Arquivo da categoria: Datas Comemorativas

Carta de uma jornalista apaixonada

Carta

Divulgação/Comunique-se

*Por Patrícia Paixão

Em 2016, fui convidada pelo Portal Comunique-se para participar de um especial sobre o Dia do Jornalista.

Fiz esse texto que é minha homenagem a todos que escolheram A MELHOR PROFISSÃO DO MUNDO, O JORNALISMO.

Nele, falo sobre as dores e as delícias de ser jornalista (muito mais delícias que dores), através de uma carta que escrevi para mim mesma. A Patrícia Paixão de 40 anos (hoje 41 rs) escrevendo para a Patrícia Paixão de 19, uma foca.

Me emocionei muito redigindo este texto e sei que ele responde às dúvidas de muitos que pretendem seguir a profissão.

Hoje, 7 de abril de 2017, data em que mais uma vez comemoramos o Dia do Jornalista, republico a cartinha (com a data atualizada), com a mesma carga de emoção que me fez escrevê-la.

Espero que gostem 🙂

FELIZ DIA DO JORNALISTA! FELIZ NOSSO DIA ❤

EU SIMPLESMENTE AAAAAAAAAAAAMO ESSA PROFISSÃO!

—————————————————————————————————————————————–

 

São Paulo, 7 de abril de 2017.

Querida Patrícia,

Tudo bem?

Quem escreve é você mesma, aos 40 anos.

Nesta data em que se comemora o Dia do Jornalista, resolvi te dar alguns conselhos e acabar com certas interrogações que andam colocando na sua cabeça sobre permanecer ou não no curso de jornalismo.

Sei que já te contaram sobre casos de familiares e conhecidos que fizeram jornalismo e não conseguiram trabalhar na área. Ou que trabalharam durante algum tempo e depois acabaram mudando de profissão.

Sei também que andam dizendo que o melhor seria você optar por uma profissão “mais séria” e “que desse mais dinheiro”, para garantir seu futuro e o de sua família.

Pois bem. Em vez de dar ouvido a esses questionamentos, lembre-se do que disse sua estimada professora de Língua Portuguesa do terceiro ano do ensino médio, da escola estadual “Professor José Marques da Cruz”. Lembra como ela te incentivou a prestar jornalismo pelo fato de você escrever bem?

Some a este precioso estímulo seu amor pela leitura e seu jeito inconveniente de querer opinar e estar por dentro de tudo o que acontece, querendo mudar o que considera injusto. Jeito este que lhe rendeu, quando pequena, alguns puxões de orelha, por se meter em “conversas de adulto”, e quebra-paus homéricos (já na adolescência) com alguns de seus familiares por pensar diferente de muitos deles em relação a assuntos polêmicos.

Escute também uma das poucas vozes sensatas que te rondam neste momento, a do seu pai.  Ele insiste em destacar que quem faz o que ama, dando o seu melhor, consegue vencer, por mais difícil que seja a profissão que escolheu. Ele está certo. Acredite!

Rica, realmente, você não vai ser. Pelo menos uma verdade foi dita por essas pessoas que estão empenhadas em te fazer desistir do jornalismo. Pra falar a verdade, aos 40 seus bens se resumirão a uma casa própria modesta e um carro popular “bem detonado”, diga-se de passagem.

Mas você vai conseguir pagar todas as suas contas, realizar alguns sonhos de consumo e, o mais importante, será uma pessoa plenamente realizada em diversos sentidos.

Sabe esse seu horror pela rotina? Pode ficar tranquila, porque, no jornalismo, você não corre o menor risco de ficar entediada. Todo dia conhecerá pessoas novas e aprenderá sobre diferentes assuntos. Começará como locutora da rádio da sua faculdade, comentando sobre Esportes, Economia, Cultura, entre outras editorias. Depois escreverá sobre a colônia japonesa, em um jornal voltado a brasileiros que moram no Japão; trabalhará como colunista de comportamento, escrevendo para pessoas que vivem sozinhas, dando dicas sobre como conquistar alguém; atuará na editoria de Política da agência de notícias de um dos principais jornais do país (a Folha de S.Paulo, que você tanto admira); será editora de duas revistas na área de papel e celulose e no mercado de indústria gráfica; escreverá sobre política tributária em um sindicato de funcionários da Receita Federal e será assessora de imprensa de organizações de diferentes setores.

