Carta de uma jornalista apaixonada

Carta

Divulgação/Comunique-se

*Por Patrícia Paixão

Em 2016, fui convidada pelo Portal Comunique-se para participar de um especial sobre o Dia do Jornalista.

Fiz esse texto que é minha homenagem a todos que escolheram A MELHOR PROFISSÃO DO MUNDO, O JORNALISMO.

Nele, falo sobre as dores e as delícias de ser jornalista (muito mais delícias que dores), através de uma carta que escrevi para mim mesma. A Patrícia Paixão de 40 anos (hoje 41 rs) escrevendo para a Patrícia Paixão de 19, uma foca.

Me emocionei muito redigindo este texto e sei que ele responde às dúvidas de muitos que pretendem seguir a profissão.

Hoje, 7 de abril de 2017, data em que mais uma vez comemoramos o Dia do Jornalista, republico a cartinha (com a data atualizada), com a mesma carga de emoção que me fez escrevê-la.

Espero que gostem 🙂

FELIZ DIA DO JORNALISTA! FELIZ NOSSO DIA ❤

EU SIMPLESMENTE AAAAAAAAAAAAMO ESSA PROFISSÃO!

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São Paulo, 7 de abril de 2017.

Querida Patrícia,

Tudo bem?

Quem escreve é você mesma, aos 40 anos.

Nesta data em que se comemora o Dia do Jornalista, resolvi te dar alguns conselhos e acabar com certas interrogações que andam colocando na sua cabeça sobre permanecer ou não no curso de jornalismo.

Sei que já te contaram sobre casos de familiares e conhecidos que fizeram jornalismo e não conseguiram trabalhar na área. Ou que trabalharam durante algum tempo e depois acabaram mudando de profissão.

Sei também que andam dizendo que o melhor seria você optar por uma profissão “mais séria” e “que desse mais dinheiro”, para garantir seu futuro e o de sua família.

Pois bem. Em vez de dar ouvido a esses questionamentos, lembre-se do que disse sua estimada professora de Língua Portuguesa do terceiro ano do ensino médio, da escola estadual “Professor José Marques da Cruz”. Lembra como ela te incentivou a prestar jornalismo pelo fato de você escrever bem?

Some a este precioso estímulo seu amor pela leitura e seu jeito inconveniente de querer opinar e estar por dentro de tudo o que acontece, querendo mudar o que considera injusto. Jeito este que lhe rendeu, quando pequena, alguns puxões de orelha, por se meter em “conversas de adulto”, e quebra-paus homéricos (já na adolescência) com alguns de seus familiares por pensar diferente de muitos deles em relação a assuntos polêmicos.

Escute também uma das poucas vozes sensatas que te rondam neste momento, a do seu pai.  Ele insiste em destacar que quem faz o que ama, dando o seu melhor, consegue vencer, por mais difícil que seja a profissão que escolheu. Ele está certo. Acredite!

Rica, realmente, você não vai ser. Pelo menos uma verdade foi dita por essas pessoas que estão empenhadas em te fazer desistir do jornalismo. Pra falar a verdade, aos 40 seus bens se resumirão a uma casa própria modesta e um carro popular “bem detonado”, diga-se de passagem.

Mas você vai conseguir pagar todas as suas contas, realizar alguns sonhos de consumo e, o mais importante, será uma pessoa plenamente realizada em diversos sentidos.

Sabe esse seu horror pela rotina? Pode ficar tranquila, porque, no jornalismo, você não corre o menor risco de ficar entediada. Todo dia conhecerá pessoas novas e aprenderá sobre diferentes assuntos. Começará como locutora da rádio da sua faculdade, comentando sobre Esportes, Economia, Cultura, entre outras editorias. Depois escreverá sobre a colônia japonesa, em um jornal voltado a brasileiros que moram no Japão; trabalhará como colunista de comportamento, escrevendo para pessoas que vivem sozinhas, dando dicas sobre como conquistar alguém; atuará na editoria de Política da agência de notícias de um dos principais jornais do país (a Folha de S.Paulo, que você tanto admira); será editora de duas revistas na área de papel e celulose e no mercado de indústria gráfica; escreverá sobre política tributária em um sindicato de funcionários da Receita Federal e será assessora de imprensa de organizações de diferentes setores.

Sabe esse seu hobby por viagens? Também será atendido. Como jornalista você terá a chance de conhecer diferentes lugares, suas culturas, suas peculiaridades.

Perderá, sim, finais de semana, feriados, Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, e adentrará madrugadas na redação. Trabalhará muito, muito mesmo. Mas também se sentirá fazendo parte da história ao participar de coberturas marcantes, como a dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, um dos dias em que você mais vai trabalhar na vida. Você se sentirá orgulhosa de ter feito essa e outras coberturas. Vai vibrar com cada furo conseguido, com cada elogio que receber do público.

Ficará extremamente grata e sensibilizada ao notar alguns entrevistados contando suas histórias, com lágrimas nos olhos, abrindo suas vidas sofridas para você, vendo em seu trabalho a única saída para seus dilemas, já que o Estado e outras instituições que deveriam zelar pela sua proteção lhes viraram as costas. Você dará voz a essas pessoas que têm suas falas tantas vezes ignoradas e/ou silenciadas e perceberá que, com seu trabalho, a vida delas terá uma chance de ser modificada.

Entrará em contato com personalidades que costumam aparecer na telinha, enchendo os olhos de quem pensa que ser jornalista significa trabalhar na Globo e conquistar a fama. Aliás, ao longo de sua carreira vão te perguntar muitas vezes se você trabalha na vênus platinada. Acostume-se! Você perceberá que este contato com celebridades é irrelevante perto da chance de poder denunciar o que está errado no seu país. Aliás, prepare-se, porque denunciar o que não anda bem significa muitas vezes mexer com interesses de grupos poderosos, dispostos a perseguir e até mesmo calar quem deseja revelar seus mandos e desmandos.

Mas você vai superar cada obstáculo que aparecer no seu caminho, impulsionada pelo prazer de seguir numa profissão tão enobrecedora.

Um dia você decidirá deixar a redação para se tornar professora de jornalismo. Vai fazer essa opção para tentar ter uma vida mais organizada e com o objetivo de passar adiante toda experiência acumulada na área.

