Dicas sobre livro-reportagem e jornalismo na TV marcam 3º aniversário do Formando Focas

 

FF

*Por Amanda Stabile

Fotos: Cadu Bazilevski e Sidney Barbalho de Souza

O blog Formando Focas, voltado a oferecer dicas e conselhos para estudantes de jornalismo, celebrou seu terceiro aniversário no último sábado (25/08), com evento gratuito no auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

“Ele foi criado em 2015 e desde então vem crescendo. Começou com meus alunos seguindo e hoje já conta com mais de 36 mil seguidores no Brasil inteiro”, explicou a autora do blog, Patrícia Paixão, que também é professora universitária e jornalista. “Rumo aos 50 mil!”, brincou.

O evento se iniciou com a mesa “O livro-reportagem como TCC”, na qual André Guimarães, autor do livro Gérson de Souza – Um repórter em extinção; Luciana Faustine, autora de À flor da pele: o impacto da internação compulsória na vida dos hansenianos e de seus filhos sadios; e Sidney Barbalho de Souza, autor de Marcelo Canelas – Por um jornalismo humanista, falaram acerca dos bastidores de produção de seus livros-reportagem.

Luciana Faustine explicou que a ideia de seu tema surgiu quando ainda cursava o segundo semestre da faculdade. “Eu estava conversando com uma professora de fotografia e ela me falou sobre uma amiga que também era jornalista. Mais tarde, pesquisando sobre ela, vi uma pauta que ela tinha proposto sobre o impacto da Hanseníase na vida dos filhos e familiares”, recordou. “Eu achei interessante a proposta, vi vídeos e pesquisei sobre o assunto. Quando chegou a hora de fazer o TCC eu falei ‘eu vou fazer sobre isso’”, complementou.

Helena, uma das personagens entrevistadas no livro, estava presente no evento. Ela foi separada dos seus pais – portadores da doença – logo no nascimento e afirma que há fatos sobre a internação deles que ela só tomou conhecimento a partir do livro. “É muito importante que tudo que a gente passou aqui no Brasil seja divulgado, para por um fim nos preconceitos quanto a hanseníase. Ela é como qualquer outra doença. E tem cura!”, afirmou.

A dica que Sidney Barbalho deixou para aqueles que também desejam um livro reportagem como TCC foi, caso seja uma obra biográfica, que a primeira entrevista seja feita com o personagem principal. Assim, a partir dessa conversa é possível estabelecer o ponto de partida para conhecer todas as demais pessoas que fazem parte dessa história.

Ele também enfatizou a importância da pesquisa – antes do primeiro contato é necessário pesquisar a história do personagem para embasar as questões e perguntar coisas relevantes – e do planejamento. “Eu estive em 5 estados diferentes em que o Canellas foi passando, em que a vida dele foi construída. Por isso, é preciso um planejamento financeiro, para estipular todos os gastos e honrar com o compromisso de todos os entrevistados”, afirmou.

André Guimarães alertou para o tempo de dedicação que um livro reportagem exige de seu autor.  “Uma coisa que vai acontecer no seu TCC é você ter de abrir mão de alguns momentos – com a sua família, de ir ao teatro, de sair. Mas você não vai estar perdendo com isso”, disse. “Porque, no meu caso, cada vez que eu ouvia novamente a entrevista eu aprendia mais e mais”.

Para ele, sua maior gratificação foi ver a emoção de Gerson de Souza e de sua família, no lançamento do livro. “A atenção que eles me deram ao dizer que a história deles não ia morrer nunca mais. Isso para mim não tem preço”, recordou.

A segunda mesa, “Reportagem, emoção e simpatia: é possível sim unir tudo!”, contou com a participação de Gérson de Souza, repórter especial da Record TV e de Fernanda Elnour, da TV TEM, afiliada da TV Globo em Sorocaba.

Gerson falou um pouco sobre a sua trajetória jornalística, passando pelo rádio e pela televisão, sempre com reportagens humanizadas e descontraídas. “Eu me lembro que uma vez eu fui advertido por alguém da chefia, que eu não podia colocar a mão no entrevistado”, relembrou. “Eu não só toco na pessoa, como eu abraço e até beijo”, brincou.

Fernanda diz que, diferentemente de Gerson, já iniciou sua carreira na TV na época do jornalismo mais humanizado. “Hoje em dia somos muito cobrados para fazer um jornalismo mais humano, com passagens participativas e com interação com a população”, disse.

Ao final da conversa, houve um novo lançamento dos volumes 2 e 3 da série Mestres da Reportagem, que reúne entrevistas com os maiores jornalistas do país, feitas por alunos e ex-alunos de Patrícia Paixão, organizadora do livro. Também houve o sorteio de alguns livros, inclusive Gérson de Souza – Um repórter em extinção, que foram autografados pelo repórter.

*Amanda Stabile é estudante do 5º semestre de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ela escreve como colaboradora do Formando Focas.

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