Fotógrafos promovem ação em 11/09 para ajudar companheiro de trabalho

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Restos da câmera do fotógrafo Vinicius Gomes, destruída pela PM durante protesto em SP/ Crédito: Lost Art

 

*Por Michelli Oliveira

Em 31/08, o fotógrafo Vinicius Gomes, 19, foi agredido pela Polícia Militar e teve seu equipamento destruído, durante o ato contra o presidente Michel Temer, que assumiu o poder indiretamente, após a decisão do Senado de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

O protesto teve como ponto de concentração a avenida Paulista e tinha como intuito terminar na frente da redação do jornal Folha de São Paulo. Manifestantes que desciam a avenida Consolação foram surpreendidos em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie pela tropa de choque da Polícia Militar, que começou a remessar bombas de efeito moral e balas de borrachas.

Já próximo à Folha, alguns manifestantes e profissionais da imprensa que registravam o ato, dentre eles Vinicius Gomes, foram agredidos por policiais.  “Estava junto com os outros fotógrafos, quando o policial chegou e falou: é você!. Começaram a me dar porrada. Um policial jogou minha câmera no chão, vi a lente indo para um lado e o corpo para outro”, relata Gomes.

Vinicius foi detido juntamente com o fotógrafo William Oliveira, 27, que registrou a cena da agressão policial. Ele levou quatro pontos na cabeça, que foi aberta por golpes de cassetetes.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os fotógrafos foram detidos por terem atirado garrafas e pedras na PM. Vídeos e fotos do momento mostram que Vinicius e os outros fotógrafos encontravam-se parados na hora da abordagem.

 

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Vinícius Gomes, que foi agredido e teve a câmera destruída pela PM/Crédito: Diego Coelho

 

Vinicius é negro e morador da periferia da cidade de São Paulo.  “Imagine se cada jovem negro decidir ocupar os espaços que é dele por direito, se cada negro decidir ser fotógrafo e registrar o que nos acontece nas ruas”, questiona.

Companheiros de profissão realizarão neste domingo (11/09) um varal em frente ao Masp, para tentar ajudar Vinicius a comprar uma nova câmera.

“Venderemos prints no valor de R$ 30,00. Os prints, no tamanho 20×30,  foram doados por vários fotógrafos, para ajudar o Vini a recuperar sua câmera. Se cada pessoa que passar por lá puder parar para dar uma olhada e se solidarizar com a causa, comprando uma foto, será uma forma de ajudar um profissional da imprensa a recuperar seu equipamento e a resistir a censura do Estado imposta pela força”, afirma William Oliveira.

Vinicius depende do equipamento para poder trabalhar.

Além da venda das fotos está acontecendo uma vaquinha colaborativa no site Catarse. Para colaborar, basta acessar https://www.catarse.me/apoieamidianegra

*Michelli Oliveira é minha aluna de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Menina super batalhadora e engajada, defensora da comunidade negra e da causa feminista.  Ela escreve, a meu convite, para o Formando Focas.

Estudantes de diferentes universidades comemoram 1º aniversário do Formando Focas

Por Wallace Leray

Aconteceu no último sábado (03/09) a comemoração do aniversário de um ano do “Formando Focas”, blog voltado a oferecer dicas e reportagens para estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados. O evento teve início às 14h00, e contou com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, que cedeu o Auditório Vladimir Herzog, na sede da entidade, para a jornalista e professora Patrícia Paixão reunir os seguidores da página (Patrícia é responsável pelo blog).

Patrícia Paixão deu início às atividades oferecendo dicas sobre como fazer um bom currículo e como se deve agir para conseguir ser chamado para uma entrevista de estágio em jornalismo. Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, o aluno que procura por uma vaga de estágio precisa prestar muita atenção a cada passado dado, principalmente demonstrar domínio da Língua Portuguesa e entusiasmo com a profissão. “Qualquer erro de gramática pode fazer seu currículo ser deletado. Além disso, você tem que demonstrar ser uma pessoa que tem tesão pela sua área, esse é o segredo de tudo”, reforçou Patrícia, que também é organizadora dos livros “Jornalismo Policial: histórias de quem faz” e “Mestres da Reportagem”, e docente do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade Anhembi Morumbi e das Faculdades Integradas Rio Branco.

