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Professores de jornalismo, repórteres e estagiários comemoram 2º aniversário do blog Formando Focas

Fotos de Cadu Bazilevski

*Por Amanda Stabile 

No sábado, 16/09, ocorreu a comemoração do segundo aniversário do blog Formando Focas, no auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo. O evento, comandado pela professora universitária e jornalista Patrícia Paixão, responsável pela página, abordou temas como estágios, desafios da profissão e jornalismo em tempos de internet, através da inteiração dos estudantes de comunicação com profissionais renomados do campo jornalístico.

O evento se iniciou com uma mesa entre os professores Eduardo Rocha Marcos e Tânia Trajano, da Universidade Paulista (Unip), e Patrícia Paixão, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi Morumbi, com o tema “Seu professor é seu primeiro empregador”. O bate-papo levou dicas para os universitários e abordou pontos fundamentais para se conseguir um bom estágio na área de comunicação, tais como: ser proativo e ter boa postura acadêmica, dominar as normas língua portuguesa, ser apaixonado pela profissão e investir em projetos e cursos complementares à faculdade.

“O professor é a primeira pessoa que pode auxiliar na entrada do aluno no mercado de trabalho”, comentou Patrícia Paixão. Os professores ainda alertaram sobre o cuidado com o português nos posts em redes sociais, porque estas são uma vitrine para os empregadores na hora da contratação. A dica de Eduardo Marcos para melhorar a escrita dos textos é treinar: “É como no futebol, se você está cobrando a falta errado, treine esse ponto”, disse.

Ser apaixonado pela sua profissão e demonstrar essa paixão nas entrevistas de estágio é fundamental, tanto quanto investir em cursos e projetos complementares à faculdade, pois como explica Tânia Trajano: “O currículo do jornalista já começa a ser formado na faculdade”. Nas entrevistas de emprego, mesmo que o universitário não tenha outras experiências profissionais, apresentar o portfólio de matérias publicadas pode ser uma forma de se destacar.

Uma dica extra apresentada pelos professores é explorar os recursos que a era tecnológica oferece. A criação de um blog jornalístico é uma boa opção para dar visibilidade aos conteúdos, podendo render prestígio ao aluno e chamar a atenção dos empregadores. Os docentes também salientaram que é importante a postagem não apenas de textos opinativos, mas também de reportagens, que é o que dá credibilidade ao veículo.

Uma novidade anunciada pelos professores da mesa foi o lançamento do Centro de Formação Profissional do Formando Focas, que oferecerá cursos voltados para a área de comunicação. Patrícia contou que a ideia partiu das reclamações dos estudantes por não terem cursos voltados para tal campo com preços acessíveis e aulas dinâmicas de áreas especializadas do jornalismo. ”A gente pensou em um modelo de baixo custo, com ambientes mais descontraídos e salas com menos alunos”, complementou Tânia.

Dando continuidade aos diálogos, Vinicius Vieira, estagiário do SESC Jundiaí, Wallace Leray, estagiário do Sebrae-SP, e Daniele Amorim, estagiária da revista Época, foram convidados para contar sobre suas experiências e contribuir com mais dicas aos espectadores do evento. Dois pontos principais foram abordados: a necessidade de ter alguém que os indique para uma vaga de emprego e a importância da persistência. “Antes de entrar no veículo em que eu estagio atualmente, eu levei vários nãos. Fui por 2 anos seguidos em 6 dinâmicas da mesma empresa, mas mesmo assim eu persisti”, recorda Daniele.

No segundo bloco a mesa contou com a presença de Aiana Freitas (BandNews FM), Vitor Guedes (Agora São Paulo e Seleção SporTV), Bruno Ribeiro (Estadão) e Andreia Meneguete (repórter da Vogue). Os profissionais abordaram a questão das qualidades necessárias para ser um repórter na atualidade. Dentre elas, foi citada a pró-atividade, saber fazer todos os processos jornalísticos, dominar a tecnologia e usar as redes sociais como aliadas: “Façam dessas plataformas algo que não existe. Algo relevante, algo jornalístico e vocês vão ganhar o mundo”, diz Meneguete.

