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Jornalistas destacam desafios da assessoria de imprensa nas áreas política e cultural

*Por Amanda Rinaldi, Ana Claudia, Gabriela Freitas e Thayna Gomes

Busian

 

Os jornalistas Fernando Busian, assessor da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo, e Marina Santa Clara Yakabe, assessora de imprensa dos rappers Emicida e Rael, palestraram sobre o trabalho de assessoria nas áreas política e cultural, no último dia 20/04, na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Organizado pela jornalista e professora Patrícia Paixão, responsável por este blog (Formando Focas), o encontro aconteceu na forma de um bate-papo com os alunos do quinto semestre do curso de jornalismo.

Busian, que é formado em Rádio e TV, Jornalismo e Filosofia pela Universidade São Judas e possui 16 anos de experiência na área (atuou como repórter e editor na redação do jornal Agora São Paulo e foi assessor de imprensa do prefeito Fernando Haddad durante a campanha eleitoral e no primeiro ano de sua gestão),  contou sobre os desafios diários do assessor na área pública. Para o jornalista, a maior dificuldade encontrada por assessores atuantes nesse setor é o preconceito da imprensa em relação ao poder público. Segundo Busian, essa situação acaba sendo refletida na forma como a sociedade enxerga a administração pública.

O palestrante também destacou que “falta interesse público no jornalismo brasileiro”, após discorrer sobre a nossa recente e frágil democracia. Completou dizendo que “falta equilíbrio” nos julgamentos midiáticos e que esse quadro é agravado no atual cenário político que vivemos.

Fernando ressaltou para os estudantes a necessidade de adaptação às novas tecnologias e à tendência de transparência nos dados públicos . “O jornalismo está mudando, porque tem muitas coisas públicas disponíveis hoje na internet. Poucos colegas, no entanto, sabem explorar esses dados”, disse, referindo-se à Lei de Acesso à Informação.

Área cultural

Marina

Marina Santa Clara Yakabe, que trabalhou no jornal Agora S. Paulo e no Portal R7 antes de atuar como assessora, explicou um pouco do seu cotidiano e da responsabilidade de trabalhar com dois nomes importantes do rap nacional. Ela falou sobre as diferenças entre assessorar um artista que já é renomado, como o Emicida, e um ainda em ascensão, como o Rael. “Não é um trabalho mais fácil que o outro, e sim desafios diferentes”.

Questionada sobre se passou por alguma situação com os músicos em que teve de colocar em prática a gestão de crise, Marina lembrou da prisão do cantor Emicida, em 2012, por desacato à autoridade, durante um show em Belo Horizonte. No início do show o rapper fez a leitura de um texto desaprovando a desocupação de um terreno na região do Barreiro, onde famílias pobres estavam acampadas. Na ocasião, ela disse que não foi preciso um grande esforço para contornar o problema, já que setores da própria mídia, como a MTV, saíram em defesa do cantor.  

Apesar de fazer assessoria para dois artistas de um mesmo segmento, Marina enfatizou que não é interessante usar o sucesso de um para promover o outro.

Preconceito

Tanto Marina como Busian discutiram sobre o preconceito que o assessor de imprensa costuma sofrer por parte de alguns colegas atuantes em redação. Enquanto Busian disse não se importar com o fato, Marina enfatizou que é necessário quebrar a ideia de que o assessor é uma figura chata, que só se tornou o que é por não ter dado certo na redação. Ela disse que se sente muito mais realizada hoje, como assessora, inclusive na questão do respeito às suas convicções. Afirmou que, quando o jornalista atua em redação, muitas vezes se vê obrigado a seguir a linha editorial e as regras do veículo no qual ele trabalha, tomando atitudes que fogem da verdadeira vocação do jornalismo, que é o interesse público.

*Estudantes do quinto semestre do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Ame o Jornalismo e seus sonhos se concretizarão

*Patrícia Paixão

O ano era 1995.  Uma jovem estudante de Jornalismo avistou um anúncio em um dos murais de sua faculdade (a Unesp/Campus Bauru), que a deixou extremamente entusiasmada.