Os estagiários de jornalismo Beatriz Sanz (El País), Larissa Darc (revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (Sebrae e Ponte Jornalismo) prosseguiram nas dicas sobre como conseguir um estágio na área, a partir do relato de suas experiências pessoais. No bate-papo com o público, eles contaram como conseguiram alcançar os espaços em que estão hoje. Para Kaique Dalapola, “o mais importante de tudo é o amor pela profissão, você tem que amar, você tem que fazer as coisas não somente para ganhar dinheiro. Às vezes, o seu nome vai estar lá embaixo, pequenininho, mas a sua matéria vai estar lá e você tem que ficar feliz porque você que escreveu. Quem não tem esse amor, não serve para ser jornalista”.

 

Mesa com repórteres

Depois de uma pausa para o coffee-break, foi realizado uma mesa sobre o tema “O que é preciso para ser um bom repórter?”, com a participação dos jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo e Revista Apartes), Thais Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV). Os convidados responderam a vários questionamentos dos estudantes, sanando suas dúvidas e dando conselhos sobre a área.

“A sensação que eu tenho é que os jornalistas de redação precisam cada vez mais do nosso trabalho, assim como a gente precisa do deles”, afirmou a assessora de imprensa Camila Russi. O repórter esportivo Vitor Guedes alertou que “tem decisões na sua vida que não têm volta. Dependendo do passo que você dá, você tem que saber que é um passo sem volta” (referindo-se a jornalistas que optam por fazer assessoria no campo político e depois voltam a trabalhar em redação, podendo ter sua credibilidade afetada). Para a repórter do SBT Thaís Nunes, “o repórter não muda o mundo inteiro, mas consegue mudar pequenos mundos e essa é a beleza da profissão”.

Já Fausto Salvadori Filho ressaltou a humildade como destaque do bom repórter. “Quando eu volto a ser um bom jornalista, é quando eu lembro que no fundo eu sou um foca. Eu fui foca, continuo sendo foca e, para continuar um bom jornalista, eu vou ter que continuar sendo eternamente um foca”, disse.

Encerramento

O evento acabou por volta das 18h00, com um final emocionante. Os colegas da bancada parabenizaram Patrícia Paixão pelo trabalho que vem realizando como jornalista e professora durante seus mais de 15 anos de carreira. Emocionada, Patrícia agradeceu aos colegas e aos alunos que compareceram ao evento. Mais de 100 estudantes, de diferentes universidades, prestigiaram o primeiro ano do blog.

 

João do Rio: o pai brasileiro da arte de “sujar os sapatos”

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*Patrícia Paixão

Ele é considerado o pai da arte de “sujar os sapatos” no nosso país. Foi o primeiro repórter de campo, inaugurador da nossa reportagem moderna, aquela que pressupõe entrevistas e contato direto com o fato. Numa época em que o jornalismo era limitado à base opinativa, com escritores fazendo textos subjetivos e empolados para tratar a realidade, sem sair da redação para confrontá-la, ele subiu morros, frequentou terreiros de candomblé, conversou com moradores de rua, prostitutas, presidiários. Conheceu, a fundo, diversos personagens até então ignorados pelo jornalismo carioca. Ao mesmo tempo, frequentava rodas da alta sociedade e era conhecedor do que acontecia no circuito cultural europeu. Por isso, em seus textos, chegou algumas vezes a apontar a hipocrisia e as contradições de um Rio de Janeiro que buscava imitar a capital francesa, mas convivia com sérias feridas sociais.

