Áudio documentário discute machismo no meio esportivo

*Patrícia Paixão

Quando começou, na década de 1980, a repórter e apresentadora Regiani Ritter adentrava vestiários masculinos para entrevistar jogadores e técnicos, quebrando estereótipos e preconceitos. Em 1991, quando foi eleita a melhor jornalista esportiva do Estado de São Paulo, pelo jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas, chegou a ouvir um comentário malicioso, que tentava desqualificar sua legítima conquista (Regiani concorreu no prêmio com 600 jornalistas homens). 

Passadas algumas décadas, o machismo persiste no meio esportivo. Apesar de a cada dia mais mulheres cobrirem a área, muitas jornalistas continuam ouvindo insultos, sendo assediadas e tendo suas qualificações questionadas.

Com o objetivo de dar luz ao assunto, os estudantes do sexto semestre de Jornalismo da Universidade São Judas – Beatriz Alves, Herson Scotti, Mariana Lima e Murilo Batista – produziram um áudio documentário, como parte do Projeto Interdisciplinar do curso, que traz Regiani Ritter e outras vozes importantes.

Participam ainda como entrevistadas no DOC a nadadora de alto rendimento Joana Maranhão; a comentarista, narradora e jornalista esportiva da Rede Vida, Elaine Trevisan; a torcedora do movimento “Toda Poderosa Corintiana”, Denise Bonfim; além da jornalista esportiva Christiane Mussi, uma das idealizadoras do manifesto “Deixa ela trabalhar” (lançado em março de 2018 e amplamente divulgado em diferentes mídias) contra o assédio às repórteres nos estádios e na cobertura esportiva em geral.

As entrevistas relatam casos de machismo vividos por elas e comentam sobre o cenário vivido hoje pelas mulheres no jornalismo esportivo, apontando caminhos a serem seguidos.

Confira o DOC na íntegra a seguir:

Crédito da imagem: Pixbay

SEO no jornalismo: não dá para ignorar ou ter preconceito

*Patrícia Paixão

SEO no jornalismo? Tô fora! Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Sou jornalista e meu negócio é texto. O que vale é pensar em uma boa pauta, ir a campo, encontrar histórias interessantes, fazer diversas entrevistas e escrever a reportagem de forma atrativa, com um belo lead e um desenvolvimento que mantenha o leitor ligado no texto. Isso basta!

Correto?

ERRADO!!!

Num momento em que a internet é o mais fácil e barato meio para a divulgação de conteúdo, e em que há zilhões de conteúdos na web concorrendo com o seu, é uma falha ignorar as técnicas e estratégias para que sua matéria seja encontrada facilmente no Google e em outros buscadores (como Bing e Yahoo).

Como aplicar o SEO no jornalismo?

Já há algum tempo a sigla SEO vem merecendo especial atenção nas principais redações do país e, há muito mais tempo, nas redações do mundo.

São as técnicas de Search Engine Optimization (SEO) que vão fazer com que aquele seu texto, que levou horas ou até dias de esforço de reportagem, seja encontrado na internet e lido. Por meio do uso de palavras-chave, o SEO faz com que um determinado conteúdo seja melhor posicionado nos buscadores. E a melhor posição é sempre o topo.

De acordo com o jornalista e especialista em marketing digital, Almir Rizzatto, 80% das pessoas ficam apenas na primeira página do Google ao pesquisarem um determinado conteúdo na internet.

Portanto, estar na primeira ou segunda posição na página de busca é ESSENCIAL! “Quanto mais alto você estiver, mais pessoas clicarão na sua reportagem”, explica Rizzatto.

E você precisa estar no topo organicamente, ou seja, bem rankeado para aparecer nas buscas feitas pelos usuários. O bom posicionamento orgânico tem mais valor que um anúncio feito no Google Ads, por exemplo.

“Basta pensar um pouquinho no que as pessoas costumam dar mais valor quando abrem um jornal. É para uma reportagem que exalta determinado produto ou para um anúncio que fale dele? O conteúdo tem sempre mais credibilidade que a publicidade”, argumenta Rizzatto.