Sabe esse seu hobby por viagens? Também será atendido. Como jornalista você terá a chance de conhecer diferentes lugares, suas culturas, suas peculiaridades.

Perderá, sim, finais de semana, feriados, Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, e adentrará madrugadas na redação. Trabalhará muito, muito mesmo. Mas também se sentirá fazendo parte da história ao participar de coberturas marcantes, como a dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, um dos dias em que você mais vai trabalhar na vida. Você se sentirá orgulhosa de ter feito essa e outras coberturas. Vai vibrar com cada furo conseguido, com cada elogio que receber do público.

Ficará extremamente grata e sensibilizada ao notar alguns entrevistados contando suas histórias, com lágrimas nos olhos, abrindo suas vidas sofridas para você, vendo em seu trabalho a única saída para seus dilemas, já que o Estado e outras instituições que deveriam zelar pela sua proteção lhes viraram as costas. Você dará voz a essas pessoas que têm suas falas tantas vezes ignoradas e/ou silenciadas e perceberá que, com seu trabalho, a vida delas terá uma chance de ser modificada.

Entrará em contato com personalidades que costumam aparecer na telinha, enchendo os olhos de quem pensa que ser jornalista significa trabalhar na Globo e conquistar a fama. Aliás, ao longo de sua carreira vão te perguntar muitas vezes se você trabalha na vênus platinada. Acostume-se! Você perceberá que este contato com celebridades é irrelevante perto da chance de poder denunciar o que está errado no seu país. Aliás, prepare-se, porque denunciar o que não anda bem significa muitas vezes mexer com interesses de grupos poderosos, dispostos a perseguir e até mesmo calar quem deseja revelar seus mandos e desmandos.

Mas você vai superar cada obstáculo que aparecer no seu caminho, impulsionada pelo prazer de seguir numa profissão tão enobrecedora.

Um dia você decidirá deixar a redação para se tornar professora de jornalismo. Vai fazer essa opção para tentar ter uma vida mais organizada e com o objetivo de passar adiante toda experiência acumulada na área.

Continuará a escrever e a reportar, pois é um “vício” muito bom,  do qual você nunca vai conseguir se desvencilhar, mas desta vez com o pé na sala de aula, ajudando a formar profissionais que estão cheios de dúvidas e expectativas, como você está neste momento, aos 19, no primeiro ano do curso de jornalismo.

Lecionar será uma experiência igualmente enriquecedora. Você poderá discutir os erros e acertos que vê na profissão, passando seu idealismo e sua paixão aos discentes.

Em muitas aulas você vai se empolgar ensinando as técnicas de entrevista e reportagem que aprendeu ao longo da carreira. Vai comemorar cada conquista dos seus alunos como se fosse sua. Conseguirá ver seus sonhos jornalísticos sendo colocados em prática pelos seus pupilos, como se eles estivessem incorporando um pouquinho de você dia a dia.

Aos 40, você vai ouvir muita gente dizendo que o jornalismo está em crise. Sabe por quê? É que este novo meio de comunicação, que nesse momento você está vendo nascer, a tal da internet, ganhará força e realmente abalará os veículos tradicionais, dando a qualquer pessoa a oportunidade de divulgar informação. O impresso, em especial, perderá muitos leitores para a internet, que veiculará a notícia de forma mais rápida e sintética. Muitos dirão que a mídia impressa vai desaparecer. Haverá também uma dependência ainda maior da mídia em relação aos seus anunciantes e a grupos políticos e econômicos. Tente não se abalar com esses acontecimentos. Com um pouco de observação e cautela, você perceberá que a informação com credibilidade continuará dependendo do bom jornalismo, ou seja, da apuração, do bom texto e de todas as técnicas que você aprendeu na faculdade.

