Folha publica especial maravilhoso sobre seus 95 anos. Corra!!!!!!

Especial

*Patrícia Paixão

Uma relação tensa, de amor e ódio. Assim defino meu relacionamento com a Folha de S.Paulo. É o meu jornal preferido, desde a época em que era estudante do ensino médio. E naqueles tempos, quando o curso de jornalismo era só um sonho, eu realmente considerada a Folha o diário mais pluralista e independente do país. O slogan “De rabo preso com o leitor” era uma máxima para mim. Meu sonho era trabalhar no velho prédio amarelo da Barão de Limeira, fazer história nele.

O sonho se realizou em 2001, dois anos depois que me formei em jornalismo, na Universidade Metodista de São Paulo. Avistei na edição de domingo uma vaga para a Agência Folha, atual Folhapress. A vaga pedia um texto sobre agências de notícias, inglês fluente, bons conhecimentos gerais, dentre outras coisas. Corri para o computador, escrevi o artigo e enviei, torcendo os dedos e pedindo a todos os santos do catálogo católico.

Me chamaram. Passei por outros testes, entrevistas e, depois de tudo isso, após uma candidata que tinha ido melhor do que eu ter desistido da vaga, consegui finalmente ser jornalista do grupo Folha.

Foi uma experiência muito importante para o meu currículo. Não posso ser ingrata e ignorar isso. Vivi anos produtivos, que me fizeram ganhar agilidade, responsabilidade e conhecer os bastidores de uma grande redação, tanto coisas boas como coisas ruins.

Mas eu resolvi sair, para espanto de vários colegas e dos meus familiares. Não era um lugar onde eu faria história. E eu queria, se não fazer história, ao menos ter a oportunidade de fazer reportagem de verdade, ir pra a rua sempre, fazer textos que fugissem da tediosa pirâmide invertida. Principalmente fazer textos, já que na Agência Folha eu passava o dia retransmitindo textos de colegas. As oportunidades de ir pra a rua e fazer reportagem eram escassas.

Ainda no jornal comecei a fazer Mestrado em Comunicação, de novo na Metodista. Peguei a Folha como objeto de estudo. Analisei a cobertura que o impresso fez em 2002 da cobertura do então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eu já observava muita coisa como jornalista do grupo e, ao fazer a análise de conteúdo da Folha, examinando oito meses do jornal, com gráficos, tabelas e muitos outros parâmetros, minha tese de que o impresso fazia uma cobertura alinhada aos candidatos tucanos foi reforçada.

Guardei muita mágoa da Folha. Pra mim foi um lugar que não soube reconhecer meu talento (só fui fazer grande reportagem de verdade, quando saí do jornal), que pregava uma coisa, mas fazia outra. Hoje considero a Folha um jornal hipócrita, que diz ser pluralista, quando é tão ou mais tendencioso que os outros.

Mas  continuo sendo assinante da Folha e não consigo ler nenhum outro jornal. Síndrome de Estocolmo na cabeça rs

Tenho muita identificação com o layout da Folha, a ordem das editorias, sou fã de muitos articulistas, colunistas e cronistas do jornal, adoro a seção Tendências e Debates, considero sua linguagem e sua diagramação muito mais palatáveis que as do Estadão, por exemplo. Embora, na minha opinião, o Estadão é muito mais honesto.

Além disso, críticas e ressentimentos à parte, não dá para fechar os olhos para a influência da Folha e seus 95 anos de história.

Sou amante compulsiva da história da nossa imprensa e assinar um dos jornais mais tradicionais do nosso país, que noticiou momentos emblemáticos, como as Diretas Já, e que até hoje é responsável por vários furos que fazem o restante da mídia rebolar, pra mim é importante.

Por isso, apesar de todos os meus posts quase que diários questionando a Folha na minha timeline do Facebook, estou aqui para RECOMENDAR MUITO a vocês, queridos Focas, que comprem o especial que o jornal publicou hoje, em cinco cadernos. Está SENSACIONAL!!!

Ignorem o blá, blá, blá sobre a Folha ser um jornal pluralista, apartidário e independente. Basta ver a manchete de hoje (Datafolha sendo convocado para pesquisar se a população acha que as empreiteiras beneficiaram Lula) para atestar que esse discurso não cola. Como disse ontem na minha timeline: por que o jornal não aciona também o instituto pra perguntar à população se ela acha que o dinheiro que FHC enviou para sua amante no exterior é ilegal? Simplesmente isso não vai acontecer (e torço pra queimar a minha língua). É o costumeiro “dois pesos, duas medidas” da Folha.