João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto,  conhecido como “João do Rio”, nasceu em 1881. Ainda jovem ingressou na imprensa, atuando no jornal Cidade do Rio, ao lado de expoentes como José do Patrocínio.  Nos primeiros anos do século 20, já na Gazeta de Notícias, gerou burburinho com suas reportagens, dentre elas as que versaram sobre as religiões, oferecendo ao leitor uma análise aprofundada, quase que com caráter sociológico e antropológico. Seus textos também refletiram as transformações das ruas cariocas, como a onda modernizante na urbanização e a desigualdade social.

Negro e homossexual, enfrentou preconceitos por parte da elite. Ignorou as críticas e obstáculos que lhe foram impostos, como quando foi recusado para entrar na Academia Brasileira de Letras (era, além de jornalista, cronista e literato) e continuou insistindo. Acabou sendo eleito na terceira tentativa.

Progressista, defendeu os ideais abolicionistas e os direitos dos trabalhadores, numa época em que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) nem existia.

Tinha um texto envolvente e cheio de personalidade. Se referia aos mendigos, por exemplo, como “mordedores”, pelo fato de estarem sempre buscando arrancar algo das pessoas que passavam pelas ruas.

Morreu cedo, vítima de um enfarte. Foi em 1921, ano em que escrevia para o jornal A Pátria, fundado por ele em 1920. Seu enterro praticamente parou a cidade do Rio, atraindo populares e grandes nomes da política e da literatura.

O autor de “A Alma Encantadora das Ruas” (uma verdadeira radiografia sobre o Rio de Janeiro do início do século 20) é totalmente ENCANTADOR! Um mestre do nosso jornalismo que, embora tenha inaugurado a essência da nossa profissão, infelizmente é muito pouco tratado nas salas de aula e pouco citado nas redações.

Eu aaaamo João do Rio e acho que todo jornalista que se preza precisa conhecê-lo.

Caso o querido foca queria saber mais sobre o nosso primeiro repórter investigativo, recomendo que assista a esse documentário DELICIOSO (a seguir), produzido para o programa “De lá pra cá”, da TV Brasil, com a apresentação de Ancelmo Góis e Vera Barroso. Sempre passo em aula para os meus alunos.

João do Rio é amor❤

 

 

 

Formando Focas comemora aniversário com oficina gratuita sobre estágio e mesa sobre as qualidades do repórter

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*Patrícia Paixão

O Formando Focas está completando seu primeiro ano de vida e o presenteado, querido foca, é você!

Não podia ser diferente. Esse blog nasceu com a ideia de ajudar estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados de todo o país. Era um trabalho que eu já fazia informalmente pela internet, via e-mail e/ou redes sociais, desde que lancei com meus alunos o livro “Mestres da Reportagem”, em 2012. Muitos focas passaram a me procurar pedindo dicas e conselhos.

Em setembro do ano passado resolvi colocar em prática a ideia de um canal que fosse ponto de encontro pra mim e para todos que são apaixonados pelo jornalismo, em especial os iniciantes na área. Criei, então, esse espaço, que tem me proporcionado trocas de experiências maravilhosas com alunos e até professores de diferentes instituições, além das que eu leciono (sou professora do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade Anhembi Morumbi e das Faculdades Integradas Rio Branco).

Passados 12 meses, a página está com mais 30.000 curtidas e seguidores em todo o Brasil. Quase que diariamente recebo mensagens fofas de focas de várias cidades, parabenizando o blog. Considero todos como meus alunos virtuais❤ Isso é muito gratificante!

Por tudo isso, neste nosso primeiro aniversário (escrevo “nosso”, pois vejo esse espaço como algo também de vocês), resolvi bolar um evento bem legal e GRATUITO (isso é importante, né migos? rs) para todos que apoiam e curtem o FF.

O evento, que tem o apoio do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, acontecerá no sábado, 03/09, das 14h00 às 17h30, no Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato, no centro de São Paulo (infelizmente estou em São Paulo e ainda sem possibilidade de fazer o evento em outros estados, mas quem sabe no futuro, né gente? Eu adoraria!!).