Você vai ver muitos colegas serem demitidos devido a tal crise do jornalismo? Sim, verá. Mas também verá formas interessantes de reportagem surgindo na internet, um jornalismo independente de interesses políticos e econômicos, como não vemos nas grandes redações. Muitos colegas sem espaço na grande imprensa apostarão nessas novas formas de comunicação, que buscam outros caminhos de sustentação financeira, a partir da contribuição do próprio público. Grandes reportagens continuarão a ser feitas, revelando feridas e males da nossa sociedade, mostrando que, apesar de todo o cenário de incertezas, o jornalismo continua sendo essencial.

Por tudo isso, querida Patrícia, digo com segurança: pode seguir tranquilamente no curso que escolheu.

Só não perca nunca sua sensibilidade social, sua perseverança e o seu amor pela profissão. Essa coisa do brilho no olhar, sabe? Brilho no olhar é TUDO! Ao longo da carreira você verá que os profissionais mais bem sucedidos são os que mantiveram o tesão pela área, a esperança de que você pode mudar o mundo com uma reportagem. É uma ilusão pensar assim? Sim, é! Mas é uma ambição extremamente importante para quem está numa profissão de natureza social.

Fácil não será. Aliás, vai ser bem difícil. Você vai ouvir pelo menos uns 30 “nãos” até conseguir sua primeira oportunidade de trabalho num mercado que é extremamente competitivo, e que ficará cada vez mais disputado. Ganhará pouco e nem sempre vai ser devidamente reconhecida, mas, com certeza, será feliz por fazer o que gosta e ver na sua carreira uma oportunidade de colaborar com um mundo melhor. Quer maior riqueza que esta??

Nos vemos daqui a 20 anos. Pode estar certa de que você não terá se arrependido. Como disse o mestre Gabriel García Márquez, esta é “a melhor profissão do mundo”. Não me imagino fazendo outra coisa.

Patrícia Paixão é jornalista e professora do curso de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e das Faculdades Integradas Rio Branco. É também responsável pelo blog Formando Focas (www.formandofocas.com), voltado a estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados.

 

Sindicato dos Jornalistas promove evento com a participação do Formando Focas

COMO CONSEGUIR

*Patrícia Paixão

No próximo dia 8 de abril, o Formando Focas participará de uma programação especial que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo vai oferecer a estudantes de jornalismo e profissionais recém-formados.

O evento, que acontece em comemoração ao Dia do Jornalista (celebrado em 7 de abril), com a parceria da Associação Profissão Jornalista,  será realizado das 14h às 18h, no auditório Vladimir Herzog, sede da entidade.

Na ocasião, eu, Patrícia Paixão, responsável por este blog,  oferecerei a oficina “Como conseguir um estágio em jornalismo”, com dicas sobre como preparar o currículo e como se portar em uma entrevista de estágio na área.

Levarei comigo, para dividir experiências com o público, os meus queridos e eternos alunos Beatriz Sanz, estagiária do El País, e Kaique Dalapola, estagiário do R7 e integrante da Ponte Jornalismo.


O evento ainda contará com uma palestra muito legal sobre “Empreendedorismo no ecossistema do jornalismo”, com o jornalista Dal Marcondes.

Tudo é gratuito (o sindicato oferece certificado), mas as vagas são limitadas. Garanta a sua!

As inscrições serão feitas apenas por e-mail, pelo endereço:  cursos@sjsp.org.br

Espero você lá! ❤

SERVIÇO

Como conseguir um estágio em Jornalismo e Empreendedorismo no Ecossistema do Jornalismo

Local: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (auditório Vladimir Herzog), –  Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – Vila Buarque – Próximo ao metrô República.

Programação:

13h30 – 14h00 – Credenciamento

14h00 – 16h00 – Primeiro tema: Estágio em Jornalismo

Atividade 1 – “Oficina – Como conseguir um estágio em Jornalismo”, com Patrícia Paixão, jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP) no Programa de Integração em América Latina (PROLAM). Patrícia é professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi-Morumbi. É editora do blog Formando Focas, voltado a estudantes de jornalismo, colunista dos portais IMPRENSA e Comunique-se, além de organizadora dos livros “Mestres da Reportagem” e “Jornalismo Policial: Histórias de quem faz”.