O comunicado convidada os alunos da instituição a participarem de um evento que reuniria, no auditório do jornal O Estado de S.Paulo, universitários de diversas partes do Brasil. Esse evento, chamado de “Semana Estado de Jornalismo”, permitiria aos participantes produzirem uma reportagem para concorrerem a um prêmio.

A jovem foi prontamente procurar a coordenação do curso para se inscrever no congresso. Como perder um evento que lhe daria a chance de interagir com palestrantes renomados e alunos de todo o país, conhecer um dos jornais mais conceituados e tradicionais da nossa imprensa (no qual trabalharam nomes como Euclides da Cunha), além de concorrer a um prêmio, que incluía a publicação do seu texto no veículo???

Aprontou as malas para São Paulo,  sua cidade natal (estava morando em Bauru apenas para estudar), e ficou sonhando com aquela semana, que seria tão especial.

Essa jovem participou de todos os dias do evento, produziu a reportagem para concorrer à premiação, mas não foi selecionada. Ficou triste, claro, mas extremamente grata pelos conhecimentos adquiridos e amizades feitas naqueles quatro dias da Semana Estado. Decidiu que no ano seguinte participaria do congresso novamente. E assim o fez. Repetiu a dose em mais um ano do curso, quando já estava na Universidade Metodista de São Paulo (transferiu-se no segundo ano da graduação para a UMESP), mas não conseguiu concorrer ao prêmio, pois estava estagiando e não teve tempo para entregar a reportagem do jeito que gostaria. Ficou sonhando com a premiação, mas não aconteceu. Se conformou com o fato, considerando que “não era pra ser”.

Passada uma década, aquela jovem cheia de sonhos, depois de ter trabalhado em diferentes redações, inclusive no grupo do jornal concorrente (atuou na Agência Folha), se transformou em uma apaixonada professora de Jornalismo. Continuava com o mesmo idealismo e amor intenso pela profissão e esse foi um dos motivos que a fez ter vontade de lecionar.

Como docente, permaneceu sonhando com o prêmio da Semana Estado de Jornalismo, que logo passou a ser patrocinada pelo Banco Santander (Semana Estado de Jornalismo/Prêmio Santander Jovem Jornalista).

Mas, agora, era diferente. Desejava muito que um de seus alunos fosse o vencedor ou, pelo menos, finalista. A premiação incluía uma visita à Universidade de Navarra (na Espanha), uma das principais instituições de ensino de Jornalismo do mundo. “Que lindo seria ver um dos meus pupilos ganhando uma bolsa de estudos como esta!”, pensava.

Todo ano a professora destacava aos alunos a importância de participar da Semana Estado e os acompanhava nas tardes do evento, por ter a certeza de que ainda continuaria aprendendo muito com aquela experiência, e para relembrar os tempos de universitária.

Esse ritual se estendeu por mais dez anos até 2015, quando, além de professora, ela já atuava como coordenadora do curso de Jornalismo.

No dia 04/12/2015, a docente recebeu uma ligação e um e-mail do Estadão, que a deixou com o coração saltando pela boca. “Finalmente! Um dos meus alunos deve ter ficado como finalista do prêmio!”, pensou, ao receber a mensagem. Mas não. Nenhum de seus pupilos estavam entre os universitários finalistas. Na verdade, a ligação era para dizer que ELA HAVIA SIDO PREMIADA. Sim! Ela ganhou aquela viagem para conhecer a Universidade de Navarra na Espanha, por todo seu empenho em estimular os alunos a participarem da Semana Estado de Jornalismo. Além da viagem, que acontecerá em março de 2016, durante o maior encontro de infografia do mundo (o prêmio Malofiej, que será sediado na universidade), a professora foi presenteada com 1000 euros, para não ter despesa alguma durante a semana em que estiver na Espanha.

ESSA PROFESSORA SOU EU!  A PROFESSORA MAIS FELIZ DO MUNDO!!!

