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Hoje (23/05), 19h30: jornalistas do Brasil e da Argentina debatem direitos humanos

Patrícia Paixão

Se tem uma área que representa a essência da profissão de jornalista, sem dúvida essa área é a cobertura de direitos humanos.

Conforme preconiza o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, em seu Capítulo II (“Da conduta profissional do Jornalista”), Artigo 6º: “É dever do jornalista: I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

E diferentemente do que algumas pessoas costumam pensar, defender os direitos humanos não é coisa de esquerdista e sim de todos que são HUMANOS. Simples assim. Isso porque dentre os artigos expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos estão o direito à vida, à liberdade de expressão, à saúde, à educação, a condições dignas de vida para sobrevivência e até mesmo o direito à propriedade. Ou seja, coisas essenciais a qualquer cidadão, independentemente da ideologia. É importante destacar que a declaração foi criada no final da década de 1940, com a participação de personalidades da direita e da esquerda.

Nesses tempos de pandemia, em que milhares de pessoas que vivem em comunidades e regiões periféricas enfrentam dificuldade para seguir as normas de isolamento social e higienização (muitas vivem em barracos e outras moradias precárias, sem saneamento básico e alocados um ao lado do outro, de maneira que fica difícil manter o distanciamento), é essencial que se discuta como garantir os direitos humanos a esses cidadãos. E o jornalismo tem um papel importante nisso, pois é a partir das denúncias feitas pela imprensa que o poder público se movimenta para prover essas pessoas de direitos básicos.

Neste sábado, 23 de maio, às 19h30, eu Patrícia Paixão, jornalista, professora de jornalismo (da Universidade Prebisteriana Mackenzie e da Universidade São Judas), responsável pelo Formando Focas, comandarei um bate-papo com dois jornalistas que são feras na temática dos direitos humanos no Brasil e na Argentina: Natalia Arenas, editora geral da Cosecha Roja, um dos principais veículos jornalísticos argentinos de direitos humanos, e Fausto Salvadori, editor e um dos fundadores da renomada Ponte Jornalismo, também referência nessa área de cobertura, só que no Brasil.

O evento é organizado pelo Programa de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (PROLAM/USP). Faço doutorado nesse programa e a temática está relacionada a minha linha de pesquisa.

O link para assistir à live no Google Meet é: https://meet.google.com/ixs-jsbr-nfk

Esperamos você! Não perca esse importante debate!

Mais informações sobre os debatedores e os veículos:

*Natália Arenas

Se graduó de Licenciada en Periodismo en la Universidad Nacional de Lomas de Zamora (Argentina). Trabajó como redactora y editora em medios gráficos y digitales de alcance nacional. Fue conductora y productora em espacios radiales y audiovisuales. Fue subeditora del sitio web de Diario Popular (tercer diario nacional en Argentina), donde impulsó el abordaje periodístico de los femicidios y la violencia contra las mujeres. Desde 2018 es editora general del sitio Cosecha Roja que propone pensar la violencia y la seguridad desde una perspectiva amplia, con una visión donde prevalecen los derechos humanos y la igualdad de género. Cosecha Roja es, además, una red de intercambio y formación de periodistas judiciales de América Latina. Em 2008, Natalia ganó el premio nacional Lola Mora en la categoría Prensa Escrita en Medios Digitales. Cursa la Diplomatura en Géneros y Movimientos Feministas de la Universidad de Buenos Aires.

*Sobre a Cosecha Roja

Cosecha Roja nació en 2010 en los primeros encuentros de periodistas, académicos, escritores y guionistas organizados por la Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI) y Open Society Institute (OSI) como parte del Programa Narcotráfico, Ciudad y Violencia en América Latina. En 2013, se firmó el primer convenio de colaboración con la Asociación Miguel Bru para difundir y garantizar el fortalecimiento de los Derechos Humanos. El trabajo que hacemos se divide en dos grandes ejes. El primero se basa en la colaboración, formación y seguimiento de investigaciones de periodistas de distintos países de América Latina que participaron de alguno de los seminarios y talleres. Ellos forman parte de la red de trabajo de Cosecha Roja. Los hemos acompañado en el proceso de producción de textos de largo aliento y hemos publicado los resultados en nuestro sitio. El segundo eje de trabajo de Cosecha Roja comenzó como un monitoreo diario de los medios locales y regionales para detectar noticias que ofrezcan un punto de vista alternativo sobre temas de violencias. Con el tiempo, esa agenda que era mitad local y mitad latinoamericana, fue virando hacia las problemáticas locales en torno a la violencia machista, institucional, los crímenes de odio, el narcotráfico y las políticas de drogas.
Buscamos historias con miradas alternativas, que muestran las tramas complejas, con información de contexto y con la opinión de personas que trabajan en el territorio y expertos que reflexionan sobre la problemática. En ese sentido, Cosecha Roja funciona como un espacio de difusión del debate en torno a los Derechos Humanos.