Atividade 2 – Depoimentos  “Experiência como estagiário”, com os estagiários Beatriz Sanz, estudante da São Judas e estagiária no El País, e Kaique Dalapola, estudante das Faculdades Integradas Rio Branco e estagiário do Portal R7 e integrante da Ponte Jornalismo.

16h00 – 16h30 – Café

16h30 – 17h30 – Segundo tema: “Empreendedorismo no ecossistema do jornalismo

O modelo de trabalho do jornalismo no século 20 está em profunda transformação. Há ainda algumas empresas que mantém a velha fórmula, no entanto com cada vez menos profissionais em seus quadros. E já surgem novos modelos de jornalismo que incorporam tecnologia em sua realização e na forma de chegar até os leitores/espectadores/ouvintes/internautas. Vamos conversar sobre esse cenário e as oportunidades para novos e velhos jornalistas

Com Dal Marcondes, jornalista formado pela ECA/USP com especialização em Economia, Ciência Ambiental/USP e mestrando em Modelos de Negócios do Jornalismo Digital/ESPM-SP – Prublisher do Portal Envolverde (www.envolverde.com.br) vice-presidente da Associação Profissão Jornalista (APJor) e presidente da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental.

17h30 – 18h00 – Encerramento

 

Formando Focas comemora aniversário com oficina gratuita sobre estágio e mesa sobre as qualidades do repórter

Banner_Niver_FF

 

 

*Patrícia Paixão

O Formando Focas está completando seu primeiro ano de vida e o presenteado, querido foca, é você!

Não podia ser diferente. Esse blog nasceu com a ideia de ajudar estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados de todo o país. Era um trabalho que eu já fazia informalmente pela internet, via e-mail e/ou redes sociais, desde que lancei com meus alunos o livro “Mestres da Reportagem”, em 2012. Muitos focas passaram a me procurar pedindo dicas e conselhos.

Em setembro do ano passado resolvi colocar em prática a ideia de um canal que fosse ponto de encontro pra mim e para todos que são apaixonados pelo jornalismo, em especial os iniciantes na área. Criei, então, esse espaço, que tem me proporcionado trocas de experiências maravilhosas com alunos e até professores de diferentes instituições, além das que eu leciono (sou professora do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade Anhembi Morumbi e das Faculdades Integradas Rio Branco).

Passados 12 meses, a página está com mais 30.000 curtidas e seguidores em todo o Brasil. Quase que diariamente recebo mensagens fofas de focas de várias cidades, parabenizando o blog. Considero todos como meus alunos virtuais ❤ Isso é muito gratificante!

Por tudo isso, neste nosso primeiro aniversário (escrevo “nosso”, pois vejo esse espaço como algo também de vocês), resolvi bolar um evento bem legal e GRATUITO (isso é importante, né migos? rs) para todos que apoiam e curtem o FF.

O evento, que tem o apoio do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, acontecerá no sábado, 03/09, das 14h00 às 17h30, no Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato, no centro de São Paulo (infelizmente estou em São Paulo e ainda sem possibilidade de fazer o evento em outros estados, mas quem sabe no futuro, né gente? Eu adoraria!!).

A tarde de comemoração será aberta com a oficina “Como conseguir um estágio em jornalismo?”, ministrada por mim, com a participação dos estudantes de jornalismo Beatriz Sanz (estagiária do El País), Larissa Darc (estagiária da Revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (estagiário do Sebrae e colaborador da Ponte Jornalismo). Nesta oficina, ofereceremos várias dicas e traremos relatos de experiências interessantes de quem já garantiu seu estágio na área.

Em seguida, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas fará uma apresentação da instituição, as conquistas, os direitos  da categoria e os serviços  oferecidos, para que você possa conhecer a importância dessa entidade, que representa nossa classe. Aliás, pessoal do Sindicato, muuuuuuito obrigada pela parceria. Vocês são demais!!

Posteriormente, será realizada uma mesa SENSACIONAL com o tema “O que é preciso para ser um bom repórter?”, formada pelos jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo), Thaís Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV), com a minha mediação.