Ao serem questionados sobre o que os mantêm na profissão, mesmo com todas as adversidades e barreiras da sociedade atual, a maior motivação citada foi a paixão pela profissão e pelo papel que esta desempenha na sociedade. “O jornalista sempre está no olho do furacão, mas quando sua matéria é publicada, você sente algo muito bom, que vicia e sair disso é sempre muito difícil”, ressaltou Bruno Ribeiro.

Ao final dos debates, alguns brindes foram sorteados, inclusive o livro “Gérson de Souza – Um repórter em extinção”, de 2014. Este livro, orientado por Patrícia Paixão, é fruto do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de Jornalismo de André Guimarães, e conta sobre a vida e trajetória profissional do repórter especial da Rede Record.

*Amanda Stabile escreveu em caráter colaborativo para o Formando Focas. Ela é aluna do 3º semestre de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie

*Cadu Bazilevski, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, cedeu gentilmente as fotos feitas por ele ao Formando Focas  

 

“Por mais ingênua e doce que seja a atividade do assessorado o risco de crise nunca é zero”, destaca Gilberto Lorenzon

G2

O jornalista e escritor, Gilberto Lorenzon, em palestra aos alunos de Jornalismo do Mackenzie

*Por Bianca Ninzoli Marques e Isabella Massoud

Com foto de Letícia Marques

Gestão de crise foi o tema da palestra que o jornalista Gilberto Lorenzon concedeu aos alunos de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 03/05, durante a aula da professora e jornalista, Patrícia Paixão, que ministra a disciplina Assessoria de Imprensa.

O professor trabalha na área desde 1983 e é autor, juntamente com Alberto Mawakdiy, do livro “Manual de Assessoria de Imprensa”, uma obra muito usada por aqueles que lecionam e trabalham nessa área. Gilberto também leciona diversos cursos sobre assessoria de imprensa em instituições como Mackenzie, Belas Artes e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Dentre os assuntos tratados na conversa, o jornalista falou sobre a importância de uma etapa anterior à “gestão de crise”: a “gestão de risco”, ou seja, uma preparação que a equipe de assessoria deve ter para evitar que a crise aconteça ou para saber lidar com uma crise, que venha a aparecer. “Por mais ingênua e doce que seja a atividade do assessorado o risco de crise nunca é zero”, declarou Gilberto, a fim de ressaltar a necessidade de criação de um comitê especializado no assunto.

Outros três elementos compõem o departamento de gestão de risco: a auditoria (para detectar problemas que podem gerar crise), um manual com procedimentos (sobre como agir em caso de crise) e o Media Training. Este terceiro, de acordo com ele, é extremamente importante, tanto no pré, quanto no pós-crise, pois é quando o jornalista treina seu assessorado para se portar bem com a imprensa.

Gilberto citou exemplos vividos em sua carreira, nos quais teve que lidar com crises sem um comitê ou um preparo especializado, mostrando mais uma vez a importância dessas ferramentas.  Ressaltou que a equipe voltada à gestão de crise precisa ser muitas vezes multidisciplinar, contando com profissionais de outras áreas, além do jornalismo. “Médicos, advogados e psicólogos podem fazer parte do comitê de crise”. Mas destacou que “ele [comitê] não pode ficar engessado e perder a mobilidade”.

Outro fator relevante em momentos de gestão de crise é o relacionamento com a imprensa. “Valorizar o questionamento do repórter traz empatia e interlocução. A demora em se pronunciar pode trazer consequências ruins para empresa, uma vez que a imprensa pode criar especulações”, alertou.

Também é preciso “saber o que falar para o jornalista, pois tudo que o porta-voz fala é declaração oficial”, disse Gilberto.

Por fim, o professor enfatizou o valor de se comunicar internamente na empresa: “é preciso manter os funcionários informados, para que estes não se sintam traídos, passando a divulgar informações falsas ou negativas”.

