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Cinco livros que são verdadeiras aulas de grande reportagem

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*Por Patrícia Paixão

Ler ficção é ótimo, mas você, que é amante do jornalismo, já experimentou se entregar a livros que trazem os bastidores de grandes reportagens?

Vale muito a pena! Além de ser inspirador, é maravilhoso para aprender como dar novos olhares a assuntos tidos como desgastados, descobrir e valorizar personagens, conhecer diferentes técnicas de entrevista, pesquisa de campo e observação.

Recomendo cinco obras em especial. A seguir, você conhecerá um pouco cada uma delas:

O Olho da Rua – Uma Repórter em Busca da Literatura da Vida Real

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Uma verdadeira obra-prima do jornalismo literário brasileiro. Escrito pela diva-musa-suprema Eliane Brum (sim, eu amo essa mulher), o livro traz histórias incríveis de brasileiros de diversos cantos do país, como dona Ailce, que teve seus últimos 115 dias de vida retratados por Eliane (ela tinha um câncer terminal. Prepare-se para chorar rios com esse texto lindo).

As narrativas são construídas de maneira extremamente atrativa, com uso de metáforas, rimas e vários outros recursos da literatura, que Eliane sabe tão bem usar. Você percebe que cada termo do texto foi estrategicamente escolhido para encantar o leitor. Eliane age tal como um escultor que trabalhou com ardor e paixão cada pedacinho da sua obra.

O livro aborda realidades duras do nosso país, como a das mães do tráfico (há uma história de uma mãe que perdeu dois filhos na guerra do tráfico e, por isso, já pagava o caixão do terceiro que estava vivo, sabendo que ele era o próximo a morrer), o conflito entre arrozeiros, ONGs, políticos e índios em Raposa Terra do Sol, em Roraima, ou o cotidiano dos que vivem em um asilo.

Não bastasse tudo isso, após cada reportagem, Eliane oferece um making of, contando os bastidores de produção da matéria, com seus erros e acertos.

Um dos livros mais tocantes e importantes que já li. Sempre obrigo meus queridos aluninhos a lerem, cobrando o conteúdo dele em prova. FUNDAMENTAL!

Editora: Arquipélago Editorial

http://www.arquipelago.com.br/

Tempo de Reportagem – Histórias que Marcaram Época no Jornalismo Brasileiro

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Se Eliane Brum é uma diva-musa-deusa-suprema, imagine só o gabarito de quem foi um de seus grandes inspiradores?

Refiro-me ao Mestre Audálio Dantas, o homem que descobriu Carolina Maria de Jesus, lhe dando voz e valor. O homem que foi um dos primeiros a dar o lugar de protagonista, em suas matérias, para brasileiros anônimos, esquecidos pelo próprio país. O homem que ajudou a revolucionar a linguagem do nosso jornalismo, com um estilo criativo, autoral.

No livro “Tempo de Reportagem – Histórias que Marcaram Época no Jornalismo Brasileiro”, Audálio oferece ao leitor verdadeiras joias: suas históricas matérias feitas para a Folha da Manhã (atual Folha de S.Paulo) e para a Cruzeiro e a Realidade, as duas revistas que inauguraram o gênero grande reportagem no Brasil.

Antes de cada texto, o leitor é agraciado por um comentário de Audálio, com curiosidades e bastidores do processo de produção da matéria.

Além da célebre reportagem com os diários de Carolina Maria de Jesus (“O Drama da Favela escrito por uma Favelada”, publicada na Folha da Manhã, em 1958), que teve tanta repercussão que acabou proporcionando à Carolina o lançamento do livro “Quarto de Despejo”, traduzido para 13 idiomas, “Tempo de Reportagem” traz a matéria “Povo Caranguejo”. Publicado na Realidade em 1970, o texto é até hoje um case estudado nas salas de aula de jornalismo, pela maneira criativa como foi construído.  Audálio escreveu a matéria sob duas óticas: a dos caçadores de caranguejo do povoado Nossa Senhora do Livramento (PB) e a da caça (os caranguejos fugindo dos caçadores, no mangue).

Vale ainda destacar a reportagem “Circo do Desespero”, que reflete  a grande sensibilidade de Audálio ao mostrar o lado trágico de um conhecido concurso carnavalesco de dança dos anos 60, onde pobres brasileiros, esquecidos por diversas instâncias do Estado e pela sociedade, dançavam literalmente quase até morrer, para conseguirem ganhar um prêmio, que tornaria possível a realização de sonhos bastante importantes, como o de fazer a cirurgia de um filho.

Livro sensacional! Obrigatório, porque simplesmente é uma vergonha ser jornalista sem conhecer bem o trabalho de Audálio Dantas.

Editora: LeYa Brasil

http://www.leya.com.br/

Instinto de Repórter

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Nesta obra a super repórter investigativa Elvira Lobato, homenageada na edição de 2016 do Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), também traz suas principais reportagens, contando ao leitor os bastidores de produção dos textos.

Elvira que foi repórter especial da Folha de S.Paulo por muitos anos, especializada no nicho das Telecomunicações, revela algumas técnicas interessantes utilizadas para obter informações para algumas de suas matérias, por exemplo quando se tornou acionista da Petrobras e da Oi para investigar mais a fundo essas empresas.