A tarde de comemoração será aberta com a oficina “Como conseguir um estágio em jornalismo?”, ministrada por mim, com a participação dos estudantes de jornalismo Beatriz Sanz (estagiária do El País), Larissa Darc (estagiária da Revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (estagiário do Sebrae e colaborador da Ponte Jornalismo). Nesta oficina, ofereceremos várias dicas e traremos relatos de experiências interessantes de quem já garantiu seu estágio na área.

Em seguida, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas fará uma apresentação da instituição, as conquistas, os direitos  da categoria e os serviços  oferecidos, para que você possa conhecer a importância dessa entidade, que representa nossa classe. Aliás, pessoal do Sindicato, muuuuuuito obrigada pela parceria. Vocês são demais!!

Posteriormente, será realizada uma mesa SENSACIONAL com o tema “O que é preciso para ser um bom repórter?”, formada pelos jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo), Thaís Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV), com a minha mediação.

As vagas são limitadas. É necessário fazer inscrição pelo e-mail:  cursos@sjsp.org.br , com os seguintes dados: nome completo, formação (se for estudante, a faculdade, o curso e semestre que está cursando) e telefones para contato. Todos os dados são obrigatórios.  Os participantes receberão certificados por e-mail.

Gente, VEEEEEM! Vai ser uma senhora comemoração. E no final a gente faz aquela selfie bem bonita do grupo todo para postarmos aqui na página. Estou louca para conhecê-los pessoalmente🙂

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas na Secretaria do Departamento de Formação do Sindicato, pelo telefone (11) 3217 6294, de segunda a sexta, das 11h00 às 18h00.

Estou te esperando! Quem ama o jornalismo não vai perder!❤

1º ANO DO FORMANDO FOCAS

Quando: 03/09/2016

Onde: Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de S.Paulo, Rua Rego Freitas, 530 – Sobreloja – próximo ao metrô República (acesso pelas Linhas Amarela ou Vermelha).

Programação (*)

Das 14h às 15h30: Oficina “Como arrumar um estágio em Jornalismo?”, com a professora, jornalista e editora do Formando Focas, Patrícia Paixão e os estudantes de jornalismo Beatriz Sanz (estagiária do El País), Larissa Darc (estagiária da Revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (estagiário do Sebrae e colaborador da Ponte Jornalismo).

Das 15h30 às 16h: Diretoria do Sindicato dos Jornalistas

Das 16h às 17h30: Mesa “O que é preciso para ser um bom repórter?”, com os jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo), Thaís Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV), e mediação de Patrícia Paixão.

* programação sujeita à alteração

 

 

 

 

 

Os 20 livros que todo jornalista precisa ler

Formando Focas

*Patrícia Paixão

Resolvi fazer esse post, respondendo a uma pergunta que recebo com muita frequência dos meus alunos:

Quais são os livros que todo jornalista deve ler?

Segue, então, uma lista das obras que, NA MINHA VISÃO, você não pode sair da faculdade sem ter lido. O “na minha visão” vai em caixa alta, pois essa é uma lista muito particular, da qual outros colegas podem discordar.

Embora possa gerar discordâncias, garanto que não há nenhum livro indicado aqui que seja dispensável. Talvez estejam faltando obras que outros consideram mais importantes, mas não há livros medianos, que não vão acrescentar na sua formação.

E não, não indiquei os dez mais, como boa parte dos críticos costuma fazer. Minha lista dos melhores livros sobre Jornalismo ultrapassa e muuuito o número 10. Selecionar 20 já foi um trabalho árduo rs

Faça um check list e corra atrás dos que você ainda não leu.