Finalmente, alertou que é preciso lidar com a crise imediatamente depois de seu fim, “para aprender com os erros e evitar novos problemas”.

*Bianca Ninzoli Marques, Isabella Massoud e Letícia Marques são alunas de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e escrevem para o Formando Focas em caráter colaborativo.

“É preciso mergulhar na obra e ter coragem para apontar suas falhas”, destaca Julio Maria sobre o trabalho do crítico musical

*Por Brian Alan

Com fotos de Cecilia Ferreira

“Bagagem cultural, pesquisa e um bom texto vão determinar o seu sucesso ou insucesso na área”. Essa foi uma das frases que o crítico e repórter do jornal O Estado de S.Paulo, Julio Maria, utilizou para aconselhar os alunos de Jornalismo que pretendem seguir na área de crítica musical. O bate-papo com o jornalista aconteceu em 15/05, no Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Julio foi convidado pela jornalista e professora da instituição, Patrícia Paixão.

Autor da biografia “Elis Regina – Nada será como antes” (2015), o jornalista ressaltou a importância da crítica ser sempre bem fundamentada e de o jornalista ter coragem para apontar as imperfeições de um álbum, quando necessário, mesmo em tempos em que os críticos são “massacrados” nas redes sociais. Segundo ele, é muito comum que, de acordo com o tom da crítica, a repercussão seja boa ou ruim nas redes. “Muita gente teme hoje fazer uma crítica mais incisiva, com medo do ‘tribunal do Facebook’”.

Para ele, é importante manter a ética e apontar os problemas da obra, mesmo sabendo da repercussão que isso irá causar. “Eu já vi meu nome em mais de 700 comentários, todos me xingando. Justo. Não gostaram do que eu falei, assim como eu não gostei do disco”, completou.

E não parou por aí. Ainda sobre ética, Júlio falou sobre a importância de o crítico não se vislumbrar com seu trabalho (já que se relaciona com muitas celebridades), adotando uma linha elogiosa, para ficar bem com os músicos.  Ele disse que, apesar de manter contato com diversos artistas em nível pessoal, não deixa que isso afete sua postura profissional. Para exemplificar, citou o processo de construção da biografia que fez sobre Elis Regina. “Eu mantive contato com os três filhos, João Marcelo Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita. Deixei claro que eles não iriam interferir no meu trabalho. E eles realmente não interferiram. O João Marcelo chegou a dizer que teve que parar a leitura do livro várias vezes, pois, ao ler a obra, tinha momentos em que gostou menos da mãe”.

Falar de uma personalidade do tamanho de Elis é algo bastante delicado, no entanto, quando a vontade de fazer um bom trabalho caminha com a organização, o resultado positivo aparece. Júlio fez mais de 100 entrevistas, envolvendo amigos, familiares, ex-funcionários, especialistas, além de ler outras obras envolvendo o nome da cantora.

“Tive uma reação boa dos três filhos [de Elis]. Eles me disseram que descobriram muitas coisas sobre a mãe através do livro”, contou.

Julio ressaltou que a crítica aprofundada, de responsabilidade, não é um trabalho que deve ser feito às pressas. “Muita gente me envia álbuns, manda mensagem todo dia e cobra uma análise do trabalho. Eu não atuo assim”.

Para o jornalista, a boa crítica não sai de um dia para o outro, sob pressão. “É preciso mergulhar no trabalho do artista”, acrescentou.

O método utilizado por Julio para fazer suas críticas foi motivo de muitas perguntas, como esta: “como você avalia o crescimento ou amadurecimento de um artista?”.

Ele respondeu: “ouvindo a obra do artista, ligando o novo disco aos antigos e aos diversos universos dentro da música”.

Julio deixou uma frase interessante, que mostra como o trabalho do crítico é por natureza polêmico, no que se refere à repercussão com o público. “O artista faz o trabalho, o crítico tenta explicá-lo. Dentro desse espaço, existem milhares de motivos para concordar ou discordar da crítica”.

