Curso imperdível de assessoria de imprensa com Gilberto Lorenzon

 

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Crédto: Arquivo Pessoal de Gilberto Lorenzon

*Patrícia Paixão

Quem segue o Formando Focas sabe que aqui neste espaço eu só compartilho cursos em que realmente acredito; aqueles que podem verdadeiramente agregar conhecimento, técnicas e estratégias importantes aos estudantes de jornalismo.

Pois bem. Estou aqui para recomendar MUITO o curso “Assessoria de Imprensa no Ambiente Corporativo: com Gestão de Crise e Media Training”, do querido colega Gilberto Lorenzon, que simplesmente é uma das maiores referências no assunto, não só no ambiente acadêmico como no mercado.

Seu currículo?

Foi professor em instituições de ensino respeitadas, como Cásper Líbero, Belas Artes, Metodista, Senac e Uninove. Foi assessor de imprensa da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). É ainda autor, com Alberto Mawakdiye, do livro “Manual de Assessoria de Imprensa”, da editora Mantiqueira.

Isso sem contar no ser humano maravilhoso, que encanta a todos pela sua humildade.

A temática do curso é mais do que necessária. A área de assessoria de imprensa, já há algum tempo, é a que mais absorve os jornalistas, ainda mais com o cenário de enxugamento das redações, que temos presenciado. É também uma área que remunera melhor que a redação.

Dominar todas as ferramentas dessa atividade jornalística, sabendo utilizá-las com estratégia, é fundamental nos dias de hoje, até porque a tendência de crescimento nesse mercado é grande. Todos os tipos de organização  – startups, corporações públicas e privadas, ONGs (além de pessoas físicas ilustres, como artistas e jogadores de futebol) – precisam de um assessor de imprensa, nesse momento em que informações corporativas ou pessoais (de cunho positivo ou negativo) se disseminam na internet, alavancando ou acabando com a imagem da organização ou de uma pessoa no país e até no mundo.

O curso do colega Gilberto Lorezon vai acontecer na Universidade Presbiteriana Mackenzie em apenas cinco datas (28/3; 30/3; 04/4; 06/4 e 11/4 de 2017), das 14h às 17h.

O participante terá uma visão global das ferramentas clássicas de assessoria e aprenderá a fazer a prospecção de espaços e atendimento à imprensa. A grade do curso ainda contempla Media Training e Gestão de Crise, incluindo o case do Airbus 320 da TAM, maior acidente da aviação brasileira.

As inscrições já estão abertas e a programação completa do curso e os valores estão disponíveis aqui.

Serviço

“Assessoria de Imprensa no Ambiente Corporativo: com Gestão de Crise e Media Training”

Período: 28/3; 30/3; 04/4; 06/4 e 11/4 de 2017. Terças e Quintas das 14h às 17h.
Local: Universidade Mackenzie, rua Consolação, 930 (metrô República)

Inscrições: (11) 2114-8821 ou  cursos.extensao@mackenzie.br
Certificado: Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo

 Corra e garanta a sua inscrição 🙂 

Conheça os principais jargões da área jornalística

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*Patrícia Paixão

Toda área tem sua sopa de letrinhas e a jornalística não é diferente.  Agora que você está decidido a seguir essa que é a melhor profissão do mundo, que tal conhecer as principais expressões, termos e jargões da área?

Estar por dentro da “língua jornalística” é importante até mesmo na hora de tentar um estágio. O empregador pode citar termos propositalmente para ver se você sabe sobre o que ele está falando, ou seja, se é um cara antenado na área.

Preparei um compilado legal, com base na minha experiência pessoal e em informações presentes no Manual de Redação da Folha de S.Paulo (minha antiga casa) e nos sites Casa dos Focas e Coisas de Jornalista. Confira!

Abre: matéria principal de uma página, texto que abre a página, no alto dela.

Aspas: declaração de uma fonte que aparece na matéria jornalística entre aspas.

Barriga: matéria com informação falsa.

Box: texto menor que aparece entre fios ou dentro de uma caixa, complementando uma matéria maior. Normalmente traz um fato histórico ou uma curiosidade.

Cabeça: região superior de uma página, onde vai o nome da editoria. Ver logo mais editoria (seção).

Cabeçalho: Área superior da capa de uma publicação, onde constam informações como nome da publicação, ano, edição e data.

Caderno:  Cada uma das editorias (seções) de um jornal. Trata-se de um conjunto impresso formado por no mínimo quatro páginas.

Calhau: é um anúncio do próprio jornal utilizado para cobrir um espaço não utilizado na página.

Cartola: uma ou mais palavras usadas sobre o título da reportagem, para definir o assunto do texto; também chamada de “retranca” ou “chapéu”.

Chamada: frases ou textos pequenos usados na capa da publicação, chamando o leitor para as páginas interiores.