*ILUSÕES…

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Fruto de um TCC, livro resgata a trajetória do repórter Gérson de Souza

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*Patrícia Paixão

Ele fez matérias invejáveis pelos cinco continentes do mundo. Esteve em lugares fascinantes, desconhecidos da mídia nacional e internacional, como Papua do Oeste, na parte ocidental da Ilha de Nova Guiné, onde comandou uma grande reportagem com os “korowai batu” – um povo que, comprovadamente, praticou o canibalismo durante décadas e que vive em grandes árvores.

Sem a maquiagem e figurino típicos de um repórter de TV, e com um jeito simples, simpático e caloroso, Gérson parece causar uma espécie de “encantamento” nas fontes. Em poucos minutos de conversa, seus entrevistados já estão abrindo as portas de casa, contando “causos” de seu cotidiano e convidando o jornalista para provar pratos e bebidas típicas e exóticas.

Repórter especial da Rede Record, o jornalista teve seus quase 40 anos de profissão retratados em um “livro-reportagem biografia” escrito pelo jornalista André Guimarães. A obra, fruto do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo de André, aborda toda a trajetória do jornalista,  dos seus primeiros passos, em uma emissora pequena de Pederneiras (interior de São Paulo), às viagens pelos cinco continentes do mundo, pela Rede Record.

O livro foi lançado em 2014, com grande repercussão na mídia. A obra,  permeada por documentos e registros fotográficos da carreira do repórter, conta com o prefácio de Neusa Rocha, uma das principais diretoras da TV brasileira.

Trata-se de uma excelente dica de leitura e um belíssimo exemplo de TCC, do qual tenho imenso orgulho de ter sido orientadora.

Saiba mais sobre os bastidores de produção da obra, nesta entrevista com André Guimarães.

André

André Guimarães

Como surgiu a ideia de biografar Gérson de Souza? Por que ele e não outro repórter?

André Guimarães: A ideia surgiu após o lançamento do livro “Mestres da Reportagem” [em 2012], do qual sou coautor.  Gérson de Souza foi um dos repórteres que compareceram na noite de autógrafos, na Livraria da Vila do Shopping Higienópolis [São Paulo]. Conversamos por alguns minutos e trocamos o contato. Percebi que ele era bastante simpático e acessível. Comecei a pesquisar sobre ele e vi que não existia quase nada publicado sobre sua carreira. Constatei que Gérson tinha um extenso currículo, passando por diferentes mídias (rádio, jornal, assessoria de imprensa e TV), porém com muito pouco material divulgado, apenas um blog e sua página pessoal no Facebook.  Após conversar com a minha orientadora [Patrícia Paixão, responsável por este blog, o Formando Focas], propus ao Gérson a ideia de fazer um livro resgatando sua carreira. Ele concordou e disse: “é um grande desafio que envolverá muito trabalho, você tem certeza?” Eu disse que sim e o acordo para fazer o livro foi selado.

O livro é fruto de um TCC de Jornalismo. Quais são os desafios de escolher o “livro-reportagem” como mídia para um TCC? 

AG: Os desafios são o tempo, o planejamento e encontrar as pessoas que participaram da trajetória do biografado.  É uma corrida contra o tempo, mas o essencial é planejar cada detalhe, contando com contratempos. Não podemos esquecer ainda de que algumas pessoas podem não aceitar falar e teremos que entender e saber lidar com o ocorrido.

Que conselhos você dá para o estudante de jornalismo que pretende fazer como TCC um livro-reportagem?

AG: Primeiro fazer uma vasta pesquisa sobre o assunto ou pessoa a ser retratada e, segundo, um bom planejamento. Terceiro, se dedicar ao máximo, o tempo todo  Em alguns momentos precisará escolher entre ir a alguma festa ou ficar pesquisando, transcrevendo entrevistas, ou seja, fazer o que os outros não estarão fazendo nas horas vagas.

Ao todo, quantas entrevistas e quantos lugares você conheceu para escrever o livro?

AG: Foram 65 entrevistados, entre São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Jaú, Pederneiras, São Bernardo do Campo e Caieiras.

Qual foi o lado mais complicado de fazer essa obra?

