Você sabe como nasceu a expressão “imprensa marrom”?

*Patrícia Paixão

Existem várias versões sobre a origem da expressão “imprensa marrom”. A explicação mais aceita é a contada por Alberto Dines, jornalista com mais de 50 anos de carreira, que atuou como repórter e ajudou a criar diferentes veículos e hoje é editor do site Observatório da Imprensa.

Segundo Dines, ela teria sido criada com base na expressão yellow press (imprensa amarela), que surgiu nos bastidores do jornalismo americano para ilustrar a briga entre dois grandes barões da mídia daquele país entre o final do século XIX e o início do século XX: William Randolph Hearst (conhecido como “Cidadão Kane”; sim, ele foi fonte de inspiração para o filme de Orson Welles) e Joseph Pulitzer (que idealizou a criação do prêmio jornalístico que leva seu sobrenome).

Então, primeiramente, vamos entender como surgiu a expressão “imprensa amarela”.

Imprensa amarela

Pulitzer e Hearst consolidaram a chamada penny press (imprensa de um penny) nos EUA: jornais com enormes tiragens, vendidos a um preço baixo, com linha sensacionalista, extremamente popular; faziam de tudo para conseguir público.

Em 1895, Hearst, que no início de sua carreira chegou a trabalhar para Pulitzer, comprou o New York Morning Journal (que havia pertencido a um irmão de seu antigo patrão), impondo um concorrente direto ao New York World, jornal de Pulitzer.  A compra foi um claro desafio. Hearst contratou quase toda a equipe de domingo do World e ainda roubou de Pulitzer o autor da então famosa história em quadrinhos Yellow Kid (uma HQ de um garoto orelhudo – Mickey Dugan – que vestia uma camisola amarela).

Inconformado, Pulitzer contratou outro profissional (George Luks) para desenhar Yellow Kid no World. A disputa nos bastidores entre os dois foi tão pesada que, para os críticos daquela imprensa, o amarelo do cobiçado personagem acabou virando sinônimo de publicações sem escrúpulos.

Da imprensa amarela à “imprensa marrom” no Brasil

Em 1959, a redação do jornal carioca Diário da Noite, onde Alberto Dines trabalhava, recebeu a informação de que uma revista chamada Escândalo extorquia dinheiro de pessoas fotografadas em situações comprometedoras. Uma das pessoas clicadas pela publicação sensacionalista foi um cineasta, que se suicidou. Dines preparava, para a manchete do dia seguinte, algo como “Imprensa amarela leva cineasta ao suicídio”, inspirando-se na expressão norte-americana. O chefe de reportagem do Diário, Calazans Fernandes, achou o amarelo uma cor muito suave para o caráter trágico da notícia e sugeriu trocá-la por marromE assim surgiu a expressão “imprensa marrom”, para definir um tipo de jornalismo que é feito sem escrúpulos, apenas para arrebatar o público.  Além de criar a expressão, a matéria do Diário da Noite acabou levando ao fim da revista Escândalo.

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