Fazer um curso de SEO é uma ótima pedida na hora de aprimorar o seu currículo para uma vaga de estágio. Na verdade, é uma questão de sobrevivência no jornalismo, cada dia mais ligado ao marketing digital. Muitas vagas de emprego, seja em redação, comunicação corporativa ou marketing content, exigem do candidato o conhecimento em SEO.

Mas, afinal, como utilizar o SEO no jornalismo?

Almir Rizzatto, que ministra o curso SEO para Jornalistas, oferece algumas dicas.

A primeira delas é definir uma palavra-chave para o seu texto. É importante verificar se essa palavra-chave (que pode ser um termo ou expressão, e não necessariamente somente uma palavra) vem sendo procurada por seu público-alvo nas buscas feitas na internet.

Outra dica é escrever o texto pensando no que o leitor deseja ler, e só depois adequar o texto para o SEO. Assim, você escreve com mais liberdade, sem prejudicar a qualidade da matéria.

Você deve incluir a palavra-chave escolhida no título, no primeiro parágrafo e nos intertítulos do seu texto. Mas atenção! Verifique a densidade da palavra  (ou seja, quantas vezes ela aparece no seu texto). Você tem que respeitar a densidade de 2,5%. Ou seja, se o seu texto tem 500 palavras, a palavra-chave só pode aparecer até 2,5% desse número.

E tem muitas outras dicas importantes. Quer conhecer mais? Vale muito a pena fazer o curso ministrado pelo Almir Rizzatto. Eu fiz e recomendo MUITO! O Almir é fera demais no assunto, além de ser uma simpatia!

Para saber sobre as próximas turmas, acesse: www.almirrizzatto.com.br

 

Curso oferece dicas e técnicas para um bom TCC em Jornalismo

 

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O momento de elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso é um dos mais complexos e desgastantes para o estudante universitário. É importante conhecer todos os pré-requisitos para o desenvolvimento de um bom TCC, especialmente considerando as exigências feitas pelas bancas que avaliam as diferentes modalidades de TCC em Jornalismo.

Pensando nisso, o Centro de Formação Profissional do Formando Focas oferece o curso “Chegou a hora do TCC: como fazer um trabalho nota 10”, voltado especialmente aos alunos que defenderão o TCC em 2019 e 2020.

“Temos experiência de mais de dez anos como orientadoras e avaliadoras de Trabalhos de Conclusão de Curso. Sabemos que quanto antes o aluno recebe orientações sobre o TCC, melhor consegue se planejar e desenvolver um bom trabalho. Neste curso o foco é totalmente voltado a preparar os estudantes para esta que é a fase mais importante da graduação”, explica Patrícia Paixão, uma das professoras do CFP Formando Focas.

O curso, que tem duração de três horas e oferece certificado, será ministrado na manhã do dia 20/10 (sábado), no Lobo Centro Criativo, localizado na Vila Mariana, próximo ao metrô.

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Lobo Centro Criativo

“Optamos por trabalhar com turmas pequenas para assegurar um clima intimista. Podemos focar nas dúvidas e necessidades de cada aluno, o que melhora o nível de aprendizado”, explica a professora Tânia Trajano, que também faz parte do CFP Formando Focas.

Ela lembra que fazer um TCC de qualidade não é importante apenas para a conclusão do curso, como ajuda os recém-formados a se posicionarem melhor na profissão. “Quem consegue realizar um bom trabalho sai da universidade muito mais confiante no seu potencial, até porque conseguiu colocar em prática diversas habilidades desenvolvidas durante o curso”, diz.

A professora Patrícia Paixão avaliza a opinião de Tânia e complementa: “Já tivemos alunos que, após a banca, lançaram no mercado seus livros-reportagens ou documentários, conseguindo a primeira oportunidade de emprego como jornalista, em função dessa projeção”.

O investimento é de R$ 60,00 para quem garantir a vaga no primeiro lote. Para o segundo lote, o custo é de R$ 80,00. As vagas são limitadas.

Para se inscrever, basta entrar neste link.

Confira a seguir o conteúdo programático e os currículos dos professores.