O ramo do jornalismo investigativo é um dos mais instigantes e difíceis para quem atua na profissão, e demanda estratégias e tecnologias especiais, como a técnica da infiltragem ou a câmera escondida.

É muito interessante conhecer as estratégias que Elvira utilizou para fazer suas reportagens, e observar como a curiosidade e a coragem são elementos essenciais para quem deseja atuar nessa área.

Editora: Publifolha

http://publifolha.folha.uol.com.br/

Narrativas de um correspondente de rua

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Mauri König é um dos mais premiados jornalistas brasileiros e um dos meus repórteres investigativos prediletos. Nada escapa ao seu faro. Suas reportagens são voltadas a apontar chagas sociais brasileiras. Em um de seus primeiros trabalhos de destaque, como repórter do jornal O Estado do Paraná, sofreu graves agressões ao denunciar o caso de adolescentes brasileiros recrutados para o serviço militar paraguaio. Teve que fingir que já estava morto, ficando imóvel no chão, para parar de ser agredido e evitar a morte real.

No livro “Narrativas de um correspondente de rua”, König traz esta e outras 14 reportagens premiadas que fez para a Gazeta do Povo (quando era repórter especial do jornal), também oferecendo comentários sobre os bastidores de produção dos textos.

Como muito bem descreve o texto da editora Pós Escrito, o livro, finalista do Prêmio Jabuti de 2009, denuncia “a dura realidade de pessoas que pertencem ao Brasil que não deu certo. São crianças, adultos e idosos que sobrevivem e trabalham em condições desumanas, explorados de maneira inescrupulosa por aqueles que detêm o poder econômico. Em cada reportagem, é possível vislumbrar o compromisso de Mauri com um jornalismo que luta por uma sociedade melhor, para que não sejam desperdiçadas mais vidas.”

Não dá pra não ler!

Editora: Pós-Escrito

http://www.editoraposescrito.com.br/

Mestres da Reportagem

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Não é porque foi feito por mim e pelos meus alunos de Jornalismo da extinta FAPSP (Faculdade do Povo), mas este livro é IMPRESCINDÍVEL a todos que desejam ser bons repórteres. Como disse o “repórter do século” José Hamilton Ribeiro, que fez o prefácio da obra (em um e-mail que enviou para mim logo após o lançamento, em 2012), trata-se de “uma das coisas mais importantes já feitas sobre jornalismo/reportagem entre nós”.

O livro traz 30 entrevistas pingue-pongue com renomados repórteres brasileiros. Além de José Hamilton Ribeiro: Ricardo Kotscho, Elvira Lobato, Carlos Wagner, Renato Lombardi, Marcelo Rezende, Percival de Souza, Sônia Bridi, Luiz Carlos Azenha, Agostinho Teixeira, Adriana Carranca, Bruno Garcez, Mauri König, Valmir Salaro, Tatiana Merlino, Paula Scarpin, Roberto Cabrini, Leandro Fortes, Cid Martins, Eliane Brum, Goulart de Andrade, Giovani Grisotti, César Tralli, Geneton Moraes Neto, Regiani Ritter, Marcelo Canellas, José Arbex Jr., Ernesto Paglia, Sílvia Bessa e Gérson de Souza.

Afora discutir a importância da reportagem e as principais técnicas para a produção desse gênero jornalístico, a obra resgata a trajetória profissional dos jornalistas entrevistados e revela os bastidores de produção das principais matérias que eles fizeram. Lendo o livro, por exemplo, você conhecerá as técnicas que Roberto Cabrini usou para encontrar PC Farias (que estava foragido) em Londres em 1993, ou curiosidades sobre os bastidores de grandes entrevistas que foram feitas pelo mestre Geneton Moraes Neto, que infelizmente nos deixou em 2016. Imperdível!

E a sequência do livro, o Mestres da Reportagem II, está quase saindo do forno. Mais uma vez organizados por mim, alunos de diferentes faculdades de jornalismo do país entrevistaram dezenas de grandes nomes da nossa reportagem, dentre eles Audálio Dantas, Clóvis Rossi, Mário Magalhães, Rubens Valente e Sérgio Dávila. Aguarde!

Editora: In House

http://inhousestore.com.br/

OBS1: Procure as principais livrarias ou diretamente as editoras, para adquirir as obras. Caso algum dos livros esteja esgotado, procure em sebos ou em sites como o Estante Virtual. Vale todo esforço para não ficar sem ler essas joias.

OBS2: Esse artigo foi publicado originalmente no portal Comunique-se, onde sou colunista.

 

Mandamentos importantes no uso do gravador de voz ou “não dê chance para o capeta”(rs)

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Gravar apenas com o celular pode ser arriscado/Crédito: Pixabay

*Por Patrícia Paixão

São recorrentes em sala de aula os casos de alunos que me procuram para lamentar uma entrevista perdida pelo mau uso ou por uma pane no gravador de voz.

E se há uma situação constrangedora, MUUUITO CONSTRANGEDORA, é ter que ligar para aquele entrevistado super ocupado e renomado, com o qual você usou todos os argumentos possíveis para conseguir um horário, e dizer: “Perdi a entrevista que fiz contigo. Você pode me conceder outra?”

Não!!!!!!!! Que vergonha alheia esse tipo de situação!! E é chato com todos os tipos de entrevistado, e não só com os famosos.