O bate-papo com os alunos de Jornalismo, que deveria durar uma hora e meia, acabou se estendendo para quase duas horas, tamanha a empolgação dos estudantes.

*Brian Alan é Cecilia Ferreira são alunos de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Eles produziram essa cobertura para o Formando Focas em caráter colaborativo. 

“Jornalista tem que ter olho no olho, entrevistar e ir às ruas”, defende a repórter especial da revista Época Cristiane Segatto

*Por Beatriz Bauer

O brilho no olhar e o entusiasmo demonstram o quanto um profissional ama o seu ofício. A forma apaixonada como fala de sua carreira ajuda a explicar o seu sucesso na profissão. No decorrer do bate-papo que a jornalista Cristiane Segatto teve com os alunos de jornalismo da Anhembi Morumbi, no dia 26 de abril, no campus Vila Olímpia, tudo isso ficou claro.

Vencedora de dois prêmios Esso de Jornalismo e várias outras premiações, a repórter especial da Revista Época, que atua na área do jornalismo da saúde há quase 20 anos,  mostrou, ao longo de uma hora de conversa com os estudantes, toda sua devoção pela arte de contar histórias, em especial no jornalismo de revista. A palestra aconteceu na aula da disciplina Produção de Revista, ministrada pela professora e jornalista Patrícia Paixão, responsável por esse blog (Formando Focas).

Cristiane ressaltou o quanto esse jornalismo é importante por poder ir mais a fundo em um assunto, por abordar aquilo que os jornais diários não conseguiram tratar. “As matérias que eu faço na revista surgem em cima de brechas deixadas pelo jornalismo diário, aspectos que as reportagens do hard news não conseguiram aprofundar”, contou a jornalista.

Para atingir esse aprofundamento, Cristiane sugere que o repórter viva o mesmo que o personagem retratado, que entre no mundo dele. Com essa atitude, a chance de o que estiver sendo falado ser mais próximo da realidade é maior. “Jornalista tem de ter olho no olho, entrevistar, ir às ruas”, completou.

Esse processo só será bem feito se o repórter for curioso e apurar a sua sensibilidade. Este aprendizado, aliás, Cristiane absorveu de uma professora da faculdade, que dizia que era preciso “ver com olhos de enxergar, ouvir com ouvidos de escutar”. Ao aguçar a sensibilidade e perceber os detalhes, é possível obter informações muitas vezes não ditas que enriquecem a narrativa.

Uma vez coletados e estruturados os dados, o jornalista precisa visualizar a reportagem e, então, em conjunto com o editor de arte, elencar quais os elementos que imagina para a finalização. Isso é importante, porque o leitor, primeiramente, é atraído pelas imagens, arte, título e subtítulos. O texto vem na sequência. Por isso, o trabalho em uma redação precisa ser sempre em parceria: “O leitor muitas vezes entra na sua reportagem pelo título, por um olho ou pela foto, então tudo precisa ser muito bem feito”.

Outro ponto abordado foi o fato de as pessoas, muitas vezes, acharem que o jornalista tem de escrever de forma rebuscada e difícil. Ela refuta essa ideia, principalmente por trabalhar na área da saúde que é repleta de termos técnicos e desconhecidos do grande público. Ao contrário do que se pensa, ela afirma que o papel do jornalista é transformar confusão em clareza, sem perder a profundidade. Ou seja, tem de tornar acessível para leigos assuntos tratados por profissionais.

Cristiane destacou que trabalhar no jornalismo de saúde não é fácil: “Muita gente escolhe essa área achando que se trata de algo mais fácil que cobrir Política ou Economia, só que a área de Saúde também envolve Política, Economia e muitos outros assuntos, muitos pontos polêmicos”. Segundo ela, para atuar nesse setor é preciso estudar bastante para não ser contestado: “Você vai entrevistar pessoas com um conhecimento muito grande, como médicos, pesquisadores.  Se você não estudar, se não for criterioso, corre o risco de uma dessas fontes te questionar ou de ser manipulado, por falta de conhecimento”.