Conteúdo programático:

*Os critérios de noticiabilidade como norte na escolha do tema (ineditismo, interesse público, empatia etc.);

*A escolha da mídia ou modalidade mais adequada (livro-reportagem, livro fotográfico, reportagem para TV, reportagem para rádio, reportagem para revista, reportagem para jornal, reportagem multimídia, documentário para TV, documentário para rádio, site, plano de assessoria de imprensa etc.);

*A fase da pauta e do planejamento: levantamento das fontes de referência, fontes documentais, fontes bibliográficas e personagens a serem entrevistados/consultados;

*Criação de um cronograma de execução de cada fase do TCC;

*A apuração e a importância da pesquisa de campo;

*A implementação do trabalho (redação, edição e diagramação, no caso de mídia impressa; roteiro e edição no caso de TV e rádio etc.);

*Os segredos de um bom relatório: como montar um adequado e consistente quadro teórico e como atender às normas da ABNT.

Currículos das professoras:

Patrícia Paixão

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Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP), no Programa de Integração em América Latina (PROLAM). É professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Anhembi Morumbi. Também lecionou na Uniban Brasil, FIAM-FAAM e FAPSP. É fundadora do blog Formando Focas, colunista dos portais IMPRENSA e Comunique-se, além de organizadora dos livros “Mestres da Reportagem” e “Jornalismo Policial: Histórias de quem faz”. Possui quase 20 anos de experiência na área jornalística. Foi repórter do portal IG e da Folha de S.Paulo e editora das revistas segmentadas Professional Publish (indústria gráfica) e Anave (indústria de papel e celulose). Também atuou como gerente de comunicação do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (em São Paulo) e assessora de imprensa de diversas organizações.

Tânia Trajano

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Jornalista, com mais de 20 anos de experiência na área. Atuou como repórter, chefe de redação e editora de publicações voltadas aos segmentos de negócios, economia, comunicação e marketing. É Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero (2002) e Especialista em Teoria da Comunicação, pela Faculdade Cásper Líbero (1999). É professora contratada da Universidade Paulista desde 2006. É sócia diretora da TT Projetos Editoriais, especializada na produção de conteúdo para as áreas de marketing e comunicação, e atua como colaboradora para veículos desses segmentos. É co-autora do livro “Marketing e Comunicação para Pequenas Empresas”, editado pela Novatec.

 

Dicas sobre livro-reportagem e jornalismo na TV marcam 3º aniversário do Formando Focas

 

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*Por Amanda Stabile

Fotos: Cadu Bazilevski e Sidney Barbalho de Souza

O blog Formando Focas, voltado a oferecer dicas e conselhos para estudantes de jornalismo, celebrou seu terceiro aniversário no último sábado (25/08), com evento gratuito no auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

“Ele foi criado em 2015 e desde então vem crescendo. Começou com meus alunos seguindo e hoje já conta com mais de 36 mil seguidores no Brasil inteiro”, explicou a autora do blog, Patrícia Paixão, que também é professora universitária e jornalista. “Rumo aos 50 mil!”, brincou.

O evento se iniciou com a mesa “O livro-reportagem como TCC”, na qual André Guimarães, autor do livro Gérson de Souza – Um repórter em extinção; Luciana Faustine, autora de À flor da pele: o impacto da internação compulsória na vida dos hansenianos e de seus filhos sadios; e Sidney Barbalho de Souza, autor de Marcelo Canelas – Por um jornalismo humanista, falaram acerca dos bastidores de produção de seus livros-reportagem.

Luciana Faustine explicou que a ideia de seu tema surgiu quando ainda cursava o segundo semestre da faculdade. “Eu estava conversando com uma professora de fotografia e ela me falou sobre uma amiga que também era jornalista. Mais tarde, pesquisando sobre ela, vi uma pauta que ela tinha proposto sobre o impacto da Hanseníase na vida dos filhos e familiares”, recordou. “Eu achei interessante a proposta, vi vídeos e pesquisei sobre o assunto. Quando chegou a hora de fazer o TCC eu falei ‘eu vou fazer sobre isso’”, complementou.