Chapa: material metálico usado como matriz para imprimir o jornal. É coberto por uma película fotossensível queimada com a ajuda de um fotolito, revelada e instalada nas rotativas. Sobre ela se aplica tinta para a impressão. Usa-se uma chapa para cada uma das cores básica – Cyan, Magenta, Amarelo e Preto.

Chapéu: palavra ou palavras utilizadas acima do título da matéria para definir o assunto dela.

Chefe de reportagem: profissional que coordena os repórteres, determinando o que estes devem fazer. Nos organogramas das redações esse cargo vem sendo substituído pelo editor-assistente, que é responsável pela produção das reportagens.

Clichê: o mesmo que edição. Termo herdado dos primórdios do jornalismo. Para cada página de jornal era usado um clichê, um suporte metálico onde eram dispostos os tipos metálicos manualmente, formando frases e colunas. Antes da difusão do rádio e da televisão, os jornais tiravam várias edições atualizando o material publicado. Hoje, costuma-se fazer um segundo ou terceiro clichê para atualizar matérias importantes depois do horário de fechamento do jornal.

Clipping: serviço de levantamento, coleção e fornecimento de recortes de jornais e revistas ou cópias de emissões de televisão ou rádio. O clipping pode ser restrito aos interesses imediatos da empresa ou mais amplo. Em geral, é feito por empresas especializadas.

Cobertura: atividade do repórter ou equipe de reportagem no local de um acontecimento, acompanhando seu desdobramento.

Coluna: seção de jornal ou revista, assinada ou não, tratando de temas ligados à editoria ou seção. Podemos encontrar colunas nas seções ou editoriais de política, economia, artes, agricultura, esportes, etc. Muitas vezes, uma nota numa coluna de prestígio repercute mais do que uma reportagem no mesmo veículo.

Colunista: o responsável pela coluna.

Copydesk ou copidesque: termo importado dos Estados Unidos por Pompeu de Souza durante a reforma do Diário Carioca. Na época poucos repórteres escreviam a matéria. Eles chegavam e ditavam o texto para o editor. Pompeu obrigou-os a escrever. Para transformar o texto incompreensível dos repórteres em algo legível existia uma Mesa de Textos (Copy Desk em inglês) com os melhores redatores do Diário Carioca. O termo incorporou-se à linguagem jornalística como sinônimo de redator. E já não existe quase mais. O repórter hoje e quem revisa seus textos.

Copyright: são os direitos reservados ao autor de uma obra ou a quem comprou os direitos do autor. As fotos também têm seus direitos reservados.

Cortar pelo pé: encurtar a matéria, eliminando as informações do final do texto que, no modelo de estruturação da pirâmide invertida, são as menos importantes.

Crédito: assinatura usada em foto ou para marcar material produzido por agência ou outra publicação.

Cruzar informação: significa confrontar informação originária de determinada fonte com uma fonte independente. Assim, cruzar comum a fonte significa possuir duas origens para uma informação. Cruzar com duas fontes, três. Qualquer informação de cuja veracidade não se tenha certeza deve ser cruzada.

Deadline: último prazo para que uma edição seja fechada ou que uma reportagem seja concluída.

Diagramação: adequação dos textos, desenhos, gráficos e fotos numa página, de acordo com os padrões visuais da publicação.

Editar: retoques finais na matéria, deixando-a pronta para ser impressa ou emitida nos padrões do veículo.

Editor: é o jornalista que chefia um grupo de jornalistas que compõem uma Editoria.

Editor-chefe: é o jornalista que chefia a Redação do jornal.

Editoria: seção especializada em determinado setor (esporte, polícia, arte, meio ambiente e etc).

Editorial: texto com a opinião da publicação. Não vem assinado e, geralmente, localiza-se diariamente na 2ª ou 3ª página do jornal.

Enquete: pequenas entrevistas para levantar a opinião da comunidade.

Enxugar: resumir um texto. Cada vez mais as publicações exigem que os textos sejam mais concisos, que não desencoraje a leitura. Às vezes também é preciso enxugar para caber na página diagramada.

Escalada: São as manchetes do telejornal, sempre no início de cada edição.

Espelho: é a previsão do que vai ser publicado em uma página com a inclusão dos anúncios. Não confundir com diagrama. O espelho é feito pelo departamento comercial da editora conforme a previsão do número de páginas pela redação.

Expediente: quadro com os dados gerais da publicação. Consta obrigatoriamente a relação de diretores e editores-chefes e endereços.

Feature: gênero jornalístico que vai além do caráter factual e imediato da notícia. Opõe-se a “hard news”, que é o relato objetivo de fatos relevantes para a vida política, econômica e cotidiana. Um “feature” aprofunda o assunto e busca uma dimensão mais atemporal. Define-se pela forma, não pelo assunto tratado. Pode ser um perfil, uma história de interesse humano, uma entrevista.