Quem já passou pelo grupo Folha e tem o mínimo de senso crítico sabe bem que a Folha busca sim insistentemente o pluralismo, mas patina e muuuuuuuuuuuuuuito, morrendo muitas vezes na praia.

Ignorem também a parte em que a Folha diz que apoiou o golpe de 1964, mas manteve distância do regime militar. E o empréstimo de carros que o jornal fez para os milicos, fato já chancelado pela Comissão Nacional da Verdade??

Como disse o mestre Umberto Eco, em seu último livro (“Número Zero”):  “A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir notícias”.

Enfim, ignorem essas e mais algumas coisas, porque o resto, galera, vale a pena demais! Tem bastante coisa legal.

É uma edição pra se guardar!

No Caderno 1, com base no questionamento “Para que serve um jornal”, o impresso traz a cobertura do Encontro Folha de Jornalismo, realizado em 18 e 19/02. É possível acompanhar tudo o que rolou no evento, com imagens e curiosidades. Aliás, outra dica pra quem quiser saber os bastidores desse encontro é ler a cobertura que minha aluna de jornalismo das Faculdades Integradas Rio Branco (a linda Tatiane Cordeiro) fez do evento.  O texto foi publicado pelo portal Comunique-se (porque, sim, eu tenho alunos que divam nos principais portais de comunicação do país. #desculpa, sociedade).

Encontro_Folha

No Caderno 2, a Folha faz uma coisa maravilhosa! Mostra a história por trás de fotos históricas publicadas pelo jornal, por exemplo a imagem do massacre do Carandiru, de 1992, produzida pela fotógrafa Marlene Bergamo. O depoimento de Marlene sobre as circunstâncias em que a foto foi feita é de emocionar!!

Foto_carandiru

Amantes do fotojornalismo não podem perder esse caderno!

No Caderno 3, o jornal oferece um panorama do Grupo Folha como um todo, envolvendo todos os seus veículos. Mostra as mudanças impulsionadas pela tecnologia no grupo, a importância da publicidade na sustentação do jornal ( e aí lembramos do leitor que questionou o diretor-executivo da Folha, no Encontro Folha de Jornalismo, sobre o jornal ter anúncio da Odebrecht, uma das principais envolvidas no escândalo Lava Jato) e traz a história de propagandas famosas do jornal, como aquela que mostra o rosto do Hitler sendo formado. Uma das partes mais legais desse caderno é a que fala sobre a história da seção Erramos e destaca os erros mais grotescos e engraçados do jornal.

Folha_Erramos

O Caderno 4 traz uma entrevista com Sérgio Dávilla falando sobre o posicionamento da Folha frente à polêmica de o jornal ser petista ou tucano. Apesar de discordar de algumas respostas do Dávilla, tenho que dizer que sou muito fã desse homem, em especial de quando ele atuava como correspondente de guerra. É um excelente repórter e quero que ele faça parte do livro Mestres da Reportagem II, que estou organizando neste momento, com meus pupilos de jornalismo.

Ainda neste caderno,  é possível ver um texto destacando personagens importantes do Brasil que foram notícia nas páginas da Folha, quando ainda não eram conhecidos do grande público. Dentre esses personagens, a presidente Dilma, Chico Buarque (meu muso eterno #chicólatraforever), Bin Laden e Obama. Também há um espaço em que poetas foram convidados pelo jornal para fazer poesia com algumas reportagens publicadas no impresso.

Por fim, o caderno traz comentários de leitores da Folha, uma matéria bem legal mostrando o posicionamento do jornal frente a diversos assuntos, como aborto, cotas e união homossexual, além de um perfil de uma das fundadoras do jornalismo literário no mundo: a americana Lilian Ross, veterana da revista New Yorker. #muitoamorenvolvido

O Caderno 5 é MARA!!! Fecha o especial com chave de ouro. Nele a Folha destaca as 95 reportagens do jornal que ajudaram a mudar os rumos das coisas no nosso país.  A página final do caderno traz a versão Folha Corrida dos 95 anos do impresso. Essa é para enquadrar! Eu pelo menos vou fazer isso! 95 anos de história da Folha ali eternizados em uma página, que será devidamente colocada na parede do meu escritório.

Folha_Corrida

Então, queridos focas, corram já para uma banca mais próxima e comprem a Folha de hoje.

Só por hoje eu vou elogiar e muito o jornal por essa linda iniciativa. Só por hoje ❤

 

 

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