Continuará a escrever e a reportar, pois é um “vício” muito bom,  do qual você nunca vai conseguir se desvencilhar, mas desta vez com o pé na sala de aula, ajudando a formar profissionais que estão cheios de dúvidas e expectativas, como você está neste momento, aos 19, no primeiro ano do curso de jornalismo.

Lecionar será uma experiência igualmente enriquecedora. Você poderá discutir os erros e acertos que vê na profissão, passando seu idealismo e sua paixão aos discentes.

Em muitas aulas você vai se empolgar ensinando as técnicas de entrevista e reportagem que aprendeu ao longo da carreira. Vai comemorar cada conquista dos seus alunos como se fosse sua. Conseguirá ver seus sonhos jornalísticos sendo colocados em prática pelos seus pupilos, como se eles estivessem incorporando um pouquinho de você dia a dia.

Aos 40, você vai ouvir muita gente dizendo que o jornalismo está em crise. Sabe por quê? É que este novo meio de comunicação, que nesse momento você está vendo nascer, a tal da internet, ganhará força e realmente abalará os veículos tradicionais, dando a qualquer pessoa a oportunidade de divulgar informação. O impresso, em especial, perderá muitos leitores para a internet, que veiculará a notícia de forma mais rápida e sintética. Muitos dirão que a mídia impressa vai desaparecer. Haverá também uma dependência ainda maior da mídia em relação aos seus anunciantes e a grupos políticos e econômicos. Tente não se abalar com esses acontecimentos. Com um pouco de observação e cautela, você perceberá que a informação com credibilidade continuará dependendo do bom jornalismo, ou seja, da apuração, do bom texto e de todas as técnicas que você aprendeu na faculdade.

Você vai ver muitos colegas serem demitidos devido a tal crise do jornalismo? Sim, verá. Mas também verá formas interessantes de reportagem surgindo na internet, um jornalismo independente de interesses políticos e econômicos, como não vemos nas grandes redações. Muitos colegas sem espaço na grande imprensa apostarão nessas novas formas de comunicação, que buscam outros caminhos de sustentação financeira, a partir da contribuição do próprio público. Grandes reportagens continuarão a ser feitas, revelando feridas e males da nossa sociedade, mostrando que, apesar de todo o cenário de incertezas, o jornalismo continua sendo essencial.

Por tudo isso, querida Patrícia, digo com segurança: pode seguir tranquilamente no curso que escolheu.

Só não perca nunca sua sensibilidade social, sua perseverança e o seu amor pela profissão. Essa coisa do brilho no olhar, sabe? Brilho no olhar é TUDO! Ao longo da carreira você verá que os profissionais mais bem sucedidos são os que mantiveram o tesão pela área, a esperança de que você pode mudar o mundo com uma reportagem. É uma ilusão pensar assim? Sim, é! Mas é uma ambição extremamente importante para quem está numa profissão de natureza social.

Fácil não será. Aliás, vai ser bem difícil. Você vai ouvir pelo menos uns 30 “nãos” até conseguir sua primeira oportunidade de trabalho num mercado que é extremamente competitivo, e que ficará cada vez mais disputado. Ganhará pouco e nem sempre vai ser devidamente reconhecida, mas, com certeza, será feliz por fazer o que gosta e ver na sua carreira uma oportunidade de colaborar com um mundo melhor. Quer maior riqueza que esta??

Nos vemos daqui a 20 anos. Pode estar certa de que você não terá se arrependido. Como disse o mestre Gabriel García Márquez, esta é “a melhor profissão do mundo”. Não me imagino fazendo outra coisa.

Patrícia Paixão é jornalista e professora do curso de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e das Faculdades Integradas Rio Branco. É também responsável pelo blog Formando Focas (www.formandofocas.com), voltado a estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados.

 

Sindicato dos Jornalistas promove evento com a participação do Formando Focas

COMO CONSEGUIR

*Patrícia Paixão

No próximo dia 8 de abril, o Formando Focas participará de uma programação especial que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo vai oferecer a estudantes de jornalismo e profissionais recém-formados.

O evento, que acontece em comemoração ao Dia do Jornalista (celebrado em 7 de abril), com a parceria da Associação Profissão Jornalista,  será realizado das 14h às 18h, no auditório Vladimir Herzog, sede da entidade.

Na ocasião, eu, Patrícia Paixão, responsável por este blog,  oferecerei a oficina “Como conseguir um estágio em jornalismo”, com dicas sobre como preparar o currículo e como se portar em uma entrevista de estágio na área.

Levarei comigo, para dividir experiências com o público, os meus queridos e eternos alunos Beatriz Sanz, estagiária do El País, e Kaique Dalapola, estagiário do R7 e integrante da Ponte Jornalismo.


O evento ainda contará com uma palestra muito legal sobre “Empreendedorismo no ecossistema do jornalismo”, com o jornalista Dal Marcondes.

Tudo é gratuito (o sindicato oferece certificado), mas as vagas são limitadas. Garanta a sua!

As inscrições serão feitas apenas por e-mail, pelo endereço:  cursos@sjsp.org.br

Espero você lá! ❤

SERVIÇO

Como conseguir um estágio em Jornalismo e Empreendedorismo no Ecossistema do Jornalismo

Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (auditório Vladimir Herzog), –  Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – Vila Buarque – Próximo ao metrô República.

Programação:

13h30 – 14h00 – Credenciamento

14h00 – 16h00 – Primeiro tema: Estágio em Jornalismo

Atividade 1 – “Oficina – Como conseguir um estágio em Jornalismo”, com Patrícia Paixão, jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP) no Programa de Integração em América Latina (PROLAM). Patrícia é professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi-Morumbi. É editora do blog Formando Focas, voltado a estudantes de jornalismo, colunista dos portais IMPRENSA e Comunique-se, além de organizadora dos livros “Mestres da Reportagem” e “Jornalismo Policial: Histórias de quem faz”.

Atividade 2 – Depoimentos  “Experiência como estagiário”, com os estagiários Beatriz Sanz, estudante da São Judas e estagiária no El País, e Kaique Dalapola, estudante das Faculdades Integradas Rio Branco e estagiário do Portal R7 e integrante da Ponte Jornalismo.