Das duas uma: ou o entrevistado se negará a conceder outra entrevista ou, se for muito bonzinho e quiser te ajudar, concederá a entrevista, mas não com a mesma empolgação e com os detalhes ditos na primeira vez em que conversou contigo.

Com base nos erros mais frequentes cometidos por aqueles que perdem a entrevista, preparei CINCO MANDAMENTOS IMPORTANTES NO USO DO GRAVADOR DE VOZ.

São básicos, são óbvios, mas ainda assim (pasme!) muitas vezes não são seguidos.

Vamos a eles:

1 –   Não gravarás apenas com o celular. Use preferencialmente o gravador de voz digital e, se conseguir, mantenha os dois gravando ao mesmo tempo (o gravador e o celular). Muitos alunos procuram-me lamentando-se de que estavam gravando apenas com o celular e, de repente, a bateria do aparelho acabou e não conseguiram terminar a entrevista. No caso da gravação pelo celular, lembre-se de manter o aparelho no modo “Não perturbe”, para evitar que pessoas te liguem ou mandem mensagem no momento da entrevista, interrompendo a gravação. Algumas baterias de celulares ficam fracas muito rapidamente com o uso de recursos multimídia. Esteja atento a isso. Gravar apenas com o celular é sempre um risco;

2 –   Verificarás se as pilhas do gravador estão em bom estado. Isso para que o aparelho não pare de funcionar durante a entrevista, por conta de pilha fraca. Não confie nas pilhas que já estavam dentro do gravador, troque-as por novas sempre antes de cada entrevista;

3 – Olharás para o gravador a cada cinco minutos (durante a entrevista), para ver se ele permanece gravando. Sim, coisas “sobrenaturais” acontecem como capetas que desligam o gravador do nada, sem que você perceba (rs). Já aconteceu comigo. Acredite!

4 – Não comprarás o gravador no dia da entrevista, tampouco o testarás minutos antes de se encontrar com o entrevistado. A chance de não saber mexer adequadamente no aparelho a tempo de fazer a entrevista é grande. Não dê chance para o azar. Seja prevenido comprando o aparelho bem antes e fazendo diferentes testes nele;

5 –   Assim que terminar a entrevista, salvarás o arquivo no seu computador e em um pen drive (por segurança), e retirarás as pilhas do gravador, para evitar que ele seja acionado sem querer na bolsa, e apague o conteúdo gravado. De novo: coisas “sobrenaturais” acontecem naquele dia em que você está com a sorte a seu favor…

Siga as dicas e, assim, terá sua estimada entrevista em total segurança 🙂

Sindicato dos Jornalistas promove evento com a participação do Formando Focas

COMO CONSEGUIR

*Patrícia Paixão

No próximo dia 8 de abril, o Formando Focas participará de uma programação especial que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo vai oferecer a estudantes de jornalismo e profissionais recém-formados.

O evento, que acontece em comemoração ao Dia do Jornalista (celebrado em 7 de abril), com a parceria da Associação Profissão Jornalista,  será realizado das 14h às 18h, no auditório Vladimir Herzog, sede da entidade.

Na ocasião, eu, Patrícia Paixão, responsável por este blog,  oferecerei a oficina “Como conseguir um estágio em jornalismo”, com dicas sobre como preparar o currículo e como se portar em uma entrevista de estágio na área.

Levarei comigo, para dividir experiências com o público, os meus queridos e eternos alunos Beatriz Sanz, estagiária do El País, e Kaique Dalapola, estagiário do R7 e integrante da Ponte Jornalismo.


O evento ainda contará com uma palestra muito legal sobre “Empreendedorismo no ecossistema do jornalismo”, com o jornalista Dal Marcondes.

Tudo é gratuito (o sindicato oferece certificado), mas as vagas são limitadas. Garanta a sua!

As inscrições serão feitas apenas por e-mail, pelo endereço:  cursos@sjsp.org.br

Espero você lá! ❤

SERVIÇO

Como conseguir um estágio em Jornalismo e Empreendedorismo no Ecossistema do Jornalismo

Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (auditório Vladimir Herzog), –  Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – Vila Buarque – Próximo ao metrô República.

Programação:

13h30 – 14h00 – Credenciamento

14h00 – 16h00 – Primeiro tema: Estágio em Jornalismo

Atividade 1 – “Oficina – Como conseguir um estágio em Jornalismo”, com Patrícia Paixão, jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP) no Programa de Integração em América Latina (PROLAM). Patrícia é professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi-Morumbi. É editora do blog Formando Focas, voltado a estudantes de jornalismo, colunista dos portais IMPRENSA e Comunique-se, além de organizadora dos livros “Mestres da Reportagem” e “Jornalismo Policial: Histórias de quem faz”.

Atividade 2 – Depoimentos  “Experiência como estagiário”, com os estagiários Beatriz Sanz, estudante da São Judas e estagiária no El País, e Kaique Dalapola, estudante das Faculdades Integradas Rio Branco e estagiário do Portal R7 e integrante da Ponte Jornalismo.