Helena, uma das personagens entrevistadas no livro, estava presente no evento. Ela foi separada dos seus pais – portadores da doença – logo no nascimento e afirma que há fatos sobre a internação deles que ela só tomou conhecimento a partir do livro. “É muito importante que tudo que a gente passou aqui no Brasil seja divulgado, para por um fim nos preconceitos quanto a hanseníase. Ela é como qualquer outra doença. E tem cura!”, afirmou.

A dica que Sidney Barbalho deixou para aqueles que também desejam um livro reportagem como TCC foi, caso seja uma obra biográfica, que a primeira entrevista seja feita com o personagem principal. Assim, a partir dessa conversa é possível estabelecer o ponto de partida para conhecer todas as demais pessoas que fazem parte dessa história.

Ele também enfatizou a importância da pesquisa – antes do primeiro contato é necessário pesquisar a história do personagem para embasar as questões e perguntar coisas relevantes – e do planejamento. “Eu estive em 5 estados diferentes em que o Canellas foi passando, em que a vida dele foi construída. Por isso, é preciso um planejamento financeiro, para estipular todos os gastos e honrar com o compromisso de todos os entrevistados”, afirmou.

André Guimarães alertou para o tempo de dedicação que um livro reportagem exige de seu autor.  “Uma coisa que vai acontecer no seu TCC é você ter de abrir mão de alguns momentos – com a sua família, de ir ao teatro, de sair. Mas você não vai estar perdendo com isso”, disse. “Porque, no meu caso, cada vez que eu ouvia novamente a entrevista eu aprendia mais e mais”.

Para ele, sua maior gratificação foi ver a emoção de Gerson de Souza e de sua família, no lançamento do livro. “A atenção que eles me deram ao dizer que a história deles não ia morrer nunca mais. Isso para mim não tem preço”, recordou.

A segunda mesa, “Reportagem, emoção e simpatia: é possível sim unir tudo!”, contou com a participação de Gérson de Souza, repórter especial da Record TV e de Fernanda Elnour, da TV TEM, afiliada da TV Globo em Sorocaba.

Gerson falou um pouco sobre a sua trajetória jornalística, passando pelo rádio e pela televisão, sempre com reportagens humanizadas e descontraídas. “Eu me lembro que uma vez eu fui advertido por alguém da chefia, que eu não podia colocar a mão no entrevistado”, relembrou. “Eu não só toco na pessoa, como eu abraço e até beijo”, brincou.

Fernanda diz que, diferentemente de Gerson, já iniciou sua carreira na TV na época do jornalismo mais humanizado. “Hoje em dia somos muito cobrados para fazer um jornalismo mais humano, com passagens participativas e com interação com a população”, disse.

Ao final da conversa, houve um novo lançamento dos volumes 2 e 3 da série Mestres da Reportagem, que reúne entrevistas com os maiores jornalistas do país, feitas por alunos e ex-alunos de Patrícia Paixão, organizadora do livro. Também houve o sorteio de alguns livros, inclusive Gérson de Souza – Um repórter em extinção, que foram autografados pelo repórter.

*Amanda Stabile é estudante do 5º semestre de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ela escreve como colaboradora do Formando Focas.

Livro revela bastidores de solidariedade na cidade-mãe da equipe Chapecoense

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*Patrícia Paixão

Foto: Patrícia Saraiva/Divulgação

Se eu tenho orgulho dos meus alunos? Muuuuuuuuuuito! E como não ter?? Eles sempre me surpreendem com trabalhos jornalísticos maravilhosos.

A jornalista Tatiane Cordeiro, que foi minha aluna na Faculdade do Povo (FAPSP) e nas Faculdades Integradas Rio Branco, acaba de lançar um livro que rendeu elogios e contou com a presença (no primeiro lançamento ocorrido em São Paulo) do prefeito de Chapecó Luciano Buligon (PSB).

A obra mostra Chapecó sob uma perspectiva não trabalhada na imprensa. Conta a história da cidade e toda rede de solidariedade de seus moradores, a partir do trágico acidente com o time de futebol Chapecoense, em 28 de novembro de 2016.  O avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, caiu  a poucos quilômetros da cidade colombiana.