As vagas são limitadas. É necessário fazer inscrição pelo e-mail:  cursos@sjsp.org.br , com os seguintes dados: nome completo, formação (se for estudante, a faculdade, o curso e semestre que está cursando) e telefones para contato. Todos os dados são obrigatórios.  Os participantes receberão certificados por e-mail.

Gente, VEEEEEM! Vai ser uma senhora comemoração. E no final a gente faz aquela selfie bem bonita do grupo todo para postarmos aqui na página. Estou louca para conhecê-los pessoalmente 🙂

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas na Secretaria do Departamento de Formação do Sindicato, pelo telefone (11) 3217 6294, de segunda a sexta, das 11h00 às 18h00.

Estou te esperando! Quem ama o jornalismo não vai perder! ❤

1º ANO DO FORMANDO FOCAS

Quando: 03/09/2016

Onde: Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de S.Paulo, Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – próximo ao metrô República (acesso pelas Linhas Amarela ou Vermelha).

Programação (*)

Das 14h às 15h30: Oficina “Como arrumar um estágio em Jornalismo?”, com a professora, jornalista e editora do Formando Focas, Patrícia Paixão e os estudantes de jornalismo Beatriz Sanz (estagiária do El País), Larissa Darc (estagiária da Revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (estagiário do Sebrae e colaborador da Ponte Jornalismo).

Das 15h30 às 16h: Diretoria do Sindicato dos Jornalistas

Das 16h às 17h30: Mesa “O que é preciso para ser um bom repórter?”, com os jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo), Thaís Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV), e mediação de Patrícia Paixão.

* programação sujeita à alteração

 

 

 

 

 

Carta de uma jornalista apaixonada

*Patrícia Paixão

Fui convidada pelo Portal Comunique-se para participar do especial deles sobre o Dia do Jornalista.

Espero que goste do texto, querido foca (veja abaixo).

Nele falo sobre as dores e as delícias do Jornalismo (muito mais delícias que dores), através de uma carta que escrevi para mim mesma. A Patrícia Paixão de 40 anos escrevendo para a Patrícia Paixão de 19, uma foca.

Me emocionei muito redigindo este texto e sei que ele responde às dúvidas de muitos focas sobre seguir ou não na profissão.

FELIZ DIA DO JORNALISTA!

——————————————————————————————————————————————

Divulgação/Comunique-se

Divulgação/Comunique-se

 

São Paulo, 7 de abril de 2016.

Querida Patrícia,

Tudo bem?

Quem escreve é você mesma, aos 40 anos.

Nesta data em que se comemora o Dia do Jornalista, resolvi te dar alguns conselhos e acabar com certas interrogações que andam colocando na sua cabeça sobre permanecer ou não no curso de jornalismo.

Sei que já te contaram sobre casos de familiares e conhecidos que fizeram jornalismo e não conseguiram trabalhar na área. Ou que trabalharam durante algum tempo e depois acabaram mudando de profissão.

Sei também que andam dizendo que o melhor seria você optar por uma profissão “mais séria” e “que desse mais dinheiro”, para garantir seu futuro e o de sua família.

Pois bem. Em vez de dar ouvido a esses questionamentos, lembre-se do que disse sua estimada professora de Língua Portuguesa do terceiro ano do ensino médio, da escola estadual “Professor José Marques da Cruz”. Lembra como ela te incentivou a prestar jornalismo pelo fato de você escrever bem?

Some a este precioso estímulo seu amor pela leitura e seu jeito inconveniente de querer opinar e estar por dentro de tudo o que acontece, querendo mudar o que considera injusto. Jeito este que lhe rendeu, quando pequena, alguns puxões de orelha, por se meter em “conversas de adulto”, e quebra-paus homéricos (já na adolescência) com alguns de seus familiares por pensar diferente de muitos deles em relação a assuntos polêmicos.

Escute também uma das poucas vozes sensatas que te rondam neste momento, a do seu pai.  Ele insiste em destacar que quem faz o que ama, dando o seu melhor, consegue vencer, por mais difícil que seja a profissão que escolheu. Ele está certo. Acredite!