Fechamento: etapa do processo de edição em que os trabalhos são encerrados. Depois do fechamento não há mais revisão do texto e a edição é enviada para a gráfica.

Foca: jornalista iniciante.

Follow-up: lembrete ou reforço de pauta, por telefone ou contato pessoal.

Fonte: pessoa que dá origem a uma informação ao veículo, por iniciativa própria ou por solicitação do jornalista. Existem também fontes bibliográficas e documentais.

Foto-legenda: pequena matéria, de no máximo 20 linhas, usada para explicar ou destacar foto.

Furo: matéria jornalística exclusiva de grande repercussão.

Gancho: característica/informação que faz um fato ter um potencial jornalístico para publicação.

Hard news: jornalismo factual, diário, aquele que é voltado a cobrir os acontecimentos do dia, fatos “quentes”.

Iceberg: texto que começa na primeira página e prossegue em páginas internas.

Intertítulo: pequenos títulos colocados no meio do texto. Esse artifício é usado para tornar o texto menos denso e para organizá-lo.

Infográfico: artifício gráfico que envolve imagem e pequenas informações de texto que se complementam.

Informe publicitário: anúncio pago com aspecto jornalístico ou reprodução paga de artigo ou reportagem.

Jabaculê ou jabá: dinheiro ou presente ao jornalista.

Lead ou Lide: abertura de matéria tradicional, que segue a fórmula da pirâmide invertida. Precisa responder às seguintes perguntas: Quem, quando, onde, porque e de que maneira.

Legenda: linha de texto colocada sob a foto. Artifício adicional para destacar o tema da matéria.

Lidão: texto de até 60 linhas usado em reportagens para coordenar matérias diversas sobre um mesmo tema.

Linha de tempo: dados dispostos em ordem cronológica com fotos e ilustrações. Podem ser colocados na página vertical ou horizontalmente.

Linha-fina: o mesmo que subtítulo ou sutiã. Frase que aparece abaixo do título, em corpo menor, complementando-o.

Mailing: listagem de nomes e endereços.

Manchete: é o título principal que indica a notícia mais importante do jornal. Existe a manchete principal do jornal (na primeira página) assim como a manchete de cada caderno, seção ou página. Onde encontrar a manchete é sempre aquela que vier graficamente com maior destaque, ou que tiver letras mais carregadas na tinta.

Matéria: texto preparado jornalisticamente.

Matéria de gaveta: aquela matéria que espera a ocasião oportuna para ser publicada.

Matéria fria: matéria que independe de sua atualidade para ser publicada.

Memória: texto preparado jornalisticamente lembrando antecedentes do fato.

Nariz de cera: introdução vaga, sem necessidade, que retarda a entrada na informação principal do texto.

Notícia: registro dos fatos, de informações de interesse jornalístico, sem comentários. os famosos critérios de noticiabilidade determinam a publicação de uma notícia, já que embora toda notícia é um fato, nem todo fato é uma notícia: o caráter inédito; o impacto que exerce sobre as pessoas e sobre sua vida; a curiosidade que desperta; a imprevisibilidade e improbabilidade do fato, dentre outros.

Nota oficial: documento impresso com a opinião de uma determinada fonte.

Nota ou balaio: texto curto usado em colunas. Pequeno texto referente a um assunto que irá acontecer e responde a três questões básicas para compreensão: que, quem, quando.

Off: declaração dada sob compromisso de não revelar a fonte.

Olho: frase destacada sob o título ou no meio de uma matéria.

On: declaração sem impedimento de revelar a fonte.

Passaralho: demissão em massa de jornalistas de uma redação.

Pauta: é uma proposta de reportagem que é entregue para o repórter para ser executada. A pauta normalmente indica a pessoa que deve ser entrevistada, local, horário e até mesmo o tamanho da reportagem que deve ser produzida. A pauta também deve indicar os temas principais que devem ser abordados no texto. Nos jornais, a pauta é feita através de reuniões de pauta, onde editor, redator-chefe e repórter sugerem pautas para que matérias sejam produzidas.

Pé da matéria: é o final do texto. Todo repórter deve ter em mente que se o texto for reduzido, as últimas linhas serão eliminadas. Cortar pelo pé significa retirar os últimos parágrafos sem se preocupar com a qualidade da informação contida no texto.

Pescoção: trabalhar durante a noite e a madrugada para antecipar material de fim de semana.

Pingue-pongue: entrevista com uma personalidade ou alguém que presenciou um fato relevante. É editada na forma de perguntas e respostas, após o título e um texto introdutório sobre o entrevistado e/ou o assunto da entrevista.

Pirâmide invertida: técnica de estruturação do texto típica do jornalismo diário, que traz as informações em ordem decrescente de importância, da mais importante para a menos importante.