Como se não bastasse ter sido homenageada em outubro no Prêmio “Professor IMPRENSA”, promovido pela revista e pelo portal IMPRENSA (fui classificada entre as docentes consideradas mais inspiradoras na região Sudeste do país), agora essa conquista! Como não ser a professora mais realizada do mundo? Como não encerrar 2015 dando saltos de alegria??

Moral da história, queridos focas: AMEM INTENSAMENTE O JORNALISMO E ACREDITEM NOS SEUS SONHOS. MAIS CEDO OU MAIS TARDE, ELES IRÃO SE REALIZAR.

Como sempre disse meu pai, meu grande herói nesta vida, se você amar o que você faz, você vai ser bem-sucedido.

SCA SÃO PAULO 07/12/2015 - METRÓPOLE - PREMIO SANTANDER JOVEM JORNALISTA - Cerimônia de entrega do 10º Prêmio Santander Jovem Jornalista, Ricardo Gandour ( Diretor de Conteúdo de O Estado de S.Paulo, Roverto Gazzi, Diretor de Desenvolvimento Editorial de O Estado de S.Paulo, Clau Duarte ( Superintendente Executiva de Comunicação Externa do Banco Santander) entregam premio para Vinícius Coimbra, vencedor do prêmio.Finalistas esq/dir - Luis Guilherme Julião, Matheus Nobre, Felipe Magalhães, Luíza Caricati, Sara Abdo e Vinícius Coimbra.FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.

Da esq. para a dir.: Ricardo Gandour (diretor de Conteúdo de O Estado de S.Paulo), Clau Duarte (superintendente executiva de Comunicação Externa do Banco Santander), Roberto Gazzi (diretor de Desenvolvimento Editorial de O Estado de S.Paulo) e esta que vos escreve. Registro do momento em que recebi o prêmio: a viagem para a Espanha.

Prêmio2

Alunos de Jornalismo finalistas da premiação, da esq. para a dir.: Luis Guilherme Julião, Matheus Nobre, Felipe Magalhães, Luíza Caricati, Sara Abdo e Vinícius Coimbra (o vencedor).

Crédito das imagens: Sérgio Castro/Estadão 

Muuuuuuuuito obrigada Marilena Bernicchi de Oliveira, Carla Miranda e todos que organizam a Semana Estado de Jornalismo. Muito obrigada Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo de O Estado de S.Paulo, e Roberto Gazzi, diretor de Desenvolvimento Editorial do jornal.

Obrigada, Santander, na figura de Clau Duarte, superintendente executiva de Comunicação Externa da instituição.

Vocês realizaram um antigo sonho!

Aproveito para agradecer ao Chico Ornellas, que comandava o evento nos meus tempos de estudante. Ele sempre nos incentivou muito.

Agradeço especialmente, de coração, a todos os alunos de Jornalismo que participaram comigo durante esses anos da Semana Estado. Pra mim, vocês são igualmente vencedores e tenho muito orgulho de cada um de vocês. Raros discentes têm proatividade, empenho, idealismo e amor pela profissão suficientes para participar de um evento como este. Podem estar certos de que um dia vocês terão a merecida recompensa.

Parabéns ainda ao Vinicius Coimbra, da Universidade de Passo Fundo (RS), que foi o grande vencedor de 2015 da Semana Estado. Curta muito o merecido prêmio!!! Nos vemos na Espanha 🙂

E parabéns aos cinco alunos de jornalismo que foram finalistas neste ano:

Felipe Magalhães – Universidade Federal Fluminense
Luís Guilherme Julião – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Luíza Caricati– Universidade Mackenzie
Matheus Nobre Canto Cordeiro – Ibmec/RJ
Sara Abdo – PUC-SP
Vinicius Coimbra – Universidade de Passo Fundo-RS

Podem estar certos de que essa indicação, somada à publicação do texto no portal do Estadão, fará muuuuita diferença no currículo.

