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Fruto de um TCC, livro resgata a trajetória do repórter Gérson de Souza

livro

*Patrícia Paixão

Ele fez matérias invejáveis pelos cinco continentes do mundo. Esteve em lugares fascinantes, desconhecidos da mídia nacional e internacional, como Papua do Oeste, na parte ocidental da Ilha de Nova Guiné, onde comandou uma grande reportagem com os “korowai batu” – um povo que, comprovadamente, praticou o canibalismo durante décadas e que vive em grandes árvores.

Sem a maquiagem e figurino típicos de um repórter de TV, e com um jeito simples, simpático e caloroso, Gérson parece causar uma espécie de “encantamento” nas fontes. Em poucos minutos de conversa, seus entrevistados já estão abrindo as portas de casa, contando “causos” de seu cotidiano e convidando o jornalista para provar pratos e bebidas típicas e exóticas.

Repórter especial da Rede Record, o jornalista teve seus quase 40 anos de profissão retratados em um “livro-reportagem biografia” escrito pelo jornalista André Guimarães. A obra, fruto do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo de André, aborda toda a trajetória do jornalista,  dos seus primeiros passos, em uma emissora pequena de Pederneiras (interior de São Paulo), às viagens pelos cinco continentes do mundo, pela Rede Record.

O livro foi lançado em 2014, com grande repercussão na mídia. A obra,  permeada por documentos e registros fotográficos da carreira do repórter, conta com o prefácio de Neusa Rocha, uma das principais diretoras da TV brasileira.

Trata-se de uma excelente dica de leitura e um belíssimo exemplo de TCC, do qual tenho imenso orgulho de ter sido orientadora.

Saiba mais sobre os bastidores de produção da obra, nesta entrevista com André Guimarães.

André

André Guimarães

Como surgiu a ideia de biografar Gérson de Souza? Por que ele e não outro repórter?

André Guimarães: A ideia surgiu após o lançamento do livro “Mestres da Reportagem” [em 2012], do qual sou coautor.  Gérson de Souza foi um dos repórteres que compareceram na noite de autógrafos, na Livraria da Vila do Shopping Higienópolis [São Paulo]. Conversamos por alguns minutos e trocamos o contato. Percebi que ele era bastante simpático e acessível. Comecei a pesquisar sobre ele e vi que não existia quase nada publicado sobre sua carreira. Constatei que Gérson tinha um extenso currículo, passando por diferentes mídias (rádio, jornal, assessoria de imprensa e TV), porém com muito pouco material divulgado, apenas um blog e sua página pessoal no Facebook.  Após conversar com a minha orientadora [Patrícia Paixão, responsável por este blog, o Formando Focas], propus ao Gérson a ideia de fazer um livro resgatando sua carreira. Ele concordou e disse: “é um grande desafio que envolverá muito trabalho, você tem certeza?” Eu disse que sim e o acordo para fazer o livro foi selado.

O livro é fruto de um TCC de Jornalismo. Quais são os desafios de escolher o “livro-reportagem” como mídia para um TCC? 

AG: Os desafios são o tempo, o planejamento e encontrar as pessoas que participaram da trajetória do biografado.  É uma corrida contra o tempo, mas o essencial é planejar cada detalhe, contando com contratempos. Não podemos esquecer ainda de que algumas pessoas podem não aceitar falar e teremos que entender e saber lidar com o ocorrido.

Que conselhos você dá para o estudante de jornalismo que pretende fazer como TCC um livro-reportagem?

AG: Primeiro fazer uma vasta pesquisa sobre o assunto ou pessoa a ser retratada e, segundo, um bom planejamento. Terceiro, se dedicar ao máximo, o tempo todo  Em alguns momentos precisará escolher entre ir a alguma festa ou ficar pesquisando, transcrevendo entrevistas, ou seja, fazer o que os outros não estarão fazendo nas horas vagas.

Ao todo, quantas entrevistas e quantos lugares você conheceu para escrever o livro?

AG: Foram 65 entrevistados, entre São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Jaú, Pederneiras, São Bernardo do Campo e Caieiras.

Qual foi o lado mais complicado de fazer essa obra?

AG: Conseguir a entrevista de alguns jornalistas que se julgam melhores que outros, a compilação de dados e a transcrição das entrevistas, já que foram vários entrevistados.

E o mais gratificante?

AG: A emoção, a experiência que obtive durante as entrevistas de ser recebido por grandes nomes do jornalismo brasileiro em suas casas, seus departamentos de trabalho, e os comentários de alguns entrevistados de que Gérson de Souza é um repórter em extinção. E foi exatamente por isso que dei esse nome ao livro.

NÓS

André Guimarães, Patricia Paixão e Gérson de Souza, no lançamento do livro

Como o Gérson recebeu a proposta de ser biografado?

AG: A princípio eu não consegui falar com ele, falei com a esposa, Elaine dos Santos. Ela disse que uma das filhas dele, que era jornalista, tinha um projeto de fazer um livro do pai, mas que falaria com o Gérson e qualquer coisa ele entraria em contato. Passados 15 dias [era sexta-feira – 15 de fevereiro de 2013], recebi uma ligação em meu celular.

Eu: Alô, quem fala?

Gérson de Souza: André Guimarães, aqui é o Gersinho do livro Mestres da Reportagem, tudo bem?

Eu: Gersinho?

Gérson de Souza: Sim, o Gérson de Souza!

Eu (ansioso, surpreso, coração acelerado): Ah! Oi, Gérson, o senhor está bem?

Gérson de Souza: Senhor não, por favor!

Eu: Tudo bem, desculpa. Em que posso ajudar?

Gérson de Souza: Minha esposa disse que você quer escrever um livro, uma biografia sobre mim.

Eu: Sim, verdade!

Gérson de Souza: Então é o seguinte, anote meu endereço, venha almoçar comigo domingo [17/02/2013], às 13h. Traga quem você quiser que conversaremos sobre o livro. Eu aceito.

Eu (lágrimas escorriam em minha face): Obrigado, muito obrigado. Vou falar com a professora Patrícia Paixão, e estarei em sua casa no horário combinado.

Eu fiquei muito emocionado e muito feliz com o aceite dele. Fomos eu, Patrícia Paixão e outro professor, o Carlos Monteiro, na casa dele no domingo. Gérson nos recebeu e disse: “Eu vou cozinhar pra vocês hoje, amo receber pessoas em minha casa e cozinhar pra elas”. Gérson falou 6 horas ininterruptamente. Começou dizendo que não tinha o contato de ninguém e que eu teria muito trabalho. Eu gravei a conversa e comecei as entrevistas. Foram sete meses de produção, todos os dias meu foco era o livro. Eu estudava pela manhã, fazia as entrevistas nos finais de semana, algumas durante a semana no período da tarde ou à noite, já que eu fazia estágio das 16h às 22h45.  Escrevia durante as madrugadas, aos sábados e domingos. Nos sábados, nas bibliotecas, aos domingos no Starbucks do centro de São Paulo, pois na faculdade ou onde eu morava não tinha como.

Ele interferiu no conteúdo do livro?

AG: Em momento algum, deu total liberdade para a produção. No início, decidimos que seria uma biografia profissional, focado na vida profissional dele. Este foi o combinado e assim foi feito.

Por que o leitor deve comprar o livro “Gérson de Souza: Um repórter em extinção”? O que ele vai descobrir sobre o Gérson que ele não sabe?

AG: Porque se trata de um repórter com vasta experiência em diversos veículos de comunicação, que possui uma linguagem simples e conquista as pessoas durante as reportagens. É um belo exemplo a ser seguido no jornalismo.

O leitor descobrirá que Gérson é a mesma pessoa, seja em casa, no trabalho ou com amigos, simples, o homem do calcanhar rachado, como ele mesmo se define.

SERVIÇO

O livro pode ser adquirido pelo site da Livraria Cultura (entregas em todo o Brasil), ao valor de R$ 44,90.

11º CONGRESSO DA ABRAJI: Caco Barcellos, Elvira Lobato, Alberto Dines, Fernando Rodrigues, André Caramante e Sérgio Dávilla estão entre os palestrantes

Abraji

*Patrícia Paixão

Vida de estudante de jornalismo não é fácil. É preciso muito jogo de cintura e economia para conseguir pagar a mensalidade da faculdade, transporte, alimentação, tirar xerox de textos, comprar os dezenas de livros recomendados pelos professores, além de tecnologias que ajudam no dia a dia da reportagem, como gravador de voz e câmera digital.

E os eventos?

Sim, eles também entram nas despesas. Há palestras, cursos, oficinas e workshops maravilhosos sobre a área e você terá que reservar uma graninha para eles.

Tá, eu sei que a coisa tá feia, mas, se você conseguiu juntar dinheiro para ir àquele show carérrimo da sua banda favorita (#EuSeiOqueVocêFeznoVerãoPassado rs), também precisa fazer um poupancinha para a profissão que ama.

E se tem um evento que é OBRIGATÓRIO e você simplesmente NÃO PODE PERDER (!!!) é o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que acontece nos dias 23, 24 e 25/06 em São Paulo, no campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi, instituição na qual tenho o grande prazer de lecionar 🙂

E por que o Congresso da Abraji é tão importante?

Primeiramente, porque é referência na área jornalística. Participar deste evento com certeza oferecerá um diferencial ao seu currículo, colaborando para que você conquiste uma possível vaga de estágio. Os empregadores do nosso mercado conhecem a importância deste congresso e o nível de convidados que participam dele.

Em segundo lugar, é uma excelente oportunidade para conhecer os bastidores de grandes reportagens e ficar por dentro de assuntos que são tendência na nossa profissão, por exemplo o jornalismo de dados.

Finalmente, é um evento maravilhoso para fazer networking e networking é TUUUUDO na nossa área. Você terá a oportunidade de interagir com grandes nomes do nosso jornalismo. Neste ano o congresso traz como palestrantes Caco Barcellos, Elvira Lobato (ela é a homenageada do evento), Juca Kfouri, André Caramante, Alberto Dines, Rubens Valente (responsável pelos furos de reportagem que estão incendiando o país neste momento: as gravações entre Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e os senadores peemedebistas Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney), Bruno Torturra, Leonardo Sakamoto, Adriana Carranca, Fernando Rodrigues, Sérgio Dávilla, dentre muitas outras feras.

Vários painéis acontecem ao mesmo tempo durante os três dias do evento. Você pode montar a sua própria grade, optando pelas palestras e cursos que mais te interessam. Confira aqui a programação completa do encontro.

Há ainda a chance de conhecer focas e jornalistas de todas as partes do Brasil, fazendo novas amizades e ampliando sua rede de contatos.

O investimento para estudantes de jornalismo é de R$ 310,00. Não é muito, considerando a quantidade de cursos e palestras que você encontrará à disposição no congresso.

Estudantes que são associados à Abraji pagam apenas R$ 215,00. Jornalistas formados associados à Abraji pagam R$ 300,00 e para os não associados o valor é R$ 490,00.

Eu estarei no congresso, acompanhando tudo de perto, e ficarei muito feliz em vê-lo por lá. Aos meus alunos, eu reforço: É OBRIGATÓRIO!!

Vambora?

SERVIÇO:

O quê: 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Quando: 23, 24 e 25/06

Onde: Universidade Anhembi Morumbi/ Campus Vila Olímpia – R: Casa do Ator, 275

Para obter mais informações sobre o evento:

Por email: congresso@abraji.org.br

Por telefone (de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h): (11) 3159-0344

 

 

 

Em evento gratuito, repórter especial da Folha discutirá cobertura sobre zica vírus

Zica
*Patrícia Paixão

Em tempos de tantas informações duvidosas envolvendo a relação entre o zica vírus e os casos de microcefalia, como fica a cobertura jornalística? O que fazer para se chegar mais próximo da verdade e evitar que sua reportagem estimule boatos e comportamentos alarmantes na população?

A repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo, Cláudia Collucci, especializada na cobertura de saúde, foi convidada pela revista e pelo portal IMPRENSA para debater o assunto com estudantes e jornalistas que se interessam por essa temática, no próximo dia 6 de abril, das 19h às 20h, na sede da IMPRENSA EDITORIAL.

Cláudia vem produzindo constantemente matérias sobre o zica vírus, tendo participado de especiais organizados pela Folha sobre o assunto.

Para participar desta conversa com a jornalista e com a redação da Revista e do Portal IMPRENSA, basta se inscrever gratuitamente, clicando neste link.

*Serviço

Quando: Quarta-feira –  6 de abril de 2016

Local: Sede da IMPRENSA EDITORIAL

Rua Camburiú, 505 2º Andar – Alto da Lapa

Horário: das 19h às 20h

*Mais sobre Cláudia Collucci

Claudia_Collucci

É repórter especial e colunista da Folha, especializada na área da saúde. Graduada em jornalismo, mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós-graduada em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros “Quero ser mãe” e “Por que a gravidez não vem?” e coautora de “Experimentos e Experimentações”.

Crédito das imagens: IMPRENSA EDITORIAL

 

Curso prepara alunos para serem repórteres de TV

Curso_Repórter de TV

*Patrícia Paixão

Ele foi repórter da Rede Globo durante 18 anos,  chefe de reportagem e editor-chefe na TV Morena (afiliada da Globo em Campo Grande – MS), editor-chefe do programa Leitura Dinâmica, da Rede TV, e editor-executivo da Globo News. Também foi chefe de jornalismo na TV Record Paulista.  Ao todo, são 27 anos de experiência no jornalismo televisivo.

Agora, Arnaldo Ferraz, que também é mestre em Comunicação pela Unesp (com linha de pesquisa em telejornalismo) vem se dedicando a passar toda essa expertise para estudantes de jornalismo e jornalistas que pretendem aprender mais sobre como ser repórter na telinha.

Começa em 30 de abril, em São Paulo, a nova turma do curso ministrado por ele.  Os alunos terão a oportunidade de vivenciar a rotina da reportagem de rua, aprendendo a fazer boletins e matérias ao vivo, dentre outros conhecimentos e práticas importantes para quem deseja atuar na televisão como repórter.

O curso será ministrado em oito sábados, das 14 às 18 horas, próximo à estação do metrô São Judas.  As reservas para as 10 vagas do curso estão abertas.

As inscrições podem ser feitas pelo email cursoreportertv@gmail.com ou pelo telefone vivo/Whatsapp (14) 99890-4655. Podem ser feitas ainda pelo site www.cursoreportertv.com.br

O investimento é R$ 900,00.

 

SERVIÇO

Início: 30/04/2016

Local: Avenida Fagundes Filho, 141 (a 100 metros da Estação do Metrô São Judas)

Duração: 30 horas

Horário: 14 às 18 horas

Investimento: R$ 900,00

O aluno pode pagar em 2 parcelas de 500,00 ou 3 de 350,00. Há opção para depósito bancário. Também é possível efetuar a matrícula e parcelar com cartão de crédito

 

Mais informações podem ser obtidas no site: www.cursoreportertv.com.br

Rede Biomar oferece workshop gratuito em jornalismo ambiental

Albatroz

Divulgação/Sesc

*Patrícia Paixão

O jornalismo é uma atividade de natureza social. Seu papel é prestar serviço, levando informações relevantes que contribuam para o bem-estar da sociedade.

Portanto, a cobertura que se dedica ao meio ambiente, denunciando o desrespeito à biodiversidade, má gestão dos recursos naturais, poluição, dentre outros problemas, e destacando bons exemplos de preservação dos nossos ecossistemas,  atende plenamente a essência da nossa profissão, e tem um papel fundamental, já que a sustentabilidade se apresenta hoje como uma condição para a permanência da nossa espécie.

Mas como fazer esse tipo de cobertura?

Que questões são importantes para quem deseja seguir o jornalismo ambiental?

Pensando em preparar melhor os jornalistas e estudantes que pretendem atuar na área, diversas entidades e projetos vêm oferecendo cursos e palestras com profissionais atuantes na preservação do meio ambiente.

Um desses cursos acontecerá no próximo dia 30/03, no teatro do SESC Santana. Trata-se do Workshop de Jornalismo Ambiental da Rede Biomar (composta pelos projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Tamar).

O tema do evento é “Conservação Marinha em Pauta”.

A moderadora?

Nada mais nada menos que uma jornalista que é referência na cobertura ambiental: a diva Paulina Chamorro. ❤

Paulina Chamorro (Divulgação/Estadão)

Apresentadora de programas ambientais nas rádios Estadão e Eldorado e editora de Meio Ambiente, Paulina se dedica ao tema há mais de 15 anos. Já atuou como pauteira, produtora, repórter, apresentadora,  assessora de comunicação e coordenadora de comunicação da Rede Brasileira de Reservas da Biosfera. Foi também correspondente no Brasil para questões ambientais do programa de rádio Ventana al Mundo.

O Workshop ainda contará com outras feras da cobertura ambiental somadas a especialistas da área, entre eles representantes da Rede Biomar. Esses profissionais irão compartilhar, com jornalistas e estudantes, informações atuais sobre os oceanos e sua biodiversidade.

E tudo isso é gratuito, acredita?! Basta que os ingressos sejam retirados com antecedência, a partir de 23/03, às 17h30, no Sesc.

As Inscrições para universitários podem ser feitas pelo e-mail comunicacao@projetoalbatroz.org.br

Foca que é foca não pode perder!

#recomendomuito

SERVIÇO

Workshop de Jornalismo Ambiental da Rede Biomar

Quando: 30/03/16

Horário: das 19h30 às 21h30

Local: teatro do Sesc Santana

Evento gratuito, bastando que os ingressos sejam retirados antes, a partir de 23/03, às 17h30, no próprio Sesc Santana.

Inscrições para universitários podem ser feitas pelo e-mail comunicacao@projetoalbatroz.org.br

 

 

Folha publica especial maravilhoso sobre seus 95 anos. Corra!!!!!!

Especial

*Patrícia Paixão

Uma relação tensa, de amor e ódio. Assim defino meu relacionamento com a Folha de S.Paulo. É o meu jornal preferido, desde a época em que era estudante do ensino médio. E naqueles tempos, quando o curso de jornalismo era só um sonho, eu realmente considerada a Folha o diário mais pluralista e independente do país. O slogan “De rabo preso com o leitor” era uma máxima para mim. Meu sonho era trabalhar no velho prédio amarelo da Barão de Limeira, fazer história nele.

O sonho se realizou em 2001, dois anos depois que me formei em jornalismo, na Universidade Metodista de São Paulo. Avistei na edição de domingo uma vaga para a Agência Folha, atual Folhapress. A vaga pedia um texto sobre agências de notícias, inglês fluente, bons conhecimentos gerais, dentre outras coisas. Corri para o computador, escrevi o artigo e enviei, torcendo os dedos e pedindo a todos os santos do catálogo católico.

Me chamaram. Passei por outros testes, entrevistas e, depois de tudo isso, após uma candidata que tinha ido melhor do que eu ter desistido da vaga, consegui finalmente ser jornalista do grupo Folha.

Foi uma experiência muito importante para o meu currículo. Não posso ser ingrata e ignorar isso. Vivi anos produtivos, que me fizeram ganhar agilidade, responsabilidade e conhecer os bastidores de uma grande redação, tanto coisas boas como coisas ruins.

Mas eu resolvi sair, para espanto de vários colegas e dos meus familiares. Não era um lugar onde eu faria história. E eu queria, se não fazer história, ao menos ter a oportunidade de fazer reportagem de verdade, ir pra a rua sempre, fazer textos que fugissem da tediosa pirâmide invertida. Principalmente fazer textos, já que na Agência Folha eu passava o dia retransmitindo textos de colegas. As oportunidades de ir pra a rua e fazer reportagem eram escassas.

Ainda no jornal comecei a fazer Mestrado em Comunicação, de novo na Metodista. Peguei a Folha como objeto de estudo. Analisei a cobertura que o impresso fez em 2002 da cobertura do então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eu já observava muita coisa como jornalista do grupo e, ao fazer a análise de conteúdo da Folha, examinando oito meses do jornal, com gráficos, tabelas e muitos outros parâmetros, minha tese de que o impresso fazia uma cobertura alinhada aos candidatos tucanos foi reforçada.

Guardei muita mágoa da Folha. Pra mim foi um lugar que não soube reconhecer meu talento (só fui fazer grande reportagem de verdade, quando saí do jornal), que pregava uma coisa, mas fazia outra. Hoje considero a Folha um jornal hipócrita, que diz ser pluralista, quando é tão ou mais tendencioso que os outros.

Mas  continuo sendo assinante da Folha e não consigo ler nenhum outro jornal. Síndrome de Estocolmo na cabeça rs

Tenho muita identificação com o layout da Folha, a ordem das editorias, sou fã de muitos articulistas, colunistas e cronistas do jornal, adoro a seção Tendências e Debates, considero sua linguagem e sua diagramação muito mais palatáveis que as do Estadão, por exemplo. Embora, na minha opinião, o Estadão é muito mais honesto.

Além disso, críticas e ressentimentos à parte, não dá para fechar os olhos para a influência da Folha e seus 95 anos de história.

Sou amante compulsiva da história da nossa imprensa e assinar um dos jornais mais tradicionais do nosso país, que noticiou momentos emblemáticos, como as Diretas Já, e que até hoje é responsável por vários furos que fazem o restante da mídia rebolar, pra mim é importante.

Por isso, apesar de todos os meus posts quase que diários questionando a Folha na minha timeline do Facebook, estou aqui para RECOMENDAR MUITO a vocês, queridos Focas, que comprem o especial que o jornal publicou hoje, em cinco cadernos. Está SENSACIONAL!!!

Ignorem o blá, blá, blá sobre a Folha ser um jornal pluralista, apartidário e independente. Basta ver a manchete de hoje (Datafolha sendo convocado para pesquisar se a população acha que as empreiteiras beneficiaram Lula) para atestar que esse discurso não cola. Como disse ontem na minha timeline: por que o jornal não aciona também o instituto pra perguntar à população se ela acha que o dinheiro que FHC enviou para sua amante no exterior é ilegal? Simplesmente isso não vai acontecer (e torço pra queimar a minha língua). É o costumeiro “dois pesos, duas medidas” da Folha.

Quem já passou pelo grupo Folha e tem o mínimo de senso crítico sabe bem que a Folha busca sim insistentemente o pluralismo, mas patina e muuuuuuuuuuuuuuito, morrendo muitas vezes na praia.

Ignorem também a parte em que a Folha diz que apoiou o golpe de 1964, mas manteve distância do regime militar. E o empréstimo de carros que o jornal fez para os milicos, fato já chancelado pela Comissão Nacional da Verdade??

Como disse o mestre Umberto Eco, em seu último livro (“Número Zero”):  “A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir notícias”.

Enfim, ignorem essas e mais algumas coisas, porque o resto, galera, vale a pena demais! Tem bastante coisa legal.

É uma edição pra se guardar!

No Caderno 1, com base no questionamento “Para que serve um jornal”, o impresso traz a cobertura do Encontro Folha de Jornalismo, realizado em 18 e 19/02. É possível acompanhar tudo o que rolou no evento, com imagens e curiosidades. Aliás, outra dica pra quem quiser saber os bastidores desse encontro é ler a cobertura que minha aluna de jornalismo das Faculdades Integradas Rio Branco (a linda Tatiane Cordeiro) fez do evento.  O texto foi publicado pelo portal Comunique-se (porque, sim, eu tenho alunos que divam nos principais portais de comunicação do país. #desculpa, sociedade).

Encontro_Folha

No Caderno 2, a Folha faz uma coisa maravilhosa! Mostra a história por trás de fotos históricas publicadas pelo jornal, por exemplo a imagem do massacre do Carandiru, de 1992, produzida pela fotógrafa Marlene Bergamo. O depoimento de Marlene sobre as circunstâncias em que a foto foi feita é de emocionar!!

Foto_carandiru

Amantes do fotojornalismo não podem perder esse caderno!

No Caderno 3, o jornal oferece um panorama do Grupo Folha como um todo, envolvendo todos os seus veículos. Mostra as mudanças impulsionadas pela tecnologia no grupo, a importância da publicidade na sustentação do jornal ( e aí lembramos do leitor que questionou o diretor-executivo da Folha, no Encontro Folha de Jornalismo, sobre o jornal ter anúncio da Odebrecht, uma das principais envolvidas no escândalo Lava Jato) e traz a história de propagandas famosas do jornal, como aquela que mostra o rosto do Hitler sendo formado. Uma das partes mais legais desse caderno é a que fala sobre a história da seção Erramos e destaca os erros mais grotescos e engraçados do jornal.

Folha_Erramos

O Caderno 4 traz uma entrevista com Sérgio Dávilla falando sobre o posicionamento da Folha frente à polêmica de o jornal ser petista ou tucano. Apesar de discordar de algumas respostas do Dávilla, tenho que dizer que sou muito fã desse homem, em especial de quando ele atuava como correspondente de guerra. É um excelente repórter e quero que ele faça parte do livro Mestres da Reportagem II, que estou organizando neste momento, com meus pupilos de jornalismo.

Ainda neste caderno,  é possível ver um texto destacando personagens importantes do Brasil que foram notícia nas páginas da Folha, quando ainda não eram conhecidos do grande público. Dentre esses personagens, a presidente Dilma, Chico Buarque (meu muso eterno #chicólatraforever), Bin Laden e Obama. Também há um espaço em que poetas foram convidados pelo jornal para fazer poesia com algumas reportagens publicadas no impresso.

Por fim, o caderno traz comentários de leitores da Folha, uma matéria bem legal mostrando o posicionamento do jornal frente a diversos assuntos, como aborto, cotas e união homossexual, além de um perfil de uma das fundadoras do jornalismo literário no mundo: a americana Lilian Ross, veterana da revista New Yorker. #muitoamorenvolvido

O Caderno 5 é MARA!!! Fecha o especial com chave de ouro. Nele a Folha destaca as 95 reportagens do jornal que ajudaram a mudar os rumos das coisas no nosso país.  A página final do caderno traz a versão Folha Corrida dos 95 anos do impresso. Essa é para enquadrar! Eu pelo menos vou fazer isso! 95 anos de história da Folha ali eternizados em uma página, que será devidamente colocada na parede do meu escritório.

Folha_Corrida

Então, queridos focas, corram já para uma banca mais próxima e comprem a Folha de hoje.

Só por hoje eu vou elogiar e muito o jornal por essa linda iniciativa. Só por hoje ❤

 

 

Atenção, focas de Fortaleza: curso-mara de Jornalismo Esportivo

banner_Jornalismo Esportivo

*Patrícia Paixão

É sobre jornalismo? É bom?