AG: Conseguir a entrevista de alguns jornalistas que se julgam melhores que outros, a compilação de dados e a transcrição das entrevistas, já que foram vários entrevistados.

E o mais gratificante?

AG: A emoção, a experiência que obtive durante as entrevistas de ser recebido por grandes nomes do jornalismo brasileiro em suas casas, seus departamentos de trabalho, e os comentários de alguns entrevistados de que Gérson de Souza é um repórter em extinção. E foi exatamente por isso que dei esse nome ao livro.

NÓS

André Guimarães, Patricia Paixão e Gérson de Souza, no lançamento do livro

Como o Gérson recebeu a proposta de ser biografado?

AG: A princípio eu não consegui falar com ele, falei com a esposa, Elaine dos Santos. Ela disse que uma das filhas dele, que era jornalista, tinha um projeto de fazer um livro do pai, mas que falaria com o Gérson e qualquer coisa ele entraria em contato. Passados 15 dias [era sexta-feira – 15 de fevereiro de 2013], recebi uma ligação em meu celular.

Eu: Alô, quem fala?

Gérson de Souza: André Guimarães, aqui é o Gersinho do livro Mestres da Reportagem, tudo bem?

Eu: Gersinho?

Gérson de Souza: Sim, o Gérson de Souza!

Eu (ansioso, surpreso, coração acelerado): Ah! Oi, Gérson, o senhor está bem?

Gérson de Souza: Senhor não, por favor!

Eu: Tudo bem, desculpa. Em que posso ajudar?

Gérson de Souza: Minha esposa disse que você quer escrever um livro, uma biografia sobre mim.

Eu: Sim, verdade!

Gérson de Souza: Então é o seguinte, anote meu endereço, venha almoçar comigo domingo [17/02/2013], às 13h. Traga quem você quiser que conversaremos sobre o livro. Eu aceito.

Eu (lágrimas escorriam em minha face): Obrigado, muito obrigado. Vou falar com a professora Patrícia Paixão, e estarei em sua casa no horário combinado.

Eu fiquei muito emocionado e muito feliz com o aceite dele. Fomos eu, Patrícia Paixão e outro professor, o Carlos Monteiro, na casa dele no domingo. Gérson nos recebeu e disse: “Eu vou cozinhar pra vocês hoje, amo receber pessoas em minha casa e cozinhar pra elas”. Gérson falou 6 horas ininterruptamente. Começou dizendo que não tinha o contato de ninguém e que eu teria muito trabalho. Eu gravei a conversa e comecei as entrevistas. Foram sete meses de produção, todos os dias meu foco era o livro. Eu estudava pela manhã, fazia as entrevistas nos finais de semana, algumas durante a semana no período da tarde ou à noite, já que eu fazia estágio das 16h às 22h45.  Escrevia durante as madrugadas, aos sábados e domingos. Nos sábados, nas bibliotecas, aos domingos no Starbucks do centro de São Paulo, pois na faculdade ou onde eu morava não tinha como.

Ele interferiu no conteúdo do livro?

AG: Em momento algum, deu total liberdade para a produção. No início, decidimos que seria uma biografia profissional, focado na vida profissional dele. Este foi o combinado e assim foi feito.

Por que o leitor deve comprar o livro “Gérson de Souza: Um repórter em extinção”? O que ele vai descobrir sobre o Gérson que ele não sabe?

AG: Porque se trata de um repórter com vasta experiência em diversos veículos de comunicação, que possui uma linguagem simples e conquista as pessoas durante as reportagens. É um belo exemplo a ser seguido no jornalismo.

O leitor descobrirá que Gérson é a mesma pessoa, seja em casa, no trabalho ou com amigos, simples, o homem do calcanhar rachado, como ele mesmo se define.

SERVIÇO

O livro pode ser adquirido pelo site da Livraria Cultura (entregas em todo o Brasil), ao valor de R$ 44,90.