16h00 – 16h30 – Café

16h30 – 17h30 – Segundo tema: “Empreendedorismo no ecossistema do jornalismo

O modelo de trabalho do jornalismo no século 20 está em profunda transformação. Há ainda algumas empresas que mantém a velha fórmula, no entanto com cada vez menos profissionais em seus quadros. E já surgem novos modelos de jornalismo que incorporam tecnologia em sua realização e na forma de chegar até os leitores/espectadores/ouvintes/internautas. Vamos conversar sobre esse cenário e as oportunidades para novos e velhos jornalistas

Com Dal Marcondes, jornalista formado pela ECA/USP com especialização em Economia, Ciência Ambiental/USP e mestrando em Modelos de Negócios do Jornalismo Digital/ESPM-SP – Prublisher do Portal Envolverde (www.envolverde.com.br) vice-presidente da Associação Profissão Jornalista (APJor) e presidente da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental.

17h30 – 18h00 – Encerramento

 

Aprenda a criar um blog jornalístico

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Crédito: Pixabay

*Patrícia Paixão
Segundo o “Patrícia Paixão Instituto de Pesquisa”, três a cada cinco alunos de jornalismo pensam em criar um blog como plataforma para divulgação dos seus textos.

A ideia é ótima e tem mais é que ser implementada. Quem dera na minha época de estudante ter a chance de não depender de um empregador para divulgar minhas matérias a um amplo público, incluindo leitores de outros países, e a um custo praticamente nulo.

A grande questão é que hoje todo mundo tem blog e você, como costuma dizer sua mãe (risos), não é todo mundo. Você é jornalista ou está estudando pra ser um.

Se você digitar a palavra “blog” no nosso querido oráculo Google, verá que aparecerão mais de  6.950.000.000 resultados. Descontando os textos que discutem sobre o assunto, como este, boa parte dos endereços refere-se aos blogs propriamente ditos.

É muita gente com páginas de conteúdo relevante e confiável, mas também uma porrrrrrrrrada de cidadãos com blogs que trazem mais do mesmo e erros de informação.

Hoje, com todos os internautas sendo ao mesmo tempo emissores e receptores das mensagens, espera-se de nós, jornalistas, um conteúdo inovador e bem-apurado, com credibilidade.

E como garantir o sucesso do seu blog, transformando-o em uma fonte jornalística de referência, diante de tantos e tantos blogs presentes na web?

Faça um check list nas dicas abaixo para saber se você está no caminho certo:

*Aposte na segmentação: 
A segmentação é uma tendência cada vez mais forte no meio jornalístico, e a internet é um excelente meio para isso, pois permite a conversa com um público específico. Blogueiros que tratam de diferentes assuntos (desde o jogo do Corinthians contra o São Paulo à operação Lava Jato) tendem a ser esquecidos no mar de páginas da web. Poucas pessoas (com exceção dos seus amigos e familiares) vão se interessar em saber sobre a sua opinião a respeito de diferentes assuntos, a não ser que você seja uma celebridade. As pessoas buscam informações na web que sejam úteis para assuntos que lhes interessam. E na internet tem gente aficionada nos mais diversos assuntos, de mitologia grega a unhas artísticas. Aposte numa temática para o seu blog, preferencialmente um assunto que você entenda e goste bastante. Procure pesquisar o máximo possível sobre aquele tema e tente oferecer, na maior parte das vezes, conteúdos exclusivos aos seus leitores. Se você é fã de quadrinhos, por exemplo, monte um blog que buscará trazer informações relevantes sobre o que acontece neste universo, transformando-se em uma das principais fontes de informação sobre o assunto. Você verá que logo logo as pessoas que se interessam por aquele tema vão começar a recomendar sua página para seus pares.

*Crie um nome interessante
A menos que você seja conhecido, evite usar o seu nome como domínio do blog. Faça um brainstorming (a famosa tempestade de ideias), colocando no papel diferentes sugestões de nomes que sejam atrativas e criativas. Depois, procure algumas pessoas que fazem parte do seu público-alvo e peça a ajuda delas para escolher o nome mais adequado. É importante que o nome selecionado tenha a ver com o tema escolhido para o blog e/ou com o público-alvo. Isso fará com que sua página seja mais facilmente encontrada na busca do Google, por pessoas que gostam daquela temática. Exemplo, o meu blog se chama “Formando Focas” e é voltado a estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados. “Focas” é o termo convencionalmente utilizado para definir o público do meu blog. Portanto, as pessoas que são focas ou pesquisam sobre “focas” no Google certamente se sentirão atraídas pela minha página.

*Elabore uma identidade visual
Imagem é tudo, inclusive na web. Existem diversas plataformas gratuitas na internet para a criação de blogs. Escolha em uma delas um template interessante, atrativo e organizado, preferencialmente algo que combine com a sua temática e seu público-alvo. Opte por um layout que possa oferecer uma experiência de leitura agradável ao leitor. Cuidado com fundos pretos e azul escuro, que podem dificultar a leitura ou mesmo templates muito poluídos. Na minha opinião, quanto mais clean melhor. No cabeçalho, tente colocar um logotipo seu, que seja sua identidade. Tenha um menu com as seções do seu blog bem dispostas. Exemplo: entrevistas, reportagens, artigos, dicas. Sim, é importante que você crie essas seções. Isso ajudará o leitor a entender os diferentes tipos de conteúdo que você disponibiliza na sua página.