Rica, realmente, você não vai ser. Pelo menos uma verdade foi dita por essas pessoas que estão empenhadas em te fazer desistir do jornalismo. Pra falar a verdade, aos 40 seus bens se resumirão a uma casa própria modesta e um carro popular “bem detonado”, diga-se de passagem.

Mas você vai conseguir pagar todas as suas contas, realizar alguns sonhos de consumo e, o mais importante, será uma pessoa plenamente realizada em diversos sentidos.

Sabe esse seu horror pela rotina? Pode ficar tranquila, porque, no jornalismo, você não corre o menor risco de ficar entediada. Todo dia conhecerá pessoas novas e aprenderá sobre diferentes assuntos. Começará como locutora da rádio da sua faculdade, comentando sobre Esportes, Economia, Cultura, entre outras editorias. Depois escreverá sobre a colônia japonesa, em um jornal voltado a brasileiros que moram no Japão; trabalhará como colunista de comportamento, escrevendo para pessoas que vivem sozinhas, dando dicas sobre como conquistar alguém; atuará na editoria de Política da agência de notícias de um dos principais jornais do país (a Folha de S.Paulo, que você tanto admira); será editora de duas revistas na área de papel e celulose e no mercado de indústria gráfica; escreverá sobre política tributária em um sindicato de funcionários da Receita Federal e será assessora de imprensa de organizações de diferentes setores.

Sabe esse seu hobby por viagens? Também será atendido. Como jornalista você terá a chance de conhecer diferentes lugares, suas culturas, suas peculiaridades.

Perderá, sim, finais de semana, feriados, Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa, e adentrará madrugadas na redação. Trabalhará muito, muito mesmo. Mas também se sentirá fazendo parte da história ao participar de coberturas marcantes, como a dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, um dos dias em que você mais vai trabalhar na vida. Você se sentirá orgulhosa de ter feito essa e outras coberturas. Vai vibrar com cada furo conseguido, com cada elogio que receber do público.

Ficará extremamente grata e sensibilizada ao notar alguns entrevistados contando suas histórias, com lágrimas nos olhos, abrindo suas vidas sofridas para você, vendo em seu trabalho a única saída para seus dilemas, já que o Estado e outras instituições que deveriam zelar pela sua proteção lhes viraram as costas. Você dará voz a essas pessoas que têm suas falas tantas vezes ignoradas e/ou silenciadas e perceberá que, com seu trabalho, a vida delas terá uma chance de ser modificada.

Entrará em contato com personalidades que costumam aparecer na telinha, enchendo os olhos de quem pensa que ser jornalista significa trabalhar na Globo e conquistar a fama. Aliás, ao longo de sua carreira vão te perguntar muitas vezes se você trabalha na vênus platinada. Acostume-se! Você perceberá que este contato com celebridades é irrelevante perto da chance de poder denunciar o que está errado no seu país. Aliás, prepare-se, porque denunciar o que não anda bem significa muitas vezes mexer com interesses de grupos poderosos, dispostos a perseguir e até mesmo calar quem deseja revelar seus mandos e desmandos.

Mas você vai superar cada obstáculo que aparecer no seu caminho, impulsionada pelo prazer de seguir numa profissão tão enobrecedora.

Um dia você decidirá deixar a redação para se tornar professora de jornalismo. Vai fazer essa opção para tentar ter uma vida mais organizada e com o objetivo de passar adiante toda experiência acumulada na área.

Continuará a escrever e a reportar, pois é um “vício” muito bom,  do qual você nunca vai conseguir se desvencilhar, mas desta vez com o pé na sala de aula, ajudando a formar profissionais que estão cheios de dúvidas e expectativas, como você está neste momento, aos 19, no primeiro ano do curso de jornalismo.

Lecionar será uma experiência igualmente enriquecedora. Você poderá discutir os erros e acertos que vê na profissão, passando seu idealismo e sua paixão aos discentes.