O livro, que é resultado do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Tatiane nas Faculdades Integradas Rio Branco,  mostra histórias de vida e de superação no município que tem mais de 200 mil habitantes e se destaca pela agroindústria e pelo turismo.

Com 114 páginas, a obra traz entrevistas com diversos personagens da cidade, dentre eles o jornalista Rafael Henzel, um dos sobreviventes do acidente com voo da Chapecoense.  Segundo Tatiane, a entrevista aconteceu seis meses após o acidente. “Henzel falou sobre a tragédia e o milagre de ter sobrevivido. Foi muito importante poder realizar este capítulo tendo ele como entrevistado”, descreve a jornalista.

O livro ““CHAPE: solidariedade que vai além do campo – Histórias da cidade de Chapecó” terá um novo lançamento, desta vez na cidade natal de Tatiane, o município de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo. O evento será realizado no dia 21 de agosto (terça-feira), às 19h, no Centro Cultural de Mogi das Cruzes. Se você é mogiano, NÃO PODE PERDER!!!

Tati, que orgulho vê-la brilhar com um livro-reportagem tão lindo. Te amo ❤

Serviço 

Lançamento do livro “CHAPE: solidariedade que vai além do campo – Histórias da cidade de Chapecó
Data: 21 de agosto de 2018
Horário: 19:00
Local: Centro Cultural de Mogi das Cruzes
Endereço: Praça Mon. Roque Pinto de Barros, 360 – Centro, Mogi das Cruzes/SP

Estudante escreve sobre suposta imparcialidade da imprensa

 

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Segue o texto “Carta à imprensa”, da querida aluna de Jornalismo da Universidade São Judas, Gabriela Ferreira. Bela reflexão!

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CARTA À IMPRENSA

Cara imprensa,

Sou só uma estudante de jornalismo. Não trabalho em redação ainda, escrevo sobre áreas completamente alheias à política e, sinceramente, não tenho interesse em discutir sobre isso com as pessoas do meu convívio, ainda mais considerando a situação em que nosso país está. Mas há algum tempo observo uma postura na cobertura jornalística brasileira que me incomoda e muito.

Quando entrei na faculdade, tinha aquela visão clichê de que jornalistas eram agentes da justiça e liberdade de expressão, totalmente imparciais. A primeira coisa que o curso e uma das melhores professoras que eu já tive me ensinaram foi que a imparcialidade é impossível no nosso ramo de atuação; ela foi brilhante ao ressaltar algo que estava bem embaixo do nosso nariz.

A partir do momento que você seleciona o conteúdo que entra em um texto, edita uma entrevista ou escolhe as pautas que vão ser tratadas na redação, já está deixando de ser imparcial. Quando escolhe a forma de tratar um assunto, escolhe seus entrevistados e decide que informações pode deixar de fora. Quando monta a pirâmide invertida e organiza as informações (que, relembrando, você selecionou) e as classifica em ordem decrescente.

Quando eu era criança, muito antes de pensar no que ia fazer para o resto da minha vida, a senhora minha mãe me ensinou que toda história tem três lados: o de uma pessoa, o de outra e a verdade. Ela disse que aprendeu isso apanhando muito como advogada, quando sentia dó de um cliente que acabava a comprando com uma história e depois alguma mentira acabava vindo à tona. Nunca pensei que algo assim poderia ser útil na minha profissão também.

Unindo os dois aprendizados, cheguei à conclusão de que a imprensa brasileira está sofrendo do crônico mal da necessidade de constantemente se posicionar politicamente, mesmo que de forma disfarçada. Quando seu jornal escolhe poluir a imagem de um candidato específico por um deslize que ele cometeu, por menor que ele seja, não é um erro. Erro é não fazer isso com todos os outros que também cometeram (e cometem) deslizes.

Se o dever do jornalista é informar de forma justa e imparcial, por que não estamos fazendo isso? Por que as direções dos veículos escolhem um dos lados da história para contar e não a verdade, como está nas bases do nosso ofício? Por mais jovem que eu seja, entendo que muitas vezes perguntas simples possuem respostas complexas, e soluções não aparecem do dia para a noite.