*Invista em reportagens e entrevistas
Nada pode irritar mais no momento de pesquisar uma informação na web do que encontrar o famoso “blog achismo”. Sabe aquela página em que a pessoa escreve textos que são mera opinião de boteco, como se tivesse o respaldo de um Elio Gaspari ou outro articulista com dezenas de anos de carreira para emitir aquela opinião? Conforme já dito, o público quer informação exclusiva e que venha de fontes com respaldo. Por isso, aposte em reportagens que tragam especialistas sobre aquele assunto, pessoas que são admiradas pelo seu universo de leitores. O mesmo vale para o gênero entrevista pingue-pongue. Faça pingues com celebridades naquela temática que você está abordando. A audiência da sua página certamente irá bombar. Pensa numa página sobre MPB, por exemplo, que traz uma entrevista exclusiva com Chico Buarque, furando lindamente toda grande imprensa. Sacou? 😉 Além disso, se você é jornalista, a reportagem e a entrevista PRECISAM ser seu diferencial em relação a blogueiros de outras áreas. Não abra mão disso! Hoje há muitos blogueiros que furam a grande imprensa com entrevistas e reportagens. Isso está ao alcance de qualquer jornalista. Basta um pouco de tesão e amor pela profissão. Sei que tem especialista bam bam bam que vai dizer que o blog não tem a obrigação de trazer reportagem, mas, no caso do blog jornalístico, considero esse diferencial obrigatório.

*Preste serviço!
Invista em textos que procurem oferecer dicas e os famosos “passo a passo”, especialmente no formato de tópicos, como este que você está lendo. A internet tem essa característica de prestação de serviço, de trazer conteúdos que ajudam as pessoas a entenderem e a resolverem os mais diferentes problemas. Pesquise quais dicas e serviços são pertinentes para o seu público-alvo e mãos à obra.

*Use a linguagem adequada
Cada meio de comunicação exige um determinado tipo de linguagem. Em blogs, normalmente é utilizada uma linguagem bem mais informal, quase que pessoal (com pitadas do estilo do blogueiro), do que a empregada na grande imprensa. Usar uma linguagem formal em um blog seria como usar um vestido social ou um terno num passeio no Parque do Ibirapuera. O público-alvo também influencia no modo como os textos são escritos. Numa página com a temática de moda, por exemplo, é importante o uso de jargões e expressões típicas da área.

* Respeite a Língua Portuguesa
Erros gramaticais podem colocar em xeque a credibilidade do seu blog. Como confiar num conteúdo escrito fora dos padrões da norma culta da Língua Portuguesa? Revise sempre e várias vezes os textos antes de postá-los. Todos temos problemas com a nossa Língua, que é bastante complexa, mas isso não pode ser uma desculpa para os erros. Por sermos jornalistas, costumamos ser bem mais cobrados pelo público nesse sentido.

*Empregue o hipertexto e o formato multimídia
O ambiente web exige um formato de texto hiperlinkado, que interaja com diversos outros textos, levando o internauta a diferentes complementos de leitura. Portanto, quando montar sua reportagem para o blog, crie hiperlinks no meio do texto que levem o leitor para outras páginas, onde ele poderá se aprofundar em tópicos interessantes abordados ao longo da matéria. A internet hoje também se diferencia dos outros meios pela convergência midiática (vídeo, áudio, fotos, tudo no mesmo veículo). Por isso, ao produzir uma reportagem ou entrevista para o seu blog, tente colocar um vídeo ou podcast que complemente o conteúdo escrito ou mesmo uma galeria de imagens, com várias cenas do conteúdo abordado.

*Atualize com frequência
Esse é um ponto bastante importante. De nada adianta você criar um belo blog, se você não for atualizá-lo com frequência. O leitor entrará uma, duas, três vezes e, ao notar que o conteúdo permanece o mesmo, acabará esquecendo da sua página. Para criar uma fidelização com o público é importante ter sempre conteúdo novo. O ideal seria você atualizar seu blog todo dia, mas, se não conseguir, tente colocar algo relevante nele pelo menos três vezes por semana. Uma dica é cadastrar o seu blog como “veículo jornalístico” em empresas como o Comunique-se ou o Maxpress que fornecem mailing list (lista de contatos de jornalistas) às assessorias de imprensa. Se você fizer isso, passará a receber das assessorias de imprensa (que verão no seu blog um canal de divulgação) informações sobre eventos e outras atividades importantes que estão acontecendo sobre o assunto abordado na sua página e, assim, terá mais conteúdo para colocar no blog. Exemplo, hoje no Formando Focas recebo releases (textos jornalísticos divulgados pelas assessorias de imprensa) sobre eventos na área de jornalismo. Esses releases muitas vezes me dão ideias de conteúdo para o blog.

*Crie uma página no Facebook e um perfil no Twitter
Depois que você estiver com o blog 100%, com todas as dicas anteriores seguidas, crie uma página no Facebook e um perfil no Twitter para ele. O Facebook, em especial, será excelente para projetar seu blog para pessoas do público-alvo que você escolheu (lá é possível divulgar o seu site, fazendo uso da segmentação – você escolhe a idade, o gênero e interesses do público). Você pode impulsionar, a um preço bem baixo, aquelas postagens do seu blog que considerar mais importantes e, com isso, irá atrair muitas curtidas e seguidores. No Facebook você pode até colocar mais posts que no blog. Aliás, não só pode como deve, já que essa rede exige uma atualização ainda mais constante. O mesmo vale para o Twitter. Busque links de interesse do público do seu blog e bora compartilhar nessa mídia social. Sempre que possível, tente usar como raiz desses links o seu blog, para levar o público para a sua página. No Facebook, você ainda poderá fazer transmissões ao vivo, oferecendo dicas e discutindo assuntos interessantes com o seu público-alvo. Isso estreitará bastante o contato com os seus fãs e seguidores. É muito legal!