16h00 – 16h30 – Café

16h30 – 17h30 – Segundo tema: “Empreendedorismo no ecossistema do jornalismo

O modelo de trabalho do jornalismo no século 20 está em profunda transformação. Há ainda algumas empresas que mantém a velha fórmula, no entanto com cada vez menos profissionais em seus quadros. E já surgem novos modelos de jornalismo que incorporam tecnologia em sua realização e na forma de chegar até os leitores/espectadores/ouvintes/internautas. Vamos conversar sobre esse cenário e as oportunidades para novos e velhos jornalistas

Com Dal Marcondes, jornalista formado pela ECA/USP com especialização em Economia, Ciência Ambiental/USP e mestrando em Modelos de Negócios do Jornalismo Digital/ESPM-SP – Prublisher do Portal Envolverde (www.envolverde.com.br) vice-presidente da Associação Profissão Jornalista (APJor) e presidente da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental.

17h30 – 18h00 – Encerramento

 

“A moda precisa ser noticiada com olhos críticos”, defende Andreia Meneguete

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A jornalista e consultora de moda Andreia Meneguete. Crédito: Patrícia Paixão

*Por Júlia Mello

A jornalista Andreia Meneguete, especializada em jornalismo de moda, freelancer da revista Vogue e marketing do estilista Ricardo Almeida, esteve na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 20/03, para conversar com os alunos e dar algumas dicas para quem quer trabalhar com jornalismo de moda.

Se você acha que ela veio falar sobre como fazer o look do dia, apenas pare!

Questionadora, Andreia começou sua palestra explicando que ser jornalista de moda vai muito além de escrever sobre looks e tirar selfies com estilistas famosos em eventos como a São Paulo Fashion Week. Para ela, a moda precisa ser pensada como parte da cultura e ser noticiada com olhos críticos. Segundo a jornalista, a moda de rua, por exemplo, também conhecida como street style, é um reflexo do comportamento da sociedade.

Andreia também ressaltou que as revistas de moda, as campanhas e os desfiles normalmente antecipam comportamentos futuros da sociedade. Destacou que a temática das mulheres trans, por exemplo, que já é pauta antiga no mundo da moda (basta lembrar da capa da Vanity Fair, com Catilyn Jenner), hoje está em destaque na grande mídia. Também lembrou do debate presente hoje na sociedade acerca do respeito a diferentes estilos de corpo, que também foi iniciado na moda. Citou o caso das modelos plus size que apareceram nas capas da Vogue Itália, em 2011, e da Elle Brasil, em 2015. “Só agora as modelos plus size aparecem na capa da revista Veja São Paulo, que é um veículo da grande imprensa. Elas apareceram antes nas mídias de moda”, argumentou.

O feminismo também é uma pauta contemplada pela moda, de acordo com Andreia. Ela enfatizou o pioneirismo de Karl Lagerfeld, por exemplo, no desfile-protesto da Chanel em 2014, quando diversas modelos, inclusive Gisele Bündchen, encenaram uma manifestação feminista.

“Além disso, a moda se relaciona o tempo todo com outras seções do jornal,  como Política ou Economia. Ela está ligada a diversas outras áreas”, disse a jornalista.

Para Andreia, para seguir no jornalismo de moda é preciso primeiro tirar a visão de glamour da área. É preciso expandir os olhares e conseguir relacionar a moda com diversas áreas, além da roupa. É necessário muito estudo da história, do comportamento social, saber um pouco de tudo para conseguir relacionar tudo com a indumentária, que normalmente diz muito sobre as pessoas e suas características. Um bom exemplo dado por Andreia foi o terno usado na posse do presidente norte-americano Donald Trump. “Foi  um terno de uma marca italiana super tradicional… Diz muito a respeito do sujeito, não?!”, enfatizou Andreia.

Outras dicas bastantes valiosas são: conseguir identificar o nicho do veículo que você escreve ou quer escrever, já que cada um consome e vende moda de um jeito; estudar as marcas e o impacto que elas trouxeram para a sociedade ao longo da sua história e, por fim, mergulhar e se envolver completamente com o tema.

*Júlia Mello é minha aluna de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ela escreve como colaboradora aqui no Formando Focas.

 

Aprenda a criar um blog jornalístico

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Crédito: Pixabay

*Patrícia Paixão
Segundo o “Patrícia Paixão Instituto de Pesquisa”, três a cada cinco alunos de jornalismo pensam em criar um blog como plataforma para divulgação dos seus textos.

A ideia é ótima e tem mais é que ser implementada. Quem dera na minha época de estudante ter a chance de não depender de um empregador para divulgar minhas matérias a um amplo público, incluindo leitores de outros países, e a um custo praticamente nulo.

A grande questão é que hoje todo mundo tem blog e você, como costuma dizer sua mãe (risos), não é todo mundo. Você é jornalista ou está estudando pra ser um.

Se você digitar a palavra “blog” no nosso querido oráculo Google, verá que aparecerão mais de  6.950.000.000 resultados. Descontando os textos que discutem sobre o assunto, como este, boa parte dos endereços refere-se aos blogs propriamente ditos.

É muita gente com páginas de conteúdo relevante e confiável, mas também uma porrrrrrrrrada de cidadãos com blogs que trazem mais do mesmo e erros de informação.

Hoje, com todos os internautas sendo ao mesmo tempo emissores e receptores das mensagens, espera-se de nós, jornalistas, um conteúdo inovador e bem-apurado, com credibilidade.

E como garantir o sucesso do seu blog, transformando-o em uma fonte jornalística de referência, diante de tantos e tantos blogs presentes na web?

