Garanta a leitura do seu texto, explorando os elementos gráficos

ELEMENTOS

*Patrícia Paixão

A gente cansa de falar em sala de aula, mas poucos dão a devida atenção. O TEXTO PRECISA SER ENCABEÇADO POR UM TÍTULO. E TEM QUE SER UM BOM TÍTULO!

Se o texto for um pouco mais aprofundado (e, por isso, mais longo), como uma reportagem ou uma pingue-pongue (entrevista no formato pergunta-resposta), além do título é importante que tenha um bom subtítulo, intertítulos interessantes e pelo menos um olho.

Cada vez mais é preciso investir em artimanhas para fazer o leitor ter vontade de ler o texto. Vivemos um período em que boa parte dos leitores se atém ao título. Poucos chegam ao lide e raros leem o texto inteiro.

Por isso, é muito importante que cada detalhe da sua matéria seja estrategicamente pensado, para funcionar como uma “isca” que fisgará o leitor, fazendo-o ficar com uma vontade incontrolável de ler seu texto.

Os detalhes a que me refiro são os elementos gráficos, que constam do projeto gráfico de toda publicação que se preze. Digo que “se preze”, pois vemos muitas publicações supostamente jornalísticas no mercado, que não têm o mínimo de planejamento e padronização.

O projeto gráfico refere-se a todo planejamento estético de uma publicação. Tudo o que está relacionado ao seu layout e à maneira como sua diagramação é pensada e concretizada.

É importante saber trabalhar bem os elementos gráficos, respeitando as características de cada um deles. Não adianta você fazer uma grande reportagem, com mais de dez fontes ouvidas e muita pesquisa, inclusive de campo, se o seu texto tiver um título pouco expressivo e não contar com outros chamarizes para motivar a leitura e deixá-la mais leve. Todo seu trabalho de apuração e pesquisa irá para o ralo, pois o leitor não enfrentará sequer uma linha do seu texto.

Vamos conhecer regrinhas básicas de alguns elementos gráficos importantes:

*TÍTULO

O título deve resumir, de forma atrativa, a notícia, em especial no jornalismo hard news (veículos que cobrem os acontecimentos do dia, o factual). Quando dou exercício de notícia e reportagem em sala de aula costumo pegar alguns “caixas d´água” (alcunha carinhosa que dou aos aluninhos sem noção) fazendo títulos genéricos como “Bomba na política” ou “Polêmica no Congresso”. A argumentação dos “Brasilitis 1000 L” é que fizeram o título dessa forma para aguçar a curiosidade do leitor. Mas a verdade é que esses não são bons títulos, pois não trazem informação nenhuma, são muito genéricos, além do que destoam totalmente do perfil de leitor do hard news, que é um cara que quer prontamente a informação, que não tem tempo a perder.

O bom título no hard news é aquele que informa o leitor, de modo que ele já saiba o que é a notícia, sem precisar ir ao texto. Aliás, se costuma dizer que, na “notícia” (gênero jornalístico totalmente pautado no factual), o título deve ser tirado do lide.

Algumas regrinhas para produção do título no hard news:

– Deve ser curto (média de seis palavras), sintetizando o aspecto principal da notícia.

– Não começa com artigo definido ou indefinido;

– Não tem ponto final e evita ponto de exclamação ou interrogação, reticências, travessão ou parênteses;

– Deve ter verbo e este aparece no presente e na voz ativa para passar atualidade, para dar aquele ar de notícia fresquinha (com exceção de um fato que ocorreu num passado distante ou que ocorrerá num futuro distante);

– Embora seja muitas vezes tirado do lide, deve evitar a repetição das mesmas palavras do lide;

– O corpo da fonte do título deve ter destaque em relação aos demais elementos editoriais do texto.

Exemplo de título errado: Banco Mundial discute problemas educacionais

Exemplo de título certo: Banco Mundial propõe ensino pago

Perceba que no segundo título o jornalista foi direto ao ponto, resumindo a notícia.

Veja abaixo esses dois títulos da versão online da Folha de S.Paulo de 22/10/2015, para perceber as regras acima aplicadas neles:

Títulos

Percebeu como só lendo esses títulos você já ficou informado sobre o que é a notícia? Pois bem, a ideia é essa!