Plantar: publicar informação com outro objetivo que não de informar. Geralmente atende a lobby ou a interesses pessoais.

Povo Fala ou Fala Povo: enquete com populares sobre determinado assunto (veja enquete)

Press release: texto preparado por uma assessoria de imprensa, destacando uma ação ou um produto que uma pessoa ou instituição deseja divulgar; é encaminhado aos veículos jornalísticos com o objetivo de colocar essa pessoa ou instituição na mídia.

Projeto Editorial: Planejamento do conteúdo de uma publicação, incluindo a projeção do seu nome, linguagem, suas editorias (seções),  seu manual de redação, com as regras sobre como devem ser escritos os textos da publicação, periodicidade, tiragem, dentre outros tópicos.

Projeto Gráfico: Planejamento gráfico da publicação, com as diretrizes do seu layout e regras sobre como os textos e as imagens devem ser diagramados.

Reco: matéria recomendada pelos superiores.

Redator: jornalista especializado em rever o texto do repórter e em preparar títulos e legendas. Na nova concepção de jornalismo, o profissional não se especializa mais em uma determinada área da produção de texto e edição.

Repercutir ou repercute: prosseguir num assunto do próprio jornal ou de outro. Veja suíte.

Reportagem: matéria que envolve entrevista com diferentes fontes, incluindo especialistas, e oferece um aprofundamento maior do fato.

Retranca: palavra que identifica um texto. “Samba” pode ser uma retranca que identifica um texto sobre as escolas de samba. O ideal é que a retranca tenha uma só palavra.

Seção: sinônimo de editoria ou coluna de opinião ou nota.

Selo: recurso gráfico que marca uma reportagem uma série de reportagens. É muito comum seu uso em série de reportagens. Normalmente é composto por uma pequena expressão e um desenho que se repete. Por exemplo: “Crise no INSS” pode ser acompanhado de um desenho de uma maca. Todo texto que se refira ao assunto é acompanhado desse selo.

Side: termo usado para designar um outro lado da reportagem. São assuntos paralelos que se publicam nos sides. Um texto sobre um jogo de futebol pode trazer um side com o jogador que teve o melhor desempenho na partida.

Soft News: jornalismo que trabalha com notícias mais leves e frias, normalmente envolvendo saúde, comportamento, entretenimento, etc.

Standard: amanho padrão dos jornais. Mede 54 x 33,5 cm. O único caso no Brasil de jornal que conseguiu sucesso sem ser standard é o Zero Hora, de Porto Alegre, publicado em tamanho tabloide. O tamanho tabloide é a metade do standard.

Stand by:  textos que podem ser publicados em qualquer época. Também são conhecidos como textos de “gaveta”. Um texto que mostre os planos da empresa IBM para o Brasil, por exemplo, pode ser publicado em qualquer época (claro que sem exagero. Esse texto não pode ser publicado um ano depois de ser escrito, mas pode muito bem ser publicado duas semanas depois de ter sido escrito).

Sub: matéria coordenada com a principal da página; título informal usado pelo sub-editor.

Sublead ou sublide: parágrafo colado ao lead da matéria.

Suíte: do francês suíte, isto é, série, sequência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior. Também se usa o verbo suitar no sentido de repercutir.

Suplemento: caderno adicional ao material principal do jornal.

Tabloide: formato de jornal igual à metade da página do jornal standard.

Template: modelo de página, dentro do projeto gráfico, que serve para iniciar o processo de diagramação.

Título: frase usada no alto da matéria para chamar a atenção do leitor (veja manchete).

Toques: número limite de letras, espaços em branco e sinais ortográficos capazes de caber numa linha de título, legenda, sutiã ou olho.

Vazado: texto claro colocado sobre fundo escuro.

Vazamento: informação que escapa ao controle da fonte responsável pelo seu sigilo e chega aos meios de comunicação. Às vezes, é do interesse da fonte “vazar” a informação.

Vender a pauta: sugerir determinado tema ao editor.

Fontes: Arquivo pessoal/Manual de Redação da Folha de S.Paulo/Casa dos Focas/Coisas de Jornalista

 

Os horrores da “cidade dos loucos”

 

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*Por Pablo de Oliveira

A “cidade das rosas”. Assim é conhecida Barbacena (MG), que se destaca pela produção de flores, uma atividade econômica de suma importância para o município, que tem cerca de 130.000 habitantes.  E não são só as rosas que chamam a atenção lá. A mente humana e seus dilemas também despertam o interesse do povo daquela localidade mineira, que concentra um grande número de hospitais psiquiátricos.

Tendo por base a ideia de que o clima ameno da cidade favorecia o tratamento dos doentes mentais, ergueu-se lá várias instituições para cuidar deles. E é sobre uma delas que nasceu a obra da repórter Daniela Arbex. O livro “Holocausto brasileiro”, lançado pela Geração Editorial, em 2013, tem 255 páginas e rendeu à autora o prêmio Jabuti (56a edição) em 2014.
Fruto de uma longa reportagem, marcada pela apuração detalhada, a obra aborda a situação das pessoas internadas no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, o Hospital Colônia.

Daniela Arbex ouviu testemunhos de funcionários, médicos e ex-pacientes que sobreviveram às más práticas médicas registradas no maior hospício do Brasil. Foram mais de 100 entrevistas realizadas, depois da série de reportagens publicada no jornal Tribuna de Minas. Todas elas permitiram a construção de uma história que revela o genocídio entre os muros daquele manicômio: 60.000 mortes é o saldo do que se pode chamar de holocausto.

Os depoimentos coletados apontam que epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, meninas violentadas por seus patrões e esposas traídas eram internadas no Colônia. Setenta por cento das pessoas não tinham diagnóstico de doença mental. Incomodar alguém poderoso, contrariar um parente, ser tímido ou demonstrar tristeza poderia significar décadas de encarceramento.

Confinados em uma instituição localizada na Serra da Mantiqueira, seres humanos de diversas idades sofriam maus-tratos igualmente variados. Água e comida escassas, pouca roupa para vestir, corpos expostos ao frio. Sofrimento imposto a gente vulnerável, que morria de fome e de hipotermia.

Outra ameaça aos internos era a eletroconvulsoterapia. Os choques, aplicados como forma de punição àqueles que contrariavam padrões sociais ou fugiam das normas ditadas pela sociedade em que viviam, incidiam sobre corpos muitas vezes esquálidos.

Depois de mortos, os indivíduos, surpreendentemente, tinham valor. Cadáveres eram vendidos para faculdades de medicina, auxiliando acadêmicos no estudo da anatomia humana, mesmo sem a autorização dos familiares para que isso fosse feito.

Sob a tutela do Estado e com a concordância de médicos e demais profissionais da saúde, milhares de pessoas engrossaram a lista de violações de direitos humanos. Lista gigantesca, que exigia a chegada da tão distante humanização da psiquiatria brasileira.

No catálogo de atrocidades, estão casos como o de Antônio Gomes da Silva, levado ao Colônia quando tinha 25 anos de idade. O alcoolismo foi a justificativa para os 34 anos de reclusão a que foi submetido. Privado do convívio social, passou mais de três décadas no que chamou de “inferno”.

À semelhança dos campos de concentração nazistas, o Colônia abrigou a barbárie: indivíduos comendo ratos, bebendo a própria urina, abandonados à própria sorte. As fotos que ilustram o livro comprovam, duramente, as cenas descritas.

“Holocausto brasileiro” tem texto bem escrito, minucioso, e envolvente o suficiente para prender a atenção do leitor, fazendo-o devorar página por página, em poucas horas.

Parte importante da nossa história está documentada em uma obra que aborda temas como a política de saúde pública e a exclusão social. Assuntos que colocam em evidência problemas graves de uma sociedade muitas vezes omissa diante das tragédias por ela enfrentadas.

*Pablo é meu aluno do 2º semestre de Jornalismo do campus Centro-Mooca da Universidade Anhembi Morumbi. Ele escreve em caráter colaborativo para o Formando Focas.

“Não se faz nada e nem se vai muito longe sem informação”

A jornalista Nathalia Carvalho. Crédito: Arquivo pessoal

A jornalista Nathalia Carvalho. Crédito: Arquivo pessoal

*Por Isabela Alves

Ela é um dos pilares da reportagem de um dos principais portais de comunicação do Brasil: o Comunique-se.

Formada pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), com pós-graduação em Cinema e Criação para Multimeios pela Universidade Anhembi Morumbi, sempre teve o Jornalismo “como primeira opção de curso” e viu na profissão “uma oportunidade de jogar luz em assuntos pouco discutidos, além de dar voz para as pessoas, ouvir e contar suas histórias”.

Nathália Carvalho, 26 anos, repórter do Portal Comunique-se, fala nesta entrevista sobre sua carreira, a importância do Jornalismo e sobre o projeto “Caravana do Jornalismo”, que vem marcando os 15 anos do grupo Comunique-se no país. Confira!

Qual é a sua formação?
Nathália Carvalho: Tenho 26 anos e trabalho como repórter desde 2009. Me formei em jornalismo pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom) e fiz pós-graduação em  cinema e criação para multimeios na Anhembi Morumbi,  além de outros cursos livres na área.

Por que decidiu cursar jornalismo?
NC: O Jornalismo sempre foi a minha primeira opção de curso. Não fui uma adolescente cheia de dúvidas quanto ao rumo profissional que ia seguir. Entrei na faculdade de jornalismo com 17 anos e não me arrependi. Sempre acreditei muito na comunicação como algo transformador e vi no jornalismo a oportunidade de jogar luz em assuntos pouco discutidos, além de dar voz para as pessoas, ouvir e contar suas histórias.