 

#PartiuEspanha #Março2016 #ChegaLogo

Confira esse vídeo lindo (<3) em que diversos premiados da Semana Estado falam sobre suas experiências na Universidade de Navarra:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Homenagens e bate-papo com o público marcam lançamento do livro sobre a carreira de Marcelo Canellas

 

Por Junior Celestino e Wallace Leray

Foi lançado em São Paulo, em 19/11, na Biblioteca Mário de Andrade, o livro que retrata a carreira de Marcelo Canellas, repórter especial do programa “Fantástico”, da Rede Globo. Com o prefácio da também repórter especial da emissora, Sônia Bridi, a obra, intitulada “Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista”, foi escrita pelo jornalista Sidney Barbalho de Souza, e editada pela In House.

Sidney produziu o livro em 2014 como resultado do seu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo na FAPSP (Faculdade do Povo). A biografia aborda desde os primeiros traços jornalísticos de Marcelo Canellas, na sua infância e juventude (vividas na cidade de Santa Maria da Boca do Monte, Rio Grande do Sul), até suas primeiras experiências na área, sua projeção no meio televisivo e a conquista do cargo de repórter especial na maior emissora do país. Aborda também os bastidores das principais reportagens do jornalista.

O lançamento da obra começou com a apresentação de um vídeo feito em homenagem a Canelas. Nele, familiares, amigos e profissionais da área de comunicação elogiam o trabalho do jornalista, falando sobre a importância de suas reportagens de direitos humanos. Dentre os depoimentos marcantes, destacou-se o da colega Sônia Bridi. “Toda vez que eu vejo uma matéria sua, sinto vontade de ser uma repórter melhor”, confidenciou a jornalista.

Após a apresentação do vídeo, a palavra foi dirigida ao biografado, que disse estar lisonjeado com o interesse de um estudante de jornalismo, que agora é um colega de profissão, por sua carreira. Apesar de ter apoiado a iniciativa, Canellas revelou que sempre se preocupou em ser biografado, ressaltando o quanto pode ser ridículo um repórter posar de importante. “Eu acredito que isso é um pouco da negação da postura de um repórter”, explicou.

Canellas contou alguns casos, para mostrar como a questão da fama na TV é frágil. “Um dia eu estava em um avião e uma senhora se sentou ao meu lado. Ela olhou pra mim e perguntou: você trabalha na televisão, né? Eu respondi: trabalho. Na TV Globo, certo?, ela perguntou. E eu disse: é. E ela respondeu: Eu sabia, Caco Dornelles [confundindo Canellas com os repórteres Caco Barcellos e Carlos Dornelles].”, disse o jornalista, arrancando gargalhadas do auditório, que contava com cerca de 200 pessoas.

O repórter demonstrou sua satisfação com o fato de Sidney ter resolvido doar o valor relativo aos direitos autorais do livro para uma organização não-governamental que luta pelo registro da memória de Santa Maria da Boca do Monte, a TV OVO. “O Sidney me perguntou qual ONG eu gostaria de beneficiar, então indiquei a TV OVO, que é uma parceira de Santa Maria. O pessoal de lá tem um trabalho de recuperação da memória da cidade que eu acho muito interessante.”

Com os olhos marejados, o autor do livro agradeceu à jornalista e professora Patrícia Paixão, sua orientadora de TCC e coordenadora do curso de Jornalismo na FAPSP, pela disposição da mesma em ajudar seus alunos. “Ela nos vê grandes, quando somos pequenos. Obrigado por entrar na minha vida”. Ao escutar os elogios, a jornalista não conseguiu segurar as lágrimas e, aplaudida pelos que estavam presentes, recebeu flores do seu orientando. Extremamente feliz com o momento, o recém-formado em jornalismo, declarou: “Eu entrei como estudante e sai como um repórter”.

A coordenadora do curso de jornalismo da FAPSP, disse que ficou receosa, quando recebeu a proposta de orientar o livro de Sidney Barbalho: “Meu Deus, será que ele vai dar conta? É um repórter da Globo e, ainda por cima, é um repórter especial”, disse a jornalista. Patrícia explicou que é normal o professor fazer uma série de questionamentos, quando o aluno vem com a proposta de um livro-reportagem, mas que já conhecia o Sidney de outros semestres da faculdade e sabia da capacidade que ele tinha como repórter. “Tenho um super orgulho de você! Obrigada por ter me escolhido como sua orientadora, e obrigada ao Canellas por ter aceitado o projeto”, afirmou.