Para a repórter, um bom jornalista tem de ter referências e seguir exemplos de quem admire, além de ler muito e conhecer ao máximo o meio em que atua. Cristiane citou alguns autores que a influenciaram a escrever de forma literária, como José Saramago, Machado de Assis, Jorge Amado e Ian McEwan. Tudo serve como repertório e amplia o universo do jornalista que, em algum momento, usará o conhecimento obtido.

A jornalista encerrou seu bate-papo falando sobre o que deveria ser o básico para todo profissional: dedicação. Para uma reportagem sair boa, é preciso usar bastante tempo, ser criterioso, ter rigor na apuração, ler muito e ser curioso, fazendo tudo isso com prazer.

De forma simples e cordial, ela deu o recado a todos que queiram obter êxito na área jornalística.

*Beatriz Bauer é aluna do sexto semestre de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi, campus Vila Olímpia. Ela escreve para o Formando Focas em caráter colaborativo.

“A moda precisa ser noticiada com olhos críticos”, defende Andreia Meneguete

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A jornalista e consultora de moda Andreia Meneguete. Crédito: Patrícia Paixão

*Por Júlia Mello

A jornalista Andreia Meneguete, especializada em jornalismo de moda, freelancer da revista Vogue e marketing do estilista Ricardo Almeida, esteve na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 20/03, para conversar com os alunos e dar algumas dicas para quem quer trabalhar com jornalismo de moda.

Se você acha que ela veio falar sobre como fazer o look do dia, apenas pare!

Questionadora, Andreia começou sua palestra explicando que ser jornalista de moda vai muito além de escrever sobre looks e tirar selfies com estilistas famosos em eventos como a São Paulo Fashion Week. Para ela, a moda precisa ser pensada como parte da cultura e ser noticiada com olhos críticos. Segundo a jornalista, a moda de rua, por exemplo, também conhecida como street style, é um reflexo do comportamento da sociedade.

Andreia também ressaltou que as revistas de moda, as campanhas e os desfiles normalmente antecipam comportamentos futuros da sociedade. Destacou que a temática das mulheres trans, por exemplo, que já é pauta antiga no mundo da moda (basta lembrar da capa da Vanity Fair, com Catilyn Jenner), hoje está em destaque na grande mídia. Também lembrou do debate presente hoje na sociedade acerca do respeito a diferentes estilos de corpo, que também foi iniciado na moda. Citou o caso das modelos plus size que apareceram nas capas da Vogue Itália, em 2011, e da Elle Brasil, em 2015. “Só agora as modelos plus size aparecem na capa da revista Veja São Paulo, que é um veículo da grande imprensa. Elas apareceram antes nas mídias de moda”, argumentou.

O feminismo também é uma pauta contemplada pela moda, de acordo com Andreia. Ela enfatizou o pioneirismo de Karl Lagerfeld, por exemplo, no desfile-protesto da Chanel em 2014, quando diversas modelos, inclusive Gisele Bündchen, encenaram uma manifestação feminista.

“Além disso, a moda se relaciona o tempo todo com outras seções do jornal,  como Política ou Economia. Ela está ligada a diversas outras áreas”, disse a jornalista.

Para Andreia, para seguir no jornalismo de moda é preciso primeiro tirar a visão de glamour da área. É preciso expandir os olhares e conseguir relacionar a moda com diversas áreas, além da roupa. É necessário muito estudo da história, do comportamento social, saber um pouco de tudo para conseguir relacionar tudo com a indumentária, que normalmente diz muito sobre as pessoas e suas características. Um bom exemplo dado por Andreia foi o terno usado na posse do presidente norte-americano Donald Trump. “Foi  um terno de uma marca italiana super tradicional… Diz muito a respeito do sujeito, não?!”, enfatizou Andreia.

