Conheça as relações, as “avós” dos jornais impressos

*Patrícia Paixão

Por volta de 1450 (alguns estudiosos apontam 1445, outros 1447), o alemão Joahnnes Gensfleish, conhecido como “Gutenberg”, inventou a prensa tipográfica, uma técnica de impressão que utilizava tipos móveis de metal (a técnica tipográfica já era utilizada antes na Coréia e na China, mas com tipos de madeira, que limitavam a reutilização).

Esses tipos (letras e sinais gráficos de pontuação) eram colocados um ao lado do outro para formar as palavras. Depois, eram reunidos em linhas que se transformavam em colunas, até formar uma página inteira.

A técnica revolucionou a humanidade, permitindo a reprodução de milhares de exemplares de livros, o que antes era impossível pelo método manuscrito (escrito à mão um livro levava dias para ser reproduzido).

Permitiu também o surgimento dos jornais impressos. Podemos dizer que as impressoras utilizadas hoje na nossa imprensa são bisnetas e tataranetas da prensa tipográfica.

Mas os jornais não surgiram prontamente após a invenção de Gutenberg.  Antes de 1600 (ano em que começaram a surgir os primeiros jornais impressos na Europa),  existiu uma forma embrionária de jornalismo impresso chamada de RELAÇÕES, que foi impulsionada pela invenção da prensa tipográfica.

Também nomeadas de “notícias avulsas” ou folhas avulsas, as relações eram panfletos, com títulos longos, que descreviam um fato excepcional, sensacional, causador de grande repercussão. Exemplos: um terremoto, a morte de um rei ou o estouro de uma guerra.

De acordo com o estudioso e jornalista Antônio Costella, autor do livro “Comunicação – do Grito ao Satélite”, as relações anteciparam dois critérios de noticiabilidade que hoje são fundamentais na imprensa na hora de avaliar quais fatos merecem ser transformados em matéria jornalística: a imprevisibilidade e o apelo.

No início elas eram manuscritas, mas, quando surgiu a prensa tipográfica, logo começaram a ser impressas.

  • Na França chamavam-se “feuilles volantes”.
  • Na Inglaterra: “newes”
  • Na Alemanha: “zeitungen”
  • Na Espanha: “relaciones”
  • Em Portugal: “relações”

Quando surgiram, as relações traziam a descrição de um único fato e não tinham periodicidade. Só era impressa outra Relação quando outro fato sensacional ocorresse, daí diferenciarem-se das gazetas manuscritas (jornais escritos à mão – outra forma embrionária de jornalismo), que tinham periodicidade e tratavam de fatos variados.

Com o passar do tempo, por volta do final do século 16, as diferentes Relações que circulavam na Europa começaram a variar os assuntos e a ter periodicidade (imitando as gazetas manuscritas, só que na forma impressa), tornando-se, portanto, JORNAIS (a periodicidade e a variedade temática são dois critérios que os estudiosos usam para apontar os primeiros jornais surgidos no mundo). Foi quando surgiu a imprensa.

O primeiro impresso brasileiro, produzido por Antonio Isidoro da Fonseca, foi uma Relação

O primeiro impresso brasileiro foi uma Relação

O primeiro impresso brasileiro, na fase que se tentava implantar a imprensa no Brasil (antes de 1808 – data da vinda da Coroa portuguesa para cá – Portugal minou todas as tentativas de  surgimento do jornalismo aqui), foi justamente uma relação. Em 1746, Antonio Isidoro da Fonseca, um impressor bastante conceituado em Lisboa, transferiu-se para o Rio em busca de melhores oportunidades financeiras, trazendo na bagagem um material tipográfico. Apoiado pelo então governador Gomes Freire, o impressor chegou a colocar sua tipografia em funcionamento (antes dela ser queimada por Portugal), imprimindo a “Relação da entrada que fez o excelentíssimo senhor Dr. Fr. Antonio do Desterro Malheyro, Bispo do Rio de Janeiro em o primeiro dia deste presente ano de 1749…”, esse era o título da relação.

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Continue acompanhando o Formando Focas para conhecer um pouquinho mais a história do jornalismo. ❤

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