O que é jornalismo para você?
NC: O jornalismo é o que eu sou, é a minha vida. O jornalismo me dá a oportunidade de estar com grandes executivos da comunicação em um dia e no outro com jovens de comunidades carentes; me dá a chance de aprender diariamente com as histórias dos outros; O jornalismo é tudo que sou e tudo que ainda posso me tornar. Sou uma apaixonada pela profissão.

Qual é a importância do jornalismo para a sociedade?
NC: O jornalismo e a informação são essenciais para a sociedade. Não se faz nada e nem se vai muito longe sem informação, não é mesmo? O jornalismo registra a história em tempo real e é preciso muita responsabilidade para estar na área.

Por que essa profissão muitas vezes é desvalorizada?
NC: O modo de se fazer jornalismo passa há alguns anos por mudanças consideráveis e isso tem impactado em todas as redações, assim como os profissionais que lá trabalham. O jornalismo não é – e nunca foi – uma área fácil, só se entra no jornalismo por amor. Se você não é um apaixonado, em pouco tempo você vai desistir. As dificuldades são imensas e o Brasil é um dos países mais perigosos para se trabalhar na área. Diariamente, pessoas são ameaçadas ou morrem pelo trabalho como jornalista. Esse cenário se agrava ainda mais quando os coleguinhas atuam em pequenas cidades, onde a lei parece ser cega.

Qual é o futuro do jornalismo?
NC: Não sei dizer qual o futuro do jornalismo, mas sei dizer o que desejo para o futuro: Que a gente (redações e profissionais) consiga se adaptar às mudanças. Que possamos aprender cada vez mais e que novas portas possam ser abertas. O conteúdo continuará sendo rei e nós jornalistas não podemos nos esquecer que é neste ponto que devemos investir. O nosso compromisso deve continuar sendo somente e apenas com os nossos leitores, telespectadores e ouvintes, pois é para eles e por eles que acordamos e trabalhamos todos os dias.

O que é necessário para ser um bom jornalista?

NC: Amor, empatia, paciência e sensibilidade para perceber nas pequenas coisas a sua grande história. O bom jornalismo é aquele que gasta os sapatos em busca de boas pautas, é aquele que ouve com atenção e que vive eternamente para o aprendizado.

Quais livros jornalísticos você indica?
NC: São tantos! Além dos clássicos já exigidos pela faculdade de jornalismo, indico: “O Espetáculo Mais Triste da Terra”, livro reportagem de Mauro Ventura; e “Lava Jato”, de Vladimir Neto.

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Nathália na cerimônia do prêmio Comunique-se. Crédito: Arquivo pessoal

O que é a “Caravana do Jornalismo” (promovida pelo portal Comunique-se) e qual é o seu objetivo?
NC: A Caravana do Jornalismo é uma exposição itinerante que surgiu como braço do Prêmio Comunique-se, evento considerado o Oscar do Jornalismo brasileiro. O objetivo da exposição é levar informações sobre a profissão para jovens de comunidades carentes de maneira gratuita. Por ora, estamos em SP. Em outubro vamos para o Rio de Janeiro e no ano que vem pretendemos ampliar nossa viagem.

Como se iniciou esse projeto?
NC: O projeto foi iniciado como braço do Prêmio Comunique-se. Existe ainda outra data marcante: em 2016, o Grupo Comunique-se completa 15 anos de vida.

Por quais locais a Caravana irá passar?
NC: Por ora, SP e RJ. Mas queremos ampliar a viagem no próximo ano.

Como podemos contribuir para o projeto?
NC: Divulgando! É preciso que todos saibam que a Caravana do Jornalismo está nas ruas. A exposição foi feita para as pessoas e sem elas nós não existimos. Vamos convidar os amigos, familiares, colegas de faculdade, a comunidade, enfim, todos serão recebidos com muito carinho.

*Isabela Alves, responsável pelo blog Culturistando, é minha aluna do quarto semestre do curso de Jornalismo da Anhembi Morumbi (campus Vila Olímpia). Ela escreve para o Formando Focas em caráter colaborativo. ❤

Fotógrafos promovem ação em 11/09 para ajudar companheiro de trabalho

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Restos da câmera do fotógrafo Vinicius Gomes, destruída pela PM durante protesto em SP/ Crédito: Lost Art

 

*Por Michelli Oliveira

Em 31/08, o fotógrafo Vinicius Gomes, 19, foi agredido pela Polícia Militar e teve seu equipamento destruído, durante o ato contra o presidente Michel Temer, que assumiu o poder indiretamente, após a decisão do Senado de afastamento da presidente Dilma Rousseff.