Então, ganha espaço aqui no Formando Focas 🙂

Esse post é para divulgar um curso muito legal que colegas super experientes no mercado de jornalismo esportivo vão realizar de 15/03 a 14/04/16, na Universidade de Fortaleza.

Com carga horária de 40h, o curso irá preparar o aluno para atuar em todas as áreas do jornalismo de esportes: impresso, web, TV, rádio e até o mercado de assessoria de imprensa esportiva.

Os professores?

Nada mais nada menos que duas feras:

*Fábio Pizzato

Apresentador e editor¬executivo do Globo Esporte no Ceará. É jornalista profissional diplomado em 2000, pela FIAM, em São Paulo. Teve passagens pela Globo SP e RJ, TV Record, TV Bandeirantes, Rádio Verdes Mares, TV Jangadeiro e Jornal Diário Popular (SP).

*Thiago Gomes Conrado

Foi produtor na empresa TV Verdes Mares e Rádio Verdes Mares. Repórter do portal de notícias G1 Ceará. Colaborador no portal de notícias Tribuna do Ceará (atual). Cursos que já ministrou: Workshop Jornalismo Esportivo e o Mercado de Trabalho no 9º Encontro de Comunicação da Faculdade Cearense (outubro 2014) Jornalismo Esportivo (Turma 01) Universidade de Fortaleza (Unifor) 2015

O curso tem o investimento de R$ 337,00 e conta com apenas 25 vagas!! As inscrições vão até 05/03. Corram!

O participante que obtiver frequência igual ou superior a 85% da carga horária obtém um certificado.

#recomendo

SERVIÇO

CURSO DE EXTENSÃO EM JORNALISMO ESPORTIVO

*Período de inscrições: Até 05/03/2016, ou enquanto houver vagas.
*Período do curso: de 15/03 a 14/04/16.
*Horário: das 18h30 às 22h30 (3ª e 5ª feiras)
Carga Horária: 40h

Conteúdo Programático

  • Jornalismo Impresso
    O atual cenário e o futuro do jornal impresso
    Os diferentes textos no impresso (tipos de texto; opinião, notícia, crônica, reportagem)
    Jornalismo de revista (características)
    A convergência do impresso com as outras mídias
    O dia a dia de um repórter do impresso.
  • Webjornalismo esportivo
    Cobertura de megavento esportivo: como aproveitar as Olimpíadas Rio 2016?
    Como escrever na internet (tipos de texto; crônica, factual, entrevista, vídeo, apresentação, matéria especial.
    Credibilidade jornalística na internet
    Criação de blog; de onde começar?
    A convergência com as outras mídias
    O entretenimento no webjornalismo
    Cobertura em tempo real
    Manchetando uma home de um site
    Como usar a web para empreender no jornalismo?
    A produção multimídia na internet
    A importância da interatividade com o público
    Ferramentas úteis na produção de conteúdo
    O uso das redes sociais na disseminação de conteúdo.
  • Radiojornalismo esportivo
    O texto no rádio (como escrever, o que não usar, vícios de linguagem)
    Gravação de programas (uso da voz, postura e ritmo no microfone) de rádio
    A produção de um programa esportivo
    A transmissão de esporte no rádio
    A convergência no rádio.
    A importância da fonoaudiologia no radiojornalismo
    O uso das novas tecnologias no radiojornalismo
    Panorama do cenário do radiojornalismo local e nacional
  • Jornalismo de TV
    O texto na TV
    A pauta (da matéria fria, especial e factual)
    Noções de edição
    Os cuidados com a maquiagem e a aparência
    A convergência com as outras mídias
    A importância da fonoaudiologia no telejornalismo
    Apresentação de programa esportivo
    Transmissão de evento esportivo
    Reportagem ; como construir
    O entretenimento nos programas esportivos
  • Assessoria de imprensa no esporte
    Release (como fazer e quando é a hora de soltar
    Gerenciamento de crise (como e onde atuar?);
    A “pressa” da imprensa no retorno de uma demanda;
    A entrevista coletiva (quem e por que escolher?);
    Relação clube x imprensa;
    O trabalho de mídia training;

Clique aqui para se inscrever.

Clique aqui para obter mais informações.

 

 

 

 

 

 

 

Entenda a diferença entre nota, notícia e reportagem

Meme_Chaves

*Patrícia Paixão

“Que notícia interessante, meu filho!”, diz sua mãe, apontando para um editorial ou uma crônica.

Para o leigo, todos os textos que aparecem em um jornal são “notícias”, mesmo aqueles que pertencem ao gênero opinativo, no qual claramente prevalece a visão de mundo do jornalista.

Quem conhece os gêneros jornalísticos sabe que isso é um grande equívoco. Existem diversos tipos de textos em um veículo e é preciso saber diferenciá-los.

Fico espantada quando às vezes pego alunos no último ano do curso de Jornalismo que ainda não sabem diferenciar notícia de reportagem, artigo  de editorial, crônica de resenha e assim por diante. Seria o mesmo caso do médico que está se formando confundindo o rim com o fígado, o coração com o pulmão!

No post de hoje vamos falar das diferenças entre três tipos textuais bastante trabalhados no gênero informativo (gênero no qual não devemos colocar a nossa opinião sobre o fato, atendo-se apenas a informar o que aconteceu): a nota, a notícia e a reportagem (embora vários autores considerem este último texto como pertencente ao gênero interpretativo, como explicaremos a seguir).

Vamos lá?

*NOTÍCIA

É um texto que faz o relato de um fato que acabou de eclodir na sociedade. É essencialmente factual, ficando velha em poucas horas. Então, para saber se é notícia, basta pensar: Esse texto poderia ser publicado amanhã ou ficaria obsoleto? Se ficar velho, com certeza é notícia.

É o puro registro do fato, sem comentário ou interpretação. Não tem o objetivo de abordar as causas e consequências do acontecimento, apenas informá-lo da forma mais simples possível.

Deve trazer as aspas (declarações) dos envolvidos na história.

É a matéria-prima do jornalismo, pois, geralmente, somente depois que os assuntos são divulgados é que eles são comentados e interpretados. Ou seja, na maioria das vezes para a reportagem, o artigo ou um editorial existir, é preciso que haja uma notícia que os instigue.

No idioma inglês notícia é news”. Esse termo foi formado a partir das iniciais dos pontos cardeais (North, East, West e South). Assim a notícia é encarada como um fato novo, “quente”, que tem o potencial de ser difundido para todas as direções, atingindo o maior número de pessoas.

É o tipo textual predominante nos veículos jornalísticos. Boa parte do conteúdo dos jornais impressos, radiojornais, telejornais e, em especial webjornais, é formada por notícias, em especial no atual cenário em que os leitores privilegiam a informação rápida e objetiva, e em que muitas redações têm reprimido o gênero reportagem (ainda que inconscientemente), que envolve tempo e dinheiro, afinal, para se fazer reportagem de verdade é preciso ir pra rua, ouvir muita gente, pesquisar muito. Em tempos de passaralhos e cortes de custo isso é complicado.

 

  • Texto

Quanto à estrutura do texto, como trabalha com o factual, o texto da notícia segue a estrutura da pirâmide invertida, com as informações mais importantes sobre o fato aparecendo no primeiro parágrafo (lide – que responde às perguntas o quê, quem, quando, onde, como e por quê)). As informações são apresentadas em ordem decrescente (do mais importante para o menos importante). Posteriormente, constrói-se o sublide (outras informações relevantes relacionadas ao lide). Passa-se, nos demais parágrafos, a detalhar pontos da história até terminar o texto com os aspectos menos relevantes.

Lide

As declarações dos entrevistados podem entrar no texto na forma:

  • Direta:  “O  corte no Orçamento de 2011 irá ajudar o governo a manter as contas em dia”, afirma o  ministro  da Fazenda, Joaquim Levy.
  • Indireta: Segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o corte  no Orçamento de 2011  ajudará na manutenção das contas do governo.
  • Mista: Para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o corte no Orçamento de 2011 “irá ajudar o governo a manter as contas em dia”.

Outras regrinhas: O texto deve ser impessoal (a primeira pessoa é proibida, tanto no singular como no plural. Ou seja, nada de: “Em entrevista concedida a mim…”); objetivo e imparcial (evitar a subjetividade e os adjetivos. Adjetivos só são aceitos se trouxerem informação. Os que trazem juízo de valor devem ser evitados); conciso (não ter mais vocábulos que o necessário. Muitas vezes em texto menos é mais); preciso (trazer dados exatos, sem generalizações); escrito com frases curtas e na ordem direta (sujeito – verbo – predicado), para facilitar o entendimento do leitor;  além de coeso e coerente (ter uma relação lógica e “bem costurada” entre seus parágrafos).

Clique aqui para ler um exemplo de notícia.

*REPORTAGEM

A reportagem é um texto mais aprofundado que a notícia, ou pelo menos deveria ser. É o gênero mais nobre do Jornalismo. Vai além de informar, pois oferece uma interpretação do fato ao leitor, mostrando suas possíveis origens, razões e efeitos.

Na reportagem, o jornalista, com base na consulta a diversas fontes e numa ampla pesquisa (inclusive de campo), traça um DIAGNÓSTICO do fato. Portanto, quanto maior for o número e qualidade dos entrevistados e a pesquisa feita, melhor será a reportagem.

Como oferece um aprofundamento do fato, alguns estudiosos a classificam como um texto do gênero interpretativo, que se diferencia do meramente informativo e da simples opinião.

Exemplo: Noticiar as manifestações de 13 de dezembro de 2015 contra a presidente Dilma Rousseff é informativo. Criticar ou elogiar essas manifestações é opinativo. Já analisar as causas e o impacto desses protestos na aceleração ou não do processo de impeachment seria interpretativo, ou seja, papel da reportagem.

Como diz Eugênio Bucci,  no texto de apresentação que escreveu para o livro “A arte da reportagem”, de Igor Fuser, “a reportagem, como a arte, tem a necessária pretensão de iluminar o significado, de apontar uma direção acima do caos dos eventos cotidianos.”

Ou seja, informar os eventos cotidianos é função da notícia, mas a reportagem precisa ir além. Ela deve mostrar o que está por trás da grande avalanche de notícias que vemos no dia a dia, o que vem acontecendo na sociedade, em qual direção estamos rumando. Não adianta, por exemplo, ficar apenas noticiando dia a dia as diversas chacinas que acontecem nas periferias de São Paulo. É preciso fazer uma reportagem para sabermos por que essas chacinas vêm ocorrendo e o que pode ser feito para evitá-las.

A reportagem geralmente tem como ponto de partida uma notícia.

  • Texto

O texto da reportagem precisa ser atrativo, bem trabalhado. Não pode ser um relato frio do fato, como faz a notícia.

Deve ser aberto com um bom lide, que consiga fisgar o leitor, mantendo-o no texto. O lide da reportagem tende mais ao não factual, ou seja, não tem a necessidade de logo de cara responder às seis questões essenciais sobre o fato. O repórter pode abrir o texto, por exemplo, descrevendo, com riqueza de detalhes e caracterização dos personagens, uma das cenas que presenciou do fato.

Muitas vezes a reportagem trabalha a humanização, por meio da sensibilidade e observação do repórter, para contar a história de maneira instigante.

É importante que a reportagem também conte com uma boa programação visual (bom uso dos elementos gráficos, infografia e fotografia). Em reportagem costuma-se usar, além do título, subtítulo, intertítulos e olhos. Como é um texto mais longo, esses elementos gráficos são muito importantes para manter o leitor no texto, pois funcionam como “iscas”.

ELEMENTOS

A forma como as declarações dos entrevistados entram no texto é a mesma que explicamos acima, para a notícia.

Em jornais diários a reportagem não é tão explorada como em veículos com periodicidade maior, como a revista.

Clique aqui (da página 16 a 23) para ver um exemplo de reportagem.

*NOTA

É um texto curto (média de 15 linhas) que traz as informações básicas sobre o fato, sem aprofundamento. Produzir uma nota é ir um pouco além do lide. Normalmente não traz aspas (declarações dos envolvidos no fato).

Seu estilo de redação é muito parecido com o da notícia. Ou seja, tem-se um relato mais objetivo e frio do fato.

O que pode gerar uma nota?

Um fato que já ocorreu, mas que não teve tanta relevância perto de outros que viraram notícia, por isso só merece um registro.

 

ou

Um fato que está em processo de configuração (que ainda vai acontecer ou que já está acontecendo). Nesse caso o relato é curto, pois ainda não há muitas informações a respeito

Exemplo de nota.

Bem, espero tê-lo ajudado a identificar esses três tipos textuais do jornalismo e a decidir quando optar por um ou por outro. Em postagens futuras, falaremos sobre outros gêneros jornalísticos. Continue nos acompanhando 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornalirismo oferece curso de jornalismo digital

Curso_Gui

*Patrícia Paixão

Jornalismo digital. Eis uma área na qual todos nós que trabalhamos com jornalismo devemos investir, se prezamos pelo nosso futuro.

O avanço da internet, das mídias sociais e das chamadas TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação), aliado ao cenário de convergência tecnológica, em que textos são produzidos com narrativas multiplataforma (para celulares, tablets, entre outras), exige um jornalista muito mais preparado e versátil, com conhecimento em diferentes mídias e tecnologias, e, obviamente, que esteja por dentro de toda essa conjuntura. Não é mais possível pensarmos na figura do repórter que só saber fazer texto para impresso, rádio ou TV, que concentre sua atenção nas mídias tradicionais, ignorando as novas mídias.

Por isso o curso “Jornalismo Digital: Estratégias para criar conteúdo relevante e desenvolver projetos” é tão importante.

Com duração de 16 horas-aula (das 9h às 18h), o curso será realizado nos dias 28 e 29/11, na Mútua Coworking, em Pinheiros, São Paulo.

O professor?

Guilherme Azevedo

Guilherme Azevedo

Simplesmente um cara que manja muuuuito de jornalismo digital, que ajudou a implantar o primeiro serviço de notícias em tempo real do Grupo Folha na internet, o Últimas Notícias, do portal UOL: Guilherme Azevedo.

O “Gui”, como costumo, carinhosamente, chamá-lo, foi meu editor na Agência Folha. É dono de um texto maravilhoso e entende muito de jornalismo. Ele é responsável por um dos portais mais interessantes que temos hoje na área, o Jornalirismo (O quê? Ainda não conhece o Jornalirismo??? Bora curtir a fanpage do portal, porque é conteúdo de primeiríssima qualidade!).

Fiz uma breve entrevista com ele sobre este curso maravilhoso que você não pode perder! #recomendomuito

Confira:

Qual é a importância de se fazer um curso de jornalismo digital no momento atual?

Guilherme Azevedo – Acredito que a importância seja grande, uma vez que a comunicação por meio de aparelhos e plataformas digitais é um fato consolidado e já quase universal. Não dá para imaginar hoje nenhuma iniciativa informativa, de conteúdo e comunicação, que não inclua estratégias digitais, ações e atitudes específicas para ambientes digitais, incluindo redes sociais. É um fato. Um curso que se propõe a discutir as transformações tão profundas da atividade jornalística, nesse novo ambiente; e as mudanças obrigatórias de perfil e de atitude do profissional envolvido na tarefa de criar conteúdo de caráter jornalístico e informativo; um curso que trate dessas questões, sempre com viés propositivo e prático, ajuda a nos posicionarmos e a nos prepararmos para pôr a mão na massa com mais eficiência e qualidade.

O que o aluno pode esperar do curso?

Guilherme Azevedo – Eu tenho já uma experiência bastante longa no jornalismo, ano que vem completo 20 anos de carreira, isso é que é teimosia 😉 Comecei a trabalhar com internet e projetos de conteúdo online em 1996, quando participei do lançamento do primeiro serviço de notícias em tempo real do Grupo Folha na internet, o Últimas Notícias, do portal UOL. Me sinto, por isso, um pioneiro do meio. De muitas formas, ao longo dos anos, me vi sempre envolvido com projetos digitais de conteúdo, fosse para posicionar serviços e produtos e estabelecer diálogos em nome de grandes marcas e clientes, fosse para disseminar mensagens por um mundo mais livre, mais justo e mais belo em nome de nós cidadãos. Criei e sou o editor de um projeto de jornalismo independente na internet, o Jornalirismo (www.jornalirismo.com.br), que já vai para nove anos de vida. É uma experiência e tanto de jornalismo e comunicação digital para compartilhar. Também sou um estudioso do jornalismo e da comunicação do ponto de vista, digamos, mais formal. Concluí em 2014 meu mestrado, reunindo e estudando a obra do jornalista-escritor Marcos Faerman, paixão antiga. Aliás, acho que o aluno pode esperar um curso baseado, antes de tudo, na paixão pelo jornalismo e pela comunicação. Há algo que antecede, e sucede, o suporte, a mídia, seja de que natureza for, digital ou não: o amor que você tem e com que se dedica a sua profissão. #amocomunicação

Quais serão os principais tópicos abordados no curso?

Guilherme Azevedo: Vamos fazer uma viagem ao passado e ao futuro da internet e do jornalismo, pontuando as grandes transformações e desejando outros futuros. Vamos tratar em detalhes das consequências das mudanças da troca de tecnologia, da multiplicação de autores e de narrativas com a democratização da internet, da oferta instantânea e massiva de notícias de última hora. Um novo contexto informativo se formou, com características próprias, e pede, na verdade obriga, um outro tipo de profissional engajado. Quem lida com conteúdo noticioso, com a criação de campanhas de comunicação, precisa de novas atitudes e abordagens, além da tradicional boa formação cultural e dos preceitos básicos de todo bom trabalho, como precisão e qualidade. Vamos falar também de estratégias para bem usar cada uma das ferramentas disponíveis hoje para mídias digitais, blogs, fan pages etc. Tudo será bem dinâmico e prático, fazendo juntos exercícios de produção de conteúdos e coberturas jornalísticas. Espero que, ao fim do curso, o aluno se sinta um pouquinho mais capaz de levar seu trabalho e projeto de conteúdo digital adiante, com mais profundidade, responsabilidade e eficiência. Vou, sinceramente, fazer o meu melhor. Espero que gostem.

SERVIÇO:

Jornalismo Digital: Estratégias para criar conteúdo relevante e desenvolver projetos

Quando: 28 e 29 de novembro (sábado e domingo), das 9h às 18h

Onde: Mútua Coworking (rua Dona Maria Dulce Nogueira Garcez, 55, Pinheiros, zona oeste de SP)

Investimento: R$ 350,00 (inclui certificado)

Inscrições: plataforma Sympla (clique aqui e inscreva-se)

Realização: Jornalirismo e Mútua Coworking (conheça a Mútua aqui)

Apoio: Agência Front (veja mais aqui)

Mais informações: Guilherme Azevedo (11) 98162 4750 e  guilherme.azevedo@jornalirismo.com.br ou jornalirismo@gmail.com e Jorge William (11) 97192 4098.

Vícios de linguagem: saiba como evitá-los

Meme_Wonka

*Patrícia Paixão

 

Sabe aquelas pérolas que as pessoas dizem/escrevem com frequência, sem saber que estão “assassinando” a nossa querida Língua Portuguesa?

Pois é. Muitos desses erros são chamados de “vícios de linguagem”, desvios das nossas normas gramaticais, que pegam muito mal, em especial quando saem da boca de um profissional que tem como missão “comunicar”, como é o nosso caso.

Agora que você escolheu o Jornalismo como profissão vai ter que lidar com suas dores e delícias. É sim a melhor carreira do mundo, mas também uma das mais cobradas. Sempre haverá um “ser” pronto pra te enfiar o dedo no nariz: “Nossa! Você é jornalista! Não pode falar errado desse jeito!”. Mesmo naquele momento mais inocente, de descontração e intimidade no sofá da sua sala de estar, seu irmão, mãe, tio ou primo vai virar pra você e dizer algo desse tipo, se você cometer um deslize. Não nos é permitido errar. E, pra dizer a verdade, essas pessoas estão certíssimas, quando nos fazem esse tipo de cobrança. Afinal, se um jornalista escreve e fala errado, como pretende ter credibilidade?

Resolvi fazer esse post sobre os vícios de linguagem. Muitos dos vícios aqui expostos devem ser do seu conhecimento, mas pode haver um ou outro que você não conhece, e que, de agora em diante, vai passar a evitar.

Vamos lá?

*Redundância

Redundância é frisar algo que já foi compreendido.

Exemplo 1: Paulo encara de frente todas as situações difíceis

Por acaso você já viu alguém encarar de costas???

O correto é:

Paulo encara todas as situações difíceis.

Exemplo 2: Cientistas procuram o elo de ligação entre o homem e o macaco.

O termo “elo” já significa ligar uma coisa à outra.

O correto é:

Cientistas procuram o elo entre o homem e o macaco.

Exemplo 3:  Além de trabalhar em dois empregos, Fernando também tem uma barraca na praia.

O termo “além” significa que uma outra ideia/coisa será apresentada na frase. Portanto, não é necessário usar junto com além o termo “também”.

O correto é:

Além de trabalhar em dois empregos, Fernando tem uma barraca na praia.

Exemplo 4:

O Brasil é um país de diversos absurdos, como por exemplo a corrupção e a desigualdade social.

É errado usar os termos “como” e “por exemplo” juntos, pois eles querem dizer a mesma coisa.

O correto é:

O Brasil é um país de diversos absurdos, como a corrupção e a desigualdade social.

ou

O Brasil é um país de diversos absurdos, por exemplo a corrupção e a desigualdade social.

Exemplo 5:

Diversos artistas da nossa MPB estarão presentes na festa, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, entre outros.

Também é errado usar na mesma frase os termos “como” e “entre outros”. O “como” já passa a ideia que você vai apresentar uma amostra dos artistas que estarão no evento. Se você coloca o “entre outros” no final da frase, gera a redundância.

O correto é:

Diversos artistas da nossa MPB estarão presentes na festa, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil.

ou

Diversos artistas da nossa MPB estarão presentes na festa: Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, entre outros.

Exemplo 6:

Governo vai lançar novo programa social de moradia

Ué? Se vai lançar é claro que o programa é novo!!

O correto é:

Governo vai lançar programa social de moradia

E existem muuuuuitas outras redundâncias que você precisa evitar: subir pra cima, sair pra fora, chegar a uma conclusão final,  sorriso nos lábios, planos para o futuro, panorama geral, criar novos empregos, pequenos detalhes, repetir de novo, planejar antecipadamente, surpresa inesperada…

*Solecismo

São erros de sintaxe, que afetam normas de concordância, regência ou colocação pronominal.

– Concordância:

Sobrou muitas vagas. (em vez de “sobraram”).

Haviam muitos alunos naquela sala. (em vez de “Havia”. O verbo “haver” no sentido de “existir” é impessoal)

– Regência:

Hoje assistiremos o filme (em vez de “ao filme”).

– Colocação:

Me diga o que você quer (em vez de “Diga-me”)

*Ambiguidade

Quando ocorre uma duplicidade de sentido, em função do emprego de uma palavra inadequada, da falta de uma marcação gráfica ou da disposição incorreta das palavras numa frase.

Exemplo 1:

Barcelona mudará até a Olimpíada.

Da forma como a frase foi construída não dá para saber se a cidade de Barcelona sofrerá mudanças na sua infraestrutura para receber o evento ou se Barcelona irá alterar a forma de fazer a Olimpíada.

O correto é:

Até a Olimpíada, Barcelona mudará.

Exemplo 2:

Aluga-se casa para jovem de fundos amplos.

Quem tem os fundos amplos??? rs #jesus

O correto é:

Aluga-se casa de fundos amplos para jovem

*Barbarismo

Pode ser um erro na pronúncia, na grafia, na semântica ou na ortografia das palavras.

Erro de pronúncia:

Gratuíto em vez de gratuito

Rúbrica em vez de rubrica

Erros de grafia:

-Espero que ele esteje bem.

O correto é: Espero que ele esteja bem.

-Espero que você seje feliz.

O correto é: Espero que você seja feliz.

-A metereologia indica chuva para os próximos dias.

O correto é: A meteorologia indica chuva para os próximos dias

-Isso não tem nada haver com a história.

O correto é: Isso não tem nada a ver com a história.

-Paulo é uma pessoa muito fácil de lhe dar.

O correto é: Paulo é uma pessoa muito fácil de lidar.

-Se você o ver, diga-lhe que estou com saudades.

O correto é: Se você o vir, diga-lhe que estou com saudades.

-Os cidadões brasileiros deveriam ser mais exigentes com os governantes.

O correto é: Os cidadãos brasileiros deveriam ser mais exigentes com os governantes.

*Estrangeirismo

Emprego em excesso de palavras ou expressões próprias de línguas estrangeiras. Se existe palavra correspondente em português, utilize-a!

Ex: Estou aguardando o feedback do meu staff, depois do coffee-break, para mandar fazer os folders.

Forma mais correta: Estou aguardando o retorno da minha equipe, depois da hora do intervalo, para mandar fazer os panfletos.

*Cacófato (ou cacofonia)

Junção de duas palavras, que cria um som constrangedor.

Exemplo 1: O chefe havia dado ordens severas.

Exemplo 2: Nesta terra abunda a pita.

Exemplo 3: Fábio beijou a boca dela.

Exemplo 4: Ela tinha muito dinheiro.

Exemplo 5: Pagou vinte por cada.

*Eco

Emprego de palavras que têm a mesma terminação na mesma frase. Somente em textos literários podemos trabalhar a mesma terminação, com efeito de rima.

Exemplo 1: O requerimento que enviamos naquele momento era o único instrumento do departamento.

Exemplo 2:  Na última reunião, o chefe da nação avisou pela televisão que iria fazer uma convocação.

*Acumulação de pormenores

Consiste em encher o texto com pormenores, dificultando a compreensão.

 Ex: Quando Paulo chegou à casa do amigo dele, que fica lá perto da linha do trem, ao lado daquele matadouro antigo, onde houve um assassinato em 1987, encontrou todo o pessoal pronto para a festa.

*Chavões e clichês 

Evite expressões como:

“Pano de fundo”

“Dar o último adeus”

“Chegar a um denominador comum”

“Segredo guardado a sete chaves”

“A nível de”

“Correr atrás do prejuízo”

* Excesso de “que”:

O texto se torna cansativo.

Exemplo: Logo que ele telefonou eu disse que esperava que ele resolvesse aquilo que ele dissera que iria resolver.

*Gerundismo

Usar vários verbos em vez de usar um único.

Ex: O ministro afirmou que estará entrando em contato amanhã.

O correto é: O ministro entrará em contato amanhã.

*Obviedade

Dizer o que o leitor já sabe.

Ex: O terrorismo deixa as pessoas com muito medo.

Anotou tudo no seu bloquinho? 🙂