Já no jornalismo soft news, que trabalha com deadlines mais tranquilos e não se pauta no factual (como as revistas), a produção do título deve ser mais solta e criativa, pode-se deixar a informação principal para ser subentendida, pois se está lidando com um público que tem mais paciência, tempo e disposição para a leitura. Portanto, as regrinhas acima mencionadas não são seguidas no soft news, com exceção da máxima NÃO TEM PONTO FINAL. Aliás, repita comigo 10 vezes, por favor: NÃO TEM PONTO FINAL! NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL!NÃO TEM PONTO FINAL! Não sei por que estudante de jornalismo tem mania de colocar ponto final em título!! Aff…

Vale destacar que nos gêneros opinativos do hard news (artigo, editorial, crônica, resenha, entre outros) o título também é feito de maneira mais “solta” e criativa”, e sem respeitar as regrinhas acima mencionadas. Ou seja, as regrinhas valem para os textos do gênero informativo.

Exemplo de um título em uma reportagem da revista Piauí:

Título Piauí

Veja que o título começa pelo artigo “o” e não tem verbo, coisas impensáveis num título de um texto do jornalismo hard news.  Perceba também que ficou para o subtítulo a tarefa de explicar melhor o título. E falando em subtítulo, vamos às regrinhas para a construção dele:

*SUBTÍTULO OU LINHA-FINA

É uma frase colocada abaixo do título, que normalmente complementa uma informação que o título, por ser curto, não deu conta.

Regrinhas:

– Não deve trazer informação mais forte que o título;

-Sua função é esclarecer ou complementar o título ou, ainda, chamar a atenção do leitor para um outro aspecto importante da notícia que não foi abordado no título;

– As regras para sua redação são as mesmas do título com exceção do tamanho da frase, que pode ser maior, mais detalhada;

-Não deve repetir a mesma informação do título;

– O corpo da fonte é menor que o do título e maior que o do texto.

OBS: Existe ainda o sobretítulo ou antetítulo, que tem a mesma função que o subtítulo. A única diferença é que o subtítulo aparece abaixo do título e o sobretítulo acima. Obviamente, se a função é a mesma, não se deve usar num mesmo tempo subtítulo e sobretítulo.

Na matéria a seguir, o subtítulo tem papel “complementar”, oferecendo detalhes sobre a informação trabalhada no título:

subtítulo

*INTERTÍTULO

É uma palavra, expressão ou composição de poucas palavras que aparece entre dois parágrafos do texto (em especial em textos longos). Tem a função de sinalizar ao leitor que a matéria mudará levemente o rumo do assunto que está sendo abordado. Serve para organizar e arejar a leitura, além de ser mais uma das “iscas” para fisgar o leitor, para que ele tenha vontade de prosseguir no texto.

Regrinhas:

-Deve ser formado por no máximo três palavras (não pode ser longo);

– A palavra (ou palavras) utilizada deve expressar um sentido coerente em relação à parte do texto em que foi inserida;

-O corpo da fonte normalmente é maior que o do texto e se costuma colocá-lo em bold.

Exemplo (“PLANO B” é o intertítulo):

intertítulo

*OLHO

O olho é uma parte interessante da matéria (pode ser um trecho do texto do jornalista ou uma frase de um dos entrevistados), que é destacada na diagramação, também com o sentido de levar o leitor para o texto.

Vamos supor que você esteja entrevistando uma celebridade famosa, muito respeitada no cenário artístico e, lá pelas tantas da entrevista, essa celebridade faz uma revelação que já tentou matar alguém. Essa é uma declaração bombástica que, se transformada no olho, com certeza vai deixar o leitor com uma vontade incontrolável de procurar o trecho do texto onde a tal celebridade fez a confissão, para saber mais detalhes. É muito importante, depois de terminado o texto, selecionar bons olhos para serem destacados na diagramação.

Exemplo de olho:

Olho 2

O subtítulo e o olho devem constar do corpo do texto, caso contrário, perde-se o sentido desses elementos gráficos, já que a função deles é exatamente levar o leitor para o texto, para obter mais detalhes sobre aquela informação.

Bem, espero ter ajudado! Em futuras postagens devo falar sobre outros elementos gráficos importantes. Continue acompanhando o Formando Focas 🙂

2 ideias sobre “Garanta a leitura do seu texto, explorando os elementos gráficos

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