Fez o check list? Então, bora arrasar como blogueiro-repórter 🙂
OBS: Texto publicado anteriormente em 17/11/2016, no portal IMPRENSA, no qual sou colunista.

Fotógrafos promovem ação em 11/09 para ajudar companheiro de trabalho

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Restos da câmera do fotógrafo Vinicius Gomes, destruída pela PM durante protesto em SP/ Crédito: Lost Art

 

*Por Michelli Oliveira

Em 31/08, o fotógrafo Vinicius Gomes, 19, foi agredido pela Polícia Militar e teve seu equipamento destruído, durante o ato contra o presidente Michel Temer, que assumiu o poder indiretamente, após a decisão do Senado de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

O protesto teve como ponto de concentração a avenida Paulista e tinha como intuito terminar na frente da redação do jornal Folha de São Paulo. Manifestantes que desciam a avenida Consolação foram surpreendidos em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie pela tropa de choque da Polícia Militar, que começou a remessar bombas de efeito moral e balas de borrachas.

Já próximo à Folha, alguns manifestantes e profissionais da imprensa que registravam o ato, dentre eles Vinicius Gomes, foram agredidos por policiais.  “Estava junto com os outros fotógrafos, quando o policial chegou e falou: é você!. Começaram a me dar porrada. Um policial jogou minha câmera no chão, vi a lente indo para um lado e o corpo para outro”, relata Gomes.

Vinicius foi detido juntamente com o fotógrafo William Oliveira, 27, que registrou a cena da agressão policial. Ele levou quatro pontos na cabeça, que foi aberta por golpes de cassetetes.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os fotógrafos foram detidos por terem atirado garrafas e pedras na PM. Vídeos e fotos do momento mostram que Vinicius e os outros fotógrafos encontravam-se parados na hora da abordagem.

 

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Vinícius Gomes, que foi agredido e teve a câmera destruída pela PM/Crédito: Diego Coelho

 

Vinicius é negro e morador da periferia da cidade de São Paulo.  “Imagine se cada jovem negro decidir ocupar os espaços que é dele por direito, se cada negro decidir ser fotógrafo e registrar o que nos acontece nas ruas”, questiona.

Companheiros de profissão realizarão neste domingo (11/09) um varal em frente ao Masp, para tentar ajudar Vinicius a comprar uma nova câmera.

“Venderemos prints no valor de R$ 30,00. Os prints, no tamanho 20×30,  foram doados por vários fotógrafos, para ajudar o Vini a recuperar sua câmera. Se cada pessoa que passar por lá puder parar para dar uma olhada e se solidarizar com a causa, comprando uma foto, será uma forma de ajudar um profissional da imprensa a recuperar seu equipamento e a resistir a censura do Estado imposta pela força”, afirma William Oliveira.

Vinicius depende do equipamento para poder trabalhar.

Além da venda das fotos está acontecendo uma vaquinha colaborativa no site Catarse. Para colaborar, basta acessar https://www.catarse.me/apoieamidianegra

*Michelli Oliveira é minha aluna de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Menina super batalhadora e engajada, defensora da comunidade negra e da causa feminista.  Ela escreve, a meu convite, para o Formando Focas.

Formando Focas comemora aniversário com oficina gratuita sobre estágio e mesa sobre as qualidades do repórter

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*Patrícia Paixão

O Formando Focas está completando seu primeiro ano de vida e o presenteado, querido foca, é você!

Não podia ser diferente. Esse blog nasceu com a ideia de ajudar estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados de todo o país. Era um trabalho que eu já fazia informalmente pela internet, via e-mail e/ou redes sociais, desde que lancei com meus alunos o livro “Mestres da Reportagem”, em 2012. Muitos focas passaram a me procurar pedindo dicas e conselhos.

Em setembro do ano passado resolvi colocar em prática a ideia de um canal que fosse ponto de encontro pra mim e para todos que são apaixonados pelo jornalismo, em especial os iniciantes na área. Criei, então, esse espaço, que tem me proporcionado trocas de experiências maravilhosas com alunos e até professores de diferentes instituições, além das que eu leciono (sou professora do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade Anhembi Morumbi e das Faculdades Integradas Rio Branco).

Passados 12 meses, a página está com mais 30.000 curtidas e seguidores em todo o Brasil. Quase que diariamente recebo mensagens fofas de focas de várias cidades, parabenizando o blog. Considero todos como meus alunos virtuais ❤ Isso é muito gratificante!

Por tudo isso, neste nosso primeiro aniversário (escrevo “nosso”, pois vejo esse espaço como algo também de vocês), resolvi bolar um evento bem legal e GRATUITO (isso é importante, né migos? rs) para todos que apoiam e curtem o FF.

O evento, que tem o apoio do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, acontecerá no sábado, 03/09, das 14h00 às 17h30, no Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato, no centro de São Paulo (infelizmente estou em São Paulo e ainda sem possibilidade de fazer o evento em outros estados, mas quem sabe no futuro, né gente? Eu adoraria!!).