Sidney e Canellas participaram de um breve bate-papo com o público. O final do evento contou com uma sessão de fotos e autógrafos. A fila que chegava próxima à entrada da biblioteca foi completamente atendida, tanto pelo autor da biografia, Sidney Barbalho, quanto pelo retratado nela, Marcelo Canelas.

 

Bastidores do lançamento do livro “Jornalismos: histórias de uma arte plural”

Jovens jornalistas da Rio Branco com a professora Renata Carraro, comemorando o lançamento do livro

Jovens jornalistas da Rio Branco com a professora Renata Carraro, comemorando o lançamento do livro

*Patricia Paixão

Fomos conferir, ontem (22/10), o lançamento do livro “Jornalismos: histórias de uma arte plural”, produzido por recém-formados no curso de Jornalismo das Faculdades Integradas Rio Branco, com a organização da competente amiga Renata Carraro, que é escritora, jornalista literária e professora da Rio Branco.

Editada pela In House, a obra, que começou a nascer a partir de uma ideia debatida pela docente e os discentes em sala de aula, se destaca por trazer a trajetória profissional de importantes figuras do nosso jornalismo, a partir de perfis literários, o que torna a leitura muito mais interessante e atrativa. Dentre as feras perfiladas estão Sérgio Dávila e Jairo Marques (Folha de S.Paulo), André Barcinski (Folha e R7), Valmir Salaro (TV Globo), Heródoto Barbeiro (TV Record), Mônica Salgado (Revista Glamour) e Maria Lydia Flandoli (TV Gazeta).

Foi uma noite mágica, em que pudemos testemunhar o coroamento de um belo trabalho,  que envolveu muito esforço e paixão por parte dos focas e da professora Renata. Emocionante ver o brilho nos olhos dos jovens repórteres que, todo empolgados, contaram como foi fazer o perfil do jornalista que entrevistaram.

Além de amigos, familiares e professores dos alunos, estiveram presentes três dos jornalistas perfilados: Valmir Salaro, Jairo Marques e Thaís Aiello.

Meu ex-orientando de TCC da FAPSP (Faculdade do Povo), o jornalista Sidney Barbalho de Souza, me acompanhou no evento e fez as imagens que você vê neste texto.

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Com meu ex-orientando de TCC, Sidney Barbalho de Souza

Sidney lançará no próximo dia 19/11, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, o livro resultante do seu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo: uma biografia do repórter especial da Rede Globo, Marcelo Canellas. Intitulada “Marcelo Canellas, por um jornalismo humanista”, a obra, que recebeu a aprovação do Globo Universidade, também foi editada pela In House. Marcelo Canellas estará presente no lançamento do livro, para um bate-papo com Sidney e com o público sobre os bastidores de suas principais reportagens e sobre sua trajetória profissional. Esperamos todos que estavam no evento de ontem e todos que acompanham o Formando Focas no lançamento do livro do Sidney, em 19/11. Vai ser lindo! Amor ao Jornalismo é isso!

Outros momentos do lançamento de “Jornalismos: histórias de uma arte plural”:

Para jornalista, repressão na periferia é ignorada pela grande mídia

Fausto Salvadori Filho

Fausto Salvadori Filho

*Emily Santos e Kaique Dalapola

A Semana de Comunicação da FAPSP (Faculdade do Povo), realizada de 5 a 9/10, recebeu o jornalista Fausto Salvadori Filho, um dos fundadores da Ponte Jornalismo, site de Segurança Pública e Direitos Humanos, focado na realidade das populações das periferias.

O jornalista falou sobre o desenvolvimento, as dificuldades e os bastidores das coberturas feitas pela Ponte, que muitas vezes aprofundam problemáticas ignoradas pela grande imprensa. “O foco dos grandes veículos é a violência que atinge a classe média. Para eles, mais vale um morto em um bairro nobre que dezenas de mortos em uma região da periferia”, destacou.

