmou que, quando o jornalista atua em redação, muitas vezes se vê obrigado a seguir a linha editorial e as regras do veículo no qual ele trabalha, tomando atitudes que fogem da verdadeira vocação do jornalismo, que é o interesse público.

*Estudantes do quinto semestre do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Lendas e fatos sobre Assessoria de Imprensa

 

os quatro

*Patrícia Paixão

Ela é a área que mais emprega jornalistas (veja a pesquisa  Perfil Profissional do Jornalista Brasileiro, divulgada em 2013 pela Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas) e, mesmo assim, continua sendo demonizada por alguns coleguinhas, vista como algo menor, que “não é jornalismo”.

É JORNALISMO SIM!  E, quando feita com profissionalismo e ética, é uma área tão apaixonante para se trabalhar quanto redação. Palavra de alguém que já atuou nos dois lados do balcão.

Quando deixei o Grupo Folha para trabalhar em assessoria de imprensa, percebi quanta arrogância existe em diversos jornalistas e quantas lendas e mitos caíram por terra. Por exemplo, o de que o assessor tem uma vida mansa, com noites e finais de semana livres (cobri/acompanhei vários eventos à noite, aos sábados, domingos e até feriados). Ou de que o assessor não precisa fazer apuração, pois seu papel é meramente propagandístico. Mentira, mentira!

Em 25/08, eu e meus alunos da FAPSP (Faculdade do Povo) pudemos debater todas essas questões, graças a duas palestras muito boas sobre assessoria de imprensa, ministradas na faculdade pelos jornalistas Fernando Busian, assessor de imprensa da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo, e Marina Santa Clara Yakabe, assessora dos cantores de rap Rael e Emicida.

Convidados pelo amigo de FAPSP e de vida, Vitor Guedes (grande repórter e cronista esportivo), os jornalistas falaram sobre as peculiaridades de se fazer assessoria de imprensa no setor público e no cultural.

Busian destacou que na comunicação pública é preciso saber gerenciar crise o tempo todo e que, por isso, é uma área em que se trabalha muito. Tão puxado quanto na época em que ele atuava em redação (iniciou sua carreira como repórter de esportes no Agora São Paulo, onde também foi editor-assistente de Cidades e redator de Brasil/Mundo).

“Poder público é vidraça, não tem jeito! Já sabemos que vamos levar, mas se conseguirmos marcar uns golzinhos está bom”, afirmou o jornalista, que disse já ter recebido telefonemas da imprensa de madrugada.

Marina também palestrou sobre seu dia a dia, mas focando nas especificidades da assessoria de imprensa na área de cultura.

A jornalista, que foi editora-assistente do caderno Show, do Agora, e coordenou por dois anos a editoria de música do portal R7, disse que se sente mais realizada hoje, fazendo assessoria de imprensa. “Dá pra fazer algo legal, trabalhar naquilo que você acredita. E pode ser até mais honesto, jornalisticamente falando, considerando o que ocorre em algumas redações, mascarado pela suposta objetividade e imparcialidade”.

Ela contou sobre os desafios de assessorar dois cantores de rap em um cenário musical, que ainda traz algumas marcas de preconceito em relação ao que vem da periferia. Também ressaltou aos alunos a importância deles considerarem o trabalho em assessoria como uma oportunidade atrativa para atuação no mercado jornalístico.

Como coordenadora do curso de Jornalismo da FAPSP, agradeço demais aos dois pelas palestras e ao amigo Vitor Guedes pelo convite!

No dia 12/09, fui convidada para participar da Mesa Redonda “A Assessoria de Imprensa sob o impacto das Redes Sociais e produção de conteúdo. Agências de Comunicação e Agências de Notícia”, no XXV EEjAI (Encontro Estadual de Jornalistas em Assessoria de Imprensa), promovida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.  Quer conhecer mais sobre assessoria de imprensa? Aparece lá! Será um prazer debater contigo 🙂

Foto: Beatriz Sanz