A tarde de comemoração será aberta com a oficina “Como conseguir um estágio em jornalismo?”, ministrada por mim, com a participação dos estudantes de jornalismo Beatriz Sanz (estagiária do El País), Larissa Darc (estagiária da Revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (estagiário do Sebrae e colaborador da Ponte Jornalismo). Nesta oficina, ofereceremos várias dicas e traremos relatos de experiências interessantes de quem já garantiu seu estágio na área.

Em seguida, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas fará uma apresentação da instituição, as conquistas, os direitos  da categoria e os serviços  oferecidos, para que você possa conhecer a importância dessa entidade, que representa nossa classe. Aliás, pessoal do Sindicato, muuuuuuito obrigada pela parceria. Vocês são demais!!

Posteriormente, será realizada uma mesa SENSACIONAL com o tema “O que é preciso para ser um bom repórter?”, formada pelos jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo), Thaís Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV), com a minha mediação.

As vagas são limitadas. É necessário fazer inscrição pelo e-mail:  cursos@sjsp.org.br , com os seguintes dados: nome completo, formação (se for estudante, a faculdade, o curso e semestre que está cursando) e telefones para contato. Todos os dados são obrigatórios.  Os participantes receberão certificados por e-mail.

Gente, VEEEEEM! Vai ser uma senhora comemoração. E no final a gente faz aquela selfie bem bonita do grupo todo para postarmos aqui na página. Estou louca para conhecê-los pessoalmente 🙂

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas na Secretaria do Departamento de Formação do Sindicato, pelo telefone (11) 3217 6294, de segunda a sexta, das 11h00 às 18h00.

Estou te esperando! Quem ama o jornalismo não vai perder! ❤

1º ANO DO FORMANDO FOCAS

Quando: 03/09/2016

Onde: Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de S.Paulo, Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – próximo ao metrô República (acesso pelas Linhas Amarela ou Vermelha).

Programação (*)

Das 14h às 15h30: Oficina “Como arrumar um estágio em Jornalismo?”, com a professora, jornalista e editora do Formando Focas, Patrícia Paixão e os estudantes de jornalismo Beatriz Sanz (estagiária do El País), Larissa Darc (estagiária da Revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (estagiário do Sebrae e colaborador da Ponte Jornalismo).

Das 15h30 às 16h: Diretoria do Sindicato dos Jornalistas

Das 16h às 17h30: Mesa “O que é preciso para ser um bom repórter?”, com os jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo), Thaís Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV), e mediação de Patrícia Paixão.

* programação sujeita à alteração

 

 

 

 

 

Fruto de um TCC, livro resgata a trajetória do repórter Gérson de Souza

livro

*Patrícia Paixão

Ele fez matérias invejáveis pelos cinco continentes do mundo. Esteve em lugares fascinantes, desconhecidos da mídia nacional e internacional, como Papua do Oeste, na parte ocidental da Ilha de Nova Guiné, onde comandou uma grande reportagem com os “korowai batu” – um povo que, comprovadamente, praticou o canibalismo durante décadas e que vive em grandes árvores.

Sem a maquiagem e figurino típicos de um repórter de TV, e com um jeito simples, simpático e caloroso, Gérson parece causar uma espécie de “encantamento” nas fontes. Em poucos minutos de conversa, seus entrevistados já estão abrindo as portas de casa, contando “causos” de seu cotidiano e convidando o jornalista para provar pratos e bebidas típicas e exóticas.

Repórter especial da Rede Record, o jornalista teve seus quase 40 anos de profissão retratados em um “livro-reportagem biografia” escrito pelo jornalista André Guimarães. A obra, fruto do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo de André, aborda toda a trajetória do jornalista,  dos seus primeiros passos, em uma emissora pequena de Pederneiras (interior de São Paulo), às viagens pelos cinco continentes do mundo, pela Rede Record.

O livro foi lançado em 2014, com grande repercussão na mídia. A obra,  permeada por documentos e registros fotográficos da carreira do repórter, conta com o prefácio de Neusa Rocha, uma das principais diretoras da TV brasileira.

Trata-se de uma excelente dica de leitura e um belíssimo exemplo de TCC, do qual tenho imenso orgulho de ter sido orientadora.

Saiba mais sobre os bastidores de produção da obra, nesta entrevista com André Guimarães.

André

André Guimarães

Como surgiu a ideia de biografar Gérson de Souza? Por que ele e não outro repórter?

André Guimarães: A ideia surgiu após o lançamento do livro “Mestres da Reportagem” [em 2012], do qual sou coautor.  Gérson de Souza foi um dos repórteres que compareceram na noite de autógrafos, na Livraria da Vila do Shopping Higienópolis [São Paulo]. Conversamos por alguns minutos e trocamos o contato. Percebi que ele era bastante simpático e acessível. Comecei a pesquisar sobre ele e vi que não existia quase nada publicado sobre sua carreira. Constatei que Gérson tinha um extenso currículo, passando por diferentes mídias (rádio, jornal, assessoria de imprensa e TV), porém com muito pouco material divulgado, apenas um blog e sua página pessoal no Facebook.  Após conversar com a minha orientadora [Patrícia Paixão, responsável por este blog, o Formando Focas], propus ao Gérson a ideia de fazer um livro resgatando sua carreira. Ele concordou e disse: “é um grande desafio que envolverá muito trabalho, você tem certeza?” Eu disse que sim e o acordo para fazer o livro foi selado.

