Para Adriana Carranca, é possível descobrir belas histórias em meio à dor e à destruição

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*Emily Santos e Kaique Dalapola

A Semana de Comunicação da Faculdade do Povo de São Paulo (FAPSP) recebeu, em 05/10, a jornalista Adriana Carranca, repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo e colunista do caderno ‘Internacional’ de O Globo. A profissional, que é reconhecida por suas coberturas humanitárias em zonas de conflito, em países como Irã, Iraque, Paquistão, Egito e Afeganistão, presenciou uma explosão na Síria, há cerca de duas semanas. O prédio em que ela estava foi alvejado. Diversas pessoas morreram.

Antes de palestrar sobre esta e outras experiências de sua carreira, Adriana recebeu uma homenagem organizada pelos alunos da Agência Experimental de Comunicação Integrada da FAPSP, a “Ligados”. Todos os anos, a Semana de Comunicação da faculdade homenageia um profissional de destaque na área e, desta vez, Adriana foi a escolhida. “O grande objetivo do jornalista é emocionar, e vocês conseguiram isso com essa linda homenagem”, disse a repórter, visivelmente sensibilizada, após assistir ao vídeo produzido pelos alunos.

Confira abaixo a homenagem que os alunos da FAPSP fizeram à Adriana, para conhecer melhor a trajetória da jornalista:

 

Adriana falou sobre os bastidores de suas principais reportagens. Destacou que, desde o início de sua carreira – mesmo quando escrevia para revistas como Cláudia, Nova, Capricho e Marie Claire -, busca tratar as pautas com um olhar humanitário e que, mesmo inconscientemente, acaba abordando os assuntos mais sob o ponto de vista feminino. Ela citou como exemplos as reportagens sobre divórcio e gravidez prematura, que fez no início de sua trajetória na imprensa, e trabalhos mais encorpados, como seus livros O Irã Sob o Chador: duas brasileiras no país dos aiatolás, que escreveu em parceria com a colega Márcia Camargos, e Malala, que conta a história da menina paquistanesa que quase foi morta pelo Talibã por defender seu direito de ir à escola.

A jornalista lamentou o fato de a cobertura sobre os países do Oriente Médio, da África e da Ásia, feita pelas grandes agências de notícias internacionais, ser muitas vezes estereotipada. Ela ressaltou que as populações presentes em zonas de conflito só começam a receber atenção da mídia quando atingem os objetivos ocidentais. “Veja a questão dos refugiados sírios, por exemplo. Isso só vem sendo bastante noticiado, porque essas pessoas estão indo para os países europeus. Por isso a Europa está preocupada”, explicou.

A jornalista disse que procura mostrar em suas matérias e em seus livros os fatos do ponto de vista dos personagens que os presenciaram. Para ela, é possível descobrir belas histórias, mesmo em meio à dor e à destruição.

A repórter, porém, fez um alerta sobre os riscos da cobertura nessas regiões, ao falar sobre a sua última visita à Síria: “Não recomendo a ninguém ir à Síria. O território é volátil, não conseguimos controlar nada em relação à segurança. Eu fui, mas fui com extremo cuidado. Cada passo foi estrategicamente pensado e planejado e, mesmo assim, presenciamos a explosão no prédio em que estávamos”, contou.

Depois de palestrar e responder às questões do público, Adriana realizou uma sessão de autógrafos do livro Malala. A Semana de Comunicação da FAPSP foi encerrada na última sexta-feira, 9.

*Emily e Kaique são meus alunos do curso de Jornalismo da FAPSP. O texto deles também foi publicado pelo portal Comunique-se.

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