Outras dicas bastantes valiosas são: conseguir identificar o nicho do veículo que você escreve ou quer escrever, já que cada um consome e vende moda de um jeito; estudar as marcas e o impacto que elas trouxeram para a sociedade ao longo da sua história e, por fim, mergulhar e se envolver completamente com o tema.

*Júlia Mello é minha aluna de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ela escreve como colaboradora aqui no Formando Focas.

 

Estudantes de diferentes universidades comemoram 1º aniversário do Formando Focas

Por Wallace Leray

Aconteceu no último sábado (03/09) a comemoração do aniversário de um ano do “Formando Focas”, blog voltado a oferecer dicas e reportagens para estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados. O evento teve início às 14h00, e contou com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, que cedeu o Auditório Vladimir Herzog, na sede da entidade, para a jornalista e professora Patrícia Paixão reunir os seguidores da página (Patrícia é responsável pelo blog).

Patrícia Paixão deu início às atividades oferecendo dicas sobre como fazer um bom currículo e como se deve agir para conseguir ser chamado para uma entrevista de estágio em jornalismo. Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, o aluno que procura por uma vaga de estágio precisa prestar muita atenção a cada passado dado, principalmente demonstrar domínio da Língua Portuguesa e entusiasmo com a profissão. “Qualquer erro de gramática pode fazer seu currículo ser deletado. Além disso, você tem que demonstrar ser uma pessoa que tem tesão pela sua área, esse é o segredo de tudo”, reforçou Patrícia, que também é organizadora dos livros “Jornalismo Policial: histórias de quem faz” e “Mestres da Reportagem”, e docente do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade Anhembi Morumbi e das Faculdades Integradas Rio Branco.

Os estagiários de jornalismo Beatriz Sanz (El País), Larissa Darc (revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (Sebrae e Ponte Jornalismo) prosseguiram nas dicas sobre como conseguir um estágio na área, a partir do relato de suas experiências pessoais. No bate-papo com o público, eles contaram como conseguiram alcançar os espaços em que estão hoje. Para Kaique Dalapola, “o mais importante de tudo é o amor pela profissão, você tem que amar, você tem que fazer as coisas não somente para ganhar dinheiro. Às vezes, o seu nome vai estar lá embaixo, pequenininho, mas a sua matéria vai estar lá e você tem que ficar feliz porque você que escreveu. Quem não tem esse amor, não serve para ser jornalista”.

 

Mesa com repórteres

Depois de uma pausa para o coffee-break, foi realizado uma mesa sobre o tema “O que é preciso para ser um bom repórter?”, com a participação dos jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo e Revista Apartes), Thais Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV). Os convidados responderam a vários questionamentos dos estudantes, sanando suas dúvidas e dando conselhos sobre a área.

“A sensação que eu tenho é que os jornalistas de redação precisam cada vez mais do nosso trabalho, assim como a gente precisa do deles”, afirmou a assessora de imprensa Camila Russi. O repórter esportivo Vitor Guedes alertou que “tem decisões na sua vida que não têm volta. Dependendo do passo que você dá, você tem que saber que é um passo sem volta” (referindo-se a jornalistas que optam por fazer assessoria no campo político e depois voltam a trabalhar em redação, podendo ter sua credibilidade afetada). Para a repórter do SBT Thaís Nunes, “o repórter não muda o mundo inteiro, mas consegue mudar pequenos mundos e essa é a beleza da profissão”.

Já Fausto Salvadori Filho ressaltou a humildade como destaque do bom repórter. “Quando eu volto a ser um bom jornalista, é quando eu lembro que no fundo eu sou um foca. Eu fui foca, continuo sendo foca e, para continuar um bom jornalista, eu vou ter que continuar sendo eternamente um foca”, disse.

Encerramento

O evento acabou por volta das 18h00, com um final emocionante. Os colegas da bancada parabenizaram Patrícia Paixão pelo trabalho que vem realizando como jornalista e professora durante seus mais de 15 anos de carreira. Emocionada, Patrícia agradeceu aos colegas e aos alunos que compareceram ao evento. Mais de 100 estudantes, de diferentes universidades, prestigiaram o primeiro ano do blog.