*Fausto Salvadori:

Formou-se em Jornalismo pela Unesp em 1999. Trabalhou como repórter em sites, revistas e jornais como Vice, Trip, TPM, Revista Adusp, Galileu, Folha.com, Agora SP, Jornal da Tarde, Metro, Revista Joyce Pascowitch e Criativa, entre outros. Durante alguns anos, manteve o blog Boteco Sujo. Desde 2008, é jornalista concursado da Câmara Municipal de São Paulo, onde trabalha como repórter da revista Apartes. Em 2013, recebeu Menção Honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, na categoria impresso, pela reportagem “Em busca da verdade”, publicada na Apartes. É um dos fundadores da Ponte Jornalismo.

*Sobre a Ponte Jornalismo:

A Ponte surge com uma proposta única no jornalismo brasileiro. Nossa missão é defender os direitos humanos por meio de um jornalismo independente, profissional e com credibilidade, promovendo a aproximação entre diferentes atores das áreas de segurança pública e justiça, com o objetivo de colaborar na sobrevivência da democracia brasileira. Criada em 2014, tornou-se em pouco tempo uma das principais referências no campo do novo jornalismo praticado por veículos nativos digitais do País, e o único focado em segurança pública e direitos humanos.

Parabéns, MULHERES JORNALISTAS!

Por Patrícia Paixão

Hoje eu não quero falar deles. Não quero trazer para esse texto os nomes que sempre foram exaltados pelos meus professores ao longo dos quatro anos de graduação na Universidade Metodista de São Paulo e que continuam sendo recordados nas aulas que ministro no curso de Jornalismo (Joel Silveira, José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho, Audálio Dantas, dentre tantos outros).

Sim, eles são mestres da nossa reportagem e merecem ser admirados. Mas há muito tempo é hora também de falar DELAS. Elas que no futuro serão tão ou mais lembradas que eles, pois têm feito história, com sua coragem, idealismo e amor pela profissão, e fazem parte de um cenário que, embora ainda permeado pelo machismo, reconhece mais o talento feminino (se comparado ao século passado).  

Quero falar de Paulina Chamorro, que é uma das principais guerreiras da reportagem ambiental não só no Brasil como no mundo. Neste momento, essa mulher maravilhosa está produzindo um especial para a revista National Geographic que mostra o trabalho de cientistas mulheres que lutam em diferentes países para salvar o meio ambiente. Uma grande reportagem que envolve, além da revista, uma websérie e podcasts. Que mulherão essa Paulina!

Quero falar de Daniela Arbex que, além de todas reportagens emblemáticas que fez no período em que foi repórter especial da Tribuna de Minas, produziu três livros-reportagens importantíssimos, abordando diferentes problemáticas do nosso país de forma bastante humanizada: “Cova 312” (que mostra como as Forças Armadas torturaram e mataram um jovem militante político e sumiram com seu corpo, forjando um suicídio), “Todo dia a mesma noite” (que retrata a vida dos familiares de vítimas da Boate Kiss, reconstituindo o dia do incêndio e mostrando como essas pessoas estão hoje) e “Holocausto Brasileiro” (que revela os horrores ocorridos no Hospital Psiquiátrico Colônia de Barbacena, em Minas, onde os internos eram tratados como num campo de concentração).

Quero falar da grande Kátia Brasil que, no canal Amazônia Real, produz reportagens que elevam a voz dos povos da Amazônia e que denunciam injustiças cometidas contra eles, além de retratarem suas problemáticas. Uma mulher que decidiu ao lado de outras jornalistas maravilhosas, como minha amiga Liege Albuquerque (hoje não mais no canal, mas foi uma das fundadoras dele), lançar um projeto jornalístico corajoso numa das regiões que mais enfrentam interesses de grupos poderosos e criminosos.

Quero falar de Paloma Vasconcelos e Maria Teresa Cruz, da Ponte Jornalismo. Duas repórteres porretas que produzem matérias que visam garantir os direitos humanos, tão ameaçados em nosso país. Juntas já ajudaram a inocentar pessoas que eram acusadas injustamente pela nossa polícia e a denunciar assassinatos e violências cometidas pelo Estado.

Quero falar da querida Thaís Nunes, que também engrossa a luta do jornalismo de direitos humanos no SBT, com reportagens impactantes e sensíveis, que saem do caminho comum de criminalizar a priori os mais fracos, sem a devida investigação.

Quero falar da poderosa Patrícia Campos Mello, um dos maiores nomes do jornalismo internacional no Brasil e no mundo, atuando também em emblemáticas matérias investigativas que envolvem nossa política. Justamente pelo seu competente trabalho, enfrenta neste momento fake news e ataques misóginos vindos de um governo machista e covarde, que faz uso de instrumentos baixos para tirar o foco de questões graves em que está envolvido.

Quero falar da engajada Laura Capriglione que abandonou uma carreira de sucesso no jornalismo tradicional (chegou a estar à frente de renomadas revistas e foi repórter especial da Folha de S.Paulo) para lançar, ao lado de outros colegas idealistas, o Jornalistas Livres, um projeto jornalístico que envolve a população, de forma bastante democratizada, para mostrar aspectos da nossa realidade não retratados pela grande imprensa.

Quero falar de Elvira Lobato e seu destaque no jornalismo investigativo brasileiro. Algumas de suas reportagens sensacionais podem ser conferidas no livro Instinto de Repórter (escrito por ela). Outra jornalista investigativa incrível, destaque das novas gerações, é Andrea Dip, da Agência Pública. Suas reportagens mostram os impactos do machismo, da homofobia e do racismo em nossa sociedade. Uma jornalista que é ativista na luta pelo feminismo, mãe e integrante de uma banda punk.

Quero falar de tantas, tantas jornalistas… Com certeza vou me esquecer dos nomes de várias e peço desculpas por isso. Daniela Pinheiro, Natália Viana, Silvia Bessa, Juliana Kunc Dantas, Aiana Freitas, Maria Cristina Fernandes, Tatiana Merlino, Amanda Rahra, Basília Rodrigues, Sonia Bridi, Glória Maria, Michele Trombelli, Maju Coutinho: todas muito inspiradoras!

Quero lembrar também de jornalistas que até ontem estavam na minha sala de aula e hoje me dão muito orgulho, como a querida Beatriz Sanz, repórter do UOL, autora de reportagens sensacionais, militante na luta contra o racismo e em diversas outras lutas, e que acaba de ganhar uma bolsa de estudos de jornalismo em outro país, justamente por atuar defendendo os direitos humanos.  

E o que dizer da deusa Eliane Brum, dona de reportagens que são verdadeiras obras de arte? Sem dúvida, um dos melhores textos do nosso jornalismo. Como eu queria ser ao menos 1% essa mulher…

Um abraço apertado e carinhoso em todas essas jornalistas que honram a reportagem brasileira e enfrentam o machismo dentro e fora das redações. Apenas continuem! E que seus nomes sejam tão lembrados em nossas salas de aula como os nomes daqueles que realmente fizeram a diferença na arte da reportagem, mas que não eram os únicos. Tivemos muitas guerreiras jornalistas no passado, mas elas nem sempre viram seus talentos reconhecidos. Que a cada dia esse quadro seja revertido.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER A TODAS AS MULHERES JORNALISTAS!

Evento gratuito com jornalista Franklin Valverde discute estágio em jornalismo no contexto da profissão

*Patrícia Paixão

Cá estou de volta, queridx foca, para divulgar outro evento que você não pode perder! Vá anotando tudo aí na agenda, pois este início de outubro está bombando em termos de encontros imperdíveis na área.

No próximo dia 03 de outubro, quinta-feira, às 19h, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, a Comissão Permanente e Aberta de Jornalistas em Assessoria de Imprensa (CPAJAI) promoverá um encontro com o jornalista Franklin Valverde sobre o tema “O estágio em Jornalismo no contexto da profissão”.

Valverde é autor da tese de doutorado “O papel pedagógico do estágio na formação do jornalista”, defendida na Escola de Comunicação e Artes da Universidade São Paulo. Como profissional do Jornalismo passou pelos quatro grandes grupos de comunicação brasileiros (Estadão, Folha, Abril e Ed. Globo). Foi editor das revistas Churrasco & Churrascarias e Viva Gourmet, apresentador do Radio Hispanidad, na Brasil 2000 FM, e do programa Debate Aberto, da TV São Marcos, no CNU-São Paulo. Atualmente edita a revista virtual Onda Latina (www.ondalatina.com.br), além de colunista de Cultura do programa Observatório do Terceiro Setor (Rádio Trianon) e é professor universitário. É também autor dos livros Banco de versos (Terceira Margem) e Antes do zoológico (Patuá), entre outros.

No encontro Valverde falará da importância do estágio para os futuros profissionais do jornalismo e os riscos dele ser realizado sem o devido acompanhamento pedagógico.

As inscrições para participar do encontro já estão abertas e podem ser feitas por aqui.

Todas informações aqui presentes são do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que é um parceirão do Formando Focas. Sempre fazemos nosso aniversário nesta importante entidade, que foi e continua sendo vital em lutas históricas da nossa profissão.

PARTICIPE!! O EVENTO É GRATUITO!

Mais uma oportunidade de você fazer cobertura, publicar o texto em um lugar legal e, assim, enriquecer seu portfólio, aumentando suas chances para conseguir um estágio na área.

SERVIÇO:

Encontro com o jornalista Franklin Valverde

Tema: “O estágio em Jornalismo no contexto da profissão”.

DATA: 03/10/2019 (Quinta-feira)

HORÁRIO: às 19h

LOCAL: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, Rua Rego Freitas, 530, sobreloja, Vila Buarque, São Paulo, SP

Gratuito, 3º Seminário Internacional de Jornalismo debate futuro da área, jornalismo de dados e interatividade com o público

*Patrícia Paixão

Se tem uma coisa que é fundamental para quem desejar arrumar um estágio em jornalismo é participar de eventos interessantes na área. Não só participar, mas, se possível, fazer cobertura desses eventos e tentar emplacar as reportagens produzidas em blogs e sites respeitados pelo universo jornalístico. Isso é essencial para gerar portfólio e mostrar proatividade e paixão pela profissão, quesitos avaliados pelos empregadores.

Felizmente este segundo semestre de 2019 está repleto de eventos maravilhosos para quem ama o jornalismo. Basta se jogar!

No dia 1º de outubro, por exemplo, acontecerá o Seminário Internacional de Jornalismo promovido pela ESPM em parceria com a Columbia Journalism School. O evento será realizado das 8h30 às 17h, na sede da ESPM, na Vila Mariana, em São Paulo.

Acadêmicos e CEOs do jornalismo no Brasil e no mundo, além de feras da nossa reportagem, estarão presentes no evento discutindo o futuro da profissão e oferecendo dicas e técnicas em painéis específicos.

A palestra de abertura será com Ernest R. Sotomayor, professor e diretor das Iniciativas Latino-Americanas da Columbia Journalism School. Depois haverá uma palestra sobre “Gestão de crise em empresas de comunicação”, com Claudia Bredarioli, que é professora de Jornalismo da ESPM.

A manhã será encerrada com uma super mesa com o tema “Desafios do Jornalismo: novas formas de produzir, consumir e novos modelos de negócios”, com Felipe Recondo, sócio-fundador do JOTA; Francisco Mesquita Neto, diretor-presidente do Grupo Estado; João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação; tudo isso com mediação de Leão Serva (que foi meu chefe no IG <3), professor da ESPM e diretor de jornalismo da TV Cultura.

À tarde os participantes poderão participar de dois painéis fantásticos. O primeiro será sobre “Jornalismo de dados: o que há por trás de grandes reportagens”, com Alana Rizzo, consultora na Albright Stonebridge Group e colaboradora da The Economist Intelligence Unit no Brasil; Daniel Bramatti, editor do Estadão Dados e do Estadão Verifica do Jornal O Estado de S. Paulo e Presidente da Abraji; Fabio Takashi, editor do DeltaFolha – Núcleo de Jornalismo de Dados da Folha de S. Paulo e Vice-presidente da Jeduca; e mediação de Antonio Rocha Filho, professor de jornalismo da ESPM. O segundo painel, intitulado “Repensando a interatividade com o público”, trará Fabíola Cidral, apresentadora da rádio CBN; Murilo Garavello, diretor de Conteúdo do UOL; e Renato Franzini, editor-chefe do G1; com mediação de Ricardo Fotios, professor de jornalismo da ESPM.

Agora vem a parte melhor de tudo, queridxs focas: O EVENTO É GRATUITO!!!

INSCREVA-SE JÁ! Clique aqui para fazer a inscrição.

SERVIÇO:

3º Seminário Internacional de Jornalismo da ESPM/Columbia Journalism School

Data: 01/10/2019

Horário: das 8h30 às 17h

Local: R. Dr. Álvaro Alvim, 123, Vila Mariana, São Paulo – São Paulo

mídia.JOR 2019 debate inteligência artificial no jornalismo com Zeca Camargo e jornalistas de diferentes veículos

*Patrícia Paixão

Inteligência artificial no jornalismo. Perderemos nossos empregos? Seremos substituídos por robôs? Ou viveremos experiências jornalísticas mais ricas e interessantes?? Taí um tema super importante e sobre o qual muita gente ainda precisa se inteirar.

Olha só que maravilha! A edição 2019 do mídia.JOR, congresso promovido pela revista e pelo portal IMPRENSA, vai abordar exatamente esse assunto, a partir das experiências de empresas e veículos que são referência no jornalismo e em IA (Inteligência Artificial).

O evento acontece no dia 26 de setembro (uma quinta-feira), das 14h às 22h, no Teatro Unibes Cultural, em São Paulo.

Dentre os especialistas que estarão presentes, debatendo o assunto, estão Claudia Quinonez, chefe de Automação de Notícias da Bloomberg e Laura Ellis, diretora de Inovação Tecnológica da BBC, participarão de Londres. Pete Clifton, editor-chefe da Press Association e Nic Newman, do Instituto Reuters de Jornalismo, apresentarão vídeo-cases, Daniel Flynn, editor da América Latina da Thomson Reuters, também confirmou presença.

Também participarão do encontro especialistas da Folha de S.Paulo, UOL, Estadão, Gazeta do Povo, TV Globo e TV Cultura, além das empresas de comunicação Torabit, Becabiz, inova.jor, Aos Fatos, LabData da FIA, The AI Academy e Neuromath Inteligência Artificial.

Segundo o portal IMPRENSA, a discussão sobre os algoritmos terão destaque nos quatro painéis centrais do mídia.JOR: o algoritmo em casa, mediado por Leão Serva; o algoritmo tupiniquim, com mediação de Zeca Camargo; o algoritmo financeiro e o algoritmo informado.

Você não pode perder esse evento!! Estarei lá e espero você também! As inscrições estão abertas pelo site www.portalimprensa.com.br/midiajor  

O valor é de R$ 50,00 para estudantes. Bem acessível!

O mídia.JOR conta com o apoio da Unibes Cultural e o patrocínio do Itaú Unibanco e do UOL. Também tem o apoio de mídia da Abraji, Jeduca e Propmark.

SERVIÇO:

DATA: Dia 26 de setembro de 2019, das 14h às 22h

LOCAL: Unibes Cultural SP – Rua Oscar Freire, 2500 (ao lado da estação Sumaré de metrô)

INSCRIÇÕES: http://www.portalimprensa.com.br/midiajor  



Formando Focas comemora 4º aniversário com evento gratuito sobre reportagem especial e jornalismo investigativo

*Por Patrícia Paixão

Queridxs seguidores e seguidoras,

Está quase chegando o evento que eu mais aguardo no ano: o aniversário do Formando Focas, esse espaço que criei com tanto carinho especialmente pensando em colaborar com estudantes de jornalismo e iniciantes na profissão.

A página está completando quatro aninhos de vida e, como de costume, iremos festejar com um evento bem legal e GRATUITO (sim, essa é a melhor parte rs) no histório Auditório Vladimir Herzog, do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. A celebração acontecerá no dia 17/08, um sábado, das 14h às 18h.

O evento será aberto com uma mesa sobre reportagem especial, com a participação dos jornalistas do R7 Beatriz Sanz e Kaique Dalapola, das editorias Internacional e Cidades (respectivamente), e Victória Damasceno, repórter com trabalhos publicados na Folha de São Paulo, Estadão, UOL, Revista Azmina, CartaCapital e revista Nova Escola (hoje Victória está no UOL).

Depois de um delicioso coffee break (porque sim, nós jornalistas gostamos muito disso rs), teremos uma mesa sobre jornalismo investigativo com o editor de Esportes do El País e comentarista da ESPN, Breiller Pires; a repórter do SBT, Thaís Nunes; a repórter da Ponte Jornalismo, Paloma Vasconcelos; o jornalista, escritor de diversos livros-reportagens investigativos e professor do curso de Jornalismo da Universidade São Judas, Moacir Assumpção; além do repórter do IG, Yago Sales, que atuou em diversas reportagens investigativas em Goiás, chegando a ser ameaçado de morte por conta de matérias que produziu, mostrando a exploração de usuários de droga por um pastor.

O evento contará com sorteio de livros-reportagens e camisetas da Ponte Jornalismo.

É sempre uma oportunidade valiosa para vocês, queridxs focas, fazerem networking e tirarem dúvidas sobre como dar os primeiros passos na profissão com colegas que estão na área. Além de participarem da nossa tradicional megaselfie.

Venham! Ansiedade matando ❤

As inscrições podem ser feitas neste link

SERVIÇO:

4º Aniversário do blog Formando Focas

http://www.formandofocas.com

Data: 17/08/2019 (sábado)

Horário: das 14h às 18h

Local: Rua Rêgo Freitas, 530 – Sobreloja – República

Encontro com Ricardo Kotscho debate assessoria de imprensa na Presidência da República

*Da Redação

A Comissão Permanente e Aberta de Jornalistas em Assessoria de Imprensa (CPAJAI) realizará no próximo dia 06 de agosto, terça-feira, às 19h, um encontro com o jornalista Ricardo Kotscho sobre assessoria de imprensa na Presidência da República.

Kotscho atuou como assessor de imprensa, respondendo pelo cargo de Secretário de Imprensa e Divulgação, no gabinete da Presidência da República, entre 2003 e 2004, no primeiro mandato do Governo Lula (2003-2006) e vem falar deste seu trabalho e conversar um pouco sobre essa difícil função.

O jornalista é um dos mais renomados e importantes repórteres brasileiros, com três prêmios Esso. É um dos entrevistados da série de livros Mestres da Reportagem, organizada pela jornalista e professora Patrícia Paixão, responsável por este blog.

Kotscho trabalhou nas redações dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil, onde foi correspondente na Alemanha; nas revistas Isto É e Época. Foi repórter especial da Revista Brasileiros; atuou nas TVs Globo, CNT, SBT, Bandeirantes, foi comentarista do Jornal da Record News e, atualmente, escreve para a Folha de S. Paulo, como colaborador, responsável por reportagens especiais.

Para se inscrever, clique aqui.

Serviço

Encontro com Ricardo Kotscho: Assessoria de Imprensa na Presidência da República

Data: 06 de agosto

Horário: às 19h

Sindicato dos Jornalistas de SP

Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja

Em necessário livro-reportagem, Daniela Arbex devolve a vida às vítimas da boate Kiss

Livro emociona por revelar últimos momentos das vítimas com seus familiares e todo sofrimento sentido na tragédia, que deixou 242 mortos. Culpados respondem em liberdade.

Por Patrícia Paixão

Comprei esse livro há mais de seis meses e, na correria de vida que eu levo, com dezenas de obras do doutorado pra terminar, resolvi guardá-lo para fazer a leitura num momento de total dedicação a ele. Depois de Holocausto Brasileiro, sabia que Daniela Arbex voltaria a me emocionar. Devorei o livro em poucas horas, e é emblemático que tenha sido hoje, 25 de janeiro, dia tragédia na barragem em Brumadinho (MG).

Os quatro diretamente responsáveis pela tragédia na boate Kiss respondem em liberdade. Duzentas e quarenta e duas pessoas (muitos jovens de 18, 19 anos) tiveram sua vida dolorosamente interrompida por conta do incêndio na boate.

Os familiares das vítimas? Muitos estão até hoje com problemas psicológicos; muitos mantêm as luzes dos quartos dos filhos mortos acesas, para sentir de alguma forma a presença deles; alguns morreram pouco tempo depois; alguns se ausentaram da vida.

Os culpados pela tragédia na Kiss, tal como os responsáveis pela tragédia em Mariana, podem tocar suas vidas normalmente. Os mortos e seus familiares não. Fico pensando nos mortos da tragédia em Brumadinho… Mais um capítulo de lágrimas no país em que o crime compensa…

Mas esse livro não fala só da impunidade. Ele consegue um feito muito maior. Com o livro, as vítimas da Kiss voltam à vida. É possível saber quais eram seus hobbies, seu jeito de ser, sonhos… É um livro sobre amor, empatia e solidariedade acima de tudo.

Daniela nos revela como era o relacionamento das vítimas com seus pais e nos faz valorizar muito as pessoas que amamos. Inevitável não se colocar no lugar das mães, irmãos, avós e amigos que perderam os seus entes repentinamente e ficaram com o coração latejando por não terem conseguido dar o último abraço.

O livro descreve casa instante de aflição dos familiares. Quando a equipe de resgate entrou na Kiss, diversos celulares sobre a pilha de mortos contabilizavam dezenas de chamadas perdidas. Eram os familiares aflitos esperando inutilmente um “Oi, mãe, estou bem. Não fui vítima do incêndio”.

Daniela, obrigada por essa obra que me faz amar ainda mais a nossa profissão. O jornalismo é muito importante, quando feito com respeito, sensibilidade e genuína compaixão pelo próximo. Não dá pra ser um bom repórter sem empatia. Em seus três livros você mostra que é uma grande repórter, querida Daniela Arbex.

Livro obrigatório, queridos focas! LEIAM!!! ❤

Carta de um recém-formado em jornalismo para um estudante do ensino médio

*Rubens Rodrigues

Fala, Moleque!

Sabe aquele sonho que você projetou há dez anos? Venho te falar que ele se realizou. Você se formou! Você é jornalista e eu tenho um baita orgulho do caminho que percorreu até chegar aqui. Te escrevo não apenas para te parabenizar, mas para relembrar do quanto você foi forte nesse percurso.

Você nunca foi fã do Racionais, muito menos do gênero musical que o grupo canta, mas recentemente tá ouvindo bastante, né? Talvez porque algumas de suas letras fazem você refletir e lembrar do quanto foi difícil a caminhada.

“É necessário sempre acreditar que o sonho é possível. Que o Céu e o limite e você, truta, é imbatível. Que o tempo ruim vai passar, é só uma fase. E o sofrimento alimenta mais a sua coragem.”

Lembra daquele pivete de 14 anos que ia pra escola com camisa de time, que só falava de futebol na sala, e, nas aulas de Educação Física, brincava de narrar futebol e entrevistar os jogadores? Hoje não é mais brincadeira. Os entrevistados não são mais os amigos. Hoje você é um profissional do jornalismo.

Na escola você não via a hora da aula acabar pra assistir aos programas esportivos. Gostava de se informar sobre o mundo da bola. Durante as passagens de cada repórter, sonhava: “Um dia o GC será Rubens Rodrigues em vez de Fernando Fernandes, Nivaldo De Cillo, Felipe Kileing, Marcio Gontijo, João Paulo Vergueiro, Fábio Neves, Sandro Gama e outros repórteres que apareciam nos programas “Jogo Aberto” e “SPA Acontece”. Você já até conheceu e entrevistou alguns desses repórteres, né? Você é diferenciado moleque! É esforçado, dedicado e tem um amor pelo jornalismo gigante.

Antes de se matricular na faculdade, você inventou de trabalhar de auxiliar de caravana, só para conhecer e estar dentro de uma emissora de TV. Saía convidando todo mundo para ir aos programas, principalmente os da TV Bandeirantes, pela qual você tem uma paixão indescritível. Você sempre foi curioso, mas, ao mesmo tempo, ingênuo. Tirava dinheiro do seu bolso para pagar as pessoas para irem na plateia, tudo isso para não dar mancada com as produtoras dos programas. Já quando estava prestes a parar de fazer caravana, descobriu que foi enrolado por uma das caravanistas. Nunca viu a cor do dinheiro que deveria receber por levar as pessoas aos programas. Chateou-se demais com isso, mas relevou.

Lembra de quando você foi muito mal no ENEM e não conseguiu ingressar na faculdade? Se achou incapaz, ficou magoado, não queria mais cursar faculdade. Chegou a pensar que a faculdade só era para quem estudava em escola particular. Quase desistiu, porque não tinha condições de pagar uma faculdade tão cara. Depois de um ano e meio, conseguiu uma bolsa de 50% e ingressou seus estudos na FAPCOM. No fim daquele primeiro semestre foi o único da turma que pegou DP. O script se repetia: se achou incapaz, ficou magoado, chorou….

Mas tu era foda, moleque. Trabalhava à noite em uma empresa de ônibus em Santo Amaro, ia para faculdade (Vila Mariana) virado do trampo, chegava em casa em Embu Guaçu (Grande São Paulo) por volta das 14h para dormir até as 17h30, porque tinha que ir trabalhar. Era compreensível as DPs porque você tinha rotina muito intensa e era seu primeiro contato com a vida acadêmica. Não era igual o ensino médio.  Tinha que ralar para tirar a média que era 8.0. Era difícil, mas você precisava dar um trampo para pagar a faculdade.

Moleque, quando você criou o Blog Bola Rolando tu me encheu de orgulho. Lembro que era apenas para escrever sobre futebol. Viu que deveria ter algo de diferencial em relação aos demais blogs. Então resolveu criar um quadro de entrevistas com cronistas esportivos. Essa sua paixão pelo jornalismo sempre me deixou orgulhoso. Cara, você lembra quando foi para frente do espelho ensaiar para fazer sua primeira entrevista com um jornalista esportivo? Você era chato quando queria entrevistar. Mas estava fazendo apenas a função de jornalista: ser persistente. No Bola Rolando tu fazia tudo cara: produtor, pauteiro, repórter, cinegrafista, editor.

Você cresceu ouvindo rádio e, com o tempo, começou a acompanhar futebol somente pelo dial. Gosta da emoção que esse veículo proporciona. Viu que o rádio seria um bom lugar para trabalhar. Ligou por muitas vezes nas redações das rádios pedindo para visitar e acompanhar um programa esportivo para ver como funciona. Foi muito chato. Ligava a cada 10 minutos até que conseguiu. Batia cartão na extinta Bradesco Esportes FM.

Lembra de quando você falou pela primeira vez ao vivo numa rádio? Apresentou um programa musical com jornalismo na Rádio Paradise FM (Rádio Comunitária da sua cidade). Era da hora ver você se entregando tanto.

E a sua primeira experiência com a reportagem, tá lembrado? Eu tô falando daquela reportagem da Virada Esportiva que você foi voluntariado. Com apenas  um mês de faculdade, você se inscreveu para cobrir a Virada Esportiva e foi lá e fez o trabalho bem feito, né? A reportagem foi parar no site da prefeitura de São Paulo. E lembra de quanto você recebeu? MUITO! A experiência que você adquiriu ali foi crucial para seu aprendizado, moleque! Você ainda estava aprendendo o que era lide, e conseguiu fazer uma boa cobertura.

Você lembra quando brincava de ser repórter da Band? Assistia ao jogo anotando tudo. Quando acabava, ia para frente do computador (que não tinha internet), escrevia a matéria daquele jogo, colocava em um pen drive e ia para a Lan House no outro dia, só para confirmar as informações na internet.  Completava a reportagem e imprimia. Lembro que às vezes a matéria saía ali mesmo na folha do caderno da escola. Todas eram assinadas como Rubens Rodrigues, repórter da Rádio e TV Bandeirantes. Essas matérias você tem guardadas e, às vezes, quando vê que tá difícil, vai lá na caixa e pega as reportagens pra matar saudade.

Você foi um moleque doido pelo jornalismo esportivo e sempre sonhou em trabalhar na TV Band. Era o canal que você mais assistia, porque não tinha TV a cabo e era a emissora que mais tinha programação esportiva. Sua história relembra os antigos narradores que iam para campo de várzea narrar. Você pediu pro seu irmão fazer um microfone de madeira para “brincar” de entrevistar os jogadores. Mandou confeccionar uma camisa de “reportagem” só para se sentir um repórter na beira dos gramados dos campos de várzea de Embu-Guaçu. O microfone era de Karaokê com o fio cortado, a canopla era de madeira com adesivo da Band, que mais tarde daria lugar ao logo do seu blog. Você sempre foi louco rsrs.  

Na Copa do Mundo, gostava de fazer coberturas ao vivo. Cada jogo do Brasil ia para a casa dos amigos e fingia entrar em link ao vivo para ver como estava o ambientes dos brasileiros, saber das expectativas dos torcedores. Para isso, você promovia uma credencial semelhante aos dos jornalistas que trabalhavam na Copa. Já disse que você era louco, né?

Tenho muito o que relatar aqui, mas preciso te alertar de uma coisa: o mercado jornalístico tá bem complicado. Preciso dizer que estou orgulhoso do Rubens que se formou. Ele amadureceu e vê o jornalismo hoje muito diferente de quando era moleque. Hoje ele entende que não existe jornalista que trabalha só com esporte, e sim jornalista que deve saber falar de tudo. Hoje o Rubens escreve para uma grande agência de jornalismo que fala de periferia.

Hoje as pessoas encontram o Rubens e perguntam o que ele vai fazer da vida, uma vez que terminou a faculdade e não está trabalhando na área. “E aí? Agora que terminou a faculdade, você vai trabalhar na TV quando? Ou vai ficar trabalhando em uma gráfica?” Eles não entendem que o Rubens trabalha na área. Na Agência Mural o trabalho lá é bem feito. Ele consegue ter o tesão pelo jornalismo, quando elabora a pauta, entrevista, vai atrás de fonte e senta para escrever.

O Rubens hoje pensa em investir no seu canal para falar de futebol, já que não tem um trampo fixo no jornalismo. O Rubens não quer abandonar o Bola Rolando, porque cada entrevista, texto, reportagem tem uma história que ele lutou muito para conseguir. O Rubens formado tem um recado para o Rubens estudante do ensino médio:

“Obrigado por nunca ter desistido do jornalismo. Obrigado por cada lágrima derramada, sejam elas de alegria por pisar pela primeira vez em um estádio de futebol para reportar um jogo, ou porque estava se formando e viu que não estava trabalhando diretamente com futebol. Rubens, tá difícil, tá foda, tá complicado, mas não desiste não, cara. Lute muito! Nunca foi fácil e nem será. Eu espero que daqui um tempo você possa estar escrevendo outra carta e, nela, você estará ainda melhor do que agora.”

*Rubens Rodrigues acabou de se formar em Jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Ele escreve para a Agência Mural de Jornalismo das Periferias.

A todos que temem não vencer no jornalismo

*Patrícia Paixão


Boas histórias são para serem compartilhadas. Elas inspiram, elas ajudam a convencer quem pensa em desistir, elas enchem nossos corações de esperança.

Essa é uma história muito bonita sobre uma aluna de jornalismo.
Me lembro do primeiro dia em que dei aula para a Deise Dantas. Pedi que cada aluno se apresentasse para mim e, quando chegou a vez da Deise, ela me encurralou:

“Professora, quero que você seja extremamente sincera. Sou mais velha e estou há muito tempo sem estudar. Eu vou ter chance no mercado jornalístico? Vou conseguir um estágio? Pergunto isso, pois, caso eu não tenha chances, eu vou desistir do curso”.

Eu não costumo vender um “mundo Poliana” aos meus alunos. Com um aperto no peito, encarei Deise e disse a verdade. Expliquei que o mercado dá preferência sim a pessoas mais jovens, que é competitivo e cruel. Mas destaquei que, apesar desse cenário desfavorável, já tive alunos e alunas mais velhxs que, por terem um amor imenso pelo jornalismo, dedicaram-se e perseveraram muito, muito mesmo, conseguindo uma vaga na área.

Deise, então, prosseguiu no curso, mas insegura, sempre duvidando da sua capacidade, do seu texto. Eu permanecia estimulando-a, tentando convencê-la sobre seu potencial.


Em 2015 a faculdade em que eu e Deise estávamos (lá eu era professora e coordenadora do curso de jornalismo) fechou repentinamente. Eu, ela e outros centenas de alunos e professores ficamos desamparados. Consegui me recolocar em um mês, mas muitos dos meus pupilos permaneciam no desespero. A mensalidade na Faculdade do Povo era bem acessível, e eu só conseguia pensar na situação de alunos queridos como a Deise, que dificilmente poderiam arcar com uma mensalidade puxada em outra instituição com a qualidade da FAP. Sim, a Faculdade do Povo era maravilhosa. Tinha quatro estrelas no Guia do Estudante e nota 4 no MEC. Que orgulho daquela faculdade!!


Graças à generosidade e à ajuda da amiga Patrícia Rangel, coordenadora nas Faculdades Integradas Rio Branco, eu, Deise e muitos alunos da FAP fomos acolhidos. Tive que deixar a instituição poucos meses depois (havia conseguido aulas em outras duas universidades e estava muito puxado), mas Deise encontrou na Rio Branco professores maravilhosos. Dentre eles Patrícia Ceolin, Carina Macedo Martini, Renata Carraro e André Rosa de Oliveira, que acabou se tornando seu orientador de TCC.


Ontem eu tive a oportunidade, nesses reencontros maravilhosos que Deus nos proporciona por intermédio dos nossos amigos, de ser avaliadora da banca da Deise. Eu analisei seu livro-reportagem chorando de emoção. Deise, que desconfiava tanto do seu texto, escreveu uma obra linda, com perfis de integrantes de um movimento de luta por moradia em Taboão da Serra. E eu que falei tanto sobre Eliane Brum com Deise, vi vários parágrafos em seu livro que parecem ter sido escritos pela diva do nosso jornalismo. Deise hoje é uma JORNALISTA madura e muito boa. UMA JORNALISTONA dessas que farão a diferença na nossa área, que honrarão a natureza social da profissão.


Ela conseguiu entrar na área. Está fazendo estágio, feliz e orgulhosa das suas conquistas. Deise venceu. Como diz o título do seu livro-reportagem, ela foi do “Chão ao céu”.


E hoje eu sou uma professora boba, rindo sozinha pelos cantos, lembrando da jornalista maravilhosa em que Deise se transformou.