Salvadori Filho falou sobre os profissionais que compõe a equipe da Ponte e as repercussões de algumas matérias publicadas no site. Ele relembrou o caso do jovem José (nome fictício), um garoto negro que foi preso injustamente acusado por roubo de carro, em março do ano passado. Após a matéria feita pela Ponte, provando sua inocência, o jovem foi libertado.

“É raro termos uma resposta tão rápida e fácil com o trabalho, como tivemos naquele caso”, disse. Na ocasião, um vídeo produzido por outros dois fundadores da Ponte foi apresentado à Justiça como prova da inocência do garoto.

Ao conversar com estudantes da FAPSP, o palestrante revelou que os integrantes da Ponte definem as atividades do site não mais como as de um coletivo, mas como de “uma facção de jornalistas que quer contar histórias que não são contadas normalmente”.

O repórter afirmou que não sofre a repressão que aflige a população das periferias, por ter nascido no interior, ser branco e “ter cara de ‘nerd’”. A respeito disso, ele questionou os alunos da faculdade, moradores da periferia, sobre a visão que eles têm sobre o jornalismo policial.

Jornalista há 16 anos, Salvadori Filho trabalhou como repórter e editor em diversos sites, revistas e jornais, com passagens pelas redações de veículos como Folha de S. Paulo, Vice, Galileu, Trip, TPM, Metro e Jornal da Tarde. Desde 2008, é jornalista concursado da Câmara dos vereadores de São Paulo. Em 2013, recebeu menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, pela reportagem “Em busca da verdade”, publicada pela revista Apartes.

*Emily e Kaique são meus alunos de Jornalismo na FAPSP. O texto deles também foi publicado pelo portal Comunique-se.

Para Adriana Carranca, é possível descobrir belas histórias em meio à dor e à destruição

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*Emily Santos e Kaique Dalapola

A Semana de Comunicação da Faculdade do Povo de São Paulo (FAPSP) recebeu, em 05/10, a jornalista Adriana Carranca, repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo e colunista do caderno ‘Internacional’ de O Globo. A profissional, que é reconhecida por suas coberturas humanitárias em zonas de conflito, em países como Irã, Iraque, Paquistão, Egito e Afeganistão, presenciou uma explosão na Síria, há cerca de duas semanas. O prédio em que ela estava foi alvejado. Diversas pessoas morreram.

Antes de palestrar sobre esta e outras experiências de sua carreira, Adriana recebeu uma homenagem organizada pelos alunos da Agência Experimental de Comunicação Integrada da FAPSP, a “Ligados”. Todos os anos, a Semana de Comunicação da faculdade homenageia um profissional de destaque na área e, desta vez, Adriana foi a escolhida. “O grande objetivo do jornalista é emocionar, e vocês conseguiram isso com essa linda homenagem”, disse a repórter, visivelmente sensibilizada, após assistir ao vídeo produzido pelos alunos.

Confira abaixo a homenagem que os alunos da FAPSP fizeram à Adriana, para conhecer melhor a trajetória da jornalista:

 

Adriana falou sobre os bastidores de suas principais reportagens. Destacou que, desde o início de sua carreira – mesmo quando escrevia para revistas como Cláudia, Nova, Capricho e Marie Claire -, busca tratar as pautas com um olhar humanitário e que, mesmo inconscientemente, acaba abordando os assuntos mais sob o ponto de vista feminino. Ela citou como exemplos as reportagens sobre divórcio e gravidez prematura, que fez no início de sua trajetória na imprensa, e trabalhos mais encorpados, como seus livros O Irã Sob o Chador: duas brasileiras no país dos aiatolás, que escreveu em parceria com a colega Márcia Camargos, e Malala, que conta a história da menina paquistanesa que quase foi morta pelo Talibã por defender seu direito de ir à escola.

A jornalista lamentou o fato de a cobertura sobre os países do Oriente Médio, da África e da Ásia, feita pelas grandes agências de notícias internacionais, ser muitas vezes estereotipada. Ela ressaltou que as populações presentes em zonas de conflito só começam a receber atenção da mídia quando atingem os objetivos ocidentais. “Veja a questão dos refugiados sírios, por exemplo. Isso só vem sendo bastante noticiado, porque essas pessoas estão indo para os países europeus. Por isso a Europa está preocupada”, explicou.

