Veja como evitar a repetição no texto jornalístico

Novelo

Crédito: Pixabay

*Patrícia Paixão

Existem várias regrinhas que caracterizam a linguagem do texto jornalístico. Uma dessas regras, que deve ser respeitada pelos queridos focas e todos que atuam na área, diz respeito ao esforço que devemos ter para evitarmos a repetição de termos no texto, especialmente quando eles aparecem muito próximos.

Para isso, é importante empregarmos o mecanismo da coesão textual, que diz respeito à relação entre as partes do texto (sejam elas palavras, expressões ou frases). Essa relação, quando bem feita, permite um concatenamento lógico, facilitando o entendimento do leitor e evitando que o texto fique chato, repetitivo.

Um texto não pode ser um saco de palavras jogadas de forma desconexa ou enfadonha. Os termos que o compõe precisam estar bem alinhavados um com o outro, como que costurados mesmo. E muitas vezes é preciso usar palavras com um sentido próximo, relacionando-as a outras que já apareceram no texto.

Neste trecho de um texto jornalístico (abaixo) podemos observar como devemos empregar o mecanismo da coesão:

[…] Pedro Fernandes, 43 anos, tem dois filhos com transtorno de hiperatividade. Os meninos começaram a fazer aulas de judô. O empresário resolveu apostar nesta atividade para controlar o problema das crianças. Fernandes acredita que participar das aulas tem tornado os garotos menos agitados. […]

Percebemos que algumas partes do texto fazem referência a outras anteriormente citadas, ajudando o leitor a compreender as ideias expostas. Os termos “empresário” e “Fernandes” fazem referência a Pedro Fernandes. As palavras meninos, crianças e garotos estão relacionadas ao termo filhos, anteriormente colocado. O redator não ficou repetindo 500 milhões de vezes no texto, como um psicopata, os termos Pedro Fernandes e filhos

Vamos supor que vocês tivessem feito uma entrevista comigo (jornalista e professora Patrícia Paixão, editora do Formando Focas). Reparem como poderiam empregar a coesão no texto da reportagem:

[…] Patrícia Paixão afirma que a coesão é essencial para facilitar o entendimento do texto e não torná-lo cansativo ao leitor. Segundo a docente, para empregar a coesão é possível usar termos com sentido parecido, relacionando-os a outros que já apareceram no texto. A jornalista ainda diz quanto mais coeso melhor o texto se torna. Para Patrícia, é preciso que o jornalista tenha atenção com uso desse mecanismo. […]

Não sei se vocês notaram mas, analisando o primeiro e o segundo exemplo, vemos que na segunda vez que o entrevistado foi citado apareceu o seu sobrenome. Já no segundo exemplo (em que eu fui a entrevistada), foi usado o meu primeiro nome (Patrícia) para fazer a coesão. Por que isso aconteceu?

Existe uma regrinha que diz que, se a fonte for homem, devemos usar o sobrenome na segunda e em outras vezes em que iremos citá-lo. No caso de a fonte ser do sexo feminino, devemos usar o primeiro nome.

Já vi diversas explicações a respeito disso, mas nenhuma me convenceu 100%. Tanto que quando meus alunos perguntam: “Professora, qual é a explicação pra isso”. Costumo responder, brincando: “Porque Deus quis!” (risos).

Uma vez eu li em um artigo que essa regra existe por conta do antigo Código Civil brasileiro, em que o mando do sobrenome era do homem e não da mulher. Mas não sei se isso procede.

O fato é que a regrinha existe e precisa ser seguida. Mas, como toda regra, há as malditas exceções.

Se homem tiver sobrenome “Filho”, “Júnior” ou “Neto”, quando formos mencioná-lo pela segunda vez devemos incluir o sobrenome anterior. Exemplo (no caso de um entrevistado que se chama Maurício Pereira Júnior):

[…] Para Pereira Júnior, é preciso que o Brasil deixe de ser pouco ambicioso em algumas questões. […]

Se o sobrenome for Silva (que é muito comum), devemos optar pelo sobrenome anterior ou até mesmo pelo primeiro nome.

E quando a fonte é uma pessoa renomada, que é conhecida mais pelo primeiro nome, como o cantor Caetano Veloso? Neste caso, cabe a repetição do Caetano, além de termos que podem ser usados para fazer referência a ele, como músico, compositor, artista, enfim.

Também há exceção no caso de a fonte ser uma personalidade do sexo feminino. Por exemplo, a chanceler alemã Angela Merkel. Quando formos citá-la pela segunda vez, devemos usar Merkel e não Angela.

Bem, espero ter ajudado. Bora começar a empregar direitinho o mecanismo da coesão textual. O bom profissional da área também é aquele que respeita a linguagem jornalística.

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