Faça um check list nas dicas abaixo para saber se você está no caminho certo:

*Aposte na segmentação: 
A segmentação é uma tendência cada vez mais forte no meio jornalístico, e a internet é um excelente meio para isso, pois permite a conversa com um público específico. Blogueiros que tratam de diferentes assuntos (desde o jogo do Corinthians contra o São Paulo à operação Lava Jato) tendem a ser esquecidos no mar de páginas da web. Poucas pessoas (com exceção dos seus amigos e familiares) vão se interessar em saber sobre a sua opinião a respeito de diferentes assuntos, a não ser que você seja uma celebridade. As pessoas buscam informações na web que sejam úteis para assuntos que lhes interessam. E na internet tem gente aficionada nos mais diversos assuntos, de mitologia grega a unhas artísticas. Aposte numa temática para o seu blog, preferencialmente um assunto que você entenda e goste bastante. Procure pesquisar o máximo possível sobre aquele tema e tente oferecer, na maior parte das vezes, conteúdos exclusivos aos seus leitores. Se você é fã de quadrinhos, por exemplo, monte um blog que buscará trazer informações relevantes sobre o que acontece neste universo, transformando-se em uma das principais fontes de informação sobre o assunto. Você verá que logo logo as pessoas que se interessam por aquele tema vão começar a recomendar sua página para seus pares.

*Crie um nome interessante
A menos que você seja conhecido, evite usar o seu nome como domínio do blog. Faça um brainstorming (a famosa tempestade de ideias), colocando no papel diferentes sugestões de nomes que sejam atrativas e criativas. Depois, procure algumas pessoas que fazem parte do seu público-alvo e peça a ajuda delas para escolher o nome mais adequado. É importante que o nome selecionado tenha a ver com o tema escolhido para o blog e/ou com o público-alvo. Isso fará com que sua página seja mais facilmente encontrada na busca do Google, por pessoas que gostam daquela temática. Exemplo, o meu blog se chama “Formando Focas” e é voltado a estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados. “Focas” é o termo convencionalmente utilizado para definir o público do meu blog. Portanto, as pessoas que são focas ou pesquisam sobre “focas” no Google certamente se sentirão atraídas pela minha página.

*Elabore uma identidade visual
Imagem é tudo, inclusive na web. Existem diversas plataformas gratuitas na internet para a criação de blogs. Escolha em uma delas um template interessante, atrativo e organizado, preferencialmente algo que combine com a sua temática e seu público-alvo. Opte por um layout que possa oferecer uma experiência de leitura agradável ao leitor. Cuidado com fundos pretos e azul escuro, que podem dificultar a leitura ou mesmo templates muito poluídos. Na minha opinião, quanto mais clean melhor. No cabeçalho, tente colocar um logotipo seu, que seja sua identidade. Tenha um menu com as seções do seu blog bem dispostas. Exemplo: entrevistas, reportagens, artigos, dicas. Sim, é importante que você crie essas seções. Isso ajudará o leitor a entender os diferentes tipos de conteúdo que você disponibiliza na sua página.

*Invista em reportagens e entrevistas
Nada pode irritar mais no momento de pesquisar uma informação na web do que encontrar o famoso “blog achismo”. Sabe aquela página em que a pessoa escreve textos que são mera opinião de boteco, como se tivesse o respaldo de um Elio Gaspari ou outro articulista com dezenas de anos de carreira para emitir aquela opinião? Conforme já dito, o público quer informação exclusiva e que venha de fontes com respaldo. Por isso, aposte em reportagens que tragam especialistas sobre aquele assunto, pessoas que são admiradas pelo seu universo de leitores. O mesmo vale para o gênero entrevista pingue-pongue. Faça pingues com celebridades naquela temática que você está abordando. A audiência da sua página certamente irá bombar. Pensa numa página sobre MPB, por exemplo, que traz uma entrevista exclusiva com Chico Buarque, furando lindamente toda grande imprensa. Sacou? 😉 Além disso, se você é jornalista, a reportagem e a entrevista PRECISAM ser seu diferencial em relação a blogueiros de outras áreas. Não abra mão disso! Hoje há muitos blogueiros que furam a grande imprensa com entrevistas e reportagens. Isso está ao alcance de qualquer jornalista. Basta um pouco de tesão e amor pela profissão. Sei que tem especialista bam bam bam que vai dizer que o blog não tem a obrigação de trazer reportagem, mas, no caso do blog jornalístico, considero esse diferencial obrigatório.

*Preste serviço!
Invista em textos que procurem oferecer dicas e os famosos “passo a passo”, especialmente no formato de tópicos, como este que você está lendo. A internet tem essa característica de prestação de serviço, de trazer conteúdos que ajudam as pessoas a entenderem e a resolverem os mais diferentes problemas. Pesquise quais dicas e serviços são pertinentes para o seu público-alvo e mãos à obra.

*Use a linguagem adequada
Cada meio de comunicação exige um determinado tipo de linguagem. Em blogs, normalmente é utilizada uma linguagem bem mais informal, quase que pessoal (com pitadas do estilo do blogueiro), do que a empregada na grande imprensa. Usar uma linguagem formal em um blog seria como usar um vestido social ou um terno num passeio no Parque do Ibirapuera. O público-alvo também influencia no modo como os textos são escritos. Numa página com a temática de moda, por exemplo, é importante o uso de jargões e expressões típicas da área.

* Respeite a Língua Portuguesa
Erros gramaticais podem colocar em xeque a credibilidade do seu blog. Como confiar num conteúdo escrito fora dos padrões da norma culta da Língua Portuguesa? Revise sempre e várias vezes os textos antes de postá-los. Todos temos problemas com a nossa Língua, que é bastante complexa, mas isso não pode ser uma desculpa para os erros. Por sermos jornalistas, costumamos ser bem mais cobrados pelo público nesse sentido.

*Empregue o hipertexto e o formato multimídia
O ambiente web exige um formato de texto hiperlinkado, que interaja com diversos outros textos, levando o internauta a diferentes complementos de leitura. Portanto, quando montar sua reportagem para o blog, crie hiperlinks no meio do texto que levem o leitor para outras páginas, onde ele poderá se aprofundar em tópicos interessantes abordados ao longo da matéria. A internet hoje também se diferencia dos outros meios pela convergência midiática (vídeo, áudio, fotos, tudo no mesmo veículo). Por isso, ao produzir uma reportagem ou entrevista para o seu blog, tente colocar um vídeo ou podcast que complemente o conteúdo escrito ou mesmo uma galeria de imagens, com várias cenas do conteúdo abordado.