Em muitas aulas você vai se empolgar ensinando as técnicas de entrevista e reportagem que aprendeu ao longo da carreira. Vai comemorar cada conquista dos seus alunos como se fosse sua. Conseguirá ver seus sonhos jornalísticos sendo colocados em prática pelos seus pupilos, como se eles estivessem incorporando um pouquinho de você dia a dia.

Aos 40, você vai ouvir muita gente dizendo que o jornalismo está em crise. Sabe por quê? É que este novo meio de comunicação, que nesse momento você está vendo nascer, a tal da internet, ganhará força e realmente abalará os veículos tradicionais, dando a qualquer pessoa a oportunidade de divulgar informação. O impresso, em especial, perderá muitos leitores para a internet, que veiculará a notícia de forma mais rápida e sintética. Muitos dirão que a mídia impressa vai desaparecer. Haverá também uma dependência ainda maior da mídia em relação aos seus anunciantes e a grupos políticos e econômicos. Tente não se abalar com esses acontecimentos. Com um pouco de observação e cautela, você perceberá que a informação com credibilidade continuará dependendo do bom jornalismo, ou seja, da apuração, do bom texto e de todas as técnicas que você aprendeu na faculdade.

Você vai ver muitos colegas serem demitidos devido a tal crise do jornalismo? Sim, verá. Mas também verá formas interessantes de reportagem surgindo na internet, um jornalismo independente de interesses políticos e econômicos, como não vemos nas grandes redações. Muitos colegas sem espaço na grande imprensa apostarão nessas novas formas de comunicação, que buscam outros caminhos de sustentação financeira, a partir da contribuição do próprio público. Grandes reportagens continuarão a ser feitas, revelando feridas e males da nossa sociedade, mostrando que, apesar de todo o cenário de incertezas, o jornalismo continua sendo essencial.

Por tudo isso, querida Patrícia, digo com segurança: pode seguir tranquilamente no curso que escolheu.

Só não perca nunca sua sensibilidade social, sua perseverança e o seu amor pela profissão. Essa coisa do brilho no olhar, sabe? Brilho no olhar é TUDO! Ao longo da carreira você verá que os profissionais mais bem sucedidos são os que mantiveram o tesão pela área, a esperança de que você pode mudar o mundo com uma reportagem. É uma ilusão pensar assim? Sim, é! Mas é uma ambição extremamente importante para quem está numa profissão de natureza social.

Fácil não será. Aliás, vai ser bem difícil. Você vai ouvir pelo menos uns 30 “nãos” até conseguir sua primeira oportunidade de trabalho num mercado que é extremamente competitivo, e que ficará cada vez mais disputado. Ganhará pouco e nem sempre vai ser devidamente reconhecida, mas, com certeza, será feliz por fazer o que gosta e ver na sua carreira uma oportunidade de colaborar com um mundo melhor. Quer maior riqueza que esta??

Nos vemos daqui a 20 anos. Pode estar certa de que você não terá se arrependido. Como disse o mestre Gabriel García Márquez, esta é “a melhor profissão do mundo”. Não me imagino fazendo outra coisa.

Patrícia Paixão é jornalista e professora do curso de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e das Faculdades Integradas Rio Branco. É também responsável pelo blog Formando Focas (www.formandofocas.com), voltado a estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados.

 

FELIZ DIA DO JORNALISTA!

*Patrícia Paixão

Se eu tivesse que recomeçar a minha vida 100 vezes, nas 100 vezes eu optaria pelo Jornalismo.

Orgulho de ter escolhido “a melhor profissão do mundo”, como bem destacou o mestre Gabriel García Márquez.

Uma atividade belíssima, com a qual é possível dar voz  a quem costuma ser silenciado e denunciar as feridas e mazelas da nossa sociedade.

Quer riqueza maior que esta?

Eu aaaaaaaamo ser jornalista!

Parabéns, queridos focas!!!!!! ❤

DIA 2

Feliz Dia do Repórter!

No Dia do Repórter (16/02), uma homenagem àquele que, na minha opinião, foi um dos maiores repórteres que esse país já teve:  JOEL SILVEIRA

Dia do Repórter

FELIZ DIA DO REPÓRTER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!