A jornalista disse que procura mostrar em suas matérias e em seus livros os fatos do ponto de vista dos personagens que os presenciaram. Para ela, é possível descobrir belas histórias, mesmo em meio à dor e à destruição.

A repórter, porém, fez um alerta sobre os riscos da cobertura nessas regiões, ao falar sobre a sua última visita à Síria: “Não recomendo a ninguém ir à Síria. O território é volátil, não conseguimos controlar nada em relação à segurança. Eu fui, mas fui com extremo cuidado. Cada passo foi estrategicamente pensado e planejado e, mesmo assim, presenciamos a explosão no prédio em que estávamos”, contou.

Depois de palestrar e responder às questões do público, Adriana realizou uma sessão de autógrafos do livro Malala. A Semana de Comunicação da FAPSP foi encerrada na última sexta-feira, 9.

*Emily e Kaique são meus alunos do curso de Jornalismo da FAPSP. O texto deles também foi publicado pelo portal Comunique-se.

“Quem gosta de futebol precisa estudar”, defende Marília Ruiz

*Caroline Fernandes 

A Semana de Comunicação da FAPSP (Faculdade do Povo) recebeu, em 05/10, a comentarista esportiva Marília Ruiz. A jornalista, que já passou por diversos veículos como Folha de S.Paulo, Rede TV, CNT, Record, Band, Bandnews FM e Lance, falou sobre as dificuldades que a mulher enfrenta na área. “Eu me considero uma pessoa que tem que estar sempre bem preparada, porque a cobrança, em relação a mim, é maior”, contou Marília, que estava acompanhada do colunista do Agora São Paulo e professor da FAPSP, Vitor Guedes.

Embora o relato de futebol feito por mulheres seja mais comum que no passado, Marília afirmou que ainda há preconceito e confessou já ter sido tratada de forma diferente. Segundo ela, a mulher tem que lidar com o machismo do entrevistado e de alguns colegas de trabalho, descrentes de que a jornalista possa dominar o assunto esporte. “Sempre perguntam se eu conheço a lei do impedimento”, disse aos risos. Com 16 anos de carreira, a comentarista disse que “aos poucos as pessoas começam a entender que a questão de gênero é o menos importante”. O que vale é dominar o que você faz.

Marília esclareceu que fazer jornalismo esportivo vai além do gostar, destacando que todo mundo se acha especialista em esportes.  “Falar quanto foi o jogo é muito fácil, todo mundo comenta isso. Quem gosta de futebol precisa estudar, se você não sabe a história, você não sabe futebol”, complementou.

Ela aconselhou os estudantes a investirem no gênero reportagem, aproveitarem as ferramentas que existem, como a internet, para, assim, construírem sua marca. Segundo ela, para trabalhar com jornalismo, é preciso se reinventar, pois não existe mais jornalista de uma única mídia. “Temos que ter em nossas mãos as rédeas do nosso futuro”.

Mesmo com os desafios da profissão e a forte concorrência, a jornalista encerrou a palestra ao declarar sua paixão pelo que faz: “eu nasci para isso, o que mais gosto no jornalismo é o fato de que não há rotina. Todos os dias temos a página em branco para escrever. Todos os dias as histórias são diferentes”.

A Semana de Comunicação da FAPSP é realizada até esta sexta-feira, 09/10. Ainda participarão do evento os jornalistas Gabriel Toueg (que foi editor de Internacional do portal do Estadão, editor de Mundo no Metro Jornal e correspondente internacional freelancer no Oriente Médio); Anderson Scardoelli (editor do Portal Comunique-se) e César Camasão (secretário de redação do jornal Agora São Paulo).

*OBS: Caroline Fernandes e Katrewn Tosco são minhas alunas de Jornalismo da FAPSP. O texto delas também foi publicado (com algumas diferenças na edição) pelo portal Comunique-se.