*Atualize com frequência
Esse é um ponto bastante importante. De nada adianta você criar um belo blog, se você não for atualizá-lo com frequência. O leitor entrará uma, duas, três vezes e, ao notar que o conteúdo permanece o mesmo, acabará esquecendo da sua página. Para criar uma fidelização com o público é importante ter sempre conteúdo novo. O ideal seria você atualizar seu blog todo dia, mas, se não conseguir, tente colocar algo relevante nele pelo menos três vezes por semana. Uma dica é cadastrar o seu blog como “veículo jornalístico” em empresas como o Comunique-se ou o Maxpress que fornecem mailing list (lista de contatos de jornalistas) às assessorias de imprensa. Se você fizer isso, passará a receber das assessorias de imprensa (que verão no seu blog um canal de divulgação) informações sobre eventos e outras atividades importantes que estão acontecendo sobre o assunto abordado na sua página e, assim, terá mais conteúdo para colocar no blog. Exemplo, hoje no Formando Focas recebo releases (textos jornalísticos divulgados pelas assessorias de imprensa) sobre eventos na área de jornalismo. Esses releases muitas vezes me dão ideias de conteúdo para o blog.

*Crie uma página no Facebook e um perfil no Twitter
Depois que você estiver com o blog 100%, com todas as dicas anteriores seguidas, crie uma página no Facebook e um perfil no Twitter para ele. O Facebook, em especial, será excelente para projetar seu blog para pessoas do público-alvo que você escolheu (lá é possível divulgar o seu site, fazendo uso da segmentação – você escolhe a idade, o gênero e interesses do público). Você pode impulsionar, a um preço bem baixo, aquelas postagens do seu blog que considerar mais importantes e, com isso, irá atrair muitas curtidas e seguidores. No Facebook você pode até colocar mais posts que no blog. Aliás, não só pode como deve, já que essa rede exige uma atualização ainda mais constante. O mesmo vale para o Twitter. Busque links de interesse do público do seu blog e bora compartilhar nessa mídia social. Sempre que possível, tente usar como raiz desses links o seu blog, para levar o público para a sua página. No Facebook, você ainda poderá fazer transmissões ao vivo, oferecendo dicas e discutindo assuntos interessantes com o seu público-alvo. Isso estreitará bastante o contato com os seus fãs e seguidores. É muito legal!

Fez o check list? Então, bora arrasar como blogueiro-repórter 🙂
OBS: Texto publicado anteriormente em 17/11/2016, no portal IMPRENSA, no qual sou colunista.

Curso imperdível de assessoria de imprensa com Gilberto Lorenzon

 

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Crédto: Arquivo Pessoal de Gilberto Lorenzon

*Patrícia Paixão

Quem segue o Formando Focas sabe que aqui neste espaço eu só compartilho cursos em que realmente acredito; aqueles que podem verdadeiramente agregar conhecimento, técnicas e estratégias importantes aos estudantes de jornalismo.

Pois bem. Estou aqui para recomendar MUITO o curso “Assessoria de Imprensa no Ambiente Corporativo: com Gestão de Crise e Media Training”, do querido colega Gilberto Lorenzon, que simplesmente é uma das maiores referências no assunto, não só no ambiente acadêmico como no mercado.

Seu currículo?

Foi professor em instituições de ensino respeitadas, como Cásper Líbero, Belas Artes, Metodista, Senac e Uninove. Foi assessor de imprensa da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). É ainda autor, com Alberto Mawakdiye, do livro “Manual de Assessoria de Imprensa”, da editora Mantiqueira.

Isso sem contar no ser humano maravilhoso, que encanta a todos pela sua humildade.

A temática do curso é mais do que necessária. A área de assessoria de imprensa, já há algum tempo, é a que mais absorve os jornalistas, ainda mais com o cenário de enxugamento das redações, que temos presenciado. É também uma área que remunera melhor que a redação.

Dominar todas as ferramentas dessa atividade jornalística, sabendo utilizá-las com estratégia, é fundamental nos dias de hoje, até porque a tendência de crescimento nesse mercado é grande. Todos os tipos de organização  – startups, corporações públicas e privadas, ONGs (além de pessoas físicas ilustres, como artistas e jogadores de futebol) – precisam de um assessor de imprensa, nesse momento em que informações corporativas ou pessoais (de cunho positivo ou negativo) se disseminam na internet, alavancando ou acabando com a imagem da organização ou de uma pessoa no país e até no mundo.

O curso do colega Gilberto Lorezon vai acontecer na Universidade Presbiteriana Mackenzie em apenas cinco datas (28/3; 30/3; 04/4; 06/4 e 11/4 de 2017), das 14h às 17h.

O participante terá uma visão global das ferramentas clássicas de assessoria e aprenderá a fazer a prospecção de espaços e atendimento à imprensa. A grade do curso ainda contempla Media Training e Gestão de Crise, incluindo o case do Airbus 320 da TAM, maior acidente da aviação brasileira.

As inscrições já estão abertas e a programação completa do curso e os valores estão disponíveis aqui.

Serviço

“Assessoria de Imprensa no Ambiente Corporativo: com Gestão de Crise e Media Training”

Período: 28/3; 30/3; 04/4; 06/4 e 11/4 de 2017. Terças e Quintas das 14h às 17h.
Local: Universidade Mackenzie, rua Consolação, 930 (metrô República)

Inscrições: (11) 2114-8821 ou  cursos.extensao@mackenzie.br
Certificado: Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo

 Corra e garanta a sua inscrição 🙂 

Conheça os principais jargões da área jornalística

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*Patrícia Paixão

Toda área tem sua sopa de letrinhas e a jornalística não é diferente.  Agora que você está decidido a seguir essa que é a melhor profissão do mundo, que tal conhecer as principais expressões, termos e jargões da área?

Estar por dentro da “língua jornalística” é importante até mesmo na hora de tentar um estágio. O empregador pode citar termos propositalmente para ver se você sabe sobre o que ele está falando, ou seja, se é um cara antenado na área.

Preparei um compilado legal, com base na minha experiência pessoal e em informações presentes no Manual de Redação da Folha de S.Paulo (minha antiga casa) e nos sites Casa dos Focas e Coisas de Jornalista. Confira!

Abre: matéria principal de uma página, texto que abre a página, no alto dela.

Aspas: declaração de uma fonte que aparece na matéria jornalística entre aspas.

Barriga: matéria com informação falsa.

Box: texto menor que aparece entre fios ou dentro de uma caixa, complementando uma matéria maior. Normalmente traz um fato histórico ou uma curiosidade.

Cabeça: região superior de uma página, onde vai o nome da editoria. Ver logo mais editoria (seção).

Cabeçalho: Área superior da capa de uma publicação, onde constam informações como nome da publicação, ano, edição e data.

Caderno:  Cada uma das editorias (seções) de um jornal. Trata-se de um conjunto impresso formado por no mínimo quatro páginas.

Calhau: é um anúncio do próprio jornal utilizado para cobrir um espaço não utilizado na página.

Cartola: uma ou mais palavras usadas sobre o título da reportagem, para definir o assunto do texto; também chamada de “retranca” ou “chapéu”.

Chamada: frases ou textos pequenos usados na capa da publicação, chamando o leitor para as páginas interiores.

Chapa: material metálico usado como matriz para imprimir o jornal. É coberto por uma película fotossensível queimada com a ajuda de um fotolito, revelada e instalada nas rotativas. Sobre ela se aplica tinta para a impressão. Usa-se uma chapa para cada uma das cores básica – Cyan, Magenta, Amarelo e Preto.

Chapéu: palavra ou palavras utilizadas acima do título da matéria para definir o assunto dela.

Chefe de reportagem: profissional que coordena os repórteres, determinando o que estes devem fazer. Nos organogramas das redações esse cargo vem sendo substituído pelo editor-assistente, que é responsável pela produção das reportagens.

Clichê: o mesmo que edição. Termo herdado dos primórdios do jornalismo. Para cada página de jornal era usado um clichê, um suporte metálico onde eram dispostos os tipos metálicos manualmente, formando frases e colunas. Antes da difusão do rádio e da televisão, os jornais tiravam várias edições atualizando o material publicado. Hoje, costuma-se fazer um segundo ou terceiro clichê para atualizar matérias importantes depois do horário de fechamento do jornal.

Clipping: serviço de levantamento, coleção e fornecimento de recortes de jornais e revistas ou cópias de emissões de televisão ou rádio. O clipping pode ser restrito aos interesses imediatos da empresa ou mais amplo. Em geral, é feito por empresas especializadas.

Cobertura: atividade do repórter ou equipe de reportagem no local de um acontecimento, acompanhando seu desdobramento.

Coluna: seção de jornal ou revista, assinada ou não, tratando de temas ligados à editoria ou seção. Podemos encontrar colunas nas seções ou editoriais de política, economia, artes, agricultura, esportes, etc. Muitas vezes, uma nota numa coluna de prestígio repercute mais do que uma reportagem no mesmo veículo.

Colunista: o responsável pela coluna.

Copydesk ou copidesque: termo importado dos Estados Unidos por Pompeu de Souza durante a reforma do Diário Carioca. Na época poucos repórteres escreviam a matéria. Eles chegavam e ditavam o texto para o editor. Pompeu obrigou-os a escrever. Para transformar o texto incompreensível dos repórteres em algo legível existia uma Mesa de Textos (Copy Desk em inglês) com os melhores redatores do Diário Carioca. O termo incorporou-se à linguagem jornalística como sinônimo de redator. E já não existe quase mais. O repórter hoje e quem revisa seus textos.

Copyright: são os direitos reservados ao autor de uma obra ou a quem comprou os direitos do autor. As fotos também têm seus direitos reservados.

Cortar pelo pé: encurtar a matéria, eliminando as informações do final do texto que, no modelo de estruturação da pirâmide invertida, são as menos importantes.

Crédito: assinatura usada em foto ou para marcar material produzido por agência ou outra publicação.

Cruzar informação: significa confrontar informação originária de determinada fonte com uma fonte independente. Assim, cruzar comum a fonte significa possuir duas origens para uma informação. Cruzar com duas fontes, três. Qualquer informação de cuja veracidade não se tenha certeza deve ser cruzada.

Deadline: último prazo para que uma edição seja fechada ou que uma reportagem seja concluída.

Diagramação: adequação dos textos, desenhos, gráficos e fotos numa página, de acordo com os padrões visuais da publicação.

Editar: retoques finais na matéria, deixando-a pronta para ser impressa ou emitida nos padrões do veículo.

Editor: é o jornalista que chefia um grupo de jornalistas que compõem uma Editoria.

Editor-chefe: é o jornalista que chefia a Redação do jornal.

Editoria: seção especializada em determinado setor (esporte, polícia, arte, meio ambiente e etc).

Editorial: texto com a opinião da publicação. Não vem assinado e, geralmente, localiza-se diariamente na 2ª ou 3ª página do jornal.

Enquete: pequenas entrevistas para levantar a opinião da comunidade.

Enxugar: resumir um texto. Cada vez mais as publicações exigem que os textos sejam mais concisos, que não desencoraje a leitura. Às vezes também é preciso enxugar para caber na página diagramada.

Escalada: São as manchetes do telejornal, sempre no início de cada edição.

Espelho: é a previsão do que vai ser publicado em uma página com a inclusão dos anúncios. Não confundir com diagrama. O espelho é feito pelo departamento comercial da editora conforme a previsão do número de páginas pela redação.

Expediente: quadro com os dados gerais da publicação. Consta obrigatoriamente a relação de diretores e editores-chefes e endereços.

Feature: gênero jornalístico que vai além do caráter factual e imediato da notícia. Opõe-se a “hard news”, que é o relato objetivo de fatos relevantes para a vida política, econômica e cotidiana. Um “feature” aprofunda o assunto e busca uma dimensão mais atemporal. Define-se pela forma, não pelo assunto tratado. Pode ser um perfil, uma história de interesse humano, uma entrevista.

Fechamento: etapa do processo de edição em que os trabalhos são encerrados. Depois do fechamento não há mais revisão do texto e a edição é enviada para a gráfica.

Foca: jornalista iniciante.

Follow-up: lembrete ou reforço de pauta, por telefone ou contato pessoal.

Fonte: pessoa que dá origem a uma informação ao veículo, por iniciativa própria ou por solicitação do jornalista. Existem também fontes bibliográficas e documentais.

Foto-legenda: pequena matéria, de no máximo 20 linhas, usada para explicar ou destacar foto.

Furo: matéria jornalística exclusiva de grande repercussão.

Gancho: característica/informação que faz um fato ter um potencial jornalístico para publicação.

Hard news: jornalismo factual, diário, aquele que é voltado a cobrir os acontecimentos do dia, fatos “quentes”.

Iceberg: texto que começa na primeira página e prossegue em páginas internas.

Intertítulo: pequenos títulos colocados no meio do texto. Esse artifício é usado para tornar o texto menos denso e para organizá-lo.

Infográfico: artifício gráfico que envolve imagem e pequenas informações de texto que se complementam.

Informe publicitário: anúncio pago com aspecto jornalístico ou reprodução paga de artigo ou reportagem.

Jabaculê ou jabá: dinheiro ou presente ao jornalista.

Lead ou Lide: abertura de matéria tradicional, que segue a fórmula da pirâmide invertida. Precisa responder às seguintes perguntas: Quem, quando, onde, porque e de que maneira.

Legenda: linha de texto colocada sob a foto. Artifício adicional para destacar o tema da matéria.

Lidão: texto de até 60 linhas usado em reportagens para coordenar matérias diversas sobre um mesmo tema.

Linha de tempo: dados dispostos em ordem cronológica com fotos e ilustrações. Podem ser colocados na página vertical ou horizontalmente.

Linha-fina: o mesmo que subtítulo ou sutiã. Frase que aparece abaixo do título, em corpo menor, complementando-o.

Mailing: listagem de nomes e endereços.

Manchete: é o título principal que indica a notícia mais importante do jornal. Existe a manchete principal do jornal (na primeira página) assim como a manchete de cada caderno, seção ou página. Onde encontrar a manchete é sempre aquela que vier graficamente com maior destaque, ou que tiver letras mais carregadas na tinta.

Matéria: texto preparado jornalisticamente.

Matéria de gaveta: aquela matéria que espera a ocasião oportuna para ser publicada.

Matéria fria: matéria que independe de sua atualidade para ser publicada.

Memória: texto preparado jornalisticamente lembrando antecedentes do fato.

Nariz de cera: introdução vaga, sem necessidade, que retarda a entrada na informação principal do texto.

Notícia: registro dos fatos, de informações de interesse jornalístico, sem comentários. os famosos critérios de noticiabilidade determinam a publicação de uma notícia, já que embora toda notícia é um fato, nem todo fato é uma notícia: o caráter inédito; o impacto que exerce sobre as pessoas e sobre sua vida; a curiosidade que desperta; a imprevisibilidade e improbabilidade do fato, dentre outros.

Nota oficial: documento impresso com a opinião de uma determinada fonte.

Nota ou balaio: texto curto usado em colunas. Pequeno texto referente a um assunto que irá acontecer e responde a três questões básicas para compreensão: que, quem, quando.

Off: declaração dada sob compromisso de não revelar a fonte.

Olho: frase destacada sob o título ou no meio de uma matéria.

On: declaração sem impedimento de revelar a fonte.

Passaralho: demissão em massa de jornalistas de uma redação.

Pauta: é uma proposta de reportagem que é entregue para o repórter para ser executada. A pauta normalmente indica a pessoa que deve ser entrevistada, local, horário e até mesmo o tamanho da reportagem que deve ser produzida. A pauta também deve indicar os temas principais que devem ser abordados no texto. Nos jornais, a pauta é feita através de reuniões de pauta, onde editor, redator-chefe e repórter sugerem pautas para que matérias sejam produzidas.

Pé da matéria: é o final do texto. Todo repórter deve ter em mente que se o texto for reduzido, as últimas linhas serão eliminadas. Cortar pelo pé significa retirar os últimos parágrafos sem se preocupar com a qualidade da informação contida no texto.

Pescoção: trabalhar durante a noite e a madrugada para antecipar material de fim de semana.

Pingue-pongue: entrevista com uma personalidade ou alguém que presenciou um fato relevante. É editada na forma de perguntas e respostas, após o título e um texto introdutório sobre o entrevistado e/ou o assunto da entrevista.

Pirâmide invertida: técnica de estruturação do texto típica do jornalismo diário, que traz as informações em ordem decrescente de importância, da mais importante para a menos importante.

Plantar: publicar informação com outro objetivo que não de informar. Geralmente atende a lobby ou a interesses pessoais.

Povo Fala ou Fala Povo: enquete com populares sobre determinado assunto (veja enquete)

Press release: texto preparado por uma assessoria de imprensa, destacando uma ação ou um produto que uma pessoa ou instituição deseja divulgar; é encaminhado aos veículos jornalísticos com o objetivo de colocar essa pessoa ou instituição na mídia.

Projeto Editorial: Planejamento do conteúdo de uma publicação, incluindo a projeção do seu nome, linguagem, suas editorias (seções),  seu manual de redação, com as regras sobre como devem ser escritos os textos da publicação, periodicidade, tiragem, dentre outros tópicos.

Projeto Gráfico: Planejamento gráfico da publicação, com as diretrizes do seu layout e regras sobre como os textos e as imagens devem ser diagramados.

Reco: matéria recomendada pelos superiores.

Redator: jornalista especializado em rever o texto do repórter e em preparar títulos e legendas. Na nova concepção de jornalismo, o profissional não se especializa mais em uma determinada área da produção de texto e edição.

Repercutir ou repercute: prosseguir num assunto do próprio jornal ou de outro. Veja suíte.

Reportagem: matéria que envolve entrevista com diferentes fontes, incluindo especialistas, e oferece um aprofundamento maior do fato.

Retranca: palavra que identifica um texto. “Samba” pode ser uma retranca que identifica um texto sobre as escolas de samba. O ideal é que a retranca tenha uma só palavra.

Seção: sinônimo de editoria ou coluna de opinião ou nota.

Selo: recurso gráfico que marca uma reportagem uma série de reportagens. É muito comum seu uso em série de reportagens. Normalmente é composto por uma pequena expressão e um desenho que se repete. Por exemplo: “Crise no INSS” pode ser acompanhado de um desenho de uma maca. Todo texto que se refira ao assunto é acompanhado desse selo.

Side: termo usado para designar um outro lado da reportagem. São assuntos paralelos que se publicam nos sides. Um texto sobre um jogo de futebol pode trazer um side com o jogador que teve o melhor desempenho na partida.

Soft News: jornalismo que trabalha com notícias mais leves e frias, normalmente envolvendo saúde, comportamento, entretenimento, etc.

Standard: amanho padrão dos jornais. Mede 54 x 33,5 cm. O único caso no Brasil de jornal que conseguiu sucesso sem ser standard é o Zero Hora, de Porto Alegre, publicado em tamanho tabloide. O tamanho tabloide é a metade do standard.

Stand by:  textos que podem ser publicados em qualquer época. Também são conhecidos como textos de “gaveta”. Um texto que mostre os planos da empresa IBM para o Brasil, por exemplo, pode ser publicado em qualquer época (claro que sem exagero. Esse texto não pode ser publicado um ano depois de ser escrito, mas pode muito bem ser publicado duas semanas depois de ter sido escrito).

Sub: matéria coordenada com a principal da página; título informal usado pelo sub-editor.

Sublead ou sublide: parágrafo colado ao lead da matéria.

Suíte: do francês suíte, isto é, série, sequência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior. Também se usa o verbo suitar no sentido de repercutir.

Suplemento: caderno adicional ao material principal do jornal.

Tabloide: formato de jornal igual à metade da página do jornal standard.

Template: modelo de página, dentro do projeto gráfico, que serve para iniciar o processo de diagramação.

Título: frase usada no alto da matéria para chamar a atenção do leitor (veja manchete).

Toques: número limite de letras, espaços em branco e sinais ortográficos capazes de caber numa linha de título, legenda, sutiã ou olho.

Vazado: texto claro colocado sobre fundo escuro.

Vazamento: informação que escapa ao controle da fonte responsável pelo seu sigilo e chega aos meios de comunicação. Às vezes, é do interesse da fonte “vazar” a informação.

Vender a pauta: sugerir determinado tema ao editor.

Fontes: Arquivo pessoal/Manual de Redação da Folha de S.Paulo/Casa dos Focas/Coisas de Jornalista

 

Os horrores da “cidade dos loucos”

 

holocausto

*Por Pablo de Oliveira

A “cidade das rosas”. Assim é conhecida Barbacena (MG), que se destaca pela produção de flores, uma atividade econômica de suma importância para o município, que tem cerca de 130.000 habitantes.  E não são só as rosas que chamam a atenção lá. A mente humana e seus dilemas também despertam o interesse do povo daquela localidade mineira, que concentra um grande número de hospitais psiquiátricos.

Tendo por base a ideia de que o clima ameno da cidade favorecia o tratamento dos doentes mentais, ergueu-se lá várias instituições para cuidar deles. E é sobre uma delas que nasceu a obra da repórter Daniela Arbex. O livro “Holocausto brasileiro”, lançado pela Geração Editorial, em 2013, tem 255 páginas e rendeu à autora o prêmio Jabuti (56a edição) em 2014.
Fruto de uma longa reportagem, marcada pela apuração detalhada, a obra aborda a situação das pessoas internadas no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, o Hospital Colônia.

Daniela Arbex ouviu testemunhos de funcionários, médicos e ex-pacientes que sobreviveram às más práticas médicas registradas no maior hospício do Brasil. Foram mais de 100 entrevistas realizadas, depois da série de reportagens publicada no jornal Tribuna de Minas. Todas elas permitiram a construção de uma história que revela o genocídio entre os muros daquele manicômio: 60.000 mortes é o saldo do que se pode chamar de holocausto.

Os depoimentos coletados apontam que epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, meninas violentadas por seus patrões e esposas traídas eram internadas no Colônia. Setenta por cento das pessoas não tinham diagnóstico de doença mental. Incomodar alguém poderoso, contrariar um parente, ser tímido ou demonstrar tristeza poderia significar décadas de encarceramento.

Confinados em uma instituição localizada na Serra da Mantiqueira, seres humanos de diversas idades sofriam maus-tratos igualmente variados. Água e comida escassas, pouca roupa para vestir, corpos expostos ao frio. Sofrimento imposto a gente vulnerável, que morria de fome e de hipotermia.

Outra ameaça aos internos era a eletroconvulsoterapia. Os choques, aplicados como forma de punição àqueles que contrariavam padrões sociais ou fugiam das normas ditadas pela sociedade em que viviam, incidiam sobre corpos muitas vezes esquálidos.

Depois de mortos, os indivíduos, surpreendentemente, tinham valor. Cadáveres eram vendidos para faculdades de medicina, auxiliando acadêmicos no estudo da anatomia humana, mesmo sem a autorização dos familiares para que isso fosse feito.

Sob a tutela do Estado e com a concordância de médicos e demais profissionais da saúde, milhares de pessoas engrossaram a lista de violações de direitos humanos. Lista gigantesca, que exigia a chegada da tão distante humanização da psiquiatria brasileira.

No catálogo de atrocidades, estão casos como o de Antônio Gomes da Silva, levado ao Colônia quando tinha 25 anos de idade. O alcoolismo foi a justificativa para os 34 anos de reclusão a que foi submetido. Privado do convívio social, passou mais de três décadas no que chamou de “inferno”.

À semelhança dos campos de concentração nazistas, o Colônia abrigou a barbárie: indivíduos comendo ratos, bebendo a própria urina, abandonados à própria sorte. As fotos que ilustram o livro comprovam, duramente, as cenas descritas.

“Holocausto brasileiro” tem texto bem escrito, minucioso, e envolvente o suficiente para prender a atenção do leitor, fazendo-o devorar página por página, em poucas horas.

Parte importante da nossa história está documentada em uma obra que aborda temas como a política de saúde pública e a exclusão social. Assuntos que colocam em evidência problemas graves de uma sociedade muitas vezes omissa diante das tragédias por ela enfrentadas.

*Pablo é meu aluno do 2º semestre de Jornalismo do campus Centro-Mooca da Universidade Anhembi Morumbi. Ele escreve em caráter colaborativo para o Formando Focas.