 

Jornalistas destacam desafios da assessoria de imprensa nas áreas política e cultural

*Por Amanda Rinaldi, Ana Claudia, Gabriela Freitas e Thayna Gomes

Busian

 

Os jornalistas Fernando Busian, assessor da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo, e Marina Santa Clara Yakabe, assessora de imprensa dos rappers Emicida e Rael, palestraram sobre o trabalho de assessoria nas áreas política e cultural, no último dia 20/04, na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Organizado pela jornalista e professora Patrícia Paixão, responsável por este blog (Formando Focas), o encontro aconteceu na forma de um bate-papo com os alunos do quinto semestre do curso de jornalismo.

Busian, que é formado em Rádio e TV, Jornalismo e Filosofia pela Universidade São Judas e possui 16 anos de experiência na área (atuou como repórter e editor na redação do jornal Agora São Paulo e foi assessor de imprensa do prefeito Fernando Haddad durante a campanha eleitoral e no primeiro ano de sua gestão),  contou sobre os desafios diários do assessor na área pública. Para o jornalista, a maior dificuldade encontrada por assessores atuantes nesse setor é o preconceito da imprensa em relação ao poder público. Segundo Busian, essa situação acaba sendo refletida na forma como a sociedade enxerga a administração pública.

O palestrante também destacou que “falta interesse público no jornalismo brasileiro”, após discorrer sobre a nossa recente e frágil democracia. Completou dizendo que “falta equilíbrio” nos julgamentos midiáticos e que esse quadro é agravado no atual cenário político que vivemos.

Fernando ressaltou para os estudantes a necessidade de adaptação às novas tecnologias e à tendência de transparência nos dados públicos . “O jornalismo está mudando, porque tem muitas coisas públicas disponíveis hoje na internet. Poucos colegas, no entanto, sabem explorar esses dados”, disse, referindo-se à Lei de Acesso à Informação.

Área cultural

Marina

Marina Santa Clara Yakabe, que trabalhou no jornal Agora S. Paulo e no Portal R7 antes de atuar como assessora, explicou um pouco do seu cotidiano e da responsabilidade de trabalhar com dois nomes importantes do rap nacional. Ela falou sobre as diferenças entre assessorar um artista que já é renomado, como o Emicida, e um ainda em ascensão, como o Rael. “Não é um trabalho mais fácil que o outro, e sim desafios diferentes”.

Questionada sobre se passou por alguma situação com os músicos em que teve de colocar em prática a gestão de crise, Marina lembrou da prisão do cantor Emicida, em 2012, por desacato à autoridade, durante um show em Belo Horizonte. No início do show o rapper fez a leitura de um texto desaprovando a desocupação de um terreno na região do Barreiro, onde famílias pobres estavam acampadas. Na ocasião, ela disse que não foi preciso um grande esforço para contornar o problema, já que setores da própria mídia, como a MTV, saíram em defesa do cantor.  

Apesar de fazer assessoria para dois artistas de um mesmo segmento, Marina enfatizou que não é interessante usar o sucesso de um para promover o outro.

Preconceito

Tanto Marina como Busian discutiram sobre o preconceito que o assessor de imprensa costuma sofrer por parte de alguns colegas atuantes em redação. Enquanto Busian disse não se importar com o fato, Marina enfatizou que é necessário quebrar a ideia de que o assessor é uma figura chata, que só se tornou o que é por não ter dado certo na redação. Ela disse que se sente muito mais realizada hoje, como assessora, inclusive na questão do respeito às suas convicções. Afirmou que, quando o jornalista atua em redação, muitas vezes se vê obrigado a seguir a linha editorial e as regras do veículo no qual ele trabalha, tomando atitudes que fogem da verdadeira vocação do jornalismo, que é o interesse público.

*Estudantes do quinto semestre do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie