Jornalismo de beleza é com Andréia Meneguete!

*Patrícia Paixão

Há mais de dez anos ela era minha estagiária na seção paulista do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal, onde eu gerenciava o departamento de Jornalismo.

Curiosa, inteligente, crítica, super disposta a aprender.

Hoje?

Uma das principais jornalistas brasileiras dos segmentos da beleza e da moda, e, exatamente por isso, minha entrevistada aqui no Formando Focas (quem acompanha o blog sabe que só entrevisto os melhores 🙂 )

Que orgulho de ter sido chefe – e hoje amiga – de Andréia Meneguete. Desculpa, sociedade, mas Andréia é ex-editora de beleza da Revista Glamour e, atualmente, repórter freelancer da Vogue, Lifestyle Magazine e Máxima Portugal.

Quer mais?

Também é responsável pelos cursos de Jornalismo de Moda e Comunicação Estratégica de Moda na FAAP.

Então eu ostento mesmo minha amizade com essa diva ❤

Nesta entrevista, Andréia fala sobre a cobertura no segmento de beleza, responde sobre o preconceito que algumas pessoas possuem contra jornalistas que atuam nessa área e revela alguns diferenciais do curso que ela ministrará no próximo dia 30/01, no Ateliê Moda Imagem, em Moema, São Paulo.

Confira!

Mesmo com a crise, o segmento de beleza tem estado aquecido e nós, brasileiros, somos apontados como um dos principais mercados de cosméticos e produtos de bem-estar do mundo. Diante desse cenário, qual é a importância de saber cobrir adequadamente o segmento de beleza?

Andréia Meneguete: No jornalismo, quando a gente entende o segmento em que estamos trabalhando, o assunto fica cada vez mais pertinente para o leitor, público-alvo. Quando o assunto é beleza, não é diferente de política, economia ou cidades. Você tem que ter noção do todo para poder dar um gancho pertinente para a sua matéria. A área de beleza pode ter um viés econômico, se formos falar de dados do mercado. Podemos ter um viés de comportamento, se olharmos para as tendências de consumo. Ou podemos falar de questão de saúde, se olharmos para um produto e sua composição. O mercado de beleza cresce, pois somos ávidos pelo assunto, não tem jeito. E isso não é algo novo, pelo contrário. Se olharmos para trás vamos ver na nossa história as mulheres se embelezando por vários motivos. Cleopátra introduziu o belo olhar delineado na ‘cartilha da beleza’ não por motivos estéticos, mas, sim, por questões de proteção: a sua maquiagem era uma forma de afastar pestes e infecções da pele. Em algumas tribos e aldeias, mulheres usam a maquiagem/pintura no corpo para se diferenciarem. A beleza acaba sendo um meio e não o fim, mas há a admiração do belo. E não adianta falar que não há interesse no assunto, pois há. Seja num grau de intimidade menor ou maior, mas há.

Que qualidades e atitudes são importantes para quem deseja cobrir esse mercado?

AM: Tem que ter curiosidade, responsabilidade, faro para descobrir o que realmente é novo, o que é importante destacar e noticiar para o leitor. De verdade, não vejo diferença entre a postura entre um jornalista setorista em política e um que escreve para editoria de beleza. O que acontece é que esse mundo é muito mais glamourizado e é muito mais fácil se perder entre tantas ofertas. Mas, quando se tem postura profissional, o bom trabalho acontece.

O que é fundamental na hora de criar um editorial de beleza?

AM: O editorial de beleza tem que respeitar o público-alvo do veículo, como esse leitor está preparado para receber a imagem que será produzida. Não adianta construir uma história (imagens) conceitual se o seu leitor é muito mais focado em algo pronto para usar. Você só vai perder o espaço daquela página e não vai atingir o seu leitor. Então, você tem que entender quem é o seu leitor, antes de tudo, de qualquer passo (parece fácil, mas quando as pessoas entram nesse segmento tendem a  confundir gostos pessoais com o do target do veículo). Depois disso, você vai pegar uma tendência e transformá-la em uma bela história para contar. Tem que ter um gancho, um foco para a história a ser construída. Não adianta querer falar tudo em um único editorial. Veja o que é notícia, entenda qual o tom deseja dar para as imagens, como será o cenário desse ambiente e monte a história em cliques – é o famoso moodboard.

Esse segmento costuma ser visto com um certo preconceito por alguns jornalistas, que o consideram “fútil”. Como você recebe essas críticas?

AM: Já escutei muito na minha carreira –  quando eu trabalhava em jornal diário, principalmente – que a área de jornalismo feminino era “perfumaria”. Nunca me abalei, nunca me senti melhor ou pior pela área que escolhi. Sabe por quê? Porque subestimar um tema/assunto pode levar você a cometer erros absurdos na sua apuração. E um texto mal apurado pode fazer com que o leitor manche a pele, desenvolva alergias, perca cabelo, prejudique a saúde do corpo, etc. Adoro quando vejo alguém que leu um texto meu e acabou entendendo melhor como funciona o organismo, conseguiu adquirir hábitos melhores em relação à saúde e até mesmo testou um serviço de beleza que melhorou a relação que ela tinha com determinada região do corpo. Eu quero ser a pessoa que ela confia na hora que está lendo um texto sobre beleza, não estou falando só de maquiagem, estou falando de nutrição, bem-estar e fitness. Diferente da onda de blogueiras que recebem para divulgar algo, o jornalista ele apura, pega opiniões diferentes e expõe o assunto – pelo menos é como dever ser.

Futilidade é aquilo que não tem utilidade pra nada, que pode ser descartado. Quando falamos da nossa relação com a nossa imagem, de como nos sentimos melhores quando por meio de uma matéria entendemos melhor a nós mesmos e nossas escolhas, eu acho isso demais e zero fútil. Olha que engraçado: quando uma menina deseja imitar a mãe, ela passa um batom. Quando um menino quer imitar o pai, ele faz a barba. O produto de beleza conta história, tem vínculo emocional, não tem como achar isso fútil.

Quais tópicos exclusivos o curso de beleza que você leciona proporciona aos alunos?

O atrativo do curso é poder entender um pouco como funciona a área e os bastidores de uma redação do segmento feminino. Como já escrevi sobre o tema para diferentes veículos, de jornal diário à revista feminina mais conceituada do mundo, passando pela mais vendida do país, acredito que há possibilidades de explorar o assunto por diferentes olhares. Sem contar que a aula é uma delícia.

Deixe um conselho para quem deseja atuar no jornalismo de beleza.

Não adianta gostar de consumir beleza, tem que gostar de jornalismo, é fato! O faro jornalístico, o desconfiomêtro, a boa apuração, o texto coerente e a responsabilidade com o leitor têm que vir acima de tudo. É isso que faz você desenvolver um bom trabalho.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O WORKSHOP “JORNALISMO DE BELEZA”, OFERECIDO POR ANDRÉIA MENEGUETE:

wORKSHOP

Quando: 30/01/2016, das 9h às 18h.

Onde: Ateliê Moda Imagem – Rua Demóstenes, 606, em Moema.

Quanto: R$ 380 (em 2 parcelas | 1a Depósito Bancário + 2a no dia do curso)

Matrículas e informações: andreia.meneguete@gmail.com​

OBS: O curso é personalizado e tem vagas limitadas. Corra!!!!

 

2 ideias sobre “Jornalismo de beleza é com Andréia Meneguete!

  1. Pingback: Jornalismo de beleza é com Andréia Meneguete! – Lab Fashion Blog

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