O livro é fruto de um TCC de Jornalismo. Quais são os desafios de escolher o “livro-reportagem” como mídia para um TCC? 

AG: Os desafios são o tempo, o planejamento e encontrar as pessoas que participaram da trajetória do biografado.  É uma corrida contra o tempo, mas o essencial é planejar cada detalhe, contando com contratempos. Não podemos esquecer ainda de que algumas pessoas podem não aceitar falar e teremos que entender e saber lidar com o ocorrido.

Que conselhos você dá para o estudante de jornalismo que pretende fazer como TCC um livro-reportagem?

AG: Primeiro fazer uma vasta pesquisa sobre o assunto ou pessoa a ser retratada e, segundo, um bom planejamento. Terceiro, se dedicar ao máximo, o tempo todo  Em alguns momentos precisará escolher entre ir a alguma festa ou ficar pesquisando, transcrevendo entrevistas, ou seja, fazer o que os outros não estarão fazendo nas horas vagas.

Ao todo, quantas entrevistas e quantos lugares você conheceu para escrever o livro?

AG: Foram 65 entrevistados, entre São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Jaú, Pederneiras, São Bernardo do Campo e Caieiras.

Qual foi o lado mais complicado de fazer essa obra?

AG: Conseguir a entrevista de alguns jornalistas que se julgam melhores que outros, a compilação de dados e a transcrição das entrevistas, já que foram vários entrevistados.

E o mais gratificante?

AG: A emoção, a experiência que obtive durante as entrevistas de ser recebido por grandes nomes do jornalismo brasileiro em suas casas, seus departamentos de trabalho, e os comentários de alguns entrevistados de que Gérson de Souza é um repórter em extinção. E foi exatamente por isso que dei esse nome ao livro.

NÓS

André Guimarães, Patricia Paixão e Gérson de Souza, no lançamento do livro

Como o Gérson recebeu a proposta de ser biografado?

AG: A princípio eu não consegui falar com ele, falei com a esposa, Elaine dos Santos. Ela disse que uma das filhas dele, que era jornalista, tinha um projeto de fazer um livro do pai, mas que falaria com o Gérson e qualquer coisa ele entraria em contato. Passados 15 dias [era sexta-feira – 15 de fevereiro de 2013], recebi uma ligação em meu celular.

Eu: Alô, quem fala?

Gérson de Souza: André Guimarães, aqui é o Gersinho do livro Mestres da Reportagem, tudo bem?

Eu: Gersinho?

Gérson de Souza: Sim, o Gérson de Souza!

Eu (ansioso, surpreso, coração acelerado): Ah! Oi, Gérson, o senhor está bem?

Gérson de Souza: Senhor não, por favor!

Eu: Tudo bem, desculpa. Em que posso ajudar?

Gérson de Souza: Minha esposa disse que você quer escrever um livro, uma biografia sobre mim.

Eu: Sim, verdade!

Gérson de Souza: Então é o seguinte, anote meu endereço, venha almoçar comigo domingo [17/02/2013], às 13h. Traga quem você quiser que conversaremos sobre o livro. Eu aceito.

Eu (lágrimas escorriam em minha face): Obrigado, muito obrigado. Vou falar com a professora Patrícia Paixão, e estarei em sua casa no horário combinado.

Eu fiquei muito emocionado e muito feliz com o aceite dele. Fomos eu, Patrícia Paixão e outro professor, o Carlos Monteiro, na casa dele no domingo. Gérson nos recebeu e disse: “Eu vou cozinhar pra vocês hoje, amo receber pessoas em minha casa e cozinhar pra elas”. Gérson falou 6 horas ininterruptamente. Começou dizendo que não tinha o contato de ninguém e que eu teria muito trabalho. Eu gravei a conversa e comecei as entrevistas. Foram sete meses de produção, todos os dias meu foco era o livro. Eu estudava pela manhã, fazia as entrevistas nos finais de semana, algumas durante a semana no período da tarde ou à noite, já que eu fazia estágio das 16h às 22h45.  Escrevia durante as madrugadas, aos sábados e domingos. Nos sábados, nas bibliotecas, aos domingos no Starbucks do centro de São Paulo, pois na faculdade ou onde eu morava não tinha como.

Ele interferiu no conteúdo do livro?

AG: Em momento algum, deu total liberdade para a produção. No início, decidimos que seria uma biografia profissional, focado na vida profissional dele. Este foi o combinado e assim foi feito.

Por que o leitor deve comprar o livro “Gérson de Souza: Um repórter em extinção”? O que ele vai descobrir sobre o Gérson que ele não sabe?

AG: Porque se trata de um repórter com vasta experiência em diversos veículos de comunicação, que possui uma linguagem simples e conquista as pessoas durante as reportagens. É um belo exemplo a ser seguido no jornalismo.

O leitor descobrirá que Gérson é a mesma pessoa, seja em casa, no trabalho ou com amigos, simples, o homem do calcanhar rachado, como ele mesmo se define.

SERVIÇO

O livro pode ser adquirido pelo site da Livraria Cultura (entregas em todo o Brasil), ao valor de R$ 44,90.