Para que algo aconteça, é preciso mudar todo um sistema. Abandonar políticos de estimação e expor abusos e falhas vindas de todos os lados e pessoas, independente de sua lealdade particular ou corporativa. A justiça e a mudança só irão acontecer quando percebermos que viver em um país de privilégios fortalece direta e indiretamente a corrupção de que tanto reclamamos.

A mudança apenas irá acontecer quando permitirmos. Por isso, como estudante com apenas um ano de curso pela frente, apelo nesta carta para todos os meus colegas de profissão: permitam e abracem as mudanças. Por vezes elas não vêm para desonrar as tradições e aprendizados estabelecidos pela sua experiência do ramo, e sim para acrescentar a elas.

Curso oferece técnicas e estratégias para a produção do texto jornalístico

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*Redação Formando Focas

Qualquer que seja a área em que o jornalista vá atuar (redação, assessoria de imprensa ou comunicação corporativa), ter um texto atrativo, coerente e preciso é pré-requisito.

Mesmo quem deseja trabalhar com TV ou com rádio, precisa saber construir um bom texto, para envolver o telespectador ou ouvinte.

O curso “Técnicas e estratégias para redação e edição de texto jornalístico”, oferecido pelo Centro de Formação Profissional do Formando Focas, é especialmente voltado a quem deseja aperfeiçoar a produção textual, do momento da redação à edição.

Além de ensinar técnicas e estratégias para construir uma abertura atrativa e garantir que as declarações dos entrevistados apareçam no texto de forma interessante e correta, o curso oferece dicas sobre como usar os elementos gráficos (título, linha fina, intertítulos e olhos) para conquistar o leitor.

Com duração de três horas, ele é oferecido para turmas pequenas, para assegurar um clima intimista. Assim os professores podem focar nas dúvidas e necessidades de cada aluno.

As aulas são ministradas no dia 1º de setembro (sábado), das 10h30 às 13h30, no Lobo Centro Criativo (Rua Capitão Cavalcanti, 35A), na Vila Mariana (próximo ao metrô).

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O investimento é de R$ 60,00 (para quem garantir a inscrição no primeiro lote – clique aqui para se inscrever). O curso oferece certificado.

Confira abaixo o conteúdo programático e o currículo das professoras:

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

– Qualidades de um bom texto jornalístico: estilo, coerência, coesão, clareza e precisão.

– Como tornar o texto envolvente com o uso de recursos da literatura.

– Técnicas para a construção de aberturas atrativas.

– Como selecionar, editar e inserir as declarações dos entrevistados no texto jornalístico.

– Como transformar os elementos gráficos (título, linha fina, intertítulos e olhos) em “iscas” para atrair o leitor.

– Não erre mais: dicas práticas para melhorar a qualidade do seu texto.

*SOBRE AS PROFESSORAS:

Patrícia Paixão

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Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP), no Programa de Integração em América Latina (PROLAM). É professora do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Universidade São Judas e da Universidade Anhembi Morumbi. Também lecionou na Uniban Brasil, FIAM-FAAM e FAPSP. É fundadora do blog Formando Focas, colunista dos portais IMPRENSA e Comunique-se, além de organizadora dos livros “Mestres da Reportagem” e “Jornalismo Policial: Histórias de quem faz”. Possui quase 20 anos de experiência na área jornalística. Foi repórter do portal IG e da Folha de S.Paulo e editora das revistas segmentadas Professional Publish (indústria gráfica) e Anave (indústria de papel e celulose). Também atuou como gerente de comunicação do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (em São Paulo) e assessora de imprensa de diversas organizações.

Tânia Trajano

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Jornalista, com mais de 20 anos de experiência na área. Atuou como repórter, chefe de redação e editora de publicações voltadas aos segmentos de negócios, economia, comunicação e marketing. É Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero (2002) e Especialista em Teoria da Comunicação, pela Faculdade Cásper Líbero (1999). É professora contratada da Universidade Paulista desde 2006. É sócia diretora da TT Projetos Editoriais, especializada na produção de conteúdo para as áreas de marketing e comunicação, e atua como colaboradora para veículos desses segmentos. É co-autora do livro “Marketing e Comunicação para Pequenas Empresas”, editado pela Novatec.