O protesto teve como ponto de concentração a avenida Paulista e tinha como intuito terminar na frente da redação do jornal Folha de São Paulo. Manifestantes que desciam a avenida Consolação foram surpreendidos em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie pela tropa de choque da Polícia Militar, que começou a remessar bombas de efeito moral e balas de borrachas.

Já próximo à Folha, alguns manifestantes e profissionais da imprensa que registravam o ato, dentre eles Vinicius Gomes, foram agredidos por policiais.  “Estava junto com os outros fotógrafos, quando o policial chegou e falou: é você!. Começaram a me dar porrada. Um policial jogou minha câmera no chão, vi a lente indo para um lado e o corpo para outro”, relata Gomes.

Vinicius foi detido juntamente com o fotógrafo William Oliveira, 27, que registrou a cena da agressão policial. Ele levou quatro pontos na cabeça, que foi aberta por golpes de cassetetes.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os fotógrafos foram detidos por terem atirado garrafas e pedras na PM. Vídeos e fotos do momento mostram que Vinicius e os outros fotógrafos encontravam-se parados na hora da abordagem.

 

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Vinícius Gomes, que foi agredido e teve a câmera destruída pela PM/Crédito: Diego Coelho

 

Vinicius é negro e morador da periferia da cidade de São Paulo.  “Imagine se cada jovem negro decidir ocupar os espaços que é dele por direito, se cada negro decidir ser fotógrafo e registrar o que nos acontece nas ruas”, questiona.

Companheiros de profissão realizarão neste domingo (11/09) um varal em frente ao Masp, para tentar ajudar Vinicius a comprar uma nova câmera.

“Venderemos prints no valor de R$ 30,00. Os prints, no tamanho 20×30,  foram doados por vários fotógrafos, para ajudar o Vini a recuperar sua câmera. Se cada pessoa que passar por lá puder parar para dar uma olhada e se solidarizar com a causa, comprando uma foto, será uma forma de ajudar um profissional da imprensa a recuperar seu equipamento e a resistir a censura do Estado imposta pela força”, afirma William Oliveira.

Vinicius depende do equipamento para poder trabalhar.

Além da venda das fotos está acontecendo uma vaquinha colaborativa no site Catarse. Para colaborar, basta acessar https://www.catarse.me/apoieamidianegra

*Michelli Oliveira é minha aluna de jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Menina super batalhadora e engajada, defensora da comunidade negra e da causa feminista.  Ela escreve, a meu convite, para o Formando Focas.

Estudantes de diferentes universidades comemoram 1º aniversário do Formando Focas

Por Wallace Leray

Aconteceu no último sábado (03/09) a comemoração do aniversário de um ano do “Formando Focas”, blog voltado a oferecer dicas e reportagens para estudantes de jornalismo e jornalistas recém-formados. O evento teve início às 14h00, e contou com o apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, que cedeu o Auditório Vladimir Herzog, na sede da entidade, para a jornalista e professora Patrícia Paixão reunir os seguidores da página (Patrícia é responsável pelo blog).

Patrícia Paixão deu início às atividades oferecendo dicas sobre como fazer um bom currículo e como se deve agir para conseguir ser chamado para uma entrevista de estágio em jornalismo. Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, o aluno que procura por uma vaga de estágio precisa prestar muita atenção a cada passado dado, principalmente demonstrar domínio da Língua Portuguesa e entusiasmo com a profissão. “Qualquer erro de gramática pode fazer seu currículo ser deletado. Além disso, você tem que demonstrar ser uma pessoa que tem tesão pela sua área, esse é o segredo de tudo”, reforçou Patrícia, que também é organizadora dos livros “Jornalismo Policial: histórias de quem faz” e “Mestres da Reportagem”, e docente do curso de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade Anhembi Morumbi e das Faculdades Integradas Rio Branco.

Os estagiários de jornalismo Beatriz Sanz (El País), Larissa Darc (revista Nova Escola) e Kaique Dalapola (Sebrae e Ponte Jornalismo) prosseguiram nas dicas sobre como conseguir um estágio na área, a partir do relato de suas experiências pessoais. No bate-papo com o público, eles contaram como conseguiram alcançar os espaços em que estão hoje. Para Kaique Dalapola, “o mais importante de tudo é o amor pela profissão, você tem que amar, você tem que fazer as coisas não somente para ganhar dinheiro. Às vezes, o seu nome vai estar lá embaixo, pequenininho, mas a sua matéria vai estar lá e você tem que ficar feliz porque você que escreveu. Quem não tem esse amor, não serve para ser jornalista”.

 

Mesa com repórteres

Depois de uma pausa para o coffee-break, foi realizado uma mesa sobre o tema “O que é preciso para ser um bom repórter?”, com a participação dos jornalistas Fausto Salvadori Filho (Ponte Jornalismo e Revista Apartes), Thais Nunes (SBT), Camila Russi (Index Assessoria) e Vitor Guedes (Agora São Paulo e SPORTV). Os convidados responderam a vários questionamentos dos estudantes, sanando suas dúvidas e dando conselhos sobre a área.

“A sensação que eu tenho é que os jornalistas de redação precisam cada vez mais do nosso trabalho, assim como a gente precisa do deles”, afirmou a assessora de imprensa Camila Russi. O repórter esportivo Vitor Guedes alertou que “tem decisões na sua vida que não têm volta. Dependendo do passo que você dá, você tem que saber que é um passo sem volta” (referindo-se a jornalistas que optam por fazer assessoria no campo político e depois voltam a trabalhar em redação, podendo ter sua credibilidade afetada). Para a repórter do SBT Thaís Nunes, “o repórter não muda o mundo inteiro, mas consegue mudar pequenos mundos e essa é a beleza da profissão”.

Já Fausto Salvadori Filho ressaltou a humildade como destaque do bom repórter. “Quando eu volto a ser um bom jornalista, é quando eu lembro que no fundo eu sou um foca. Eu fui foca, continuo sendo foca e, para continuar um bom jornalista, eu vou ter que continuar sendo eternamente um foca”, disse.

Encerramento

O evento acabou por volta das 18h00, com um final emocionante. Os colegas da bancada parabenizaram Patrícia Paixão pelo trabalho que vem realizando como jornalista e professora durante seus mais de 15 anos de carreira. Emocionada, Patrícia agradeceu aos colegas e aos alunos que compareceram ao evento. Mais de 100 estudantes, de diferentes universidades, prestigiaram o primeiro ano do blog.

 

João do Rio: o pai brasileiro da arte de “sujar os sapatos”

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*Patrícia Paixão

Ele é considerado o pai da arte de “sujar os sapatos” no nosso país. Foi o primeiro repórter de campo, inaugurador da nossa reportagem moderna, aquela que pressupõe entrevistas e contato direto com o fato. Numa época em que o jornalismo era limitado à base opinativa, com escritores fazendo textos subjetivos e empolados para tratar a realidade, sem sair da redação para confrontá-la, ele subiu morros, frequentou terreiros de candomblé, conversou com moradores de rua, prostitutas, presidiários. Conheceu, a fundo, diversos personagens até então ignorados pelo jornalismo carioca. Ao mesmo tempo, frequentava rodas da alta sociedade e era conhecedor do que acontecia no circuito cultural europeu. Por isso, em seus textos, chegou algumas vezes a apontar a hipocrisia e as contradições de um Rio de Janeiro que buscava imitar a capital francesa, mas convivia com sérias feridas sociais.

João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto,  conhecido como “João do Rio”, nasceu em 1881. Ainda jovem ingressou na imprensa, atuando no jornal Cidade do Rio, ao lado de expoentes como José do Patrocínio.  Nos primeiros anos do século 20, já na Gazeta de Notícias, gerou burburinho com suas reportagens, dentre elas as que versaram sobre as religiões, oferecendo ao leitor uma análise aprofundada, quase que com caráter sociológico e antropológico. Seus textos também refletiram as transformações das ruas cariocas, como a onda modernizante na urbanização e a desigualdade social.

Negro e homossexual, enfrentou preconceitos por parte da elite. Ignorou as críticas e obstáculos que lhe foram impostos, como quando foi recusado para entrar na Academia Brasileira de Letras (era, além de jornalista, cronista e literato) e continuou insistindo. Acabou sendo eleito na terceira tentativa.

Progressista, defendeu os ideais abolicionistas e os direitos dos trabalhadores, numa época em que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) nem existia.

Tinha um texto envolvente e cheio de personalidade. Se referia aos mendigos, por exemplo, como “mordedores”, pelo fato de estarem sempre buscando arrancar algo das pessoas que passavam pelas ruas.

Morreu cedo, vítima de um enfarte. Foi em 1921, ano em que escrevia para o jornal A Pátria, fundado por ele em 1920. Seu enterro praticamente parou a cidade do Rio, atraindo populares e grandes nomes da política e da literatura.

O autor de “A Alma Encantadora das Ruas” (uma verdadeira radiografia sobre o Rio de Janeiro do início do século 20) é totalmente ENCANTADOR! Um mestre do nosso jornalismo que, embora tenha inaugurado a essência da nossa profissão, infelizmente é muito pouco tratado nas salas de aula e pouco citado nas redações.

Eu aaaamo João do Rio e acho que todo jornalista que se preza precisa conhecê-lo.

Caso o querido foca queria saber mais sobre o nosso primeiro repórter investigativo, recomendo que assista a esse documentário DELICIOSO (a seguir), produzido para o programa “De lá pra cá”, da TV Brasil, com a apresentação de Ancelmo Góis e Vera Barroso. Sempre passo em aula para os meus alunos.

João do Rio é amor ❤